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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Fazer o bem sem enganar a quem...



Publicaram:


Agradeço todas as dificuldades que enfrentei; não fosse por elas, eu não teria saído do lugar. As facilidades nos impedem de caminhar. Mesmo as críticas nos auxiliam muito - Chico Xavier


Nada demais, certo? Errado... Desembainhei:

Apesar de esquizofrênico e charlatão, Xavier parecia nutrir bons sentimentos por seus semelhantes... A primeira parte da mensagem - apesar de pouco original - faz sentido... A segunda parte, afirmando que "as facilidades nos impedem de caminhar", carece de indagação: 'impedem'??? Por quê? As dificuldades, já diziam os Stones - bem antes de Xavier - 'in fact is a gas', ou seja 'na verdade 'são um empurrão'; posto que os desafios - dependendo dos desafios - contribuem em juntar nossas forças e lutar, e esta luta nos leva - em certa medida - a evoluir... Mas porque o simples oposto, a 'facilidade', nos impediria de 'caminhar'? Na verdade as facilidades não nos impedem de nada além de aprender com as dificuldades... 

Mas Chico Xavier, em toda sua confusão, oscilando entre 'santo' e 'estelionatário', focava mais em seus aforismos de auto-ajuda barato, do que propriamente em fazer sentido; já que vivia apartado da realidade por muitos motivos... Trata-se de verborragia, um lugar comum, feito para enternecer a quem se contenta com 'ir do nada a lugar algum', embaralhando palavras e conceitos óbvios, e jogando para a galera... Chico era um mestre nesta arte... 

Gostaria de ter estado cara a cara com Chico Xavier, se possível fosse - evidentemente em vida, e  no mundo REAL -, para dizer apenas: 

- Fazer o bem sem enganar a quem... 

Ele teria entendido e corado...

Carlos Sherman

domingo, 2 de setembro de 2012

Freud-filia, uma psicopatologia...



Publicaram - mais uma vez - a mensagem acima... Objetei:

Freud tem muito o que se envergonhar, assim como seus fieis seguidores... Charlatanismo, curanderismo, e muito dano à humanidade, por obra e graça de sua ambição doentia e desmedida... Esta frase, se foi proferida - ipsiis literis - por ele, é uma peça histórica da hipocrisia e contradição... Freud propôs um dogma, uma crença, e passou a vida tentando - em vão - explicá-la... Jamais empenhou-se em provar nada... Jamais praticou ciência, jamais trabalhou de forma séria, isenta, e jamais aplicou os necessários conceitos de probabilidade estatística, método, desvio, amostragem... Jamais praticou o Método Científico... Projetou sua mente doentia sobre um dogma, e com sua inteligência e eloquência tratou de justificar o injustificável... Édipo, sonhos, fases do desenvolvimento, compartimentos mentais, id, ego, superego, inveja do pênis, o Senhor do Lobos, Ana, etc e tal, tudo falso, tudo doentio, as mães geladeira, entre outros 'crimes'... Tudo isso resultante das ambições de uma mente doentia, e pela subserviências e ignorância de seus fieis seguidores, crentes... Freud e a Psicanálise é, antes de tudo, um problema de saúde pública...

Mas esta frase foi proferida por Blaise Pascal, cerca de 300 anos antes... Se Freud também a proferiu, deveria ter dado os devidos créditos a Pascal... Mas Freud não era confiável mesmo... Para nada...

Hannibal, o meu foco também é o absurdo do pensamento freudiano... A pessoa é tão importante quanto, pois foi o protagonista de tal desgraça.... Qual é o problema em indicar também que a biografia de Freud não sustenta tais conceitos? Não se trata de um ataque 'ad hominen', não mencionei os vícios de Freud, nem os aspectos pessoais e deploráveis de sua vida... Referi-me diretamente à farsa contida em sua mensagem, e os motivos por trás de tais falácias... Além do mais, como já foi esclarecido, esta frase não é de Freud... 

Para analisar o terror nazista, precisamos explorar a mente de Hitler, seus pressupostos, suas patologias... Quando em Mein Kampf Hitler declara acreditar na 'providência divina' de suas ações, precisaremos examinar quem era Hitler, para entender tais insanidades... Quando Marx preconiza que toda sorte de excedente é lucro vil, precisamos analisar o fato histórico de que Engels, proprietário de uma fábrica têxtil em Manchester, mantinha Marx - que nunca trabalhou - com dinheiro proveniente de seus lucros... Quando Marx sugere a construção de um novo homem, devemos entender que classe de homem ampara tais conceitos... Um homem que permitiu que seus filhos morressem de inanição enquanto fumava e bebia o sustento da família em bordéis, não entende muito sobre ser 'humano'... Um debate fundamenta-se na discussão de ideias, mas a verdade necessariamente envolve a história por trás das ideias... Como sabes, não sou um homem dado a relativismos como um fim em si mesmo... Mas sim, critico as ideias de Freud, e considero um crime contra a humanidade... Se houveram lampejos de lucidez na mensagem freudiana - e houveram -, serei capaz de aprender com tais conceitos... Mas ainda assim , e reitero, sustento que tal frase, se proferida por Freud, mas me pareceria uma piada... Felizmente foi proferida por Pascal... Tratando-se apenas de mal entendido - de sua parte... 

Carlos Sherman

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Osho, nove, dez, e muito mais... Rolls Royces...

Osho®, está no topo dos Top10 do charlatanismo em todos os tempos... Disputa a primeira posição com o já falecido Sai Baba e os irmãos metralha do Brasil (Edir Macedo, Valdemiro Santiago, Casal Hernandez, David Miranda, Malafaia, e seu bando)... 

Osho, a marca milionária, é uma verdadeira afronta à decência humana... Um picareta e charlatão, que ri solenemente da cara de seus abestalhados fiéis... OSHO, a marca, na verdade está fichado na polícia como Chandra Mohan Jain, e nasceu Acharya Rajneesh... Mas tem aplicado os seus golpes a quase 30 anos, sob o codinome Bhagwan Shree Rajneesh - ou "o guru dos Rolls Royce"... 

Como todo eminente golpista, Osho está sempre mudando de nome, de país, e nacionalidade... Até porque está proibido de entrar na Índia - por exemplo... Este facínora também se chamou Rajneesh Gautaman 'the Buddha', quando se auto-declarou a reencarnação de Siddhartha Gautama, o Buda... 

Estou cansado de ver toda sorte de pessoas, de bem e nem tanto, publicando frases deste marginal na Internet... Isso me embrulha o estômago e estraga o dia: como podem ser tão frágeis? Ou estão lucrando com este negócio milionário, ou estão tão cegas à ponto prostrarem-se por qualquer verborragia, e a este nível... Osho é o super mestre do embrolho... Um criminoso hediondo...

Espero que as seguinte imagens tenham mais efeito do que as minhas palavras... E o pior cego é o que pode, mas não quer ver... Pensem!!! Pra variar...


Carlos Sherman




















Osho, nove, dez...


Osho em uma de suas passagens pela prisão, de onde jamais deveria ter saído...


Osho®, nove, dez...

PUBLICADO EM 28 DE AGOSTO DE 2009,
Por Mauricio-José Schwarz,
Tradução gentilmente autorizada de ‘El retorno de los charlatanes’.

O cavalheiro que olha fixamente para a câmera da polícia nesta foto de 1985 é Chandra Mohan Jain, conhecido ao nascer como Acharya Rajneesh, mais conhecido há vinte anos como Bhagwan Shree Rajneesh ou "o guru dos Rolls Royce", e brevemente (quando afirmou ser a reencarnação da Buda) como Rajneesh Gautaman the Buddha. Se estes nomes não lhe disseram nada, possivelmente sim ouviu o último dos muitos nomes deste febril charlatão: Osho®. Além de ser seu último nome, Osho® é hoje uma marca registrada do "círculo interior" de sua seita, os 21 herdeiros selecionados pessoalmente por ele, dirigidos pelo Swami Prem Jayesh (originalmente Michael William O’Byrne, do Canadá, quem ao menos até recentemente tinha a entrada proibida na Índia), que mantêm um frutífero negócio com os livros e ideias cambiantes de Rajneesh, centros de férias "de meditação", oito sabores de meditação para você e diversos produtos e serviços adicionais, incluído um alucinante "tarô zen Osho®" e uma "multiversidade" em Pune, Índia, para aprender a meditar e conhecer as "ciências esotéricas" entre outras coisas.

O "Osho®" que agora se promove na televisão espanhola como "místico contemporâneo" ou algo assim não foi senão mais um dos muitos gurus ou professores indianos que aterrissaram sobre a ingenuidade hippie do ocidente nos anos 70-80, na garupa de Maharishi Mahesh Yogui. A Rajneesh já acudiam ocidentais em busca de "iluminação" desde meados dos anos 70, como um produto diferenciado de sua competência. O que o fez singular é que, diferente de outros de sua mesma profissão, a Rajneesh custava muitíssimo trabalho fingir esse ascetismo superior, esse desprendimento do mundano que tão bem simulavam o Maharishi ou Sua Divina Graça Swami Bhaktivedanta Prabhupada, fundador dos Hare Krishnas. Não, Rajneesh gostava das mulheres bonitas, do dinheiro abundante e dos automóveis luxuosos, em particular os da marca Rolls Royce. Sua pequena mania por estes automóveis o levou a ser proprietário de 93 deles. Sua outra afeição o fez criar uma versão própria e aumentada do tantrismo hinduísta que permitia todo tipo de atos sexuais ao gosto do mestre. Em resumo, converteu seus terrestres e vastos gostos em uma "filosofia" do "materialismo é bom" prefigurando um pouco a Michael Douglas de "a avareza é boa" no filme Wall Street, mas com túnicas e incenso.

É obvio, não é de forma alguma criticável que alguém desfrute do sexo enquanto não viole a lei, e tampouco que compre Rolls Royces se o fizer com dinheiro próprio e que não viole a lei (e melhor se não explore ninguém para conseguir o dinheiro). Mas obter tudo isso com o imbróglio místico e apresentando-se alternadamente como um super-homem, um deus, um Buda e um mestre espiritual, já não parece tão honesto. E menos quando você viola a lei seguidamente e acaba como o cavalheiro da foto. Menos honesto é também que suas "idéias" fossem todas recicladas de outros autores, e que seus livros, segundo confissão de seus seguidores, fossem com freqüência escritos por mulheres de seu entorno mais próximo, seu harém, pois. Tampouco tem alta pontuação de honestidade não pagar impostos ou defender o sexo incestuoso e o sexo com menores de idade, coisas que segundo seus seguidores achava natural e recomendável. E tampouco é exatamente honesto ter uns seguidores espirituais aos quais explora vilmente para obter uma fortuna econômica mantendo-os em condições de vida pouco recomendáveis.

Nascido em 1931, Rajneesh dedicou virtualmente toda sua vida a ser guru ou "mestre", conseguindo uma grande quantidade de seguidores na Índia e alguns nos Estados Unidos. Dito de outro modo, não trabalhou um só dia de sua vida, o qual o converte na inveja de mais de quatro. Seu manejo do assunto de ser guru e viver dos seguidores sempre foi pragmático, e sempre procurou o apoio de um marketing adequado para chegar a mais seguidores, com os quais seus ensinos eram bastante "flexíveis", ou de tira e põe: o que ensinava ontem podia negá-lo hoje se convinha. Igual afirmava que acabariam as guerras e que, quando uma empresa de relações públicas lhe disse que as profecias apocalípticas tinham muito ibope entre os seguidores profissionais, predisse guerras e atrocidades. E quando o apanhavam cometendo alguma barbaridade, deitando-se com uma ou mais adeptas, consumindo valium e óxido nitroso "para encher um dirigível", diz um ex-adepto (vários ex-seguidores asseguram que era viciado em ambos) ou tomando por assalto um povo, o fazia amparando-se no "tantra" ou em algum ente espiritual inventado ad hoc pela manhã.

Mas Rajneesh era muito, muito simpático e convincente, e parecia honesto, pelo que nunca lhe faltaram seguidores. Sua "sabedoria" se pode calcular com suas afirmações como que a "Índia não necessita de alta tecnologia", "no ano 2000 acabarão todas as guerras" ou suas profetizadas guerras que tampouco ocorreram. Seja como for, sua simpatia, sua defesa do prazer sexual e do materialismo e uma veia cínica e pícara lhe ajudaram a percorrer o caminho ao estrelato midiático e a uma fortuna cujos alcances ainda não são de todo conhecidos.

Até que se afogou em seu próprio pântano de contos.

Em 1981, os seguidores americanos de Rajneesh-Osho® compraram um rancho de 26 mil hectares nos condados de Wasco e Jefferson, estado de Oregon, nos Estados Unidos, afirmando que queriam fazer uma comuna agrícola muito pastoril e mona. O lugar passou a chamar-se "Rancho Rajneesh", começou-se a construir nele uma cidade em que chegaram a viver 3.000 dos seguidores de Rajneesh (os chamados "sannyasins") e a ele chegou em meados de ano o gurú em pessoa, que já levava um tempo nos Estados Unidos. Ao parecer, o revôo formado na tranqüila zona e no próximo povoado de Antelope fez que quando Rajneesh solicitou uma extensão de seu visto, as autoridades decidissem investigá-lo. Dois problemas se fizeram evidentes, conforme contam os registros do xerife de Wasco: uma série de matrimônios suspeitos entre seguidores americanos e seguidores de outros países que pareciam destinados apenas a conseguir a estadia legal dos sannyasins estrangeiros (simples casamentos de conveniência) e o fato de que a mudança do senhor Rajneesh da Índia ao país do dólar parecia estar relacionada com o fato de que o cavalheiro devia ao governo da Índia uns seis milhões de dólares em impostos, quantidade que, inexplicavelmente, não parecia disposto a pagar.

Em 1982, os seguidores do Rancho Rajneesh eram já suficientes para tomar por assalto a cidade de Antelope. Em uma eleição que convocaram em abril, ganhou a proposta de lhe trocar de nomeie a cidade pelo de Rajneesh, incorporando como povoado ao rancho, agora chamado Rajneeshpuram, e começaram a exigir informação e apoio em dinheiro público para suas atividades ante a fúria dos residentes originais. Em 1983, os visitantes externos à comuna do Rajneesh, como o sociólogo Lewis F. Carter, que escreveu um estudo científico sobre a comunidade na revista Contemporary Sociology em 1991, detectaram na comuna o autoritarismo e a busca do "controle total" próprias das seitas, o qual também era evidente no interesse fundamental para que a comuna produzisse dinheiro para satisfazer os caprichos do "deus vivo&quot
;.

O capítulo mais "mundo cão" desta história ainda estava por escrever-se. As tensões entre os residentes "de sempre" e os forasteiros adeptos de Rajneesh levaram a que estes últimos acumulassem um importante arsenal enquanto Osho® predizia que a AIDS mataria a todas as pessoas do mundo exceto aos de sua comuna. Houve uma tentativa de assassinato do médico de Rajneesh e do fiscal de distrito do condado de Jefferson, o saque e incêndio do escritório de planejamento do condado de Wasco e escutas telefônicas e com microfones dentro da comuna. No cúmulo do bizarro, os seguidores do guru cultivaram bactéria salmonella e a pulverizaram em bares de saladas de 10 restaurantes do The Dalles, em Wasco, afetando a mais de 700 pessoas, com o que esperavam poder influir nas eleições da comissão do condado inabilitando aos eleitores locais, no que hoje se considera, simplesmente, o primeiro ataque bioterrorista moderno, e um aviso de ataques de outras seitas, como a de Shoko Asahara e seu ataque ao metrô de Tóquio com gás sarin. Rajneesh culpou tudo a sua secretária e procurou uma saída para o que se convertia em um inferno jurídico e midiático, entre outras coisas devolvendo o nome original ao povoado de Antelope. Mas não teve êxito, de modo que tomou a alguns de seus seguidores, subiu em seu jato privado e tratou de fugir, mas o escritório de imigração e naturalização o deteve e o devolveu a Oregon, onde tomaram a foto instantânea que abre esta entrada e o levou a julgamento, entrando em acordo com ele de não sentenciá-lo a uma pena da prisão se abandonasse o país e se declarasse culpado de violar as leis de imigração. Fiel a sua auto-imagem, Rajneesh, na prisão, exigiu uma atenção adequada a seu status superior: comida especial e um trono.

Rajneesh voltou para a Índia, deixando atrás seus seguidores, vários dos quais, em particular mulheres dirigentes, foram a julgamento e resultaram condenadas pelas tentativas de assassinato mencionadas, o ataque com salmonella e a fraude migratória. Enquanto eles passavam a ocupar uma cela em Oregon (sua secretária, Sheela, que estava acostumada a passear armada, foi condenada a 20 anos em 1986), Rajneesh percorria 21 países em seu jato privado: expulsaram-no da Grécia, passou pela Espanha, andou no Uruguai (onde trocou seu nome para Osho®), visitou a Jamaica e voltou para Poona, Índia, onde finalmente morreu em 1990.

Mas seus ensinos vivem… Não os do misticismo fácil de esperar de "iluminação interna", mas os de como armar uma comuna com estrangeiros. Em abril deste ano se informou que as autoridades australianas estão investigando a empresa de Osho® Melaleuca Properties porque, além de conflitos com Byron Shire, onde estão se localizados, há acusações de casamentos arranjados para levar para a Austrália numerosos sannyasins de outros países, repetindo hoje os acontecimentos de mais de 20 anos em Oregon.

Por certo, existe em Antelope, Oregon, uma placa comemorativa da resistência do povo contra "a invasão e ocupação de Rajneesh de 1981-1985". Sem dúvida o guru deixou seu rastro no povo, hoje de 60 habitantes.

Esse é, pois, o "místico contemporâneo" que agora nos estão vendendo, provavelmente o místico menos místico da era de Aquário. Mas como já havíamos dito, a lábia não se cria nem se destrói, só se guarda uns anos até que as pessoas se esqueçam dos escândalos e ridículos do passado, e se passe de novo o chapéu entre os entusiastas sempre dispostos a redescobrir o oriente por uns quantos a dose.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Astrologia...



Na última sexta-feira, enquanto peregrinava em meu templo sagrado - ironicamente falando, rsrsrs -, a Livraria Cultura do Conjunto Nacional - onde tenho sido um fiel cliente desde a sua abertura, tendo contribuído em muito para o seu fluxo de caixa estável, enquanto dilapidava o patrimônio familiar, rsrsrsrs -, decidi comer um lanchinho... Estava esperando a minha amada companheira, que entre outras coisas apoia todas as minhas iniciativas, e sem a qual eu não poderia explorar minhas potencialidades criativas, se é que as tenho... 

Mas lá estava eu, com uma pesada sacola de livros e uma bandeja na mão, assistindo ao espetáculo do descaso do homem com o homem... Em um espaço diminuto, considerando o afluxo de clientes, várias mesas estavam ocupadas por pessoas que: 1) ou estavam apenas batendo papo e sem consumir nada; 2) ou consumiam um café ou uma água enquanto  permaneciam por 3 horas - conforme havia indicado uma das garçonetes; 3) ou simplesmente estavam lá, sentadas, lendo um livro que ainda não haviam comprado... Considero esta conduta, um clássico exemplo da falta de ética, e procuro manter a coerência nestas questões, dando o exemplo e fazendo a minha parte... Trato de comer tranquilo e sem pressa, mas com sobrado respeito, por aqueles que aguardam de pé, e tratando de desocupar a mesa com o máximo de presteza, assim como retirando a minha bandeja para facilitar o acesso de quem está chegando... Simples, educado, e ético...

Mas enquanto esperava uma 'suada' mesa, uma senhora super estereotipada, no melhor estilo 'astral-esotérico', com uma camiseta que já não me recordo a inscrição, mas poderia ter sido algo como 'Woodstock - Eu Fui'; veio chegando de fininho e se interpôs sorrateiramente entre eu - o cara da bandeja e da sacola com vários livros pagos - e a disputada mesa; que neste momento estava sendo desocupada... Então ela se virou, com vários livros de astrologia na mão, e que ela ainda não havia comprado, e me disse:

[Astróloga]: A energia deste lugar não está legal...
[Eu]: Energia? Acho que deve em função da sangrenta luta por uma mesa, ar-condicionado insuficiente, ou porque o espaço está abarrotado e ruidoso... 
[Astróloga]: Não sei, sinto algo estranho... Sou sensitiva...

Não respondi...

[Astróloga]: Mas tem algo estranho aqui...
[Eu]: O que vejo de estranho aqui, é o descaso de quem está sentado sem consumir nada, enquanto várias pessoas aguardam de pé, com uma bandeja na mão, enquanto o seu alimento esfria... Considero este descaso, esta falta de solidariedade e cortesia, antiético... Alguns parecem fazer questão de 'cagar solenemente' para o que está acontecendo...
[Astróloga]: Mas falta um lugar para ler...
[Eu]: Sim, mas isso aqui é uma livraria e não uma biblioteca... Comprem um livro, tomem um café, e depois leiam em casa...
[Astróloga]: Mas precisamos folhear e escolher - e exibiu os livros, ou melhor, o lixo que trazia...
[Eu] Então escolham seus livros de pé, ou em outro nicho, sem ocupar a cafeteria, bem acomodados em suas cadeiras, enquanto avançam pelo terceiro capítulo...

Um rápido silêncio... Logrei manter a serenidade, enquanto amargava tremenda indignação... Então ela entrou na minha zona de impacto:

[Astróloga]: Qual é o seu signo?
[Eu]: Não considero questões sobrenaturais...
[Astróloga]: Está bem, mas diga quando nasceu, eu sou astróloga, e direi seu signo...
[Eu]: Sou Libra...
[Astróloga]: Isso é bem libriano, esse seu jeito metódico...
[Eu]: Mas não sou metódico, sou ético... É bem diferente... Preocupo-me com as pessoas...

Ela percebeu a minha contrariedade, e arrematou:

[Astróloga]: É, mais isso é bem libriano...
[Eu]: É? Só que na verdade eu sou canceriano...
[Astróloga]: Mas cancerianos também são assim... Metódicos... São muito parecidos, librianos e cancerianos...
[Eu]: Mesmo? Mas acontece que nasci em 29 de Agosto de 1965...
[Astróloga]: Então você não é canceriano, você é virginiano!!! - exclamou a 'astróloga'...
[Eu]: Pois é... Pode ficar com a mesa... Os astros estão a seu favor... Tchau...

Perdi a mesa, ganhei o dia...

Carlos Sherman

sábado, 7 de janeiro de 2012

Os 'ismos'...


Um movimento composto por pessoas que acreditam em deuses, e em particular acreditam na existência do deus judaico-cristão-islâmico, e de seu filho Cristo - que era ele mesmo -, convencionamos chamar de 'cristianISMO'... Se acreditam no mesmo deus judaico-cristão-islâmico, mas não engolem o seu filho, chamamos de 'judaÍSMO'... Se continuam acreditando no deus judaico-cristão-islâmico, e no seu filho Cristo, mas prestam obediência a um senhor que mora em um castelo, o 'papa' - usa um chapéu pontudo, e é solteirão -, 'catolicismo'... Se acreditam no tal deus judaico-cristão-islâmico, mas de outra forma, e engolem o seu filho Cristo, mas incorporam outro enviado - Maomé -, mais importante do que todos os anteriores, isso será o 'islamISMO'... Se acreditam em desuses diferentes do seu, 'paganISMO'... Se acreditam em vários deuses e no sobrenatural, 'misticISMO'... Se acreditam em charlatões, 'charlatanISMO', se acreditam em charlatões disfarçados de divindades exóticas, 'xamanISMO'... Se acreditam em fantasmas, 'espiritISMO'... Se não acreditam em deuses, o 'ismo' é outro, 'ateÍSMO'...  Se não creditam em deuses, e nem no sobrenatural, muito menos em fantasminhas, 'materialISMO'... 

Se apostam no homem pelo homem, chamamos 'humanISMO', se querem servir, 'utilitarISMO', se apostam no conhecimento 'positivISMO'... Se apostam na racionalidade humana, 'racionalISMO'... E por aí vai... Mas os 'ismos', os rótulos, e os movimentos, embora sirvam ao propósito de discernir entre diferentes posições, guardam enorme imprecisão... Uma pessoa que siga o 'cristianISMO' pode acreditar em matar outras pessoas, para cumprir os desígnios de seu deus, como Hitler... Ou pode acreditar em Cristo e em atitudes humanas para com os demais, portanto, integrante do 'cristianISMO' e do 'humanISMO'... Seria portanto um 'cristianismo humanista'... Uma pessoa, como Stálin, pode declara-se parte do 'ateÍSMO', e acreditar em assassinar pessoas... Enquanto posso não acreditar em deuses, portanto integrante do 'ateÍSMO', mas repudiar veementemente qualquer tipo de injúria ou violência... De forma que o que conta é a ATITUDE INDIVIDUAL... 

O que você DIZ PENSAR, POUCO IMPORTA DIANTE DE SEUS ATOS... 

Deveríamos então agrupar os pertencentes ao 'assassinISMO', para conglomerar os que acreditam no direito de matar pessoas contrárias às suas posições... Teríamos então o movimento do 'assassinISMO cristão ou ateu, ou tanto faz'... Porque assassinar se sobrepõe a qualquer outra classificação... A generosidade, a solidariedade, se sobrepõe de igual maneira a outros 'ismos'... 'Generosismo', 'solidariIsmo', etc e tal...Cuidado com as generalizações, cuidado com os rótulos, cuidado com os ISMOS... 

O QUE CONTA, O QUE VALE, SEMPRE, SÃO AS ATITUDES INDIVIDUAIS, MESMO CAMUFLADAS EM MEIO AO COLETIVO, EM MEIO AOS 'ISMOS' DAS GENERALIZAÇÕES...

Carlos Sherman

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A crença na crença...


Mulheres, simples, desesperadas, e mais um charlatão, desta vez coreano, faturando alto... Triste Destino...



Publicaram mais uma ladainha...

"Nosso problema é que temos pensado sobre a oração, lido sobre a oração e até recebido ensinamentos sobre a oração, mas simplesmente não temos orado. Agora é o tempo de entendermos que a oração é a fonte de todo poder."
Paul Yonggi Cho

A galera atira pra todo lado... Esse tal Yonggi Cho é um evangélico coreano... Misturado com xamãnismo, esoterismo, mas o lance dele é mesmo o charlatanismo... 


Fatura alto em mega cultos, repletos de donas de casa de origem humilde, e desesperadas... Yonggi Cho dá a elas o que necessitam, a falsa certeza de que sem mérito algum e apenas porque querem, oram, e pagam o dízimo, tudo vai dar certo... 


E Cho, ainda fatura pesado em livros que dizem, e mais uma vez, o que o seu público espera: contra todas as probabilidades e leis naturais, e contra o próprio mérito, basta orar, mas orar mesmo, e tudo se resolve... Por mágica, por milagre... Mas se não der certo, Cho dirá que elas, as donas de casa frustradas da Coréia, e pelo mundo afora, não oraram direito... Então, dá-lhe oração, pagando o dízimo, e comprando os livros... Yonggi Cho está milionário, mas suas devotas continuam passando roupa...  


E comentei:


Podemos querer e orar, e orar e orar... Mas inequivocamente, somente o que for conquistado, e merecido, sobrevirá...


Então, quem postou retrucou:


Eu não mereço o tanto que Deus me abençoa......cada um crê de uma forma e não há equívoco. ;)


Não entendi, mas insisti, mesmo sabendo ser inútil... Apenas por tentar ajudar:


Cada um pode crer no que quiser... Mas para merecer basta trabalhar, lutar, progedir e conquistar... Por mérito... Não é justo? Não é suficiente?



Silêncio...



Sim, é justo... É claro que é justo... Sim é suficiente, natural, saudável...
Triste destino...


P.S.: 



Querida, como você disse: 'cada um crê no que quiser’... Só acredito no trabalho, estudo, dedicação, persistência e merecimento... E em um mundo plenamente natural e humano... Mas, não será um mundo moral... Não acredito em presente dos céus, nem em coisas sobrenaturais... Simplesmente não seria justo e honesto para com a humanidade...

Você sabe quem é Yonggi Cho? Sabe mesmo? Só quero colaborar, e acho que não estou colaborando muito por aqui, rsrsrs...

Acho que você trabalha duro, canta bem, e merece muito mais projeção, em função do seu talento... Coisas do negócio da música no Brasil [e no mundo]... Sou um grande admirador e divulgador do seu trabalho... Mas aqui, não estamos debatendo questões pessoais, estamos debatendo conceitos... Podemos respeitar as diferenças em nossas abordagens, e seguir... E se quiser, pode desconsiderar os meus comentários, todos...

E siga orando, já que este é o seu caminho... De minha parte continuarei somente divulgando o seu trabalho, e torcendo pelo seu sucesso... Saúde, beijos...


Carlos Sherman