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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Sistema Solar




Sociedade Racionalista

"A terra orbita o sol a 29,6 quilômetros por segundo. Que é cerca de 106 560 quilômetros por hora. Entre o tempo em que você vai para a cama e a hora que você acorda, você terá viajado de 1 milhão de quilômetros."

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

ETs




Sobre Vida Extra-Terrestre:

(..) Sim Diêgo e Bruno, trata-se de uma questão dedutiva, especulativa e probabilística - Equação de Drake, Paradoxo de Fermi, Hipótese da Terra Rara, Princípio de Mediocridade, etc... E o 'Bruno Kim A. Watanabe' Sintetizou muito bem "a distância é um fator crítico para o contato" - assim como o tempo, as contingências para a vida, e por aí vai... E comparto mais uma vez com o Bruno e com o Diêgo, "a educação é um entrave", para o ôba-ôba ufológico [grifo meu], versus a seriedade das considerações Astronômicas, e mais particularmente Astrobiológicas... 

Estamos muito mais próximos do conhecimento 'último' - se fosse possível abarcá-lo -, referencialmente, do que um homem comum está do conhecimento disponível... Em muitos aspectos, a sensibilidade geral engatinha por volta do fim da Idade Média... Decorrências e intercorrências do processo de convergência cultural, lento, dinâmico, e igualmente contingente... Mas seguimos em frente... 

E uma fronteira que precisa ser associada a toda esta questão: a Biologia da Crenças... Também avançamos muito neste sentido, nas últimas três décadas, graças à Neurociência Cognitiva e à  Genética - apoiadas pela Antropologia e pela Arqueologia, neste particular "ufológico"... 

A disponibilidade de elementos químicos na Terra - Hidrogênio, Oxigênio,  Carbono e Nitrogênio - segue a disponibilidade geral no Universo - com exceção do Hélio, um gás nobre inerte... Podemos então deduzir, ou especular com seriedade, sobre a existência ou não de 'VIDA' extra-terrestre, i.e., seres vivos, inteligentes ou não, vivendo por aí, no Universo, e fora do Planeta Terra... Podemos até calcular as probabilidades para a vida, mas associar isso à VGM - Viagem Geral na Maionese - da Ufologia barata é outra história... No primeiro tópico trata a Astrobiologia, do segundo a Neurociência Cognitiva, capítulo: Alucinações...

Cálculos otimistas, trabalhando sobre parâmetros e versões atualizadas de Equação de Drake, dão conta de cerca de 10 'mundos' com as condições contingentes para a vida extra terrestre em nossa galáxia, e com chances de contato... Enquanto os realistas - ou pessimistas - sugerem a existência de apenas 2 possíveis mundos contactáveis, embora assinalando que existiriam cerca de 200 'mundos' abrigando alguma forma de vida inteligente em nossa galáxia, mas com os quais, e pela distância e tempo de existência, nunca faríamos contato...


FIAT LUX  

Carlos Sherman

ETs: Não estamos sozinhosNunca estivemos tão perto de pôr um fim na nossa solidão cósmica. Pesquisas recentes mostram que boa parte dos planetas de fora do sistema solar é a cara da Terra. E agora astrônomos contam com um arsenal de novas tecnologias para buscar vida em clones do nosso planeta.por Pedro Burgos
Você mora na periferia de uma cidade do interior. Em termos cósmicos, pelo menos. Sua casa é uma rocha cheia d’água que gira num cantinho da galáxia, bem longe do movimentado centro. O Sol, esse reator nuclear com diâmetro de 1,4 milhão de quilômetros, é só uma entre os 300 bilhões de estrelas da Via Láctea. Uma galáxia bem pacata, por sinal. A verdadeira megalópole deste pedaço do Universo é Andrômeda, nossa galáxia vizinha, com 1 trilhão de sóis.
Não, não estamos nada sozinhos no Cosmos. Além de Andrômeda, há pelo menos outros 125 bilhões de galáxias no Universo visível. E, se respeitarmos a lógica, o que não falta em cada uma delas são planetas, muitos planetas. Como disse o astrônomo Carl Sagan sobre a vida lá fora: “Deve haver bilhões de trilhões de mundos. Então por que só nós, jogados aqui num canto esquecido do Universo, seríamos afortunados?”
A descoberta de que estamos no meio de um Universo tão vasto e rico é relativamente recente: começou na 2a metade do século 20. E as provas de que, sim, existem mesmo planetas em outras estrelas se trata de algo mais novo ainda. Isso tudo deu uma guinada na ciência, a ponto de a exobiologia, que estuda a possibilidade de vida fora da Terra, ter subido de status. “Quando cunharam o termo exobiologia, [nos anos 60] ele foi ridicularizado como uma ‘ciência sem objeto de estudo’.? Mas a maré científica mudou e hoje há um entusiasmo crescente em tentar achar vida em outros lugares do Universo”, diz a astrônoma Jill Tarter, da Universidade da Califórnia, no livro The Search for Life in the Universe, (“A Busca da Vida no Universo”), inédito em português.
Outros vão mais longe e apostam que não só a vida é inevitável lá fora mas civilizações tão ou mais avançadas que a nossa também. Como já disse o físico de Harvard Paul Horowitz: “Vida inteligente no Universo? Garantido. Na nossa galáxia? Extremamente provável”.
De onde vem tanta empolgação?
Condições para a vida
As apostas de que, sim, há muita vida lá fora começam com duas novas certezas. Primeiro, a de que não faltam planetas fora do sistema solar.
Até anteontem não havia prova de que outras estrelas, fora o Sol, tivessem mesmo planetas. A astronomia dizia que sim: estudos sobre a formação de estrelas mostram que elas costumam nascer carregando um séquito de pequenos astros. Mas o ponto final na questão só veio em 1995, quando astrônomos da Universidade de Genebra detectaram um planeta gigante feito de gás, como Júpiter, em volta de uma estrela parecida com o Sol, a 51 Pegasi.
De lá para cá a década de 1990 teve uma média de 3,4 planetas extra-solares descobertos por ano. E agora, com instrumentos mais precisos, o ritmo explodiu. No ano passado, foram mais 61. Em 2008, só até julho, outros 36. Total: 307. E a conta não pára de crescer.
A segunda certeza é ainda mais determinante: a de que dois ingredientes fundamentais para a vida, água e moléculas orgânicas, são comuns no Universo. Essas moléculas são fáceis de achar no espaço sideral – elas ajudam a formar as nuvens de gás e poeira que dão à luz qualquer estrela (e conseqüentemente qualquer planeta) no Universo. Quanto ao H20, ele também é arroz-de- festa no Cosmos: a própria água que enche os oceanos da Terra chegou aqui na forma de bolas de gelo que caíram do céu (os cometas) durante a formação do sistema solar. E isso pode ter acontecido em qualquer outro ponto do Universo.
Para completar, em 2007 o telescópio Hubble detectou pela primeira vez a existência de água num planeta extra-solar, ainda que em forma de vapor. E neste ano encontrou água e moléculas orgânicas em mais outro. Isso não indica que algum desses dois tenha vida. Ambos são gigantes feitos de gás, como Júpiter – um tipo de planeta pouco amigável a seres vivos. Mas, se houver um planeta parecido com a Terra na região, aquilo que aconteceu aqui pode ter acontecido lá.
“Estamos tão, tão perto de encontrar vida em outros planetas que é só uma questão de continuar procurando. Parece que é só uma questão de tempo”, diz o astrônomo Marc Kuchner, do Laboratório de Exoplanetas da Nasa. Mas como Kuchner e seus colegas estão procurando?
Guia do caçador de planetas
Buscar um astro em volta de uma estrela é como tentar achar um pernilongo ao lado de um prédio em chamas. A olho nu. Simplesmente não dá para ver. O que os astrônomos fazem, então, é detectá-los de formas indiretas. Por exemplo: se o brilho de uma estrela diminui um pouco num ponto da superfície dela, em intervalos regulares, significa que tem um planeta girando ali. Outro jeito de procurar é observar o “balanço” de uma estrela. A gravidade de um planeta é forte o bastante para chacoalhá-la um pouco. Se os observadores apontarem seus equipamentos por muito tempo para ela dá para analisar essas balançadas e deduzir que há um planeta passando por ali. Mais: pelo movimento, dá para calcular a massa do planeta e sua órbita.
Muito bom, mas tem um problema: desse jeito os mundos mais fáceis de detectar acabam sendo os muito grandes e próximos das estrelas. Só que planetas grandes são sempre bolas de gás como Júpiter, um monstro de hidrogênio com massa igual à de 317 Terras. E isso é um tanto frustrante na busca pelo que interessa, que é a vida fora da Terra: a atmosfera desses gigantes gasosos é tão maciça que a pressão lá dentro fica insuportável – seres complexos simplesmente estourariam em ambientes assim. E pior ainda se o planeta recém-descoberto estiver perto de sua estrela. Assim as temperaturas lá dentro ultrapassam 100 ºC, e a água só tem como existir na forma de vapor. Aí não adianta.
Procurar por planetas com vida significa buscar por um que tenha água líquida. Isso não é egocentrismo de cientista terráqueo, achando que a vida em outros planetas tem que ser igual à daqui. É respeito pelas leis da química, que valem para o Universo inteiro. Funciona assim: para ter algo que dê para chamar de vivo, precisamos de moléculas que se juntem para formar coisas complexas. As que melhor fazem isso são as moléculas orgânicas, estruturas que têm átomos de carbono como pilares e que, por sinal, formam o seu corpo. Só que moléculas não andam. Elas precisam de um solvente, de um meio fluido para se locomover e encontrar umas às outras. E a água líquida é a melhor coisa que tem para isso no Universo – não é à toa que a vida por aqui começou nos oceanos.
Isso não quer dizer que ausência de água seja evidência de planeta morto. “A vida como conhecemos é feita de carbono. Mas eu facilmente acreditaria que um ser fosse formado por outro elemento básico, como silício, ou que tivesse amônia como solvente em vez de água. Tenho certeza de que a vida no Universo é bastante diversificada”, diz a astrobióloga mexicana Graciela Matrajt, da Universidade de Washington.
Mesmo assim, os cientistas preferem o certo ao duvidoso, e vão atrás de planetas parecidos com o nosso – relativamente pequenos e com uma temperatura amena, que deixe a água correr.
Só que achar planetas assim por aí é difícil, justamente por causa do tamanho. A própria Terra, em pessoa, seria invisível para os instrumentos que os astrônomos usam hoje. Mas existe um alento: as “super-Terras”, mundos com a cara deste aqui, só que grandes o suficiente para entrar na mira dos equipamentos mais modernos.
A precisão desses instrumentos deu um salto nos últimos anos. A “sintonia fina” na hora de detectar as balançadas nas estrelas, por exemplo, melhorou. Já dá para perceber oscilações mais sutis, causadas por planetas menores. E isso abriu as portas para encontrarmos mundos com massa 10 vezes menor que a de Júpiter – planetas Terra muito, muito grandes. Mas ainda assim amigáveis para a vida.
Já encontraram 11 desses, de 2006 para cá. E a grande notícia veio no ano passado: dois gêmeos da Terra com possibilidades reais de terem água líquida. São os planetas Gliese 581 c e Gliese 581 d (não, os nomes não são nada poéticos: sempre colocam a denominação da estrela que eles orbitam – no caso, a Gliese 581 – seguida de uma letra). O que esses dois têm de mais especial em relação aos outros 9 planetas terrestres é a localização. O 581 c, por exemplo. Ele é o primeiro planeta pequeno, com “apenas” 5 vezes a massa da Terra, dentro daquilo que os astrônomos chamam de “zona habitável”: uma distância em relação à estrela que não deixa o astro nem frio nem quente demais. Ele fica mais perto de Gliese que Mercúrio fica do Sol. Se fosse no nosso sistema solar, isso significaria temperaturas de quase 500 ºC, só que a estrela Gliese é pequena e fria, com 10% da luminosidade do Sol. Então o planeta pode ter um clima equivalente ao da Terra. E só isso já é um indício de que existe água líquida por lá.
Quando o 581 c apareceu, foi uma festa. No mundo da astronomia a sensação era que, se existisse vida em algum lugar, seria ali. Mas então alguns astrônomos teorizaram que, se a atmosfera do planeta for grossa demais, os “raios de sol” de Gliese podem ficar presos no planeta. É o efeito estufa, que pode elevar demais o termômetro e acabar com a idéia de água líquida. A desconfiança ainda perdura entre os especialistas. E, se for isso mesmo, o grande candidato a abrigar seres vivos automaticamente passa a ser o 581 d. Ele fica um pouco mais distante de Gliese, numa região mais fria que a da zona habitável, com temperaturas sempre abaixo de zero. Mas aí o efeito estufa por lá seria um bom negócio. Ele poderia deixar a temperatura tão amena quanto a daqui.
Tudo isso é hipótese, claro. Quando você encontra um planeta pelo efeito que ele causa em sua estrela, como aconteceu com os dois de Gliese, o astro não “aparece na foto”. Então não dá para deduzir como ele é de fato, muito menos cravar que pode existir vida lá ou não. Mas essa limitação está para acabar. Quer dizer: acabou.
Como desvendar as novas Terras
Em fevereiro do ano que vem a Nasa lançará a missão Kepler, um telescópio em órbita que se dedicará exclusivamente a buscar planetas na nossa vizinhança galática. Ele tem duas grandes melhoras em relação ao Hubble. Primeiro, consegue observar mais estrelas em detalhes. Enquanto o telescópio veterano só tem foco para analisar uma de cada vez, o Kepler foi projetado para fazer isso com dezenas ao mesmo tempo. Segundo, fará imagens mais nítidas. Suas lentes ganharam uma espécie de máscara para filtrar o brilho das estrelas. Isso diminui as interferências de luz e permite detectar pelo menos algumas cores dos exoplanetas.
E isso pode dizer mais sobre eles do que parece. Cada elemento químico reflete a luz de um jeito diferente. É graças a isso que sabemos o que tem na atmosfera dos planetas mais distantes do sistema solar sem nunca termos pousado uma nave naquelas bandas.
Mas fazer isso com planetas a anos-luz de distância é outra coisa. O Hubble até fez aquela detecção de água e de moléculas orgânicas, mas só porque se tratavam de planetas gigantes. Agora, com o Kepler, o objetivo é desvendar a atmosfera dos exoplanetas menores. Se encontrarmos bastante oxigênio em algum, por exemplo, teremos um bom indício de vida. Quem encheu a Terra de oxigênio, afinal, foram coisas bem vivas: as algas.
Só com o Kepler, esperam achar e analisar a atmosfera de pelo menos 50 planetas do tamanho da Terra em zonas habitáveis. E vem mais por aí: a Agência Espacial Européia (ESA) prepara 3 telescópios espaciais que trabalharão juntos para encontrar lugares habitáveis, com lançamento agendado para 2015. E a Nasa planeja o sucessor do Hubble, também para a próxima década. Ele será 4 vezes maior e 10 vezes mais preciso. A esperança é que, com ele, consigamos fotos detalhadas de planetas extra-solares.
Mas e aí? E se encontrarmos um planeta com uma atmosfera recheada de oxigênio, sinais de moléculas orgânicas, temperatura amena, oceanos e o escambau? Vamos mandar uma sonda espacial nos moldes dos jipinhos marcianos para ver se existem aliens mesmo no lugar?
Vida no sistema solar
Enviar sondas espaciais é o melhor jeito de entender o que acontece fora da Terra. Que o diga a nave Phoenix. Ela chegou a Marte em junho, ainda está coletando e analisando informações do solo marciano e de cara confirmou que existe água em forma de gelo no pólo norte de lá. A temperatura marciana é muito fria (chega a -140 °C), mas, se essas calotas fossem derretidas, seriam capazes de formar uma camada de 11 metros de profundidade no planeta inteiro, pelos cálculos da Nasa. Outra análise da Phoenix mostrou que o solo do planeta não é tão morto assim: nutrientes importantes para a vida, como magnésio, sódio e potássio, estão presentes nas amostras. É muito difícil haver vida lá? Hoje, é. Mas ontem, nem tanto: fotos aéreas mostram erosões que, ao que tudo indica, são leitos secos de rios que corriam numa época em que o planeta era mais quente. A probabilidade de que Marte tenha tido água líquida é real. Por isso estamos longe de desistir de achar indícios de que já houve pelo menos micróbios lá – e, em última instância, de que a vida é comum em qualquer lugar que ofereça as condições. Uma nave ainda mais equipada que a Phoenix pousará lá no ano que vem, enquanto a Agência Espacial Européia vai lançar em 2013 o ExoMars, carrinho capaz de perfurar profundamente o solo em busca de vestígios orgânicos. Para fechar, tanto os europeus como a Nasa planejam missões tripuladas com humanos antes de 2040.
Outro alvo na busca pela vida é Europa, uma lua de Júpiter. Ela tem uma fina atmosfera com oxigênio e, ao que tudo indica, uma surpresa embaixo de sua camada de 200 quilômetros de gelo: água líquida. É que a forte gravidade de Júpiter pode ter feito o gelo mexer e remexer tanto que ele acabou esquentado, só pela fricção. E onde há água líquida, há chance de vida.
Para ver se tem mesmo, a Nasa planeja mandar uma sonda para a órbita de Europa na próxima década. E a Agência Espacial Russa (Roscosmos) vai mais longe: quer pousar uma nave (não tripulada) em Europa até 2020. Tudo isso, porém, só dá para fazer porque Marte e a lua de Júpiter são logo ali. Se quisermos mandar uma sonda para algum planeta extra-solar, temos um problema. A estrela mais próxima daqui, Alpha Centauri, fica a 4,3 anos-luz da Terra. Isso significa que um raio de luz demora 4,3 anos para chegar lá. Não parece grande coisa, mas são 40 trilhões de quilômetros de distância. Demais para as nossas sondas.
E olha que elas são até rápidas. A Voyager, que já atravessou o sistema solar inteiro, hoje rasga o espaço a 1,4 milhão de quilômetros por hora, 1 000 vezes mais rápido que o som. Só que isso não é nada em termos espaciais: representa apenas 0,000058 da velocidade da luz.
Nesse pique ela demoraria 80 mil anos para chegar a um eventual planeta na órbita de Alpha Centauri. Dureza: nem se os neandertais tivessem lançado uma sonda espacial ela teria chegado...
Se é tão difícil mandar algo ou alguém para conversar, o que poderíamos fazer, então? “Telefonar” para eles é claro! Ou, pelo menos, ficar a postos para uma ligação interplanetária, ouvindo se chega alguma mensagem alienígena aos nossos radiotelescópios, as antenas que captam ondas de rádio vindas do espaço. Só que aí entramos em outro terreno.
Em busca da vida inteligente
Até agora estávamos falando da busca por seres vivos. Aí qualquer bactéria está valendo. Mas, se já é difícil encontrar sinais de vida pura e simples, como uma atmosfera cheia de oxigênio, topar com seres capazes de criar tecnologia é mais ainda. Se a história da vida na Terra, da primeira célula até hoje, fosse um jogo de futebol, o homem só teria entrado em campo faltando 3 segundos para o apito final. Quer dizer, se alguma civilização nos últimos bilhões de anos mandou mensagens para cá para ver se achava algum ser inteligente do outro lado da linha, pode ter cansado de esperar.
E, se a vida inteligente é só uma piscada na história deste planeta, o mais provável é que ela também seja extremamente rara lá fora. Mesmo assim, quem espera pelas chamadas de outros planetas mantém as esperanças.
Quem faz isso é o Seti, sigla em inglês para Procura por Inteligência Extraterrestre. Eles jogam todas as fichas na espera de receber sinais de rádio dos alienígenas. Mesmo com a possibilidade de que haja pouca vida inteligente lá fora, faz sentido: ondas de rádio viajam à velocidade da luz (1,08 bilhão de quilômetros por hora, a maior possível pelas leis da física). Não é o ideal para tentar falar com Andrômeda, a galáxia mais próxima, já que o sinal demoraria 2 milhões de anos para fazer a viagem. Mas dá para tentar aqui pela Via Láctea. Se uma mensagem partisse de um planeta na órbita da estrela Alpha Crucis, a base do Cruzeiro do Sul, levaria 321 anos para chegar aqui. Caso eles tenham mandado uma quando a Terra estava no ano de 1687, o sinal estaria chegando agora. E consideremos: captar um sinal assim nos colocaria em contato com uma civilização extraterrestre de um jeito até mais eficiente do que se tivéssemos mandado sondas.
“Trocar fotos e textos já é suficiente para quem se relaciona via internet, não? Então. Você pode aprender muito sem ter de ir a um planeta extra-solar”, diz o astrônomo americano Seth Shostak, diretor do Seti. O que o instituto faz, então, é alugar radiotelescópios para captar ondas do espaço e ver se aparece alguma que siga algum padrão, que só possa ter sido feita por alguma coisa inteligente. O romance Contato, de Carl Sagan, dá um exemplo prático: lá o Seti detecta uma espécie de código Morse vindo da estrela Vega.
Agora Shostak e sua turma esperam que isso vire realidade logo. É que está em fase final de construção o Allen Telescope Array (Campo de Telescópios Allen), bancado pelo bilionário Paul Allen, co-fundador da Microsoft. É um campo de 350 radiotelescópios todo dedicado ao Seti. “Não que isso seja caro. Manter os telescópios por um ano é menos do que o governo gasta para comprar um helicóptero militar de última geração [US$ 20 milhões]”, diz Seth. Com o batalhão de radiotelescópios de ouvidos abertos, a busca por vida inteligente será pelo menos 100 vezes mais rápida do que hoje. “Simplesmente por podermos usar o negócio o tempo inteiro, 24 horas por dia, nos próximos 20 anos teremos checado 1 milhão de estrelas.” Além disso, o Seti ficará de olho nas pesquisas das agências espaciais. E os planetas exosolares que podem ter vida serão alvos prioritários dos novos telescópios.
A outra maneira de fazer contato é, em vez de esperar por mensagens, mandá-las ao espaço para ver se algum alienígena capta. A humanidade tentou isso 4 vezes. As últimas foram enviadas pelo astrofísico canadense Yvan Dutil. Ele é uma espécie de porta-voz dos terráqueos e, junto com o colega Stephane Dumas, desenvolveu duas mensagens mandadas para os ETs em 1999 e 2003. A linguagem delas é a matemática (afinal, em qualquer lugar do Universo 1+1=2) e lá estão alguns dos últimos algarismos conhecidos de pi e o maior número primo pra mostrar que, se nós ainda não tivemos chance de viajar pela galáxia, pelo menos já temos uma capacidade computacional bem razoável (veja mais na página 68). No final das mensagens, Yvan propõe algumas questões para os aliens: “Nós nos baseamos na idéia de que, se quisermos sobreviver aqui na Terra, temos de gerenciar eficientemente nossos recursos. As civilizações mais avançadas teriam tido o mesmo problema e poderíamos aprender com elas. Os ETs que responderem podem ser um povo que já viveu por muito tempo, ou seja: que soube manejar a sustentabilidade”.
Não é só Yvan que acredita nisso. Existem modelos sérios de “exo-sociologia” que tentam explicar como seria, afinal de contas, uma civilização anos-luz à frente de nós – em ambos os sentidos. A teoria exo-sociológica que ficou mais famosa, e serve para guiar astrônomos até hoje, foi criada pelo astrofísico russo Nikolai Kardashev. Para ele, as civilizações extraterrestres poderiam ser divididas em 3 tipos. O primeiro, que ele chama de K1, seria o nosso: relativamente primitivo, e confinado em termos cósmicos – ou seja, só consegue usar os recursos de seu planeta natal para obter energia.
O segundo estágio seria uma civilização que dominasse a energia de sua estrela – o físico americano Freeman Dyson sugeriu que algum povo avançado poderia usar uma espécie de cobertor sobre as estrelas para absorver energia e, de quebra, controlar melhor a luminosidade de seu sol.
Uma civilização K3 seria mais ou menos como o Império de Darth Vader, de Star Wars: uma potência que reina sobre os recursos de várias estrelas e planetas.
Tudo isso é mais ficção do que teoria científica para valer, mas tem sua lógica. Tanto que um grupo de astrônomos japoneses procura distúrbios na luminosidade de algumas estrelas para verificar a existência de um desses “cobertores” de Dyson. Sem sucesso ainda – como tem sido toda e qualquer tentativa de acabar com a nossa solidão, seja buscando vida em planetas parecidos com a Terra, seja em nossos vizinhos, seja com radiotelescópios. Frustrante? Talvez não.
A verdade, lá fora
Mesmo que seja infrutífera para sempre, a busca por vida e por inteligência extraterrestre não deixa de revelar alguma coisa. Se daqui a centenas de milhares de anos jogarmos a toalha, dizendo “Já vimos tudo. Acabou. Somos únicos na Via Láctea”, vamos saber que somos privilegiados por uma série de eventos fortuitos. Primeiro, o Sol mantém basicamente a mesma luminosidade há 4,5 bilhões de anos, algo raro; vivemos em uma vizinhança tranqüila da nossa galáxia, sem estrelas explodindo o tempo todo, como acontece em outras áreas; temos um planeta grande como Júpiter por perto para atrair cometas e meteoros que, de outra forma, bateriam aqui o tempo todo... Seria sorte demais? Essa é a hipótese da “Terra Rara”, batizada pelos astrônomos americanos Peter Ward e Donald Brownlee.
Outra linha para explicar por que não fizemos contato até agora vai por um caminho oposto. Defende que a vida pode, sim, ser bem comum. Inclusive a inteligente. Mas que talvez as civilizações tecnológicas não sobrevivam por muito tempo: mais hora menos hora acabam se autodestruindo. Foi o que imaginou o astrônomo Frank Drake: o Universo tem 13,8 bilhões de anos; a fase tecnológica da nossa civilização, só 100. E já temos armas nucleares para acabar com essa festa a qualquer momento. Se for assim em outros lugares, outras civilizações já tiveram tempo mais do que suficiente para dar cabo de si mesmas (veja aqui em cima). E não teríamos muita “gente” para conversar na galáxia. Pense nisso quando ouvir o silêncio da noite.
“Na verdade a absoluta falta de certeza sobre o que vamos encontrar em outros planetas é o que faz a procura especialmente interessante”, diz Yvan Dutil, que tem uma citação favorita para explicar o seu interesse. “Cristóvão Colombo viajou para o Novo Mundo disposto a achar especiarias, ouro e diamantes. Voltou com batata, tomate e milho. E isso é 50% de nossa alimentação hoje. O que nos impactou não foi o que procurávamos”, dizia o ex-diretor da Nasa Daniel Goldin sobre por que gastar dinheiro procurando vida extraterrestre. A verdade, seja ela qual for, está lá fora.
Uma lua especial
Distância: 44 anos-luz.
O astro grandão ali atrás é o Cancri 55 f, uma bola de gás inóspita. Mas ele pode ter um satélite com água líquida. E vida.
Planeta “vizinho”
Distância: 4,3 anos-luz.
Simulações de computador indicam que pode haver um planeta com as características da Terra na estrela mais próxima daqui, Alpha Centauri.
Trio de super-terras
Distância: 41,3 anos-luz.
Descobertos em 2008 na estrela HD 40307, estes 3 planetas terrestres são quentes demais para a vida, mas indicam que astros como o nosso são comuns por aí.
Terra gigante
Distância: 20,5 anos-luz.
Um planeta igual a este aqui, só que com 5 vezes mais massa e diâmetro 50% maior. Eis o principal candidato a abrigar alienígenas.

As outras terras
Uma viagem por dentro de alguns dos astros com mais chances de abrigar vida
1. Pôr-do-sol eterno
Ele é 13 vezes mais próximo de sua estrela que a Terra do Sol. Mas Gliese 581 c pode ter vida porque sua estrela é mais fria. A gravidade, um pouco mais que o dobro da nossa, permitiria poucas montanhas. Por ser tão próximo da estrela, a atração gravitacional prende sua posição, e só um lado do planeta é iluminado. Então dia e noite duram para sempre em cada lado. E nos pólos o pôr-do-sol é eterno.
2. Sol das 3 da manhã
Os habitantes de um suposto planeta em volta de Alpha Centauri, um sistema com duas estrelas, veriam no céu, de manhã, um sol parecido com o nosso. Mas uma espécie de lua gigante, mil vezes mais clara que a daqui, apareceria durante o dia numa metade do ano e à noite na outra, eliminando a escuridão. Ainda não foi comprovado se há planetas ali – o sistema será alvo dos astrônomos a partir de 2009.
3. Terra mirim
Água abundante, um ano de 240 dias e temperatura amena. Quase como a Terra. Só que, no céu de lá, o astro dominante não é uma estrela, mas um enorme planeta, do tamanho de Saturno, o 55 Cancri f. A gravidade do gigante sacodiria o subsolo, criando erupções vulcânicas com quilômetros de altura. A esperança de vida é grande: já mandamos uma mensagem para lá em 2003, que chegará em 2044.

Carta de apresentação da humanidade
Em 1999, astrônomos mandaram esta mensagem para algumas estrelas. Agora esperam uma resposta dos Ets
Como falamos
A primeira parte explica o vocabulário da mensagem. São códigos que mostram os números de 1 a 9 como quadradinhos, e depois uma tradução em código binário (tipo, 2=0010), que será usada no resto da mensagem.
O que sabemos
Explicamos a eles como estabelecemos comprimento, área e volume. Mais os 15 primeiros números de pi e os últimos dos 51 539 600 016 algarismos que conhecemos da dízima, mostrando que temos computadores com potência para calcular isso.
Onde estamos
Aqui indicamos nossa localização, dando a posição da Terra no sistema solar. Para que eles nos achem mais facilmente, damos a massa e o raio do Sol e de Júpiter, os dois astros mais detectáveis para quem está longe.
Do que somos feitos
Aqui vão detalhes do que os humanos são feitos. Depois de mostrar os desenhos dos 4 ácidos nucléicos que compõem as bases do nosso DNA (timina, adenina, guanina e citosina), damos a estrutura básica das células e o tamanho delas: 10-5 metro.
Oi!
Dizemos a altura e o peso das pessoas na Terra. Outros gráficos apresentam as freqüências de som e de luz que nossos sentidos percebem. Assim, no caso de os ETs mandarem alguma mensagem de volta, eles terão certeza de que poderemos vê-la e ouvi-la.

Quantos vizinhos nós temos?
O astrônomo Frank Drake bolou uma equação para determinar quantas civilizações existiriam na galáxia neste momento. Veja os resultados otimistas (= O) e os conservadores (= C).
Número de estrelas
Como a comunicação com outras galáxias ainda é impossível – elas ficam tão longe que um sinal demoraria entre milhões e bilhões de anos para chegar –, a equação se restringe ao número de estrelas na Via Láctea: 300 bilhões.
Estrelas com planetas
Estrelas gigantes ou muito pequenas não têm condições de ter planetas habitáveis. Estrelas novas demais também estão fora. O que sobra é a fração de estrelas propícias a ter vida em volta. C: 0,005% O: 100%
Temperatura amena
Toda estrela tem uma zona habitável em sua órbita, onde a temperatura permite a vida. Pegando o exemplo do sistema solar (Marte estaria nessa zona), estimamos o número de planetas viáveis nessa zona. O: 3. C: 1.
Vida
Não é porque o planeta tem condição de abrigar vida que seres vivos irão aparecer. Como não sabemos o que provoca o aparecimento dela estimamos uma fração dos planetas favoráveis que produzam vida de fato. O: 100%. C: 50%
Inteligência
Alguns desses planetas com vida podem ter apenas bactérias e animais – a própria Terra teve só isso por mais de 99,9% do tempo. Aqui entra a fração de planetas onde a vida teria evoluído para uma civilização. O: 100%. C: 33%
Fator autodestruição
É preciso considerar que os seres inteligentes talvez não durem para sempre. Neste último fator dividimos o tempo de vida de uma civilização com capacidade de se comunicar com outras estrelas. O: 10 000 C: 450.
Civilizações aqui e agora
Acabou. Agora dividimos o resultado de todas as variáveis pela idade da Via Láctea (10 bilhões de anos). E o resultado é uma estimativa de quantas civilizações existem na galáxia neste momento. O: 900 000 C: 4
Fontes - Astrônomos Donald Goldsmith e Tobias Owen

Para saber mais
The Search for Life in the Universe
Donald Goldsmith e Tobias Owen, University Science Book, EUA, 2002.
Where is Everybody?
Stephen Webb, Copernicus Books, EUA, 2002.
Rare Earth
Peter D. Ward e Donald Brownlee, Copernicus Books, EUA, 2004.

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Nota:

Principais temas de pesquisa em Astrobiologia

1. Análise de dados de Titã: As observações de Titã pela Cassini serão analisadas para estudo de sua meteorologia, desenvolvimento de modelos de transferência radiativa, para definir composição da sua atmosfera, para aplicação em outras atmosferas de corpos celestes.

2. Envelopes circunstelares de objetos jovens: Medir fotometrica, espectroscopica e interferometricamente envelopes de estrelas jovens,sobretudo em bandas de moléculas astrobiologicamente interessantes a fim de identificar potenciais sítios de formação biológica favorável.

3. Formação e evolução de CHONs em diversos ambientes astrofísicos: A química da vida terrestre se baseia nos elementos C, H, O, N, os elementos quimicamente ativos com maiores abundâncias cósmicas. É provável que a vida em geral seja baseada em CHONs. O objetivo é a estimativa das abundâncias de compostos baseados em CHONs em diversos ambientes astrofísicos. Será usado o código de evolução quimiodinâmica CHEMODYN e a emissão IR obtida com a interface DUST. As previsões serão comparadas com observações de abundâncias, de galáxias até discos protoplanetários.

4. Identificação de biomoléculas no meio interestelar: O objetivo desta linha é identificar bandas em rádio de biomoléculas no MIS.

5. Investigação das condições de sobrevivência de microorganismos extremófilos em ambientes extraterrestres simulados: Simulações de ambientes extraterrestres em laboratório com o intuito de verificar a sobrevivência de microrganismos extremófilos em condições agressivas e investigar os mecanismos biológicos que podem contribuir para tal sobrevivência. Esse trabalho permite inferir a possibilidade desses microorganismos, ou microorganismos com mecanismos de resistência similares, sobreviverem ao ambiente extraterrestre, seja na superfície de outros planetas, seja em processos de transporte entre planetas.

6. Estrelas astrobiologicamente interessantes: idades, zonas habitáveis e órbitas galácticas: estudo de zonas habitáveis num conceito amplo e levando em conta condições astronômicas conhecidas.

7. Evolução química de biomoléculas no meio interstelar: Busca-se desenvolver equações e modelos que descrevam a evolução das abundâncias de biomoléculas importantes, tais como H2O, CO2, HCN, etc, no meio interestelar, a partir de um formalismo de Evolução Química da Galáxia misturado a considerações de Astroquímica.

8. Influência da atividade solar, da composição atmosférica terrestre e do campo geomagnético na vida da Terra: lições para a astrobiologia: A variação da atividade solar, da composição atmosférica terrestre e da intensidade do campo geomagnético foi registrada em diversas escalas temporais e pode-se relacionar a possíveis influências tanto na origem da vida na Terra como na sua evolução. Estes dados sugerem limite de variabilidade na atividade estelar, na composição atmosférica e nos campos magnéticos exoplanetários, permitindo o surgimento e evolução de vida semelhante a da Terra em exoplanetas a serem encontrados em zonas habitáveis.

9. Influência da incidência de radiação de alta energia em biosferas: Tem-se estudado os possíveis efeitos de radiação de alta energia, eletromagnética ou particulada, proveniente de fontes astrofísicas (flares solares, raios cósmicos, gamma-ray bursts, giant flares de soft-gamma repeaters, etc) sobre biosferas, tanto do ponto de vista de efeitos biológicos na escala molecular quanto na escala de ecossistemas, para o entendimento das possíveis influências na dinâmica ecológica e evolutiva global.

10. Formação de biomoléculas em atmosferas e superfícies planetárias: Pretende-se reproduzir dentro de uma câmara experimental, a química, a temperatura e o campo de radiação (Solar) presente em diferentes atmosferas e superfícies planetárias (ex. Titã, Marte, Vênus, Terra Primitiva, etc...), com o intuito de produzir resíduos orgânicos e novas moléculas consequentes do processo de fotólise na superfície de aerossóis suspensos na atmosfera ou mesmo no solo.

11. Fragmentação de biomoléculas em condições similares às do meio interestelar: Estudos da fragmentação de diversas biomoléculas por fótons energéticos ou partículas em condições de ultra-alto vácuo simulando o ambiente espacial têm sido realizados, de maneira a compreender a resistência das mesmas nessas condições. Tais estudos têm sido importantes para o cálculo do tempo de vida das diversas espécies moleculares, bem como para a geração de modelos químicos com as espécies químicas reativas formadas pelas fragmentações, os quais tem papel fundamental na química de moléculas biologicamente importantes no meio interestelar.


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Feito Pelas Estrelas...




"NOSSO POVO FOI FEITO
PELAS ESTRELAS"

-Mito Pawnee Pitahawirata
Grandes Planíceis, América do Norte

[todos os povos, toda a vida, todo o Sistema Solar, e todo o Universo... é constituído ou decorrente dos elementos químicos 'fabricados' no interior das estrelas, a partir da fusão do hidrogênio em toda a gama de elementos da Tabela Periódica - grifo meu...]

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Alea jacta est...






TETÊ ESPINDOLA, que a essa altura deve ser minha 'ex-amiga de luz', e deve ter esquecido de tomar o seu 'Gardenal', publicou a seguinte sandice (abaixo), e a imagem (acima):

O próximo 12 de Dezembro se produzirá um evento sem precedentes na história da Terra. Pela primeira vez se ativarão de maneira definitiva os códigos de luz da alma. Os quais foram desativados faz milhares de anos.
Cumpre-se assim um requisito imprescindível para a chegada da nova Terra: ao ser humano, pois, para ascender, tem que estar completo.
Recuperaremos deste modo o que nos pertence por direito próprio: a lembrança de quem somos e para que viemos, assim como as capacidades que nos são inerentes.
Mas uma coisa é recuperar e outra é saber utilizar.

Para as pessoas que estão despertas, a recuperação dessas lembranças e capacidades pode representar uma bênção. Muitos levam anos desejando-o. Entretanto, os que ainda continuam ancorados na velha energia podem ver-se imersos de repente em um profundo caos interior.
Lembranças aos que não encontram o porque e percepções que não compreendem e que, além disso, assustam-lhes. Será necessário que, depois dessa data, as pessoas que trabalham ao serviço da Luz aumentem seus esforços para ajudá-los a integrar o processo.
Cada um de nós deve preparar-se previamente para esse momento, tal como nos aconselha o Mestre Kuthumi com estas recomendações:
1. Procurar a paz interior. Um momento de silêncio ao dia para escutar a voz do coração.
2. Receber conscientemente a luz do sol, com a intenção de absorver seu poder curador e elevador de freqüências.
3. Manter o rumo na direção indicada pela voz do coração.
Aquilo que somos se manifesta nestes dias mais que nunca. Caem as ataduras que nos cegavam, derrubam-se barreiras que nos limitavam. Por fim, muitos de nós nos animamos a empreender aquilo que devemos realizar aqui, nesta dimensão.
4. Praticar o desapego de velhos padrões limitantes. Abandonar os pensamentos, costumes e reações que alimentam ainda a antiga energia, procurando transformá-los em luz por meio do amor.
5. Fomentar o Amor em todas nossas relações, as que mais amamos e as que nos conectam com o medo. Estas últimas são as que mais nos elevarão se formos capazes de banhá-las de amor e aceitação.
6. Receber a energia da Fonte em meditação.
Sua influência em nossos corpos sutis é imensa. Possui um grande poder transmutador que nos libera e nos conecta.
7. Sentir-nos Um. Praticar em nossas visualizações a União com tudo o que é e com tudo o que existe.
Quando chegar o momento receberemos em nosso interior uma grande luz. Essa luz traz os códigos de ativação que necessitamos para recordar. São códigos de uma vibração muito alta. Quanto mais elevada seja a própria vibração durante esse dia, mais harmônica resultará a entrada da luz e sua ancoragem em cada um de nós.
Podemos nos preparar como nos recomenda o Mestre Kuthumi, mas, além disso, esse dia devemos dedicá-lo especialmente aos cuidados da própria energia, ao equilíbrio interior, a manter a vibração bem alta.
Atividades como meditar, passear ao sol ou estar em contato com a Natureza, são as mais recomendáveis. Terá que evitar especialmente tudo o que nos desconecte de nossa essência.
Deveremos nos alimentar com moderação, procurando não ingerir mantimentos de baixa vibração, como a carne ou os vegetais transgênicos, e realizar algum exercício físico que nos ajude a ativar o fluxo sangüíneo, já que os códigos de luz serão transportados através do sangue, do coração ao resto de nosso organismo.
A ativação se estará produzindo durante todo o dia, mas não perceberemos completamente seus efeitos até o dia seguinte, depois de ter dormido um mínimo de seis horas.
A partir da manhã de 12 de novembro, muitas pessoas sentirão o profundo desejo de dar um giro completo a suas vidas. Outros empreenderão seu caminho com forças renovadas; e outros sentirão uma grande confusão interna.
Os efeitos variarão em função do grau de evolução de cada um, e das resistências que esteja opondo ao processo de mudança, que todos estamos experimentando.
O objetivo desta ativação é acabar com as limitações que, do interior de nós mesmos, estão nos impedindo de evoluir ou despertar.
Não se trata de uma interferencia no livre-arbítrio dos seres humanos. Trata-se de eliminar uma limitação que nos foi imposta ha milhares de anos, quando alguns seres confusos decidiram interferir em nosso processo evolutivo.
Se nos detenemos a explicar o como e o porque daquela ocorrência, seria entrar na velha energia de separação e luta, da que já nos estamos afastando. Já não importa como, quando, onde, quem ou para que, dentro de pouco estará resolvido.
O 12 do 12 do 12 se produzirá uma grande ativação, mas não será a última. Grandes acontecimentos nos esperam à volta da esquina.

Recebamo-los com amor, livres de temores e inquietações, porque chega o reino da Luz à Terra, e isso merece uma grande festa.
Todos Re-unidos em relação a diversidade, uma orquestra sinfônica tem dezenas de instrumentos variados, diferentes, mas juntos soam celestialmente. Assim devemos estar conscientes neste momento. De coração a coração, muita luz.
Maestro Kuthumi


12.12.12 - COMO PREPARAR-SE PARA O PRÓXIMO PORTAL

Acredito que são atitudes que, independente da abertura do portal 12:12:12, devem ser buscadas por nós constantemente. Trata-se de mantermos a nossa integridade como Seres Divinos que somos.
Começando a limpar nossas próprias Vidas amorosamente. Despedindo-se de todos os hábitos e formas de pensar que têm suas raízes na ilusão da separatividade e da negatividade. Revisem seus mundos e desprendam-se. Livrem-se de tudo que não está em consonância com a Verdade de seu Verdadeiro Ser, ou Ser Real. Simplifiquem tudo, até que tudo esteja vibrando de acordo e deixe espaço para o Novo... Terminem tudo o que deixou inacabado, resolvam todas as relações que estiverem pendentes, livrem-se de tudo que os prendem ao passado, tudo que os tornam menor do que realmente é. Organizem suas Vidas de maneira eficiente e equilibrada, dando assim um suporte para o Ser Superior.
Assegurem-se de ter um tempo para cada coisa, para poder então entrar no Silêncio e escutar as Transmissões que a partir de agora estão disponíveis. Reúnam-se com Grupos para apoiarem-se em desenvolvimento contínuo. Reservem um tempo para relaxar e descansar, pois isto facilita a integração com as Frequências mais aceleradas que estão agora ao nosso alcance. Livrem-se de qualquer conceito errôneo a respeito de poderes. Todos nós temos usado de maneira errada nossos Poderes, isto é parte da terceira dimensão. Ponham de lado os conceitos de culpa e se perdoem por todas as transgressões. Recordem-se de quem realmente são e ancorem seu Ser Superior em seu corpo físico. Seus egos aos poucos desaparecerão.
Este Ser Superior é pleno de Amor e Sabedoria e começará a ver pelos seus olhos, a pensar pela sua mente, transformando tudo. Assumam suas novas identidades de Seres Superiores, sem nenhum temor. Centralizem-se no Todo, ao invés de nas partes do Todo. Vejam a Humanidade como um imenso Ser Superior unido em Amor. Sintam-se unos com o Anjo Dourado Solar e deixem-no Servir à sua vida diária e atuar na Consciência da Humanidade, aliviando suas cargas e iluminando seus caminhos. Lembrem-se que não estão sós, somos milhões...



Então, seres de luz, não deixem de tomar o seu GARDENAL - de cada dia -, e ESTUDAR, mas estudar muito... Comecem pela estorinha abaixo:

Ai ai...  Ou seja, 'forças cósmicas' poderosa, esotéricas, já estavam conectadas com Rômulo, e o calendário romano, que antes tinha apenas 10 meses e totalizava 304 dias... O que traria problemas para a 'ativação dos códigos de luz da alma'... Mas por sorte, Numa Pompílio deu um tapinha, alterando para 12 meses... Só que tal calendário possuía apenas 355 dias, o que também alteraria a data para a 'ativação'... Isso numa época em que pouco ou nada se sabia sobre a Lua - um simples satélite da Terra e um pálido reflexo do Sol -, e o Sol, uma estrela um milhão de vezes maior do que a Terra - em estado de plasma, fusionando o Hidrogênio em Hélio e toda a gama de elementos químicos mais pesados, assim como fazem as outras 100.000.000.000.000.000.000.000 estrelas do Universo... 

Mas o calendário romano era uma tremenda cambiarra, e naturalmente não condizia com a incômoda REALIDADE... Sendo assim, foi necessário, em anos alternados, incluir de um décimo primeiro mês, o 'Mercedônio', composto de 27 dias, e usurpando quatro ou cinco dias de Fevereiro... Tal compensação, procedida por um 'colégio de pontífices' do império romano, estava baseada apenas em conveniências políticas - nada 'luminosas'... Então, outra adaptação foi feita, na tentativa de transformar o calendário em Luni-Solar, com 12 meses totalizando 355 dias... Para dar um tapinha final, era necessário ainda adicionar um mês extra, mensis intercalaris, de dois em dois anos, fazendo com que os anos seguissem uma sequência irregular de 355, 377, 355, 378 dias - e que ainda dependia de ajustes... A decisão de inserir o mês extra era de responsabilidade do pontifex maximus - uau - que tratava de acomodar toda essa zona, e buscar algum sincronismo com eventos sazonais, relacionados - como sabemos - com o movimento de translação da Terra - a 108.000 km/h... Tudo isso de forma muito impressiva, já que muito pouco se sabia sobre astronomia - de facto - e sobre a REALIDADE que nos cerca... 

Mas por meio de colegiados romanos e decisões políticas, estávamos no caminho da 'luzes', ou da 'VGM' - Viagem Geral na Maionese... Então, em 46 a.C., Júlio César - conhecidíssimo imperador romano -, percebendo que as festas romanas em comemoração à estação mais florida do ano, marcadas para março (que era o primeiro mês do ano), caíam em pleno Inverno, determinou que o astrônomo alexandrino Sosígenes corrigisse o calendário... As modificações realizadas a partir desses estudos modificaram radicalmente o calendário romano: dois meses, Unodecembris e Duocembris - ou seja dois 'Dezembros' - foram adicionados ao final do ano de 46 a.C., deslocando assim Januarius e Februarius para o início do ano de 45 a.C.. Os dias dos meses foram fixados numa sequência de 31, 30, 31, 30... Assim temos de Januarius a Decembris, à exceção de Februarius, que ficou com 29 dias, e que a cada três anos passaria a ter 30 dias... Só com estas mudanças POLÍTICAS, o Calendário Juliano passou a ter doze meses que somavam 365 dias... E só assim 'a ativação dos códigos' será possível para 12/12/12... Ou seja, todos os erros anteriores, todas as imprecisões, anos bissextos, etc, tudo conflui perfeitamente com o cosmos, para redundar na 'ativação'... 

O mês de Martius, por exemplo, que era o primeiro mês do ano, continuou demarcando o equinócio... Foi abandonado o formato Luni-Solar do calendário romano, em favor de um calendário predominantemente Solar... O Cosmos também corrige suas datas... O mês intercalar Mercedonius - de 22 e 23 dias - foi substituído por apenas 'um dia', chamado de 'dia extra', que deveria ser incluso após o 25º dia de Februarius, "ante die sextum kalenda martias"; que, em função da equivocada contagem romana, acabou gerando a necessidade de correção por meio do ano bissexto - de 366 dias -, e que deveria ocorrer a cada três anos... Os anos bissextos definidos no calendário juliano, forma aproximados do calendário trópico por 365,25 dias, incorporando pequenos erros no alinhamento das estações ao longo dos anos... 

Tudo isso, fruto do desconhecimento - literalmente - astronômico, e de severas imprecisões, mas a 'ativação do código continua firme'...  imperador Augusto, homem de pouca LUZ, acabou corrigindo essas diferenças em 8 d.C., DETERMINANDO que os anos bissextos ocorressem de quatro em quatro anos... Um evento pitoresco e histórico conhecido como 'Ano da Confusão', ocorreu quando toda esta adaptação entrou em curso, e ninguém sabia em que calendário deveriam basear-se...

Em 44 a.C., o líder Júlio César foi homenageado pelo senado, que mudou o nome do mês Quintilis para Julius, um mês de 31 dias... O senado romano decidiu também homenagear seu primeiro imperador através da mudança do nome do mês Sextilis para Augustus... O mês de Februarius passou de 29 para 28 dias, cedendo um dia para o mês em homenagem a Augusto, que passou de 30 para 31 dias... Com mudança também nos demais meses, de 31 para 30 e vice e versa até o fim do ano.... Interferindo diretamente na data da ATIVAÇÃO... Mas tudo isso são detalhes... CRER É O QUE IMPORTA, NÃO É??? 

Este calendário vigorou até a Idade Média, e importando um dia de erro no alinhamento dos equinócios a cada 128 anos - mas ainda não estava sincronizado com  ano trópico, e com a REALIDADE... Em 4 de outubro de 1582, o Papa Gregório XIII, que esteve no papado por apenas 56 dias - o pontifício mais curto de história -, resolveu suprimir 10 dias do calendário juliano e mudou a regra do ano bissexto implementada por Augusto... E sendo assim, o dia da 'ativação' estava cada vez mais confirmado - e pelas mãos pouco luminosas do pontifício católico apostólico romano... Este novo calendário foi adotado por países onde a Igreja Católica era predominante - exemplo, Brasil -, entretanto, a Igreja Ortodoxa não aceitou seguir esta mudança, optando pela permanência no calendário juliano o que explica hoje a diferença de 13 dias entre estes dois calendários... Como será a 'ativação' para os ortodoxos??? E para os judeus, chineses, e indianos, ou seja, para uma enormidade da população da Terra - desta Terra, não da Nova - que seguem outros calendários??? 

Então, por meio de decretos arbitrados por ambiciosos imperadores romanos, guerreiros e assassinos, chegamos à 'ativação dos códigos de luz da alma', conveniente e infantilmente em 12/12/12 - ou 12/12/2012, que desfaz a simetria... Na realidade, o mais importante em notar que estamos próximos de 12/12, é considerar que faltam poucos dias para o fim do ano, e pouco tempo para procurar um 'neurologista', que deverá diagnosticar alguma anomalia nos lobos temporais, de quem acredita em absurdos como esse... É uma piada de mal gosto... 

Mas a questão não acaba aqui... 2012, embora apenas o 12 interesse para os devidos fins 'intergalácticos', só é 2012 porque existem imprecisões e adaptações homéricas sobre a correta data para o lendário nascimento do lendário Cristo... De forma que, a esmagadora maioria dos historiadores, mesmo aqueles que 'acreditam na lenda de Cristo', concordam com no mínimo 8 anos de imprecisão nesta data... Ou seja, 2012 também está em cheque... baboseiras similares, também foram propagadas em 1/1/1, 2/2/2, 3/3/3, e sobretudo em 12/12/12 - 12/12/12 mesmo, ano XII -, e em 12/12/12 - 12/12/0112 -, e 12/12/12 - 12/121012... 

E o que dizer de 12/12/1212??? 
Dia perfeito para 'ativação'!!!

Mas como diria o ambicioso Júlio César: "alea jacta est" - "a sorte está lançada"... Triste destino... ESTUDEM!!!

Carlos Sherman

segunda-feira, 9 de abril de 2012

FIAT LUX



Publicaram uma recomendação para um livro espírita, que prometia:


Camille Flammarion escreve em seu livro "Deus na Natureza":
"O verdadeiro título desta obra deveria ser: – “A contemplação de Deus através da Natureza”.
Há alguns anos que se anuncia, como estando no prelo, este trabalho e nós lhe temos modificado várias vezes o título, que, de início era puramente científico. (Da Força, no Universo.)
Acabamos, finalmente, por nos fixarmos neste. Sem dúvida, um título não tem essencial importância para que o autor se explique tão formalmente a respeito. Mas, no caso vertente, julgamos útil declarar desde logo que todos quantos vissem nas quatro palavras da capa a expressão de uma doutrina, errariam completamente. Aqui não há panteísmo, nem dogma. Nosso objetivo é expor uma filosofia positiva das ciências, que, em si mesma, comporta uma refutação não teológica do materialismo contemporâneo. É, talvez, imprudentíssima ousadia o tentar assim uma senda isolada, entre os dois extremos, que sempre aliciaram poderosos sufrágios; mas, de vez que nos sentimos impelidos e sustentados por uma convicção particular, tanto quanto por ardente amor a um novo aspecto da verdade, podemos, porventura, resistir ao impulso interior que nos inspira?"
e segue:
"Dividiremos nossa argumentação geral em cinco partes, no intuito de demonstrar em cada uma a proposição diametralmente contrária à sustentada pelos eminentes advogados do ateísmo.
Assim, na primeira, lidaremos por estabelecer, preliminarmente, pelo movimento dos astros e depois pela observação do mundo inorgânico terrestre, que a Força não é atributo da Matéria, mas, ao contrário, a sua soberana, a sua causa diretora.
Na segunda parte verificaremos, pelo estudo fisiológico dos seres, que a vida não é propriedade fortuita das moléculas que a compõem e sim uma força especial a governar átomos, conforme o tipo das espécies. O estudo da origem e progressão das espécies também aproveitará à nossa doutrina.
Na terceira parte observaremos, examinando as relações do pensamento com o cérebro, que há no homem algo mais que a matéria e que as faculdades intelectuais distinguem-se das afinidades químicas. A personalidade da alma afirmará o seu caráter e a sua independência.
A quarta evidenciará na Natureza um plano, uma destinação geral e particular, um sistema de combinações inteligentes, no seio das quais o olhar desprevenido não pode deixar de admirar, mediante sadia concepção das causas finais, o poder, a sabedoria e a previdência que coordenam o Universo.
A quinta parte, enfim, como centro de convergência das vias precedentes, nos colocará na posição científica mais favorável para julgar simultaneamente a misteriosa grandeza do Ente Supremo e a cegueira inconteste dos que fecham os olhos para se convencerem de que Ele não existe.


Comentei:

Os conceitos acima estabelecem juízo prévio e desconhecimento, respeitosamente falando, e está baseado ora em verbosidades ora em incongruências... Explico porque: 

1.
No primeiro conceito pretende rediscutir a Física Clássica, Relativística e Quântica , assim como a Astronomia e espero que o trabalho contenha a mesma vastidão de provas, e extenso volume para desfazer tudo o que está entendido... Fica a impressão de que apelará para o superado e equivocado modelo Aristotélico... É ver - ou ler - para entender - sem apelar para crer... Lembrando que desenvolvemos e colocamos satélites em órbita da Terra, pousamos em uma lua de Saturno - Titã... E a teoria atômica moderna nos tem servido à perfeição, repetida todos os dias, milhões de vezes, sendo corrobora por milhares de cientistas e diferentes países... 
Ou seja a vida físico-química à nossa volta é a demonstração cabal de que não existem lacunas para encaixarmos o sobrenatural... Vale ressaltar que o autor viveu antes da Física Quântica, e das principais descobertas Astronômicas, da Física, da Química e da Biologia...

2. 
Depois fala em 'doutrina', ao descrever 'pelo estudo fisiológico dos seres, que a vida não é propriedade fortuita das moléculas que a compõem e sim uma força especial a governar átomos conforme o tipo das espécies'... Está de uma só tacada reescrevendo a química, a biologia, ao alegar que existe uma força especial - e portanto até o presente desconhecida, diferente da nuclear fraca e forte - que governa átomos 'dependendo da espécia', o que assassina a química, e a biologia que tão bem conhecemos... 
Chega a ser infantil e pueril, que alguém desconsidere que a medicina e o conhecimento da química e da biologia, assim como da fisiologia humana, tenha nos levado de 30 anos como expectativa média de vida, do homem de Cro-Magnon ao homem do fim da Idade Média; e que hoje, pela ciência médica gozemos de 70, 80 anos de vida - com ampla vantagens para países menos crentes e portanto melhor assistidos pela ciência... Também é incrível o desprezo pela drástica diminuição da mortalidade infantil, que nos tempos de Hippolyte Léon Denizard Rivail poderia levar à uma especulação, bastante delirante, de que o sofrimento pela morte de infantes estava pautado em reencarnação e outras vidas... Sabemos que políticas públicas de saúde e ciência são suficientes... 
Observem como países majoritariamente descrentes, pelo uso da ciência, reduziram a mortalidade infantil afetando diretamente os desígnios fantasmagóricos da reencarnação... Pensem nisso... 

3.
A alma é postulada na terceira parte, no melhor estilo platônico e aristotélico, discurso velho e carcomido... Lembrado que este senhores, grandes arquitetos da ideia de que o corpo de nada serve sem a 'alma' - um conceito vazio e sem função clara em nossos dias -. também acreditavam que o coração pensava, e que o cérebro era uma espécie de 'radiador' para esfriar o sangue... Assim como acreditavam, piamente, que a Terra estava no centro do Universo... Aristóteles postulou ainda que as mulheres 'seguramente' não tinham alma... Ledos enganos... 
O que Platão e Aristóteles deixaram como 'conhecimento' seria suficiente para uma Enciclopédia de Equívocos... E para quem pensa em recorre à 'contextualização', devo esclarecer que Demócrito, Epicuro, Leucipo, Hipócrates, Aristarco, viveram o mesmo período e não se equivocaram tanto... A diferença entre o primeiro e o segundo grupo é simples, o primeiro tomou a arrogante liberdade de profetizar sem PROVAS, enquanto o segundo só abriu a boca diante de evidências e provas... O primeiro grupo, Platão e Aristóteles projetou sua vontade e caprichos, o segundo observou, pensou e descreveu... 
Portanto enquanto os defensores da alma, Platão e Aristóteles diziam que a Terra estava no centro do Universo e as estrelas eram esferas de cristal, Aristarco sabia que o Sol estava no centro... Calculou a distância relativa entre Terra, Sol e Lua, e especulou sobre suas dimensões... Enquanto Platão e Aristóteles preenchiam seu vasto desconhecimento com 'alma', Hipócrates, o pai da medicina, dizia: 

"Os homens pensam que a epilepsia é divina meramente porque não a compreendem. Se eles denominassem divina qualquer coisa que não compreendem, não haveria fim para as coisas divinas."
Hipócrates (Pai da Medicina; 460–377 AEC)

Não, não haverá... Por quase 2.000 anos, a medicina de Hipócrates foi substituída pela 'espiritualidade', possessões demoníacas, etc, e passamos a viver como era antes de Hipócrates, na maior ignorância e em péssimas condições de saúde... Enfrentamos a Peste Negra perseguindo hereges, e caçamos bruxas até o acender das luzes... Com o advento do Iluminismo, Humanismo, Positivismo, recuperamos a medicina perdida, o respeito pelo corpo, abolimos falácias, acendemos definitivamente as luzes, e mudamos completamente o quadro da chances humanas de viver e permanecer vivos... 
Mas até hoje muitos, a maioria, vive imersa em superstições, enquanto recorre à medicina cética quando a saúde capenga... Por quê? Porque existem 'bugs' e características em nossos cérebros, e que levam à acolhida de toda sorte de superstição... Distúrbios nos lobos temporais levam crentes à experiências divinas, e descrentes a uma sensação de sintonia com a natureza... Tais distúrbios são frequentes... Determinados tipos de Epilepsia não desencadeiam convulsões, mas sim visões do divino... Desde que você acredite no divino, caso contrário, serão sensações de intimidade com a natureza, pelo rompimento da sensação de 'ser você'... Isso leva místicos a pensar em viagens astrais, etc... Seria interessante refletir sobre dois aspectos, primeiro porque deus escolhe a epilepsia para vislumbres tão raros de sua existência, e depois se seria certo privar estes pacientes da experiência do 'divino'... 
A esquizofrenia é outro problema, e Chico Xavier foi sem dúvida um esquizofrênico não diagnosticado... Wellington Menezes, doutrinado pela religião, matou crianças em Realengo... John Nash ganhou o Nobel de Ciências Econômicas... O que existe em comum entre os dois? A esquizofrenia... O que os diferes, o conhecimento versus a doutrina religiosa... Nash via russos em seu encalço em plena Guerra Fria... Menezes ruminava o comando bíblico, morte aos infiéis... 
Podemos hoje, com uma espécie de capacete, estimular a partir de campos magnéticos zonas cerebrais... E podemos finalmente entender com as ditas experiências místicas funcionam... Podemos provocar tais sensações... A resposta está no Sistema Límbico e o próximo Nobel de Medicina e Fisiologia sairá desta área... O Sistema Límbico regula as nossas emoções, e comporta-se como um núcleo cerebral dentro do Cérebro, tendo o Hipotálamo como centro de decisões... O Corpo Mamilar, as Amígdalas, são 'cúmplices' o co-autores de nossas experiências ditas 'místicas'... Outros sistemas de decisão atuam, como a vontade de pertencer a um grupo, e a gestão do medo e do risco... Estamos perto de solucionar a questão, que nas últimas décadas andou 70% do caminho, e os 30% finais estão previstos para esta década... Mas se tem visões e ouve vozes, e se é capaz de entregar-se radicalmente, mesmo sendo uma pessoa inteligente e instruída, a crenças, crendices, e superstições, pode ser a hora de consultar um neurologista... É sério...

4.
O quarto conceito, verbosidades à parte, postula a existência de causas morais para a existência do Universo... Sabemos que não procede... Caso contrário deus teria que dar muitas explicações... Toda sorte de argumentação espírita e frágil, falaciosa, e evidentemente não pode ser comprovada... De forma que este livro deve ser um pouco mais do mesmo... 

5.
E o Gran Finale, a profecia do 'deus supremo', e claro, os que não podem ver são cegos... 

Camille Flammarion foi um astrônomo, e morreu antes de que a maioria esmagadora dos avanços científicos pudessem ter sido descobertos... Morreu antes da ressonância magnética e da Neurociência Moderna, morreu antes do Hubble, e da ampla exploração espacial, morreu antes da Mecânica Quântica... Morreu antes da consagração da Relatividade... Morreu antes da descoberta do DNA... Já em sua época foi um astrônomo sem relevância, mas dedicado à polêmica... Flammarion foi amigo de Kardec, e ao invés de procurar um Neurologista, afundou-se na falácia do espiritismo...

Perdão, mas tenho uma posição realmente dura sobre o assunto... 

Muita gente deixa de ser atendida por médicos, e passa a vida imersa no obscurantismo espírita... Eu passei pela experiência... Estou curado de semelhante devaneio... 

A hipnose, embora um mero truque, realmente existe, e trabalha sobre nossa fragilidade de sugestionamento e controlando os nossos centros de decisão... Estima-se que mais ou menos 20% das pessoas sejam altamente hipnotizáveis, enquanto 60% podem ser hipnotizadas dependendo das circunstâncias e o hipnotizador, e 20% nunca serão hipnotizadas... 

Em um estudo relativo ao tema, 16 pessoas foram hipnotizadas, 50% suscetíveis, 50% resistentes, segundo uma pré-seleção... Então foram submetidas à hipnose e receberam a seguinte instrução: 'esqueçam a palavra que está escrita, em uma língua estranha, e informem apenas a cor'... Foram então liberadas do transe, e o experimento passou a avaliar os efeitos 'pós-hipnose'... O grupo então foi apresentado a palavras que diziam 'VERDE', mas estavam coloridas de AZUL, ou AMARELO, estando colorida de VERMELHO... E era solicitado responder: 'qual a cor?'... Exatamente a metade hipnotizável respondeu diretamente a cor que via, ignorando a palavra... A outra metade percebeu o conflito...

Já imaginaram o que a hipnose coletiva, em um culto religioso podem causar nas pessoas?  

Finalmente, e sobre o livro proposto, trata-se de uma obra de cunho oitocentista, e pelos conceitos em destaque, um convite à refutação cabal... Temos uma tendência à explicações causais, onde um efeito emerge de uma causa direta... Temos dificuldades, mesmo sem saber, com sistemas caóticos, complexos, probabilísticos, randômicos, estocásticos... Por exemplo, taxistas adoram comentar o clima: 'este clima está louco'.... Não, este clima 'é louco'... A troposfera é um sistema caótico, que pode ser modelado, mas que guarda sempre incerteza... 

As pessoas, e o Sistema Límbico ajudam em acentuar este problema, preferem relações causais simplistas... Por que este casal não está bem? Porque não tem deus na vida deles, ora... Pensam em quão complexos são dois seres humanos, em quão complexas são as relações, nas circunstâncias que mudam, na variância dos parâmetros que regem a vida, e muito mais complicado... Então? Foi deus... E o emprego? Por que não consigo um emprego? Mal olhado... É o seu carma, são os chakras, etc e tal... Não, é a vida, complexa, mas não misteriosa... 

Lembrando ainda, e pouco sabem, que o cérebro evoluiu de dentro para fora... O núcleo, ou Reptiliano, é idêntico ao cérebro dos répteis... O nosso DNA, com cerca de 30 mil genes ativos, salta 80% do código total... Sim temos instruções de 'jump' por toda parte, e desprezamos 80% do que está escrito nele... Por quê? Porque deixamos estas instruções para trás na Evolução... A oxitocina e a vasopressina regulavam a salinidade de nosso corpo, quando vivíamos no mar, hoje regulam o nosso afeto... Hormônio são mensagens, que uma vez que encontram seu destino produzem reações que são deflagradas fisicamente... 

Já que um livro foi mencionado, mencionarei outras sugestões, 'Os Fantasmas no Cérebro' (V.S. Ramachandram), 'Quebrando o Encanto' (Daniel Dennett), 'O que nos faz humanos' (Matt Ridley), 'Um Antropólogo em Marte' (Oliver Sacks), 'Em Busca da Memória' (Eric Kandel), 'Um Mundo Assombrado por Demônios' (Carl Sagan), 'Deus Um Delírio' (Richard Dawkins), 'E o Cérebro Criou o Homem' (Antonio Damásio), 'Por que Acreditamos em Coisas Estranhas' (Michael Shermer), 'Truques da Mente' (Stephen Macknik, Susana Martinez-Conde), 'O Cérebro Imperfeito' (Dean Buonimano), 'Como a Mente Finciona' (Steven Pnker)... 

Temos ainda, uma tendência a preferir o que é 'espetaculoso' - não confundir com espetacular... A vida e a realidade são espetaculares... A Realidade é a droga mais forte que existe, e não entendo porque as pessoas fogem para drogas menores, cocaína, religião, espiritismo, psicanálise... O real é muito melhor... Incomparável... Você pode entender a Genética, a Neurociência e a Astrofísica... Não é tão complexo quanto parece, e hoje existe ampla literatura 'séria' com linguagem acessível... Tudo isso, todo a crenças reinante, em alguma medida responde ao nosso medo da morte... E assim, desprezamos o corpo, desprezamos a vida REAL, imersos em um mundo fantasmagórico e triste... FIAT LUX... 

Somos apenas, e tão somente - parafraseando Nietzsche - humanos, demasiado humano... Frágeis, irremediavelmente mortais, e ainda assim, maravilhosos... 

Peço desculpas antecipadas pela extensão dos texto, mas a tentativa de questionar com uma só tacada a física, química e biologia, postulando o velho deus das lacunas, e o conceito infantil de alma como solução, merecem um tratado... Fui econômico, dada a abrangência do tema, e a extensão do desconhecimento...

Pior do que o desconhecimento são as pré-suposições equivocadas... Solução? Estudar.... Não crenças e crendices, estudar aquilo que foi testado e repetido, inúmeras vezes, por diferentes cientistas, em diferentes países, por diferentes métodos... Sem isso, lamento, serão motivo de piada... Por que tudo isso, não percebem, é absurdo....


Carlos Sherman

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Explorando o Espaço



Super Telescópio VST

Hubble Site



Anote:


1. Maior telescópio do mundo tem orçamento aprovado
Uma auditoria externa confirmou que o E-ELT pode ser efetivamente construído com o orçamento proposto de 1 bilhão e 82 milhões de euros;

2. Radiotelescópios farão estudos inéditos sobre explosões solares
Um grupo brasileiro liderou a instalação de um sistema de dois radiotelescópios inéditos no mundo, voltados para a observação das explosões solares.

3. ESO e Chile assinam acordo para maior telescópio do mundo
O acordo entre o ESO e o governo chileno inclui a doação de terreno para o telescópio, uma concessão de longo prazo para estabelecer uma área protegida ao seu redor e ainda o apoio do governo chileno na instalação do E-ELT.

4. Telescópio ALMA divulga sua primeira imagem
O longamente aguardado telescópio ALMA, o telescópio terrestre de maior altitude já instalado, entrou finalmente em operação.

5. Telescópio voador decola a bordo de um 747
O projeto é antigo, mas os desafios tecnológicos foram maiores do que o esperado, e agora o Sofia começou a fazer observações científicas sistemáticas.

6. Brasil e Argentina querem construir radiotelescópio Llama
O Brasil e a Argentina poderão construir, em parceria, um novo radiotelescópio, capaz de realizar pesquisas em todas as áreas da astronomia.

7. Radiotelescópio ALMA está pronto para iniciar fase científica
O Alma é um radiotelescópio móvel, formado por 66 antenas que podem ser rearranjadas em configurações de 150 metros até 15 quilômetros quadrados.

8. Radiotelescópio espacial será maior do que a Terra
A Rússia lançou na madrugada de hoje o radiotelescópio espacial Spectrum-R, ou Spektr-R, resultado de uma colaboração internacional de mais de 20 países.

9. Câmera de 1 bilhão de pixels fará mapa 3D da Via Láctea
O observatório Gaia terá dois telescópios, para gerar uma visão "estéreo", fazendo um mapa 3D das nossas vizinhanças da Via Láctea.

10. Telescópio Hubble faz sua milionésima observação
A milionésima observação do Hubble foi feita em busca de água na atmosfera de um exoplaneta a 1.000 anos-luz de distância.

11. China começa a construir maior radiotelescópio do mundo
Prometendo transformar a radioastronomia, começou a ser construído o FAST, um radiotelescópio com a maior antena da Terra, medindo quinhentos metros de diâmetro.

12. Telescópio VST estreia super câmera de 268 milhões de pixels
Por trás de enormes lentes que garantem a melhor qualidade de imagem possível, está a OmegaCAM, construída em torno de 32 sensores CCD, selada a vácuo, capaz de criar imagens de 268 milhões de pixels.

13. Telescópio Hubble comemora 21 anos com galáxia em formato de rosa
As descobertas do Hubble revolucionaram quase todas as áreas de pesquisa astronômicas, da ciência planetária à cosmologia.

14. Telescópio terá escudo com Fator de Proteção Solar de 1.000.000
O escudo solar do telescópio espacial funcionará exatamente como um guarda-sol de praia, mas seus sensíveis instrumentos precisarão de uma proteção bem mais rigorosa.

15. Telescópio Espacial Kepler terá upgrade de software
A atualização de software aumentará substancialmente a capacidade do telescópio para descobrir planetas com as dimensões da Terra e mesmo planetas ainda menores, o que era considerado muito difícil até agora.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O que é 'um' Ano-Luz?




Você sabe o que é ‘um’ Ano-luz?

Um Ano-luz é uma medida de comprimento (símbolo: ly, do inglês light-year), com valor aproximado de 10 trilhões de quilômetros (1016 metros)... Conforme a definição da União Astronômica Internacional (UAI):

um ano-luz é a distância que a luz atravessa no vácuo em um Ano Juliano’...

1 ano luz = 9,4605284 × 1015 metros

Em astronomia, um Ano Juliano é a unidade de medida de tempo definido como exatos 365,25 dias, de 86.400 segundos cada no SI (Sistema Internacional de Unidades), totalizando 31.557.600 segundos... O Ano Juliano é a medida média de ano no calendário Juliano usado pelas Civilizações Ocidentais no passado, e dá o nome à unidade de medida... O Ano Juliano, por outro lado designa a duração do movimento da Terra, em uma órbita completa em torno do Sol, não se tratando de uma data...

A medida ‘’Ano-luz’’ é geralmente utilizada para mensurar distâncias estelares, intergalácticas e astronômicas...

Carlos Sherman