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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Papo com Thales




Em um debate honesto, perder é ganhar; ganhar em conhecimento... Em uma disputa dogmática e sombria, perder é perder mesmo, e vale tudo para ganhar, até perder-se... 

Sinto-me excitado quando sou confrontado com argumentos mais sólidos que os meus e 'perco', para 'ganhar em conhecimento'... E perdi tantas, vezes, rsrsrsrsrsrs... O meu conhecimento é resultado de todos os debates que perdi diante com homens notáveis, para ganhar muito mais... Para ser livre, pensante, lúcido e atido à REALIDADE...

Sinto-me um homem - verdadeiramente - afortunado...


Carlos Sherman

Papo com Luc...





Temos uma tendência evolutiva a aderir facilmente a explicações simplistas e causais ordinárias...
onde um efeito emerge diretamente de uma causa...
adoramos citar 'lei do retorno', 'ação e reação'...
etc...
é natural...
para viver em florestas, também pecamos pelo 'falso negativo'... a aposta de pascal...
pelo bem e pelo mal, melhor acreditar...
vai que é verdade....
e pior, o falso negativo trabalho no sentido de evitar o risco...
o que seria???
a inteligência pode ser resumida como a capacidade de reconhecer padrões no universo, e na vida...
sendo assim, podemos nos sair muito bem, ou não...
podemos por exemplo deixar de reconhecer um padrão, em função da falta de conhecimentos prévios...
ou podemos reconhecer como um padrão algo que não é....
e esquizofrênicos, paranoicos, historicamente, quando também conjugaram a extroversão e a liderança em suas personalidades doentias, contribuíram para acentuar e tornar as crendices ainda mais grotescas...
estas crendices encontraram adeptos...
afinal adoramos o 'alarde', a 'anunciação', o 'animismo', e para completar o quadro, o efeito Prometeu: 'o homem como medida de todas as coisas'...
Este complexo foi percebido por aqueles que buscavam doentia e neurologicamente o poder...
e a máquina começou a girar...
o combustível das questões existenciais alimentava a fome desta enggrenagem...
o circo estava armado...
paralelamente, mentes mais lúcidas trataram de lutar contra isso...
devemos a estas mentes, nossos ancestrais diretos, rsrsrsrsrs, estou falando de você e eu, rsrsrsrs, a invenção do método científico...
homens notáveis, em uma linhagem notável, embora imperfeita - sem direito a 'divindades' da razão, nem utopias -, claro, preferiam ESPERAR PARA SABER...
INVENTARAM O MÉTODO CIENTÍFICO PARA TESTAR A NOSSA LUCIDEZ...
ESTAVAM INTERESSADO NA VERDADE...
ADOTARAM A ATITUDE CÉTICA...
buscaram olhar de perto, olhar os detalhes, baseado seus julgamentos em evidência, provas, fatos...
unindo causa e efeito através de hipóteses que foram corroboradas...
estes homens entenderam ainda que majoritariamente estávamos cercados de fenômenos multivariáveis, complexos e caóticos...
80% das pessoas com epilepsia não tem convulsões...
a maior parte não sabe que possui problemas nos lobos temporais...
após passarem por um surto, indivíduos portadores de epilepsia costumas relatar experiência místicas...
quando sensibilizamos os lobos temporais com capacetes magnéticos em experimentos neurocientíficos, produzimos em laboratório experiências místicas...
aqueles 80% que desconhecem o problema, costumam diagnosticá-lo precisamente porque passam a apresentar recursivas experiências místicas...
acreditando serem enviados de deus, ou canais de comunicação extra-terrestre, ou mesmo médiuns...
quando a família tem recursos e instrução, um neurologista é consultado e o problema encontrado...
mas como no caso de um conhecido médium de Uberaba, rrsrsrsrs, a coisa foi longe....
alterações nos lobos parietais causam a sensação de sair do corpo, como atestado em milhares de experimentos...
chegamos até a regular a 'altura' do vôo....
problemas no córtex cingulado e na parte anterior dos lobos frontais, afetam o discernimento entre ilusão e realidade...
e assim caminha a humanidade...

Carlos Sherman

segunda-feira, 9 de abril de 2012

FIAT LUX



Publicaram uma recomendação para um livro espírita, que prometia:


Camille Flammarion escreve em seu livro "Deus na Natureza":
"O verdadeiro título desta obra deveria ser: – “A contemplação de Deus através da Natureza”.
Há alguns anos que se anuncia, como estando no prelo, este trabalho e nós lhe temos modificado várias vezes o título, que, de início era puramente científico. (Da Força, no Universo.)
Acabamos, finalmente, por nos fixarmos neste. Sem dúvida, um título não tem essencial importância para que o autor se explique tão formalmente a respeito. Mas, no caso vertente, julgamos útil declarar desde logo que todos quantos vissem nas quatro palavras da capa a expressão de uma doutrina, errariam completamente. Aqui não há panteísmo, nem dogma. Nosso objetivo é expor uma filosofia positiva das ciências, que, em si mesma, comporta uma refutação não teológica do materialismo contemporâneo. É, talvez, imprudentíssima ousadia o tentar assim uma senda isolada, entre os dois extremos, que sempre aliciaram poderosos sufrágios; mas, de vez que nos sentimos impelidos e sustentados por uma convicção particular, tanto quanto por ardente amor a um novo aspecto da verdade, podemos, porventura, resistir ao impulso interior que nos inspira?"
e segue:
"Dividiremos nossa argumentação geral em cinco partes, no intuito de demonstrar em cada uma a proposição diametralmente contrária à sustentada pelos eminentes advogados do ateísmo.
Assim, na primeira, lidaremos por estabelecer, preliminarmente, pelo movimento dos astros e depois pela observação do mundo inorgânico terrestre, que a Força não é atributo da Matéria, mas, ao contrário, a sua soberana, a sua causa diretora.
Na segunda parte verificaremos, pelo estudo fisiológico dos seres, que a vida não é propriedade fortuita das moléculas que a compõem e sim uma força especial a governar átomos, conforme o tipo das espécies. O estudo da origem e progressão das espécies também aproveitará à nossa doutrina.
Na terceira parte observaremos, examinando as relações do pensamento com o cérebro, que há no homem algo mais que a matéria e que as faculdades intelectuais distinguem-se das afinidades químicas. A personalidade da alma afirmará o seu caráter e a sua independência.
A quarta evidenciará na Natureza um plano, uma destinação geral e particular, um sistema de combinações inteligentes, no seio das quais o olhar desprevenido não pode deixar de admirar, mediante sadia concepção das causas finais, o poder, a sabedoria e a previdência que coordenam o Universo.
A quinta parte, enfim, como centro de convergência das vias precedentes, nos colocará na posição científica mais favorável para julgar simultaneamente a misteriosa grandeza do Ente Supremo e a cegueira inconteste dos que fecham os olhos para se convencerem de que Ele não existe.


Comentei:

Os conceitos acima estabelecem juízo prévio e desconhecimento, respeitosamente falando, e está baseado ora em verbosidades ora em incongruências... Explico porque: 

1.
No primeiro conceito pretende rediscutir a Física Clássica, Relativística e Quântica , assim como a Astronomia e espero que o trabalho contenha a mesma vastidão de provas, e extenso volume para desfazer tudo o que está entendido... Fica a impressão de que apelará para o superado e equivocado modelo Aristotélico... É ver - ou ler - para entender - sem apelar para crer... Lembrando que desenvolvemos e colocamos satélites em órbita da Terra, pousamos em uma lua de Saturno - Titã... E a teoria atômica moderna nos tem servido à perfeição, repetida todos os dias, milhões de vezes, sendo corrobora por milhares de cientistas e diferentes países... 
Ou seja a vida físico-química à nossa volta é a demonstração cabal de que não existem lacunas para encaixarmos o sobrenatural... Vale ressaltar que o autor viveu antes da Física Quântica, e das principais descobertas Astronômicas, da Física, da Química e da Biologia...

2. 
Depois fala em 'doutrina', ao descrever 'pelo estudo fisiológico dos seres, que a vida não é propriedade fortuita das moléculas que a compõem e sim uma força especial a governar átomos conforme o tipo das espécies'... Está de uma só tacada reescrevendo a química, a biologia, ao alegar que existe uma força especial - e portanto até o presente desconhecida, diferente da nuclear fraca e forte - que governa átomos 'dependendo da espécia', o que assassina a química, e a biologia que tão bem conhecemos... 
Chega a ser infantil e pueril, que alguém desconsidere que a medicina e o conhecimento da química e da biologia, assim como da fisiologia humana, tenha nos levado de 30 anos como expectativa média de vida, do homem de Cro-Magnon ao homem do fim da Idade Média; e que hoje, pela ciência médica gozemos de 70, 80 anos de vida - com ampla vantagens para países menos crentes e portanto melhor assistidos pela ciência... Também é incrível o desprezo pela drástica diminuição da mortalidade infantil, que nos tempos de Hippolyte Léon Denizard Rivail poderia levar à uma especulação, bastante delirante, de que o sofrimento pela morte de infantes estava pautado em reencarnação e outras vidas... Sabemos que políticas públicas de saúde e ciência são suficientes... 
Observem como países majoritariamente descrentes, pelo uso da ciência, reduziram a mortalidade infantil afetando diretamente os desígnios fantasmagóricos da reencarnação... Pensem nisso... 

3.
A alma é postulada na terceira parte, no melhor estilo platônico e aristotélico, discurso velho e carcomido... Lembrado que este senhores, grandes arquitetos da ideia de que o corpo de nada serve sem a 'alma' - um conceito vazio e sem função clara em nossos dias -. também acreditavam que o coração pensava, e que o cérebro era uma espécie de 'radiador' para esfriar o sangue... Assim como acreditavam, piamente, que a Terra estava no centro do Universo... Aristóteles postulou ainda que as mulheres 'seguramente' não tinham alma... Ledos enganos... 
O que Platão e Aristóteles deixaram como 'conhecimento' seria suficiente para uma Enciclopédia de Equívocos... E para quem pensa em recorre à 'contextualização', devo esclarecer que Demócrito, Epicuro, Leucipo, Hipócrates, Aristarco, viveram o mesmo período e não se equivocaram tanto... A diferença entre o primeiro e o segundo grupo é simples, o primeiro tomou a arrogante liberdade de profetizar sem PROVAS, enquanto o segundo só abriu a boca diante de evidências e provas... O primeiro grupo, Platão e Aristóteles projetou sua vontade e caprichos, o segundo observou, pensou e descreveu... 
Portanto enquanto os defensores da alma, Platão e Aristóteles diziam que a Terra estava no centro do Universo e as estrelas eram esferas de cristal, Aristarco sabia que o Sol estava no centro... Calculou a distância relativa entre Terra, Sol e Lua, e especulou sobre suas dimensões... Enquanto Platão e Aristóteles preenchiam seu vasto desconhecimento com 'alma', Hipócrates, o pai da medicina, dizia: 

"Os homens pensam que a epilepsia é divina meramente porque não a compreendem. Se eles denominassem divina qualquer coisa que não compreendem, não haveria fim para as coisas divinas."
Hipócrates (Pai da Medicina; 460–377 AEC)

Não, não haverá... Por quase 2.000 anos, a medicina de Hipócrates foi substituída pela 'espiritualidade', possessões demoníacas, etc, e passamos a viver como era antes de Hipócrates, na maior ignorância e em péssimas condições de saúde... Enfrentamos a Peste Negra perseguindo hereges, e caçamos bruxas até o acender das luzes... Com o advento do Iluminismo, Humanismo, Positivismo, recuperamos a medicina perdida, o respeito pelo corpo, abolimos falácias, acendemos definitivamente as luzes, e mudamos completamente o quadro da chances humanas de viver e permanecer vivos... 
Mas até hoje muitos, a maioria, vive imersa em superstições, enquanto recorre à medicina cética quando a saúde capenga... Por quê? Porque existem 'bugs' e características em nossos cérebros, e que levam à acolhida de toda sorte de superstição... Distúrbios nos lobos temporais levam crentes à experiências divinas, e descrentes a uma sensação de sintonia com a natureza... Tais distúrbios são frequentes... Determinados tipos de Epilepsia não desencadeiam convulsões, mas sim visões do divino... Desde que você acredite no divino, caso contrário, serão sensações de intimidade com a natureza, pelo rompimento da sensação de 'ser você'... Isso leva místicos a pensar em viagens astrais, etc... Seria interessante refletir sobre dois aspectos, primeiro porque deus escolhe a epilepsia para vislumbres tão raros de sua existência, e depois se seria certo privar estes pacientes da experiência do 'divino'... 
A esquizofrenia é outro problema, e Chico Xavier foi sem dúvida um esquizofrênico não diagnosticado... Wellington Menezes, doutrinado pela religião, matou crianças em Realengo... John Nash ganhou o Nobel de Ciências Econômicas... O que existe em comum entre os dois? A esquizofrenia... O que os diferes, o conhecimento versus a doutrina religiosa... Nash via russos em seu encalço em plena Guerra Fria... Menezes ruminava o comando bíblico, morte aos infiéis... 
Podemos hoje, com uma espécie de capacete, estimular a partir de campos magnéticos zonas cerebrais... E podemos finalmente entender com as ditas experiências místicas funcionam... Podemos provocar tais sensações... A resposta está no Sistema Límbico e o próximo Nobel de Medicina e Fisiologia sairá desta área... O Sistema Límbico regula as nossas emoções, e comporta-se como um núcleo cerebral dentro do Cérebro, tendo o Hipotálamo como centro de decisões... O Corpo Mamilar, as Amígdalas, são 'cúmplices' o co-autores de nossas experiências ditas 'místicas'... Outros sistemas de decisão atuam, como a vontade de pertencer a um grupo, e a gestão do medo e do risco... Estamos perto de solucionar a questão, que nas últimas décadas andou 70% do caminho, e os 30% finais estão previstos para esta década... Mas se tem visões e ouve vozes, e se é capaz de entregar-se radicalmente, mesmo sendo uma pessoa inteligente e instruída, a crenças, crendices, e superstições, pode ser a hora de consultar um neurologista... É sério...

4.
O quarto conceito, verbosidades à parte, postula a existência de causas morais para a existência do Universo... Sabemos que não procede... Caso contrário deus teria que dar muitas explicações... Toda sorte de argumentação espírita e frágil, falaciosa, e evidentemente não pode ser comprovada... De forma que este livro deve ser um pouco mais do mesmo... 

5.
E o Gran Finale, a profecia do 'deus supremo', e claro, os que não podem ver são cegos... 

Camille Flammarion foi um astrônomo, e morreu antes de que a maioria esmagadora dos avanços científicos pudessem ter sido descobertos... Morreu antes da ressonância magnética e da Neurociência Moderna, morreu antes do Hubble, e da ampla exploração espacial, morreu antes da Mecânica Quântica... Morreu antes da consagração da Relatividade... Morreu antes da descoberta do DNA... Já em sua época foi um astrônomo sem relevância, mas dedicado à polêmica... Flammarion foi amigo de Kardec, e ao invés de procurar um Neurologista, afundou-se na falácia do espiritismo...

Perdão, mas tenho uma posição realmente dura sobre o assunto... 

Muita gente deixa de ser atendida por médicos, e passa a vida imersa no obscurantismo espírita... Eu passei pela experiência... Estou curado de semelhante devaneio... 

A hipnose, embora um mero truque, realmente existe, e trabalha sobre nossa fragilidade de sugestionamento e controlando os nossos centros de decisão... Estima-se que mais ou menos 20% das pessoas sejam altamente hipnotizáveis, enquanto 60% podem ser hipnotizadas dependendo das circunstâncias e o hipnotizador, e 20% nunca serão hipnotizadas... 

Em um estudo relativo ao tema, 16 pessoas foram hipnotizadas, 50% suscetíveis, 50% resistentes, segundo uma pré-seleção... Então foram submetidas à hipnose e receberam a seguinte instrução: 'esqueçam a palavra que está escrita, em uma língua estranha, e informem apenas a cor'... Foram então liberadas do transe, e o experimento passou a avaliar os efeitos 'pós-hipnose'... O grupo então foi apresentado a palavras que diziam 'VERDE', mas estavam coloridas de AZUL, ou AMARELO, estando colorida de VERMELHO... E era solicitado responder: 'qual a cor?'... Exatamente a metade hipnotizável respondeu diretamente a cor que via, ignorando a palavra... A outra metade percebeu o conflito...

Já imaginaram o que a hipnose coletiva, em um culto religioso podem causar nas pessoas?  

Finalmente, e sobre o livro proposto, trata-se de uma obra de cunho oitocentista, e pelos conceitos em destaque, um convite à refutação cabal... Temos uma tendência à explicações causais, onde um efeito emerge de uma causa direta... Temos dificuldades, mesmo sem saber, com sistemas caóticos, complexos, probabilísticos, randômicos, estocásticos... Por exemplo, taxistas adoram comentar o clima: 'este clima está louco'.... Não, este clima 'é louco'... A troposfera é um sistema caótico, que pode ser modelado, mas que guarda sempre incerteza... 

As pessoas, e o Sistema Límbico ajudam em acentuar este problema, preferem relações causais simplistas... Por que este casal não está bem? Porque não tem deus na vida deles, ora... Pensam em quão complexos são dois seres humanos, em quão complexas são as relações, nas circunstâncias que mudam, na variância dos parâmetros que regem a vida, e muito mais complicado... Então? Foi deus... E o emprego? Por que não consigo um emprego? Mal olhado... É o seu carma, são os chakras, etc e tal... Não, é a vida, complexa, mas não misteriosa... 

Lembrando ainda, e pouco sabem, que o cérebro evoluiu de dentro para fora... O núcleo, ou Reptiliano, é idêntico ao cérebro dos répteis... O nosso DNA, com cerca de 30 mil genes ativos, salta 80% do código total... Sim temos instruções de 'jump' por toda parte, e desprezamos 80% do que está escrito nele... Por quê? Porque deixamos estas instruções para trás na Evolução... A oxitocina e a vasopressina regulavam a salinidade de nosso corpo, quando vivíamos no mar, hoje regulam o nosso afeto... Hormônio são mensagens, que uma vez que encontram seu destino produzem reações que são deflagradas fisicamente... 

Já que um livro foi mencionado, mencionarei outras sugestões, 'Os Fantasmas no Cérebro' (V.S. Ramachandram), 'Quebrando o Encanto' (Daniel Dennett), 'O que nos faz humanos' (Matt Ridley), 'Um Antropólogo em Marte' (Oliver Sacks), 'Em Busca da Memória' (Eric Kandel), 'Um Mundo Assombrado por Demônios' (Carl Sagan), 'Deus Um Delírio' (Richard Dawkins), 'E o Cérebro Criou o Homem' (Antonio Damásio), 'Por que Acreditamos em Coisas Estranhas' (Michael Shermer), 'Truques da Mente' (Stephen Macknik, Susana Martinez-Conde), 'O Cérebro Imperfeito' (Dean Buonimano), 'Como a Mente Finciona' (Steven Pnker)... 

Temos ainda, uma tendência a preferir o que é 'espetaculoso' - não confundir com espetacular... A vida e a realidade são espetaculares... A Realidade é a droga mais forte que existe, e não entendo porque as pessoas fogem para drogas menores, cocaína, religião, espiritismo, psicanálise... O real é muito melhor... Incomparável... Você pode entender a Genética, a Neurociência e a Astrofísica... Não é tão complexo quanto parece, e hoje existe ampla literatura 'séria' com linguagem acessível... Tudo isso, todo a crenças reinante, em alguma medida responde ao nosso medo da morte... E assim, desprezamos o corpo, desprezamos a vida REAL, imersos em um mundo fantasmagórico e triste... FIAT LUX... 

Somos apenas, e tão somente - parafraseando Nietzsche - humanos, demasiado humano... Frágeis, irremediavelmente mortais, e ainda assim, maravilhosos... 

Peço desculpas antecipadas pela extensão dos texto, mas a tentativa de questionar com uma só tacada a física, química e biologia, postulando o velho deus das lacunas, e o conceito infantil de alma como solução, merecem um tratado... Fui econômico, dada a abrangência do tema, e a extensão do desconhecimento...

Pior do que o desconhecimento são as pré-suposições equivocadas... Solução? Estudar.... Não crenças e crendices, estudar aquilo que foi testado e repetido, inúmeras vezes, por diferentes cientistas, em diferentes países, por diferentes métodos... Sem isso, lamento, serão motivo de piada... Por que tudo isso, não percebem, é absurdo....


Carlos Sherman

domingo, 26 de junho de 2011

Por outro ângulo... Isso se você quiser ver...




Por outro ângulo...

Quando cessam os argumentos em um debate aberto sobre ‘crenças’, o lado dogmático sempre escolhe um entre dois caminhos: 1. A disputa eloqüente e agressiva, baseando-se apenas no seu fundamento; 2. A alegação de que ‘você não sente’, ‘você não tem fé’...

Colocando o tema sobre outra perspectiva, lembro que os ‘deuses e as crenças vieram de livros ditos sagrados’... Mas como tais livros foram acreditados como sagrados? ‘Bom, são sagrados porque os deuses disseram que são’... Isso constitui um argumento circular, e poderíamos encerrar a discussão por aqui, sendo então que, nada existe a ser discutido... Não existe objeto... Isso porque o ‘sagrado’ é indispensável para ‘sagrar’ um deus como deus... Se não podemos ‘sagrar’ o ‘sagrado’, senão por um deus, como ficamos? Em círculos, e correndo atrás do rabo... Assim não podemos ir a nenhuma parte...

Outro exemplo de argumento circular, ou absurdo, que presenciei enquanto estive no Irã, em uma de minhas 7 viagens ao mundo persa; foi quando o Aiatolá Ali Khamenei conclamou que ‘todos aqueles que querem discutir o relaxamento da pena de morte devem ser executados’... De forma mais suave, sinto como se, por dispor-me a entender a ‘crença na crença’, estivesse sendo sentenciado a ser ‘insensível’... Executado em minha sensibilidade... Na verdade são temas bem distintos como tratarei de ‘demonstrar’, e não são de nenhuma forma 'mutuamente exclusivos'...

Tipicamente, costumo responder a esta questão de ‘você não sente’, lembrado aos ‘crentes’, que enumerem qual dentre os seguintes nomes [com os quais compartilho sentimentos e idéias],  ‘não sentem’ ou ‘não pensam’: Drummond, Pessoa, Mário Quintana, Neruda, Borges, Vargas Llosa, Garcia Marques, Picasso, Da Vinci, Humberto Eco, Jorge Amado, Chaplin, Caetano Veloso, Chico Buarque, David Gilmour, John Lennon? Acho que fica fácil perceber que o sentimento não anula o pensamento e vice-versa...

O conceito filosófico de ‘Reductio Ad Absurdum’ (latim), ou 'redução ao absurdo', tem origem grega; e significaria que podemos reduzir um conjunto de proposições, até chegar a uma ‘redução ao impossível’... Este conceito foi  muito utilizado por Aristóteles... Também é conhecido como argumento ‘apagógico’, ou ‘reductio ad impossibile’ ou, ainda, ‘prova por contradição’... Trata-se de uma argumentação lógica e na qual são assumidas uma ou mais hipóteses e, a partir destas, derivamos até uma consequência dita ‘absurda’ ou ‘ridícula’, e então podemos concluir que a suposição ou proposição original deve ser falsa... Vale-se da ‘Lei da Não-Contradição’, onde ‘uma declaração não pode ser concomitantemente verdadeira e falsa'... Também podemos lançar mão da ‘Lei do Meio Excludente’, onde 'uma sentença não deve ser igualmente verdadeira e falsa'...

Há uma concepção equivocada de que o ‘Reductio Ad Absurdum’ simplesmente denota um ‘argumento bobo’, o que seria por si só, uma ‘falácia lógica’... Na realidade, uma ‘redução ao absurdo’ apropriadamente estruturada constitui um argumento válido e, portanto, uma prova ou demonstração cabal...

Examinemos, pois, à luz do ‘Reductio Ad Absurdum’ as seguintes proposições:
A - ‘A Bíblia é um livro sagrado porque contém verdades';
B – ‘Deus é verdadeiro porque a Bíblia o descreve como verdadeiro’;

Tudo bem até aqui? Acho que sim... A Bíblia é sagrada porque tem autoridade para tal, dizendo apenas a verdade, e Deus é Deus porque a Bíblia diz que ele é Deus... Como a Bíblia está certa, Deus deve ser Deus mesmo, certo?

Então temos:
A - ‘A Bíblia é um livro sagrado porque contém verdades’;
B – ‘Deus é verdadeiro porque a Bíblia o descreve como verdadeiro’;

Mas:
C1 – ‘A Bíblia diz que a Terra é plana, a Terra não é plana, pela Geologia, pela Geografia, pela Astrofísica, et coetera’;
C2 – ‘A Bíblia diz que a Terra está no centro do universo, e que foi criada antes do Sol e das demais estrelas, e não é verdade, pela Astrofísica, Física Nuclear, Química, et coetera’;
C3 – ‘A Bíblia diz que a Terra tem um pouco mais do que 6.000 anos, e isso não é verdade, pela Geologia, pela Astrofísica, Arqueologia, História, et coetera’;
C4 – ‘A Bíblia diz que o Homem [assim como todos os demais animais, insetos, invertebrados, microrganismos] foi criado por Deus diretamente, sem etapas intermediárias, há 6.000 anos, e sabemos que não é verdade pela Genética, Biologia, Neurociência, Antropologia, Paleontologia, et coetera’;
C5 – ‘A Bíblia diz que a mulher foi criada da costela do homem, e sabemos que não é verdade, pela Genética, Biologia, Neurociência, Antropologia, Paleontologia, et coetera’;
C6 – ‘A Bíblia diz que TODAS as doenças são possessão demoníaca, e sabemos que não é verdade pela Medicina, Genética, Biologia, Neurociência, et coetera’;

Então, não apensas por uma contradição (‘C’), mas por 6 contradições acachapantes, podemos dizer que a proposição ‘A’ está errado, ou seja, ‘‘A Bíblia é um livro sagrado porque contém verdades’... Ou seja, a Bíblia contém muitas falsidades ou erros, de forma que não podemos reconhecer sua autoridade e o seu ‘sagrado’, por conter verdades... E logo, a proposição ‘B’, de que ‘Deus é verdadeiro porque a Bíblia o descreve como verdadeiro’, também não se sustenta, sem 'A'... Então significa que ‘a Bíblia não é suficiente para descrever a existência de Deus’... Sem contar que,  quem ‘supostamente’ protagoniza a Bíblia é Deus, ou o seu filho, que também é ele mesmo (!?!)... E como acabamos de demonstrar, em 6 questões ESSENCIAIS para a vida, a Bíblia está completamente errada... 

Logo, antes de adotar uma posição arrogante sobre sua crença, seja ela qual for, esteja ciente de que nada sustenta sua crença além da sua vontade, sua fantasia, ou a fantasia da cultura da qual você faz parte... Pode decorrer também de caprichos, interesses, mas não será um argumento racional... Sobre a racionalidade 'vs' a sensibilidade, acho que também ficou bem claro não haver a mínima relação...

Crer não é nobre... É frágil, desesperado... Vazio...

Finalmente, sim, discutir crenças envolve temas objetivos; como ficou demonstrado... Envolve Física, Astrofísica, Astronomia, Química, Biologia, Genética, Antropologia, Paleontologia, Geologia, Medicina (Fisiologia, Endocrinologia, Neoruologia, et coetera), Neurociência Cognitiva, História, Geografia, et coetera...  

Um último 'toque', refere-se ao conceito de 'Mitologia'... Segundo o maior mitologista que já existiu, Joseph Campbell, 'a Mitologia são os deus dos outros... Sim, porque 'o seu deus é sagrado', e o dos outros não... Então repare como, em relação a Thor, Odin, Hórus, Krishna, Ogúm, Oxossi, Yemanjá, Juju da Montanha, somos todos descrentes... Eu e você... A nossa diferença básica está no fato de que eu não acredito apenas em um deus à mais do que você... Eu 'também' não acredito no 'seu deus'... Ou seja, coincidimos em 'não crer' para os milhares de deuses criados e adorados pelo homem, em 150.000 anos de crenças, só que eu não acredito no seu deus também... Diferimos apenas em um deus em quase 4.000... Discordamos apenas em um deus em 4.000... Isso não é nada, não é verdade?

Continue fugindo de entender... Continue, então, fugindo da verdade... Continue agarrada aos seus fantasmas, e reagindo com subterfúgios... Só porque a vida não é como você gostaria que fosse... Solte a corda, deixe-se cair de encontro à liberdade... Esteja de pé e não mais de joelhos... Basta de súplicas, use os seus braços para construir sobre a realidade... Seja útil, tenha uma vida digna... Eternize-se por seus feitos e não por seu medo...

Carlos Sherman




O milagre não é dar vida ao corpo extinto,
Ou luz ao cego, ou eloqüência ao mudo...
Nem mudar água pura em vinho tinto...
Milagre é acreditarem nisso tudo!
Mário Quintana