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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

A CIÊNCIA DO ERRO - sobre VERDADES e a REALIDADE OBJETIVA [a resposta a um devoto petista]



Uma resposta a Daniel Lima:

A CIÊNCIA DO ERRO - sobre VERDADES, VERACIDADE e REALIDADE OBJETIVA

"Somos todo ignorantes, mas não sobre as mesmas coisas" - Albert Einstein

E poderíamos apendar o célebre pensador ashkenazi para salvaguardar também a escala da ignorância e a gradação do erro associado ao feito - ou desfeito, ou defeito!

Respondendo a um tal Daniel - enquanto debatíamos sobre a última eleição brasileira -, afirmei que 'sim' existem proposições verdadeiras e falsas - não importa o tema... E podemos 'sim' atestar a veracidade ou falsidade de proposições - para viver melhor, e de forma mais ética e justa; e contra toda sorte de relativismo oportunista, podemos ainda dizer que 'sim' existe uma realidade objetiva... Aguardem até o fim, e entenderão...

Certa feita Asimov recebeu uma carta de um licenciado em literatura inglesa, e não iniciado na busca pelo conhecimento, que muito vem ao caso neste momento; motivo pelo qual devo citá-lo:

“Um jovem especialista em literatura inglesa, tendo me citado, passou a me repreender severamente sobre o fato de que, através dos séculos, as pessoas pensavam ter compreendido finalmente o universo, e através dos séculos ficou provado que estavam errados. Isso significava que a única coisa que podemos dizer sobre o nosso conhecimento ‘moderno’ é que ele está errado.”

Asimov brilharia em sua resposta:

“Quando as pessoas pensavam que a Terra era plana, estavam erradas. Quando as pessoas pensavam que a Terra era – ‘exatamente’ [grifo meu] - esférica, estavam erradas. Mas, se você considera que ‘pensar que a Terra é esférica é tão errado quanto pensar que a Terra é plana’, então a sua visão está mais errada do que as duas juntas.” (‘A Relatividade do Erro’; 1989)

Asimov explicaria ainda que as pessoas buscam por certezas absolutas, ou negações absolutas... As pessoas estão platonicamente aprisionadas em uma falsa noção de perfeição; de forma que, se alguma coisa não é exatamente’ ou absolutamente perfeita, então ela estará totalmente errada. Isso não nos leva a nada. Existem gradações de erros, sentenças verdadeiras e falsas; e a ostentação de verdades absolutas, somente serve ao propósito de turvar a nossa visão diante da ‘realidade objetiva’ – à qual Gleiser chama pejorativamente de ‘objetvismo’ -, impedindo que possamos diminuir a confusão reinante, optando por posições mais acertadas do que outras.

‘Objetivismo’ é particularmente abjeto, irresponsável e injustificável... Podemos ‘endereçar a verdade’, e este é o propósito da investigação científica; muito embora não seja a sua fonte de inspiração... Somos inspirados pela beleza da vida, por nossas paixões, amores, pela devoção a estes amores e princípios. E aqui discordo de outro conceito da “ilha” de Gleiser, que a motivação ciência seja a ignorância. Pretendemos escrever a poesia da realidade, e por amor...

Sob o pretexto de uma verdade absoluta, Gleiser questiona que existam verdades, assim como o professor de literatura... Aliás, Galileu, um célebre “cavaleiro do apocalipse”, tendo escolhido ridicularizar crendices infundadas, salvaguardava o vigor de sua lucidez, e a postos, quando disse que:

“Io stimo più il trovar un vero, benché di cosa leggiera, che `l disputar lungamente delle massime questioni senza conseguir verità nissuna. / Mais estimo encontrar uma verdade sobre qualquer assunto leve do que entrar em uma disputa longa sobre máximas questões se, atingir verdade nenhuma.”

Mas Galileu também esteve equivocado, como no notório caso dos anéis de Saturno; afinal, com seu parco instrumento de trabalho, os discos lhe pareceram como dois astros mais ladeando o planeta... Mas os acertos de Galileu e seu exemplo e vida, valem muito mais do que seus evidentes equívocos – e Gleiser sabe disso. 

Enquanto especulamos sobre a planura da Terra estivemos equivocados, mas tratávamos de endereçar a verdade; afinal, a curvatura da superfície terrestre está próxima de zero. Este ‘erro’ refletia as limitações instrumentais para a época, mas, sobretudo as limitações em termos de critérios para o conhecimento. Ainda não havia uma concisa teoria para o conhecimento, nem estatutos, nem recomendações formais, ou uma metodologia para o conhecimento que estabelecesse um universo de validez, indicando a margem de erro esperada no confronto com a ‘realidade’. As ‘verdades’ eram publicadas com ansiedade e alarde, e, portanto, sem critérios; tudo estava por saber... 

Mas os tempos mudaram; e mudaram com o filósofo grego Eratóstenes (276-195 AEC), um “gênio do tamanho da Terra”, que seria o primeiro a notar que a longitude das sombras, em relação ao mesmo horário do dia, variava com a latitude onde a medição era procedida. Eratóstenes sabia que no vigésimo primeiro dia do mês de Junho aconteceria o Solstício de Verão na cidade de Siena, e que, precisamente ao meio dia, o Sol brilharia direto dentro de um poço, iluminando “o seu fundo sem que nenhuma sombra se projetasse em suas paredes”; isso enquanto em Alexandria, exatamente na mesma hora, ainda haveriam sombras projetadas sobre a parede... 

Eratóstenes inferiu então que a Terra era esférica, uma revolução para o seu tempo. Com ajuda da trigonometria, considerando a distância entre Siena e Alexandria, o ângulo formado por este arco em relação ao “centro da Terra”, ele calculou a curvatura correta da Terra... Isso foi medido em “passos” e “estádios”, e envolveu “sombras”; tudo muito impreciso, embora engenhoso, perspicaz, apaixonante e científico... 

Endereçávamos a verdade com ainda mais acuracidade, ao que hoje podemos adicionar algumas casas decimais, calculando a curvatura da Terra em 0,0000786 por quilômetro. Isso seria crucial para que pudéssemos revisar toda a cartografia da época, e os mapas, palmo-a-palmo, passariam a ser muito mais precisos; a navegação seria revolucionada, e o mundo seria ‘redescoberto’... Tudo isso graças ao gênio e à ousadia de Eratóstenes, apesar do ‘erro’ irremediavelmente incorporado pelas limitações de seu tempo...  

Agora a Terra era uma “esfera” perfeita, o que também estaria equivocado... Observando os céus e os demais planetas, o gênio investigativo de Newton demonstraria que a massa terrestre em rotação sofreria um acentuado achatamento nos polos... Medidas mais precisas nos permitiriam calcular o grau de elipsidade da Terra. A Terra esferoide seria muito mais próxima de seu passado esférico do que de seu passado plano; evoluímos em termos de gradação de erro. Uma esfera prefeita nos daria uma curvatura em torno de 12,5 cm/km, enquanto a curvatura elíptica varia de fato entre 12,657 e 12,472 cm/km... 

Este raciocínio conduzido por Asimov, stricto sensu, nos permite dizer que julgar a Terra esférica é muito mais correto do que considerá-la plana; e tal noção tem enorme impacto sobre nossas vidas. Também podemos dizer que julgar a Terra plana é muito mais incorreto do que julgá-la esférica, com os mesmos e severos impactos sobre o nosso convívio com a ‘realidade objetiva’. E ensinar tais princípios, valorizar o ‘endereçamento’ obstinado da verdade, é muito mais produtivo do que destacar a imprecisão deitada sobre o caminho...

Mesmo o nosso esferoide ‘perfeito’ seria revisado em 1958, quando o satélite Vanguard I entrou na orbitar a Terra. Uma literal vanguarda científica seria capaz de medir a forma da Terra com uma precisão sem precedentes. Descobrimos que nos parecíamos com alguma coisa entre uma ‘pera’ e uma ‘batata’ – flutuando e rodopiando no espaço. Correções da ordem de milionésimos de centímetros por quilômetro foram procedidas, e aqui estamos – graças ao gênio de Eratóstenes...

Vivemos um conflito neuropsicológico de ordem evolutiva, causais, dicotômicos, lineares... Perdidos em uma gangorra de absolutos, tudo ou nada, certo e errado, bom ou mal. A realidade se descortina livre, desimpedida, e precisamos estabelecer parâmetros e bases de compreensão, para conformar avanços ‘objetivos’... O absolutismo, o generalismo, e seu homólogo, o relativismo, tem se prestado ao inconsequente e especioso propósito de justificar medidas autoritárias e dogmáticas, alegando a impossibilidade de exatidão... Pois não seria muito melhor, sempre, acender mais um pequeno lampejo de luz do que tropeçar na escuridão?

Hoje sabemos que a ‘mecânica genética’ de nosso corpo evoluiu para mitigar os erros e mutações em nosso código genético... É isso mesmo, o código genético tem um mecanismo autocorretivo; e desta forma estamos menos sujeitos a mutações drásticas do que estivemos no passado. E podemos dizer que a Ciência conta hoje com o mesmo sofisticado mecanismo: o Método Científico. De forma que a falibilidade assumida da Ciência, de hoje em diante, está muito menos sujeita a erros crassos do que esteve no passado das crenças.

“[...] talvez a Terra seja esférica agora, mas um cubo no próximo século, e um icosaedro oco no próximo, e com a forma de donuts no seguinte.  O que ocorre, na realidade, é que quando os cientistas consegue elaborar um bom conceito, eles gradualmente o refinam e ampliam, com crescente sutileza, à medida que seus instrumentos de medição melhoram. As teorias não estão tão equivocadas, mas incompletas.” – Isaac Asimov (idem)

Não é tão importante definir se este valoroso processo se estenderá infinitamente ou não, absolutamente ou não; mas, sobretudo, devemos considerar o bem que este honesto procedimento provê, na medida em que, inescapavelmente,  ilumina o que antes era escuridão...

Muitas vezes, teorias que alcançam o status de revolução científica, não passam de um conjunto apropriado manipulações e refinamentos de um corpus de conhecimento pregresso. Como quando Copérnico nos levou de um sistema centrado na Terra a um sistema centrado no Sol. Copérnico estava desafiando o que parecia ser óbvio, com algo que soa ridículo. Aristarco e Eratóstenes viveram a experiência... 

Normalmente, e há algum tempo, vivemos de refinamentos; caso contrário, e considerando a autorregularão e autocorreção científica em voga, uma teoria estapafúrdia teria vida muito curta... Exemplos pífios como a “fusão a frio” não passaram de pseudociência. O que deveria nos alertar ainda mais sobre a necessidade de aprimorar nossos critérios, e não desconsiderá-los – como Gleiser e o “professor” sugerem. 

Mas, ainda assim, e por mais que a proposição ‘parecesse’ revolucionária; toda esta ‘revolução’ não passava de um problema político-religioso – da alçada do “absoluto” e do “absolutismo”. Cientificamente, se tratava de um refinamento teórico em relação aos movimentos dos já conhecidos corpos celestes. Seria a autoridade religiosa Católica, expressa em seu livro negro ou Index, quem elevaria o trabalho de Copérnico à condição de heresia, sete décadas depois de sua publicação em 1616, e lá permanecendo até 1822. Mas aí já era tarde, o estrago já estava feito...

Copérnico pretendia apenas encontrar um modelo que melhor acomodasse a realidade de suas observações celestiais. Neste caso, e em especial, apesar de toda a gambiarra incorporada ao modelo aristotélico-ptolomaico, a sobrevivência do antigo, “salvando a teoria” platonicamente, só possível, e por tanto tempo, devido à força da autoridade político-religiosa vigente.

A Teoria da Evolução enfrentou os mesmos credos, e as mesmas barricadas:

“[...] as formações geológicas terrestres mudam muito lentamente, assim como os seres vivos evoluem tão lentamente, que parecia razoável no início supor que não haviam mudanças, e que a Terra e a Vida sempre existiram como são até hoje. Sendo assim, não faria diferença se a Terra e a Vida tivessem bilhões de anos de antiguidade, ou somente milhares. Milhares era mais fácil de compreender.” (idem)

    A exemplo do entendimento sobre a curvatura terrestre, quando medições mais precisas revelaram que a Vida evoluía em um ritmo muito lento, porém vigoroso, pudemos aprofundar também a compreensão sobre a idade da Vida... Nascia a Geologia Moderna, a Evolução e a Biologia.

“É apenas porque a diferença entre taxa de variação em um universo estático e a taxa de variação em um universo em evolução está entre zero e muito próximo de zero que os criacionistas podem continuar a propagar seus disparates.” (idem)

O raciocínio também se aplica ao mundo dos micro-organismos... Um mundo de escalas invisível estava escondido de nós; e toda sorte de crendice foi erigida para preencher as lacunas diminutas hoje ocupada pela microbiologia. Cotidianamente dizíamos – e muitos ainda dizem: “menino, não tome esta friagem porque você vai ficar gripado”... Recentemente ouvi tal disparate de uma amiga microbiologista, para quem o filho descalço resultaria resfriado. Tratei de recordá-la de dois aspectos: primeiro, como microbiologista, ela estava obrigada a bem conhecer a origem viral de gripes e resfriados; depois, como bióloga, seria imperdoável que ela não recordasse que a seleção natural jamais teria poupado nórdicos, russos, além dos inuits, se tal conjectura fosse minimamente possível...

Os ‘sábios’ conselhos da ‘medicina popular’ estão todos sub judice depois que a ciência adentrou o mundo secreto dos microrganismos, e ajustando a sua escala para uma compreensão profunda e necessária da natureza. A realidade em uma placa de petri... Deuses e tradições evaporavam no ar, enquanto a Ciência aprimorava seus métodos e instrumentos e reduzia suas escalas. O caminho para a descoberta dos antibióticos - como a Penicilina -, vacinas, agentes... e vida, a partir da vida obstinada de homens como Pasteur...

O ‘gap’ entre o conhecimento disponível no acervo científico humano e a nossa práxis cotidiana é gigantesco. Com a desculpa de que ‘não sabemos tudo’ permanecemos ‘sem saber nada’ sobre quase tudo. Apenas tangenciamos a realidade, mas não somos capazes de mergulhar nesta maravilhosa REALIDADE. Este livro tem como missão colateral, interessa-lo pela realidade, despertando a curiosidade em conhecê-la ‘por dentro’.

O conhecimento científico disponível está muito mais perto de um eventual ‘conhecimento último’ - em cada uma das fronteiras do conhecimento –, do que o homem médio está da linha de largada para o conhecimento do ensino fundamental. A maioria de nós sequer começou a jornada do conhecimento, e sequer chegou na marca onde diz ZERO. 

O físico Marcelo Gleiser diz que o conhecimento é como uma “ilha” em meio ao desconhecido; e que quanto mais esta “ilha” cresce maior serão as suas fronteiras. É verdade. Mas quanto mais esta ilha do que é conhecido cresce, por mais que hajam novas fronteiras, menor será o espaço daquilo que não conhecemos.

Podemos chutar uma pedra com facilidade, mas pensaremos duas vezes antes de pisar em uma formiga ou esmagar um mosquito, e jamais consideraremos a hipótese de maltratar um cãozinho. Estas são conquistar recentes, afinal aprendemos sobre a complexidade dos sistemas neurais, e sabemos que muitos seres vivos sentem dor e sofrem... 

Por isso avançamos sobre o oceano de ignorância que nos cercava, arbitrado pela crença de que o homem era uma espécie de “escolhido”, sendo o único sujeito à dor. Ainda assim, alguns homens eram mais escolhidos do que outros, e a escravidão, na Bíblia e em Aristóteles, é amplamente aceita e recomendada. Matar um infiel, na bíblia e no corão, é antes um dever... Pelo humanismo, pela iluminação científica, sabemos que isso não é correto. Tais fronteiras não aumentaram a nossa ignorância, mas certamente abriram novas fronteiras dentro da “ilha”...

“O conhecimento avança, e a região inexplorada recua [...] com nosso conhecimento expandido.” – Linda Randall

Um dia, este espaço tomado pelo desconhecido, representou a diferença entre morrer na selva, de dor de dente, aos 23 anos; ou ministrar uma dose de 500mg de Cloridato de Tetraciclina, e voltar a sorrir por mais 40, 50, 60 anos. O importante não é chegar ao fim, mas seguir em frente, viver a viagem, viver uma vida digna, útil, e prazenteira, contribuindo como Humanidade, para que enderecemos a verdade.

Gleiser insiste que, sob o tendencioso pretexto de que a Ciência não poderá ser exata ou completa, a “espiritualidade” ainda mais inexata, e na verdade “irreal”, poderá ser invocada para preencher as lacunas...

“Uma balança mede o nosso peso com precisão dada pela metade de sua menor graduação: se a escala é espaçada por 500 gramas, só poderemos aferir o nosso peso com precisão de 250 gramas. Não existe medida exata: toda medida deve ser expressa dentro da precisão do instrumento usado e o faz com ‘barras de erros’. [...] uma medida de 70 quilos deve ser expressa como 70 +/- 0,25 kg [...]. Não existem medidas perfeitas, sem erro.”

Em busca do exato, do absoluto, do “espiritual”, esquecendo-se de que existem gradações de erro, e uma falibilidade assumida na atitude científica - sendo essa sua maior fortaleza. Saber de tudo, repito, é um agravante religioso e não científico... E esta atitude covarde, politicamente correta, alinhada, é o que mais prejudica o avanço científico...

“Quem pensa ver algo sem falhas, pensa naquilo que nunca existiu, que não existe, e que nunca existirá.” - Alexander Pope

O vigoroso e genial físico Richard Feynman dá o seu depoimento:

“Um princípio de pensamento científico corresponde a uma espécie de honestidade incondicional [...].” 

É esta honestidade incondicional ou Ética que reside no Ceticismo Científico, confrontando a vacuidade das crenças e os ‘discursos persuasivos’ em favor de mentiras, interesses e sandices. Isso porque as crenças se baseiam apenas na caprichosa, débil ou vã vontade de acreditar. Não se pode, de forma alguma, comparar a nobre atitude de tornar-se ciente pelo confronto de hipóteses séria e consequente com a realidade, com a autoridade especiosa de velhas ou novas convicções. 

Não se pode usar como desculpa a falibilidade assumida da ciência para validar crenças. Uma verdade científica tem uma validez e universo de aplicação, assim como seu erro assumidamente demarcado, e que estará sob crivo constante, acirrada revisão, e variada fiscalização, sendo esta a maior fortaleza da Ciência, e não o contrário.

Sobre a pretensa critica ao erro científico, devo reagir lembrando que dogmas religiosos não podem ser revistos, e por isso mesmo, sua defesa se faz com cinismo, agressividade, violência, e no passado ‘médio’, por meio dos artefatos do terror ‘inquisitório’. Asimov nos ensinou sobre a ‘relatividade do erro’ e não da VERDADE...

E insisto que NENHUM DEBATE FILOSÓFICO OU POLÍTICO – e sob nenhum pretexto - ESTARÁ ISENTO DA NECESSIDADE DE ENTENDER A 'REALIDADE' E OS SUBSEQUENTES PARÂMETROS QUE REGEM A NOSSA TÊNUE 'LUCIDEZ'. 

Sim, mas e daí? Uma balança caseira de precisão de uma ou duas casas decimais exatamente por que está sob um crivo mais ‘frouxo’ em termos científicos... Quanto mais ciência mais exato: medimos a temperatura média do Universo com precisão de 5 casas decimais... Não há como ser ‘exato’, ‘absoluto’, mas e daí? Indicar a margem de erro é uma lição ética da Ciência e não o contrário. Deus e a religião, não indicam suas margens de erros, e justificam isso alegando que o absoluto a deus pertence, ou é “incognoscível”... E não precisamos da perfeição, já que a natureza e o universo emergem da imperfeição, da diferença. O argumento de Gleiser é platônico...

Asimov concorda com isso, e tem algo mais a dizer sobre a Ciência e a escuridão:

“Existe apenas a Luz da Ciência, e acendê-la em qualquer lugar é como acendê-la em todos os lugares.”

Um anúncio afixado diante de uma igreja batista americana, da seita ‘New Canaan’ [ou ‘Nova Canaã’], alertava:

“Um livre pensador é um escravo de Satan.”

Sei que Gleiser alegará que esta congregação é doentia, ou que ele não fala “desse tipo de espiritualidade”, mas crimes contra a liberdade de pensamento, sempre estão associados à religião... 

“Com ou sem religião, pessoas boas podem se comportar bem e as pessoas ruins podem fazer o mal; mas para que pessoas boas façam o mal, elas precisam de religião.” - Steven Weinberg (discurso em Washington em 1999)

Sobre os “limites do conhecimento”, Asimov desafia:

“Se o conhecimento pode nos trazer problemas, não será através da ignorância que iremos resolvê-los.”

Gleiser insiste na escuridão ‘científica’ justificada por sua inexatidão e reducionismo, mas tolera sem pesos ou  medidas uma tal “espiritualidade”... Convido a advertência de Sagan no adágio de abertura de seu inesquecível ‘O Mundo Assombrado por Demônios’:

“É melhor acender uma vela do que praguejar contra a escuridão.”

Por que escrever uma obra para ressaltar os limites da Ciência, se as fronteiras continuam “dentro da ilha”? E como Gleiser citou a Lucrécio, inestimável livre pensador, e o verdadeiro algoz dos deuses - que seria seguido pro Jean Meslier, para que Nietzsche levasse a fama; eu também gostaria de citar Lucrécio, e este aforismo me parece mais do que apropriado:

“Assim como as crianças tremem e têm medo de tudo na escuridão cega, também nós, à claridade da luz, às vezes tememos o que não deveria inspirar mais temor do que as coisas que aterrorizam as crianças no escuro.” - Titus Lucretius Carus (‘De Rerum Natura’ ou ‘Sobre a Natureza das Coisas’; 60 AEC)

Mas existem verdades? Existe uma verdade absoluta? A primeira questão é objeto de trabalho da Ciência, a segunda parte de pressupostos fechados e dogmas religiosos; mas podemos sim afirmar que existem verdades, existem asserções verdadeiras, assim como proposições mais corretas do que outras, e gradações de erro. E sabemos disso com ainda mais segurança depois de Tarski, Russell, Frege, Popper, Sagan e Asimov...

O filósofo e matemático alemão Friedrich Frege (1848-1925) escreveria – abrindo os trabalhos: 

“Entendo por pensamento não o ato subjetivo de pensar, mas o seu conteúdo objetivo.”

Um pensamento é um processamento neural; mas aqui, e para todos os efeitos, será por meio da linguagem que trataremos de manifestar o seu conteúdo ou ‘objeto’. A linguagem é inata, hoje sabemos - embora dependa de imprinting -, mas a escrita não. O filósofo e matemático polonês Alfred Tarski (1901-1983) solucionaria o problema da correspondência entre uma proposição formulada pela linguística e a realidade; e o fez de forma surpreendentemente simples, intuitivamente satisfatória, e irrefutável. 

Tarski focou na formulação semântica de proposições:

“A sentença (T) é verdadeira se, e somente se, o que ela diz é verdade.”

Onde ‘T’ seria a Convenção de Tarski...

Imagine que você e eu estamos contemplando uma bela cadeira vermelha, estilo Luis XV, exatamente como esta, bem ao lado da lareira em minha sala... A proposição “Esta cadeira é vermelha” seria verdadeira se e somente se “esta cadeira” for vermelha. Isso parece justo! Ou não? E óbvio! Então qual foi a contribuição de Tarski?

A sacada de Tarski foi eliminar ‘nebulosidades’ semânticas, preocupando-se em formatar de maneira objetiva a formulação das sentenças ou proposições, e evitando truques, verbosidades e falácias retóricas. Para isso ele utilizou os conceitos de “objeto” ou conteúdo, “verdade” ou veracidade, “metalinguagem”, “metalinguagem semântica” e “linguagem-objeto”. Por exemplo: se tomamos o português como metalinguagem e o inglês como linguagem-objeto, e o seguinte objeto “the dog is sleeping” poderíamos formular a seguinte sentença em nossa metalinguagem semântica: ‘a proposição do inglês (linguagem-objeto) “the dog is sleeping” (objeto) corresponde aos fatos (é verdadeira) se e somente se o cachorro está dormindo’.

A verdade começa por uma formulação semântica adequada, que permita a sua comprovação ou refutação. O que está vago e mal definido, não pode ser confrontado com a realidade. E se existe uma metalinguagem na qual podemos apresentar proposições, descrever fatos, então, também será possível, e de forma trivial, estabelecer a correspondência entre fatos e proposições, endereçando assim a verdade ou a veracidade de sentenças e argumentos. Isso, e bastando alguma honestidade retórica e integridade intelectual, conforme acentuado por Feynman, nos leva à atitude científica... 

A Convenção de Tarski (T) pode ser formalmente descrita por:

(T) ‘X’ é verdadeiro se, e só se, ‘p’;
onde ‘p’ é o predicado que pretendemos validar
para a sentença ‘X’

O exemplo utilizando uma linguagem-objeto em inglês serviu para conter eventuais arroubos relativistas mais básicos, inter-linguísticos, ou ainda interculturais... Vale repetir que a construção linguística é inata; em milhares de dialetos e diferentes linguagens em todos os tempos e lugares, sempre estiveram presentes as figuras do sujeito, verbo – ou ação -, substantivo e predicado; já o vocabulário e as regras gramaticais precisarão ser aprendidos - e à duras penas. 

Observem que o predicado “[...] corresponde aos fatos” ou “[...] é verdade” está protegido pela metalinguagem, não importando se algum dialeto por ventura venha a evitar esta ‘vital’ caracterização... Sendo assim “[...]” ou “X” poderá ser definido nos termos de qualquer linguagem-objeto; então, enfoquemo-nos na verdade, e utilizando como linguagem-objeto a nossa própria língua vernácula: o ‘português’. 

E neste ponto podemos entender por que buscamos por proposições verdadeiras ou positivas na Ciência, com o auxilio de Popper:

“De uma classe (ou um sistema) de proposições, que são todas verdadeiras, nenhuma proposição falsa pode ser assumida.” 

Enquanto os postulados religiosos ou “espirituais” dormem em berço esplendido, percebam o cuidado em estabelecer ‘verdades’ ou ‘veracidade’... Isso implica que, embora deus seja um bolso cada vez mais vazio, e enquanto reduzimos inequivocamente o oceano de ignorância, ainda assim não poderemos, apenas por princípio, descartar a existência de deuses ou do “unicórnio cor-de-rosa”...

“De teorias (sistemas de proposições) que concordem com os fatos, não se pode derivar nenhuma proposição lógica que não concorde com os fatos.” - Karl Popper

Esta importante regra, que de fato perfaz uma atitude ética, explica por que em Ciência efetivamos proposições positivas, buscando a veracidade ou verdades, e nunca proposições negativas. “A Terra descreve uma orbita fechada – ou captiva - em torno do Sol” é uma proposição científica; mas “não existem gnomos empurrando a Terra” não é – por mais que saibamos ser uma proposição lúcida... Podemos invalidar ou provar a falsidade de uma proposição positiva. Por exemplo, “a Terra é plana e está assentada sobre colunas” é uma proposição científica, e também é inteiramente falsa; mas “a Terra não é verde” não nos leva a lugar algum...  

Claro que existe o ‘fato’ da vida finita, de forma que o fator ‘tempo a perder’ está sempre em jogo, assim como a questão: ‘Cui bono?’. Ou seja, não podemos, cientificamente, e em princípio, negar a existência de Tupã; mas podemos considerar a busca pela sua existência uma tremenda idiotice quando confrontamos a mais absoluta falta de evidências; isso, além do flagrante conflito com proposições já demonstradas como: “culturas primitivas praticaram o animismo”, ou “culturas primitivas, desconhecedoras do ciclo da chuva, cortaram gargantas e fizeram danças rituais para que chovesse”... E daí a escolha é sua!

A Teoria da Verdade como Correspondência, nos assegura que um pensamento pode ser considerado verdadeiro se a proposição que formula este pensamento é verdadeira. Proposições gerais ou universais devem ser encaradas como fundamentalmente hipotéticas, mesmo que possam ser verdadeira. E por isso é tão importante o caráter científico de ‘reduzir seus problemas’ e ‘limitar suas proposições’, já que buscamos o acercamento e o endereçamento da verdade. Começando humildemente, podemos construir proposições verdadeiras de grosso calibre, com no caso do Modelo Padrão.

A Metodologia Científica é um sério e consequente conjunto de recomendações, ao que Gleiser jamais poderia haver chamado de ‘cientismo’... O que é isso? E cientistas não passam de homens neuropsicologicamente curiosos, obstinados, talvez ousados, e certamente sem temores conservadores... Homens buscando a verdade, e falhando em encontrá-la – mas inexoravelmente atidos a ela. E falhando podemos aprender, e recomeçar; o que parecia ser uma potencial falsificação da teoria newtoniana da gravidade, no caso da orbita calculada para Urano, nos levou ao descobrimento de Netuno...

Mas voltemos à verdade, voltemos à minha cadeira vermelha, afinal você pode estar esperando para me desbancar. Então temos a seguinte proposição, devidamente formatada, uma questão semântica que pode ser submetida ao escrutínio da ciência:

“Esta cadeira é vermelha” é uma proposição verdadeira se, e somente se, esta cadeira é vermelha.

Mas como podemos assegurar que o vermelho que você vê é o mesmo que eu vejo? E como podemos definir o que é ou não vermelho? Simples: imagine você que, providencialmente, eu trago comigo um espectrofotômetro; um daqueles aparelhos que medem a frequência dentro do espectro eletromagnético, podendo exprimir a cor em um número ‘objetivo’, e em comprimento de onda ou frequência - não importando que sejamos daltônicos ou portadores de icterícia. Através de uma singela convenção linguística, concordamos que comprimentos de onde dentro de determinada faixa nos leva ao termo em português: vermelho.

Uma psicóloga amiga, neste ponto, interpelou: mas cálculos matemáticos são exatos? Devo dizer que ‘sim’, lato sensu; mas entendo o ponto de vista dela, e sua confusão, stricto sensu. Ela, vocês, e Gleiser, estão interessados no ‘erro’ referente a esta medição; afinal este é um equipamento desenvolvido por físicos e engenheiros para medir o espectro da luz visível.

[um equipamento vendido pela Internet, e que apresenta um valor objetivo em um display LCD, com uma precisão de 0,15 DE, levando apenas alguns segundos para calcular o resultado]

Diante de situações cotidianas como esta, me preocupo em entender como um ‘experimento’ tão trivial suscita tanta contestação e controvérsia. Qualquer crendice, qualquer afirmação descabida, tem maior respeito, autoridade, e aceitação, do que o conhecimento objetivo de fenômenos naturais. Será o sistema educacional? Será a relativização filosófica? Serão tendências neuropsicológicas? Ou a conjunção sistêmica de todos estes fatores? Certamente não se trata de um problema relativo às “limitações da ciência” – como afirma Gleiser... Outras limitações e outras fronteiras estão em jogo – todas elas devidamente estudadas pela Neurociência...

Consideremos algumas variantes do Paradoxo do Mentiroso, sendo a mais antiga que se tem notícia a versão do jônico Eubulides de Mileto, sucessor de Euclides de Mégara, ainda no século VI AEC:

“Um homem diz que ele está mentindo. O que ele diz é verdadeiro ou falso?”

Ainda no século VI, o paradoxo também foi associado a Epimenides ‘de Creta’, que teria dito:

“Todos os cretenses são mentirosos.” 

Um tal "São Jerônimo" teria aplicado o conceito a David, quando afirma nos samos bíblicos que:

“[...] Todos os homens são mentirosos.” - Salmos [116:11]

Trata-se apenas de um truque lógico, com uma confissão moral... Teofrasto, sucessor de Aristóteles, escreveria três rolos de papiro sobre este paradoxo, e Crisipo mais seis... Todo este trabalho, e toda esta perda de tempo silogística seriam enterrados pelas areias do tempo... Esta antinomia prova que um argumento pode parecer lógico embora seja falso – e por vezes, como é o caso, ridículo... 

“Esta frase não é verdade.” 

Verdadeiro ou falso? Logicamente astuto, moralmente pouco recomendável ou desonesto. Tarski salientou que o truque fundamental do Paradoxo do Mentiroso reside no uso de uma linguagem semanticamente ‘fechada’ ou ‘negativa’ – conforme já foi explicado... Por isso ‘provar a inexistência’ constitui um absurdo lógico. Mas devemos fundar aqui pelo menos duas ressalvas. Quando Sagan diz:

“A ausência da evidência não significa evidência da ausência.”

Faço a seguinte ressalva, ampliando: a ausência de provas não é prova da ausência, e muito menos da existência.

Os argumentos contra a existência de ‘propósitos morais’ para o universo são vastos e fortes. E não existem argumentos em favor de ‘propósitos’ morais religiosos que não tenham sido invocados por meio de mentiras, fraudes, falácias retóricas e engôdos semânticos... Nenhuma comprovação, nenhuma pista, nada. Por que devemos considerar religiões – qualquer uma – como um domínio de conhecimento? 

O Universo e a Vida estão desenhados pela aleatoriedade e pela involuntariedade, quer gostem ou não. Podemos inventar opiniões, mas não poderemos inventar os fatos... Não impunemente! E sem provas, fatos, ou evidências, não existe - de fato - conhecimento... 

“O que pode ser afirmado sem provas também pode ser rejeitado sem provas.” – Christopher Hitchens 

Eu também ampliaria dizendo que: o que é afirmado sem provas pode e DEVE ser rejeitado... Finalmente:

“Quem nada sabe em tudo crê.” – Jan Neruda

Isso opõe Ciência e religião, e não as nivelas - nunca... Contemple e observe o Universo como ele realmente é, e maravilhe-se com isso; e ensinemos aos nossos filhos a encarar suas próprias fronteiras sem ‘verdades absolutas’, nem mentiras politicamente corretas, ou “alívios” que obliterem a LUCIDEZ. Considere a aterrorizante possibilidade de que um ser humano, saudável por natureza, possa estar privado de vivenciar a realidade. Considere a possibilidade do desperdício desta vida? Deus é um argumento ‘autocontraditório’, embora pareça tranquilizador, mas não nos liberta como humanos plenos. Nas célebres palavras de Cornelius Tácitus:

“Tranquilitas non Libertas.”

Ao que eu modestamente agregaria:

Tranquilitas non Veritas.

Quando nos curvamos à autoridade, ou nos entregamos ao mero solipsismo, sem a submeter as nossas proposições ao exame de sua pertinência, estaremos potencializando problemas de toda sorte nas mais diversas áreas. Algumas disciplinas estão fundadas sobre falácias, e vivem da autoridade e da idolatria, impulsionadas pelo historicismo, como a filosofia social, política, religiosa, ou de relações humanas. 

Diferentes modalidades de fascismos pipocaram nas mãos de líderes carismáticos, messiânicos ao totalitários; unidos em torno de uma identidade nacional, estatal, racial ou religiosa, e mobilizados de forma submissa à luta derradeira com alguma entidade metafísica, demônios diversos, judeus, judeus, judeus, capitalistas, etc... Esta é a sina historicista, com origem na lateralização de nossos hemisférios cerebrais...

Sabemos ainda, pelo entendimento do comportamento humano, que algumas mentes estão mais capacitadas do que outras para encontrar padrões e ordem em meio ao caos. Algumas mentes estarão ainda destinadas a seguir e idolatrar líderes, enquanto algumas fantasiaram doentiamente sobre a realidade. Alguns líderes estarão destinados à iluminação, enquanto outros pretenderão, pela nevoa espessa e pela escuridão, um reinado de medo... Alguns estarão fadados à generosidade e a solidariedade, enquanto outros praticarão o mais sórdido egoísmo, através de  controle rígido e totalitário... O narcisismo, a pulsão de vida e a procriação darão o tom, mas estamos bem distantes da savana africana, e dispondo do mesmo aparato neural...

Vale notar que racionalismo e sensibilidade emocional não são mutuamente exclusivos. São características independentes, e que podem até colidir em nosso cérebro, estampado em nosso comportamento, mas uma pessoa emocional não significa uma pessoa irracional, e vice-versa. O sentimento é outra estória, é a verbalização da sensação emocional pura; e, portanto, estará impregnado pela linguagem, pela cultura, e por nossos estratagemas políticos... Daí a confusão... 

Existem pessoas sentimentalistas, ou seja, que usam o sentimento - alegando emoção - como linguagem, em detrimento de medidas mais racionais e efetivas... Mas isso é um estratagema... Daí a tal “espiritualidade”! A emoção é bioquímica, é involuntária, é real, física, e comanda as nossas vidas - sempre... O hipocampo, responsável por selecionar e copiar trechos de nossa memória de curo prazo em nossa memória de longo prazo, trabalho acossado pela emoção, ou limitado pela falta dela... O racionalismo é uma capacidade genética, neural e bioquímica, e que não anula a emoção; sendo, inclusive, deflagrado por ela... 

Gleiser comete muitos erros crassos em sua retórica quando deixa de trabalhar em prol do conhecimento, para fazer o que chama de “estratégia diplomática”, e recusa a verdade... Ele comenta que deu uma entrevista para uma rádio AM, e diante de uma plateia composta por pessoas simples – “operários e diaristas”. Ao final, conta ele, foi interpelado por um senhor “com rugas precoces no rosto sujo de graxa”:

“Quer dizer que o senhor quer tirar até Deus da gente?”

Conheci muitos senhores com rugas prematuras mundo afora; e bem sei que o fenômeno da biologia da crença e o efeito rebanho não escolhem classes sociais... Mas a crença em deuses, a tendência a crendices sobrenaturais, pode ser indutiva de piores condições sociais. De qualquer forma, uma boa instrução definitivamente pode ser um fator limitante no caso da tendência crente inata, contribuindo com a lucidez; e um fator estimulante quando a neuropsicologia é fértil para o convívio com a realidade... Mas, vamos responder ao senhor com “rugas prematuras” citado por Gleiser: não será mentindo sobre deuses forjados pelo historicismo para o mero controle político que o você aliviará o sofrimento deste senhor! Por que Gleiser não lhes falou sobre os avanços em termos de Ciência Médica, com a redução da mortalidade infantil e o aumento da expectativa de vida, conforme supracitados?

Gleiser não lembra que o senhor de rugas, por sua hesitação, e nesta mesma noite, vai pagar o dízimo a algum estelionatário... Este humilde senhor, além de estar livre da poliomielite, da varíola, do tifo, do sarampo, da morte prematura – com o sem rugas -, poderia estar livre de ser sumariamente roubado!

No século XVIII as velhas crenças teológicas estavam sob fogo cruzado do livre-pensamento; mas a vontade de crer era ativada e reaparecendo delirante sempre que uma possibilidade ‘sobrenatural’ se acercava. A varíola foi uma destas oportunidades para a ignorância religiosa desfilar o ‘círio’, e desatando uma tempestade de protestos teológicos contra a ‘razão’... Um clérigo anglicano publicou um sermão onde afirmava que:

“[assim como] as pústulas de Jó eram devidas à inoculação do diabo, assim havia sucedido com a crescente epidemia de varíola.” 

Vários ‘ministros’ eclesiásticos escoceses publicaram manifestos contra a Ciência Médica, e em especial contra a recente descoberta da circulação sanguínea, os estudos de anatomia, fisiologia, etc. – assim como o estudo de ‘células-tronco’ em nossos dias; afirmando que estávamos “tratando de desafiar o julgamento de deus” – sobre quem deve ou não deve morrer... Mas a varíola responderia a toda esta carolice com mais e mais mortes; quanto mais oravam e praguejavam contra a Ciência, mais mortos... Os terrores teológicos foram acalmados pelo terror imposto pela ‘realidade da morte’... 

A controvérsia parecia declinar, quando foi descoberta a VACINA... Os ‘clérigos’ de todas as facções da cristandade afirmavam em uníssono que: 

 “[a vacina era um] insolente desafio aos céus, e à VONTADE DE DEUS.”

Em Cambridge e na Sorbonne universitários cristãos unidos pronunciaram sermões opondo-se à VACINA. O mais grave sucedeu quando, em 1885, e já no século XIX, houve um disparo no número de casos da doença em Montreal, Canadá, e a parte católica da população repudiou a vacinação. Um sacerdote católico declarou que:

“Se estamos afligidos pela varíola é por que comemoramos o carnaval no último inverno, festejando a carne e ofendendo ao Senhor.”
   
As mortes vieram sem trégua sobre os católicos... ‘Deus’, por alguma misteriosa razão, pouparia apenas àqueles que foram ‘vacinados’...

“Os Padres Oblatos, cuja igreja estava situada no coração do distrito infestado, seguiram denunciando a vacina; foi exortado aos fiéis para que se dedicassem a diversos tipos de devoção; com a permissão das autoridades eclesiásticas, foi ordenada uma grande procissão com um solene chamamento à Virgem, e foi cuidadosamente especificado o uso do rosário.” (White; op. cit., v.II, p.60)

Pobres fiéis, todos aniquilados pela varíola! Esta seria uma excelente estória para desmistificar, diante do “senhor de rugas” sobre os mal-entendidos envolvendo a nobre atitude científica – esta sim, uma verdadeira ‘bendição’... E existem outros exemplos...

O mesmo sucederia com o advento da descoberta dos efeitos anestésicos do clorofórmio, pelo médico escocês Sir James Young Simpson (1811—1870). Simpson, em 1847, recomendou o uso no parto, ao que o clero lhe respondeu com Gênesis [3:16]:

“E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.” - Gênesis 3:16

Simpson, no entanto, logrou aprovar os anestésicos para os homens, salientando que “Deus anestesiou Adão, adormecendo-o, antes de extrair sua costela”... Terrível! Sim, precisamos abolir tudo isso, o corão, a torá, o velho e o novo testamento, a RELIGIÃO; para vivermos melhor, com mais saúde, paz, e em ‘verdadeira harmonia’... E não seremos capazes da fazê-lo se não pudermos entender e combater, o primeiro fundamento contido em tais livros; i.e., o ‘enaltecimento da ignorância’ pelo repúdio à razão e ao entendimento, ao conhecimento REAL, factual, científico... E a subsequente ‘glorificação da submissão’, da servidão e do conceito de ‘manada’... 

Não seremos capazes de abolir tais livros se não pudermos entender ‘antes’ a clara sentença de morte à consciência e àqueles que a conservam: os ‘hereges’... E não poderemos dar este passo, se não pudermos constatar também o preconceito, o sectarismo, o racismo, a pulsão de MORTE, e o regozijo pela morte, contido em tais mensagens apologéticas... 

Precisaremos confrontar os dogmas de tais sociedades extremamente preconceituosas, estratificadas, eliminando o aspecto 'pecaminoso' de escolher não se casar, e de viver como pretendemos; eliminando a figura absurda do dote, e enaltecendo a figura do afeto entre parceiros, entre casais... Esta não é a supremacia de uma cultura sobre a outra, senão a supremacia da liberdade sobre a opressão. Precisamos enaltecer o valor PENSAMENTO repudiando o culto à SUBMISSÃO...

E neste ponto devolvo a citação do ‘Pequeno Príncipe’, a Gleiser, porque este gesto de coragem é o verdadeiro gesto de amor:

 “Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.” – (Antoine de Saint-Exupéry; ‘O Pequeno Príncipe’)

Quando Lula diz, antes da eleição, que "o bolsa família serve para conseguir votos dos pobres", e depois muda diametralmente de posição, ele mente, ludibria, se afunda em contradição... contrapõe proposições em um mesmo discurso... Quando Lula diz que "o norte é um curral eleitoral" da família Sarney, de Lobão e Barbalho, mas depois diz que "Sarney, pelos serviços prestados a este país, não pode ser tratado como um homem COMUM" - além de encher os pulmões para chamar um repórter de "preconceituoso", e alegando que "Sarney é o seu presidente do congresso, é o presidente do congresso do Brasil", devidamente postado ao lado de Roseana -, ele está tentando nos enganar...

Um homem de bem poder até seguir em frente com sua preferência devota, afinal o voto é pessoal e livre, mas não pode esconder a VERDADE alegando que não existem verdades... E escute a Galileu, quando sabiamente adverte que a melhor forma de endereçar a verdade é propor proposições bem demarcadas e objetivas... Questões genéricas, e A VERDADE que tanto te preocupa, só servem para destruir proposições claras e objetivas, benéficas à VIDA... Sim, porque diminuímos a mortalidade em 40 vezes, a violência em 100 vezes, e triplicamos a expectativa de vida porque existem verdades... Mas subimos em uma rampa acendente, com picos de altos e baixos; e fascismos, como estamos presenciando, destroem os sonhos de algumas gerações... Acentuando que existem gradações de erro, existem verdades, existem mentiras... 

Charles Bukowski, que você idolatra sem limites, não passou de um cínico e debochado, que enquanto se autodestruía em seu notório narcisismo, levou um mundo de bobos à vã idolatria... O mesmo fenômeno, com severos agravantes, pode ser dito do mito de Che Guevara, um psicótico covarde e assassino... Sendo estas proposições amplamente comprovadas... Vejo que você tem consideração e ama sua família, então dê mais uma olhadinha no que diz haver entendido sobre Bukowski...

Então, senhor Daniel, e a propósito: SIM, EXISTEM VERDADES - mesmo que não as queira encarar... E relativizar a existência de proposições verdadeiras tem sido o primeiro ato daqueles que, logo em seguida, passarão a reclamar autoridade sobre a realidade - e sem apresentar qualquer tipo de prova, senão o CINISMO e, não raro, o DEBOCHE... Mas estarei aqui para denunciar!

Sob o obscuro pretexto de não atingir a perfeição muitos deixam de fazer a sua parte, capengando, e impedidos de culminar naquilo que realmente importa: PROGRESSAR...

Q.E.D.

Carlos Sherman

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

OLIVER - um homem entre homens!!!



"E agora, fraco, falta de ar, meus músculos outrora firmes derretem pelo câncer, acho que meus pensamentos, cada vez mais, não vão ao sobrenatural ou espiritual, mas deitam sobre o que se entende por viver uma vida boa e que valeu à pena - criando um sentimento de paz dentro de si mesmo. Acho que meus pensamentos vagueiam pelo sábado [Sabbath], o dia de descanso, o sétimo dia da semana, e talvez o sétimo dia de sua vida, bem como, quando podemos sentir que o nosso trabalho está feito, e pode-se, em boa consciência, descansar."

Oliver Sacks 
(Londres, 9 de julho de 1933 - Nova Iorque, 30 de agosto de 2015)

Du Pré



"A melhor coisa - em qualquer momento - é estar disposto a desistir de quem somos, afim de nos tornar tudo o que podemos ser."

Jacqueline du Pré

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Minha Própria Vida



Minha Própria Vida
Oliver Sacks
19/02/2015

Um mês atrás, eu senti que estava bem de saúde, e até mesmo com uma saúde robusta. Aos 81 anos, eu ainda podia nadar uma milha por dia. Mas minha sorte acabou - algumas semanas atrás descobri que eu tenho múltiplas metástases no fígado. Há nove anos, foi descoberto que eu tinha um tumor raro do olho, um melanoma ocular. A radiação e o o laser para remover o tumor, em última análise, me deixarm cego daquele olho. Mas, apesar de melanomas oculares só produzem metástase em cerca de 50 por cento dos casos, tendo em conta as particularidades de meu próprio caso, a probabilidade era muito menor. Eu estou entre os 2% azarados.

Sinto-me grato por ter sido concedido nove anos de boa saúde e produtividade desde o diagnóstico original, mas agora estou cara a cara com a morte. O câncer ocupa um terço do meu fígado, e apesar de que seu avanço pode ser retardado, este tipo particular de câncer não pode ser interrompido.
Cabe a mim agora de escolher como viver os meses que me restam. Eu tenho que viver da maneira mais rica, mais profunda, mais produtiva que puder. Estou motivado com as palavras de um dos meus filósofos favoritos, David Hume, que, ao saber que ele estava mortalmente doente aos 65 anos, escreveu uma pequena autobiografia em um único dia, em Abril de 1776. Ele intitulou-o "My Own Life" ["Minha Própria Vida"].

"Agora eu me encontro em dissolução rápida", escreveu ele. "Sofri muito pouca dor com a minha desordem; e o que é mais estranho, não obstante o grande declínio da minha pessoa, nunca sofri um abatimento de ânimo em meu estado de espírito. Eu possuo o mesmo ardor de sempre no estudo, e ao mesmo alegria na companhia."

Eu tive sorte o suficiente para viver 80 anos, e, dos 15 anos que são foram atribuídos a mim, para além da pontuação de Hume, cinco foram igualmente ricos em trabalho e amor. Nesse tempo, eu publiquei cinco livros e completei uma autobiografia (mais do que as poucas páginas de Hume), a ser publicada na Primavera deste ano; tenho vários outros livros quase concluídos.

Hume continuou: "Eu sou... um homem de disposições leves, de temperamento controlado, de um humor aberto, social, e alegre, capaz de afeto, mas pouco suscetível de inimizades, e de grande moderação em todas as minhas paixões."

Aqui eu me aparto de Hume. Embora eu tenha desfrutado relacionamentos amorosos e amizades, e não ter inimizades reais, eu não posso dizer (nem qualquer um que me conheça dirá) que eu sou um homem de disposições leves. Pelo contrário, eu sou um homem de disposições veementes, de entusiasmo intenso, e extrema imoderação em todas as minhas paixões.

E, no entanto, uma linha do ensaio de Hume me parece especialmente verdadeira: "É difícil", escreveu ele, "ser mais desapegado da vida do que estou no presente."
Nos últimos dias, tenho sido capaz de ver a minha vida a partir de uma grande altitude, como uma espécie de paisagem, e com um profundo senso de conexão de todas as suas partes. Isso não significa que eu estou acabando com a vida.

Pelo contrário, eu me sinto intensamente vivo, e quero e espero que no tempo que segue possa aprofundar minhas amizades para dizer adeus para aqueles que eu amo, para escrever mais, para viajar, se tiver força, para alcançar novos níveis de compreensão e insight.

Isso implicará audácia, clareza e simples uso da palavra; para tentar endireitar as minhas contas com o mundo. Mas haverá tempo, também, para me divertir (e até mesmo para algumas bobagem).
Isso não é indiferença, mas desapego - eu ainda me importo profundamente sobre o Oriente Médio, sobre o aquecimento global, sobre a crescente desigualdade, mas estes não são mais o meu negócio; eles pertencem ao futuro. Alegro-me quando me encontro com os jovens sobredotados - mesmo aquele que a trabalhou na biópsia que diagnosticou minha metástase. Eu sinto que o futuro está em boas mãos.

Tenho estado cada vez mais consciente, mais ou menos nos últimos 10 anos, das mortes entre os meus contemporâneos. Minha geração está passando, e senti cada morte como um descolamento a rasgar parte de mim. Não haverá ninguém como nós quando se forem, mas, em contrapartida, não há ninguém como qualquer outra pessoa, nunca. Quando as pessoas morrem, elas não podem ser substituídas. Elas deixam buracos que não podem ser preenchidos, pois assim é o destino - o destino genético e neural - de cada ser humano para ser um indivíduo único, para encontrar o seu próprio caminho, para viver sua própria vida, para morrer a sua própria morte.

Eu não posso fingir que eu estou sem medo. Mas o meu sentimento predominante é de gratidão. Eu tenho amado e sido amado; Eu tenho dado muito e dei algo em troca; eu li e viajei, pensei e escrevi. Eu tive uma relação sexual com o mundo, a relação especial de escritores e leitores.
Acima de tudo, eu tenho sido um ser senciente, um animal pensante neste belo planeta, e que, em si, tem sido um enorme privilégio e aventura.

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Correção: 26 de fevereiro de 2015

Por causa de um erro de edição, O ensaio de Oliver Sacks, na última quinta-feira, gerou má interpretação na proporção de casos em que o câncer de olho raro que ele tem - melanoma ocular - produz metástase. Fica em cerca de 50 por cento, e não de 2 por cento, ou "só em casos muito raros." Quando o Dr. Sacks escreveu: "Eu estou no meio do azar de 2 por cento," ele estava se referindo às indicações do seu caso. (A probabilidade de metástases do cancro baseia-se em fatores como o tamanho e as características moleculares do tumor, a idade do paciente e a quantidade de tempo decorrido desde o diagnóstico original.)

Oliver Sacks, professor de neurologia da Escola de Medicina da Universidade de Nova York, é o autor de muitos livros, incluindo "Tempo de Despertar" e "O homem que confundiu sua mulher com um chapéu".

Tradução: Carlos Sherman

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Sacks, Oliver Sacks, é um dos maiores homens já viventes... Este gigante notável não somente entendeu o comportamento humano como poucos... Ele foi um humano como poucos... Tive o privilégio de conviver com Sacks através de suas obras e ensinamento... Nosso primeiro encontro foi estonteante: "Um Antropólogo em Marte"... Minha vida jamais seria a mesma...
Enquanto aprendia com Sacks sobre a condição humana - maravilhosamente imperfeitos -, pude sentir o eco das palavras de nosso dileto mentor:

“A vida de um homem não é mais importante para o universo do que a de uma ostra.” - David Hume.

Com Sacks, Sagan, Russell, Hitchens, Hume, aprendi que não passamos de uma convergência diminuta e quase desprezível do universo, na forma de um ser vivo... um ser humano... Com prazo de validade, e a partir do qual voltará ao universo, inteiramente decomposto, atomizado, e sem direito a sursis... Como as ostras.... Então, "pequenos universos", dignifiquem ao menos este dia... E Sacks é o caminho...

Nunca havia dirigido palavras a alguém tão vivo como se já não vivesse... Por que o tempo de Sacks é finito, mais seu legado será imortal... Sua ausência será enormemente sentida, sua altivez uma exemplo a ser seguido, seu amor difícil de ser equiparado...

Carlos Sherman

Sacks - a pérola na ostra....



Sacks, Oliver Sacks, é um dos maiores homens já viventes... Este gigante notável não somente entendeu o comportamento humano como poucos; ele foi um humano como poucos... Tive o privilégio de conviver com Sacks através de suas obras e ensinamento... Nosso primeiro encontro foi estonteante: "Um Antropólogo em Marte"... Minha vida jamais seria a mesma... Mas conferi todas as suas obras...

Enquanto aprendia com Sacks sobre a condição humana - maravilhosamente imperfeitos -, pude sentir o eco das palavras de nosso mentor comum - e dileto:

“A vida de um homem não é mais importante para o universo do que a de uma ostra.” - David Hume.

Com Sacks, Sagan, Russell, Hitchens, Hume, aprendi que não passamos de uma convergência diminuta e quase desprezível do universo, na forma de um ser vivo... um ser humano... Com prazo de validade, e a partir do qual voltará ao universo, inteiramente decomposto, atomizado, e sem direito a sursis... Como as ostras.... Então, "pequenos universos", dignifiquem ao menos este dia... brilhem... E Sacks é o caminho, o exemplo a seguir...

Nunca havia dirigido palavras a alguém tão vivo como se já não vivesse... porque o tempo de Sacks é finito, mais seu legado será imortal... Sua ausência será enormemente sentida, sua altivez uma lição de vida, seu amor difícil de ser equiparado...

Carlos Sherman

Biblia: Uma copia de outros mitos - Legendado

Professor Tim White - A Evolução é Só Uma "Teoria" (LEGENDADO)

Christopher Hitchens - A Linda História da Humanidade (LEGENDADO)

Lewis Black - Criacionismo (LEGENDADO)

Tributo a Richard Dawkins - Nós Vamos Morrer (LEGENDADO)

Richard Dawkins - O Impressionante Comportamento dos Cucos (LEGENDADO)

Os Incrédulos (LEGENDADO)

Neil deGrasse Tyson - Não Tenho Medo da Morte (LEGENDADO)

domingo, 19 de julho de 2015

A Capciosa Questão do MAL e A "GATA" DE SCHRODINGER...



A Capciosa Questão do Mal...

"É realmente preciso distinguir a força e a beleza das palavras, da força e da evidência das razões." - Malenbranche (‘Procura da Verdade’)

Erwin Schrödinger formulou sua 'Nova Mecânica', ou ‘Mecânica Ondulatória’ – base para o que seria a Mecânica Quântica -, em uma série de seis manuscritos brilhantes, onde entre outros lampejos geniais, compatibilizou seus estudos com os estudos de Heisenberg, e seu famoso 'Princípio da Incerteza'. Este furor criativo, no entanto, teve início durante duas semanas com uma misteriosa amante nos Alpes suíços. Nas palavras do entusiasmado e ‘fofoqueiro’ Heisenberg:

"Erwin convidou 'uma antiga namorada de Viena' para viajar com ele para Arosa, enquanto Annie [sua esposa] ficou em Zurique. Todas as tentativas para revelar a identidade desta mulher até hoje fracassaram [...] Como a sombria dama que inspirou os sonetos de Shakespeare, a dama de Arosa permanecerá para sempre em mistério [...] Seja lá quem foi a fonte de sua inspiração, o aumento nos poderes criativos de Erwin foi dramático. As duas semanas em Arosa marcaram o início de um período de doze meses de criatividade sem paralelo na História da Física."

Acho que Heisenberg queria o telefone da gata. Erwin era muito feio, e não deve ter tido grandes jorros de ‘endorfina’ em sua vida, e o coquetel pode ter sido ainda mais forte, com direito a elevadas doses de ‘serotonina’ e de poderosas ‘dopaminas’ - este é o coquetel do amor... E devo dizer que despertei sob este gratificante efeito, que abre a mente, estimula a criatividade, potencializa a sabedoria, e incrementa a generosidade... Despertei pensando em dar cabo do MAL, e comecei folheando 'Por que não sou cristão' do genial Bertrand Russell; mas preciso agradecer em especial à minha mulher, minha "dama de Arosa" nesta  inspirada manhã... 

Enquanto conjecturava sobre as inescapáveis vantagem do conhecimento sobre a ignorância, quando a melhor instrução nos conduz a melhores e mais justas decisões, me deparei com a questão cristã do MAL - que passo a enunciar: existem situações adjetivadas como más, em contraste com situações onde denotamos algum bem... Vemos o MAL por aí, seja em um desastre de carro, o fim de um relacionamento, problemas com a saúde, infortúnios de ordem geral, financeiros, profissionais, etc... E denotamos a bonança, a sorte, a bem aventurança... Algumas pessoas parecem assoladas pelo MAL ou por situações más, enquanto outras situações e pessoas parecem ser agraciadas com toda sorte de bendição... Essa é a questão judaico-cristã-islâmica sobre o mal... E devo acentuar ainda que o divisor de águas entre fortuna e infortúnio tem nome e endereço: vós, o deus todo-poderoso que estás no céu!!!

Já nos primeiros séculos da era cristã, a questão do MAL deflagrava importantes reflexões ou dava a ignição em piras funerárias que queimaram o pensamento; afinal deus não parecia discriminar bons e maus em destruições massivas ou infortúnios pessoais... Bons e maus viviam basicamente o mesmo tempo, bons e maus eram ricos, bons e maus eram pobres - com certa predominância de "maus" entre os ricos e abastados... Como explicar isso? Com muita criativa, silogismos, falácias retóricas, e truques pouco éticos... Podemos dizer que Santo Agostinho seria o mais importante "mago" da cristandade, dando nó em pingo d´água, e tentando justificar o injustificável... E com tanta pomba e circunstância que fazia com que sua completa ausência de respostas parecessem um resposta, burilando em circunlóquios, até que o truque pudesse ser engendrado, e "2+2=13" - para o azar da humanidade...

Para Agostinho:

"[...] os seres humanos – em sua concepção - só estão livres para pecar.” ('De Corruptione et Gratia' / 'Da Corrupção e da Graça')

Triste, muito triste. Um falacioso truque de jogar tênis sem rede está no ar: o livre-arbítrio... Se deu certo foi deus, e se deus errado 'fodeu' - "foi o livre-arbítrio"... Mas quem marca os pontos? O herege não está em condições de ver a "divina rede", e assim seguimos como uma dantesca "divina comédia" - embora não seja de fato tão engraçado, mas não poderia desperdiçar o trocadilho...

Lutero e Calvino, outros homens "mono-livro", investidos de muito poder, os algozes do brilhante Servetus, ousaram outro truque: "a predestinação da salvação"... O mundo de Calvino era e é – para os seus devotos e presbíteros seguidores – uma extensão do medonho mundo de culpas, punições e predestinações agostinianas – com alguns séculos de culpas à mais sobre os ombros... Um mundo totalitário, onde uns estão fadados ao inescapável fogo do inferno, enquanto outros estão predestinados à condição coadjuvante da glória de Deus - sem mérito ou demérito, e sem direito a sursis.  A sentença está dada, e apenas aguardamos o momento de separar o joio do trigo, as ovelhas das cabras... Não bastam boas ou más ações, e nem mesmo a fé, a "profissão de fé", será capaz de contrariar o projeto de Deus... Tal realidade determinística e determinada estava baseada apenas no solipsismo truculento de Calvino... 

O "Calvinismo" sustenta até os nossos dias que o seu Deus já escolheu um grupo de pessoas que serão salvas, sendo que as demais serão irremediavelmente condenadas a arder no inferno... Consequentemente, a pergunta que todo protestante calvinista e presbiteriano se faz é: "Estarei eu entre os escolhidos?" A decisão já está tomada, então “como saber se serei salvo?” É simples, “deus irá atraí-lo”, e será necessário reconhecer e atender ao seu chamado. Mas como saber se tudo isso não é obra da ilusão, delírio ou mesmo alucinações? Como saber, por exemplo, se uma pessoa não atende ao chamado de deus por ser incapaz neurofisiologicamente? Mas, para quem ainda acredita em deuses em nossos dias, falar em ilusões pode parecer redundante ou irônico, mas naquela época foi FATAL.   

O terror discriminatório calvinista, disfarçado em nossos dias nas tradições ditas protestantes e de viés presbiteriano, tem a sua apologia ampliada no Brasil e abrangendo instituições de ensino, atuando doutrinariamente desde a delicada educação infantil até o ensino superior - como no caso da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Seguramente a história de Servetus, entre outras atrocidades cometidas in nómine Dei, não são ensinadas em tais instituições, seja na disciplina de História, Filosofia, ou no ‘inconstitucional’ ensino religioso – considerando o currículo do ensino fundamental estabelecido pelo MEC em nosso país sabidamente Laico.

Para concluir, anedoticamente, mas com uma estorinha real que vem do Texas, e que foi extraída da magnífica obra 'Deus não é grande – Como a religião envenena TUDO [grifo meu]', passo a palavra ao ilustre e inesquecível Christopher Hitchens:

"[...] me faz lembrar o governador do Texas, que perguntado se a Bíblia também deveria ser ensinada em espanhol, respondeu que: - Se o inglês era bom o bastante para Jesus, então também é suficientemente bom para mim." 

Olhando a partir da vantajosa perspectiva de um homem no século XXI, parece bem claro que o ambiente ‘religioso’, na época em que todas estas 'escalofriantes' estórias tiveram lugar, constituía o único espaço letrado e onde o acesso aos raros exemplares dos raros livros disponíveis era possível e permitido... Muito embora a maioria das obras do passado e do presente, estivessem sob o crivo proibitivo da Igreja medieval, sendo este também um espaço muito vigiado e extremamente censurado... Não devemos nos surpreender, no entanto, que todos estes episódios tenham ocorrido no ceio da própria religião, e em particular no seio do Cristianismo Medieval... A eterna luta pelo poder, perpetrada por uns, e a insistência em endereçar a verdade, impulsionada por outros, foi trasladada para o ambiente eclesiástico... Enquanto uns lutavam pelo poder, outros renasciam em lívido conhecimento... Estes últimos, e que fustigaram a verdade, cultivando a integridade de seus nobres intelectos, não se dispuseram ao controle do poder, e ao contrário... Mas eles estavam no caminho daqueles que, famintos, sonhavam com o júbilo da autoridade em doses cada vez mais altas... 

Em mais um hilariante episódio do seriado 'The BIG BANG Theory', o protagonista - Sheldon -, conjecturando sobre a existência de deuses, dispara algo mais ou menos assim:

"Deus prometeu acabar com o mal, e ainda vemos o mal por toda parte - principalmente na bíblia [grifo meu]... Mas THOR prometeu acabar com os gigantes de gelo, e já não vemos gigantes de gelo por aí; de forma que Thor está fazendo um bom trabalho."

Isso está posta aqui, para antecipar o argumento da contextualização; ou seja: ‘Naquele contexto a ideia de Thor derrotando os Gigantes de Gelo, ou da criação conforme o Gênesis, era aceitável’... Devo rebater esta falaciosa alegação com uma paráfrase de Umberto Eco; afinal: 

"Se a rendição à ignorância, chamando-a de Deus, foi prematura, devemos notar que continua sendo prematura até hoje."

Essa também, é a inescapável questão, que o dramaturgo grego Aristófanes (447-385 AEC) nos coloca, com requintes de sarcasmo e humor, em sua magistral peça ‘As Nuvens’ (423 AEC)... Segundo Aristófanes - que mais se assemelhava à um cientista do que um dramaturgo: 

“Quem pode girar todas as esferas estreladas e soprar sobre toda a terra o calor frutífero de cima, estar a postos em todos os lugares e todo o tempo, reunir nuvens negras e sacudir o céu plácido com terrível trovão, arremessar raios que muitas vezes destroem seus próprios santuários, se enfurecer no deserto, recuando para exercitar a pontaria, de modo que seus dardos possam errar o culpado e matar o inocente?”

Quem? O cérebro humano, inexato, complexo, em processo evolutivo, e incrivelmente sujeito à ilusões, delírios, e alucinações. e aos conhecidos e diversos ‘Desvios Cognitivos de Confirmação’...

Sucede que o jornaslita, autor e pensador, Christopher Hitchens (1949-2011) – e que ‘deus’, a pedido dele, ‘NÃO o tenha’ - andava pelo Sri Lanka em uma expedição de ajuda humanitária, em uma área povoada quase que exclusivamente por seguidores do mega-picareta, e também já falecido, Sai Baba... Só ‘babando’ mesmo para seguir este charlatão de segunda, e cuja seita continua viva até os nossos dias, com facções no Brasil, e ativa propaganda nas redes sociais – vide Prem Baba, além de outros mega salafrários...

Este marginal – Sai Baba - perpetrava o truque circense e mal executado de cuspir bolas de ouro; mas precisava pilhar a população miserável do sul da Índia e do Sri Lanka... E sabemos que para um ‘mago’ chegar ao estrelato basta uma plateia crédula -  e na Índia a credulidade é estimulada no berço...

Hitchens viajava em uma van repleta de seguidores ‘babenses’, e que haviam iniciado a viagem com um cerimonial de quebra de cocos, para garantir a proteção espiritual de Sai Baba... Mas não deu certo, afinal o motorista que conduzia freneticamente pelo nevoeiro terminou atropelando um motociclista... E lá estava o corpo estendido no chão, a quizumba formada, quando a polícia chegou distribuindo bordoadas e prendendo "o motorista de deus"... Hitchens então interveio, preocupado em permanecer ali, no meio do nada; afinal, possuía credenciais como jornalista, e trajava o seu inconfundível terno branco, além do sotaque inglês, sem considerar que, em meio à ignorância reinante, ele seguramente era o mamífero mais articulado do pedaço... E assim sendo, os policiais liberaram a van para seguir viagem...

Enquanto Hitchens convencia os policiais, o organizador da excursão telefonou aos assessores de Sai Baba, que lhe garantiram que o espírito do próprio reverendo havia estado entre eles, na figura do tal ‘inglês’... Um inglês ateu e um ferronho denunciante de Sai Baba...  

Pois bem, o homem atropelado morreu... E faço das reflexões de Hitchens minhas reflexões, quando penso que: não teria sido melhor que o espírito de Sai Baba tivesse atuado sobre o motorista e evitado o acidente? Este estado torpe de cegueira lógica, é conhecido pela Psicologia como Desvio de Confirmação, um atributo indissolúvel da Biologia da Crença... Certas pessoas, biologicamente, estão mais inclinadas do que outras para encontrar falsos padrões, ou falsos positivos, onde na verdade só existe aleatoriedade... Mesmo quando estão treinadas pela Probabilidade e Estatística, ainda assim tenderão a associar eventos que não estão associados; muito embora recomendo que a educação fundamental aprofunde os conhecimentos nesta áreas, sob pena de aprofundar o problema das crenças...

Um amigo, doutor desta disciplina, correlacionou o desfecho de uma crise de epilepsia, protagonizada por seu vizinho, como resultante direto e inequívoco de suas ‘orações’... O problema não está no desconhecimento sobre as leis que regem a estatística, mas sim sobre a fisiologia da epilepsia, sua sintomatologia, causas e consequências... Um bom grau de instrução é sempre melhor do que a ignorância sobre qualquer tema... 

Mas, sobretudo, tal comportamento decorre da afinidade por "crer", em detrimento de "esperar para saber"... A supremacia do "saber que", em detrimento do "saber como":

“As mesmas elevadas faculdades mentais que a princípio levaram o homem a acreditar em agentes espirituais invisíveis, depois no fetichismo, politeísmo e, por fim, no monoteísmo, iriam levá-lo de qualquer forma, à medida que o seu poder de raciocínio permanecesse pouco desenvolvido, a várias superstições e costumes estranhos.” - Charles Darwin

Existem infortúnios naturais, outros são creditados aos homens e seu livre-arbítrio para pecar, enquanto outros são tidos como "sobrenaturais" - ou seja, comandados por deus ou por deuses... Mas não podemos dizer que as grandes catástrofes foram causadas pelo livre-arbítrio, como explosões vulcânicas, terremotos, maremotos, tufões, tornados, furacões, etc... A menos que bilhões de pessoas começassem a pular sobre uma determinada placa tectônica com o objetivo de movê-la, ou começassem a soprar forte para provocar uma tempestade... e sabemos que tudo isso é ridículo...

Então onde estaria o livre-arbítrio nas grandes catástrofes? Bom, poderíamos dizer que deus está punido o MAL, punindo homens maus, mas as grandes catástrofes não distinguem bons, maus, cristãos, hereges, idosos, inválidos, crianças, bebês... E por que as igrejas teriam que usar para-raios e fazer seguro contra incêndios, se o bom deus controla os fenômenos naturais - já que os criou, e criou todas as leis que governam o universo? Seria imoral fazer com que bons pagassem junto com os maus, e a lógica agostiniana ou calvinista estaria em cheque... Finalmente, qual seria a vantagem de crer em um deus que não demonstra claramente seus critérios?

Epicuro de Samos (341-271 AEC) - o primeiro grande naturalista -, especulou sobre o tema:

"Deus, ou quer impedir os males e não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode. Se quer e não pode, é impotente: o que é impossível em Deus. Se pode e não quer, é invejoso: o que, do mesmo modo, é contrário a Deus. Se nem quer nem pode, é invejoso e impotente: portanto nem sequer é Deus. Se pode e quer, que é a única coisa compatível com Deus, donde provém então existência dos males? Por que razão é que não os impede?"

E se somos obrigados, por força dos argumentos e evidências a reconhecer que existem catástrofes naturais que evocam resultados maléficos, poderíamos também supor que muito do MAL atribuído ao homem pode vir de deus, ou mesmo ser interpretado como fenômeno natural... Deus, o seu deus, reclama a primazia sobre o bem e o mal:

"Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas." - Isaías [45:7]"

Este seria um deus imoral, mal, e sem espaço para a misericórdia, compaixão e amor... Este deus destrona Agostinho, e mais se assemelha ao patético deus de Calvino, que tem as cartas todas marcadas, tratando-nos como meras marionetes... E para quê? E por que os escolhidos deste sádico deveriam se vangloriar, e por que os não escolhidos deveriam se envergonhar, se nunca tiveram a opção de escolher que papel jogar?

Então invariavelmente retornamos à naturalidade dos fenômenos, e poderíamos invocar a seguinte proposição: bem e mal podem ser universais naturais e relativos... Naturais, já que nenhum deus joga com o destino do Universo, e simplesmente, desde de sinapses a fenômenos geológicos, tudo é natural, obedecendo a processos complexos, multivariáveis, estatísticos, caóticos, conferindo a falsa ideia de livre-arbítrio... E de fato este é o entendimento hodiernos... 

SOMOS QUEM SOMOS SEM INTENCIONAR SÊ-LO... MAS SOMOS, E RESPONDEREMOS - DENTRO DOS ACORDOS SOCIAIS - POR NOSSOS ATOS... RESPONSÁVEIS SIM, CULPADOS NÃO...

Bem e mal, por outro lado, podem ser relativizados... Por exemplo: a anemia falciforme é um infortúnio; mas não em uma região endêmica da malária - onde a hemácia em forma de foice literalmente empala o vírus causador da doença... O mesmo vale para a fibrose cística no caso de regiões endêmicas da cólera, como a Índia... Provas concretas da seleção natural...

Bem e mal podem ser relativizados e dinamizados, assim como fortuna e infortúnio... E o divisor de águas já não serão os deuses e sim o conhecimento...

Q.E.D.

Carlos Sherman 



sábado, 18 de julho de 2015

Elogio à Loucura



Elogio à loucura

O acúmulo de casos de pedofilia e efebofilia na Igreja Católica é um FATO. Um fato ultrajante e imoral. Criança sofreram abusos sexuais cometidos por padres católicos, freiras e membros de ordens católicas, a partir dos 03 (três) anos de idade, com a média girando entre 11 e 14 anos. ISSO É ULTRAJANTE, ENOJANTE E IMORAL!!! 

Os casos incluem desde de penetração anal, oral e vaginal, e resultaram em processos criminais e civis contra padres e dioceses católicas. A Igreja tem respondido com um silêncio 'católico', além de promover fraudes tentando obstruir o trabalho da justiça; deliberadamente realocando padres acusados ​​de abuso em vez de removê-los de suas posições, ou apresentá-los à justiça dos HOMENS. De 2001 a 2010, a Santa Sé reconheceu "as alegações de abuso sexual considerado sobre cerca de 3.000 sacerdotes que datam até 50 anos" -  segundo o Promotor de Justiça do Vaticano. 

Os casos estão espalhados por todo o mundo refletir padrões de abuso de longo prazo e do encobrimento dos respectivos relatórios. Funcionários e acadêmicos bem informados sobre a Igreja Católica Apostólica Romana dizem que o abuso sexual por parte do clero geralmente é um assunto proibido; e, portanto, difícil de medir em termos de profundidade. As Filipinas, varrida por uma recente catástrofe natural, onde pelo menos 85% da população é católica, lidera o ranking de abusos, seguido de perto pelos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, o 'BishopAccountability.org', um "arquivo online criado por católicos leigos", relata que mais de 3.000 ações civis foram movidas contra a igreja, e alguns desses casos resultaram em vários milhões de dólares, com muitos acordos extra-judiciais em troca de SILÊNCIO. 

Em 1998, a Igreja Católica Romana Diocese de Dallas pagou mais de 45 milhões de dólares - corrigidos a 2013 - em apenas um processo envolvendo doze vítimas e um sacerdote. Entre 2003 e 2009 outros nove acordos, envolvendo mais de 375 casos com 1.551 reclamantes/vítimas, resultou em pagamentos de mais 1,1 bilhões de dólares. A Associated Press estimou os acordos em casos de abuso sexual, de 1950-2007, em mais de 2 bilhões de dólares. O 'BishopAccountability' trabalha com um número ainda maior: mais de 3 bilhões de dólares corrigidos a 2012. 

Oito dioceses católicas decretaram falência devido à torrente de denúncias para casos de abuso sexo de 2004-2011. A mais recente pesquisa indica que padres cometem MUITO mais abusos do que qualquer outro grupo masculino, e também indica que a prevalência de abuso por parte dos padres têm decaído nos últimos 20-30 anos - em função da publicidade e da certeza da punição. 

O abuso sexual de crianças por padres, têm recebido especial do público em países como o Canadá , Irlanda, Estados Unidos, Reino Unido, México , Bélgica, França, Alemanha e Austrália, enquanto o Brasil continua calado sobre o assunto. Em 1994, as alegações de abuso sexual em 47 jovens seminaristas vieram à tona na Argentina. Em 1995, o cardeal Hans Hermann Groër renunciou de seu cargo de arcebispo de Viena, sob alegação de abuso sexual - permanecendo no entanto com Cardeal e votando em JORGE MÁRIO... 

Desde 1995, mais de uma centena de padres em várias partes da Austrália foram condenados por abuso sexual. Na Irlanda um relatório (da Comissão de investigação de Abuso Infantil) relatou seis décadas (desde 1950) de abuso, caracterizando o crime como "endêmico" dentro das instituições católicas, e envolvendo meninos e sacerdotes, espancamentos, estupros e humilhações. 

Na Austrália, de acordo com a Broken Rites, que dá efetivo suporte à vítimas de abuso sexual ligados à Igreja desde de 2011: mais de uma centena de padres católicos foram acusados ​​por crimes sexuais contra crianças. Em 2012, a  polícia apresentou um relatório detalhado indicando 40 mortes por suicídio, e diretamente relacionadas ao abuso por parte do clero católico - apenas no estado de Victoria. Em janeiro de 2013, foram anunciados os termos de referência para uma Comissão Real australiana como resposta institucional ao Abuso Sexual de Crianças, e que deverá investigar o abuso sexual de menores relacionados, mas não exclusivamente, com o clero da Igreja Católica.

Dos casos de abuso sexual católicos registrados na América Latina, o mais famoso é, sem dúvida, o escândalo sexual do padre Marcial Maciel, líder da Legião de Cristo, uma congregação católica de direito pontifício formada por padres e seminaristas que estudam para o sacerdócio - isso depois que a 'Legião' passou mais de uma década negando as acusações e criticando as vítimas que alegaram abuso. Na Tanzânia, o Padre Kit Cunningham, juntamente com três outros sacerdotes, foram denunciados como pedófilos após a morte de Cunningham. O abuso ocorreu na década de 1960, mas só foi revelado publicamente em 2011, por meio de um documentário da BBC.

Autoridades da Igreja e acadêmicos bem informados sobre o Mundial Igreja Católica, em 'Uma Perspectiva sobre o Clero e o Abuso Sexual' de Thomas Plante - um psiquiatra especializado em aconselhamento sobre abuso sexual, e considerado um especialista em abuso clerical -, afirmam que "cerca de 4% dos sacerdotes durante o último meio século (e principalmente na década de 1960 e 1970 ) tiveram um experiência sexual com um menor".

Em 2004, segundo o 'Relatório John Jay' sobre abusos sexuais, foi tabulado um total de 4.392 casos envolvendo padres e diáconos nos EUA. Em setembro de 2011, uma submissão representando o Tribunal Penal Internacional, alegou que o Papa, o cardeal Angelo Sodano - decano do Colégio Cardinalício -, o cardeal Tarcisio Bertone - Secretário de Estado do Vaticano -, e o cardeal William Levada - chefe da Congregação da Doutrina da Fé -, haviam cometido um crime contra a humanidade por "não prevenir ou punir os autores de estupro e violência sexual", em um encobrimento "sistemático e generalizado", que incluiu a "não cooperação com as autoridades locais, e mesmo trabalhando para obstruir o trabalho da lei".

As autoridades pontífices acreditam viver à margem da lei, naquele que é sem dúvida O MAIOR ARMÁRIO DO MUNDO - e cujo CEO, hoje, é o senhor Jorge Mário. Resguardados em uma torre de marfim, assegurados pelo Tratado de Latrão, que teve como signatários, além do Papa Pio XI, o fascista Benito Mussolini - em 11 de fevereiro de 1929. Este marco da sandice humana, instituiu também o catolicismo como religião oficial na Itália, assim como o ensino confessional obrigatório nas escolas italianas, conferindo efeitos civis ao casamento religioso, abolindo o divórcio, proibindo a admissão em cargos públicos dos sacerdotes que abandonassem a batina, e concedendo numerosas vantagens ao clero e à Santa Sé. O tratado foi incorporado à Constituição italiana em 1947, com a condição de que o papa deveria jurar neutralidade eterna em termos políticos - e assim foi durante a Segunda Grande Guerra. O incesto entre o papado e o estado, nos moldes medievais, estava assim restabelecido. Em 1978, felizmente, os termos desse acordo concordatário foram reformulados e o catolicismo deixou de ser a religião oficial da Itália, que desde então tornou-se um país laico. Nesse mesmo ano, as relações do Vaticano com a Itália deterioram-se com a aprovação do divórcio naquele país. Em fevereiro de 1984, uma concordata firmada entre a Santa Sé e o governo italiano modificou alguns termos do Tratado de Latrão, abolindo a obrigatoriedade do ensino religioso, que passou a ser oferecido somente a pedido dos pais dos alunos. O Vaticano permaneceu como estado soberano, governado pelo papa e com sede em Roma, que, contudo, perdeu o título de "cidade sagrada"..

Muitos casos de pedofilia cometidos por membros do clero, muitas vezes acobertados por sua hierarquia, foram denunciados no passado. O Comitê de Direitos da Criança da ONU exigiu, em 2014, que o Vaticano denunciasse os culpados:

- CANADÁ: No final dos anos 1980, as revelações de abusos de crianças em um orfanato em Newfoundland (leste) nos anos de 1950 e 1960 provocaram um enorme escândalo. A hierarquia religiosa também foi acusada de não ter denunciado os casos de pedofilia em suas fileiras;

- ESTADOS UNIDOS: Em 2004, uma investigação contabilizou 4.400 padres pedófilos e 11.000 crianças vítimas de abusos entre 1950 e 2002. Um dos casos mais notórios envolveu o arcebispo de Boston, o cardeal Bernard Law, que foi forçado a renunciar em 2002 por ter protegido padres pedófilos. Em 2007, a Arquidiocese de Los Angeles, então liderada pelo cardeal Roger Mahony, concordou em pagar 660 milhões dólares para 500 supostas vítimas. Mahony, acusado de acobertar os padres pedófilos, foi demitido de seu cargo no início de 2013;

- IRLANDA: Nos anos 2000, acusações de abusos sexuais cometidos durante décadas coloca em xeque a credibilidade das instituições católicas. Mais de 14.500 crianças teriam sido vítimas. Vários bispos e padres, acusados de esconder esses atos, foram punidos;

- ALEMANHA: Desde o início de 2010, centenas de casos de abusos sexuais de crianças e adolescentes em instituições religiosas foram revelados. Um dos casos mais divulgados foi o do colégio jesuíta Canisius em Berlim  envolvendo cerca de vinte crianças. No final de 2012, um relatório indicou pelo menos 66 nomes de religiosos envolvidos em casos de pedofilia por um período de 10 anos;

- ÁUSTRIA: Após uma série de revelações no início de 2010 de casos de abusos sexuais e maus tratos por sacerdotes entre as décadas de 1960 e 1980, uma comissão de inquérito é criada pela Igreja. Cerca de 800 casos foram identificados e 8 milhões de euros concedidos às vítimas;

- BÉLGICA: Em 2010, o bispo de Bruges, Roger Vangheluwe, renunciou após admitir ter abusado sexualmente de dois de seus sobrinhos. Na sequência, milhares de testemunhos relataram casos de abuso sexual por monges belgas. Acusada de permanecer em silêncio, a hierarquia católica é atualmente alvo de um vasto inquérito judicial;

- HOLANDA: No final de 2011, um relatório revelou o caso de "dezenas de milhares de crianças" abusadas sexualmente dentro da Igreja católica holandesa entre 1945 e 2010. Cerca de 800 supostos autores foram identificados;

- AUSTRÁLIA: Em abril de 2013, é aberto uma investigação pública sobre o abuso sexual de crianças em associações religiosas e instituições públicas. Cinco mil supostas vítimas devem ser entrevistadas;

- POLÔNIA: Em agosto de 2013, o polonês Jozef Wesolowski, núncio na República Dominicana, foi destituído, e uma investigação foi instaurada no âmbito de outro padre polonês suspeito de crimes contra menores de idade;

Estamos falando de algumas dezenas de milhares de crianças abusadas e estupradas algumas centenas de milhares de vezes... O do magnífico pensador e escritor Michel Onfray, em 'A Potência de Existir', abre sua vida e dolorosa intimidade para um relato dramático sobre os abusos sofridos em um internato católico na França...


"VINDE A MIM AS CRIANCINHAS, POIS DELAS É O REINO DOS CÉUS!!!"... A frase atribuída a Cristo, pela crendice popular, jamais foi dita desta forma - muito embora soe assustadora quando pronunciada por homens de vestidos longos, pretos, brancos ou escarlate... Coadunando com a virulência machista e misógina da bíblia, Lucas colocou as seguintes palavras na boca de um certo Cristo:

"Mas Jesus, chamando-os para si, disse: Deixai vir a mim os meninos, e não os impeçais, porque dos tais é o reino de Deus. " - Lucas [18:16]

Sim estamos falando de GAROTOS, e especificamente... Mulheres, ou homens que não conservaram a castidade - "contaminando-se" com mulheres -, não são aguardados na porta do próximo mundo: a "Paraisópolis" católica... Muito embora, para um deus que falhou em seu primeiro projeto - apesar de dispor da "eternidade" para o correto planejamento -, não devemos esperar grande coisa em seus novos e vindouros empreendimentos...Talvez, no futuro, deus decida poupar as crianças; evitando, além do sofrimento da violação na sacristia, infanticídios como aquele cometido em II Reis, e apenas porque crianças ousaram chamar um apoderado por deus de CARECA:

"Então subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns meninos saíram da cidade, e zombavam dele, e diziam-lhe: Sobe, calvo; sobe, calvo! E, virando-se ele para trás, os viu, e os amaldiçoou no nome do Senhor; então duas ursas saíram do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles meninos. E dali foi para o monte Carmelo de onde voltou para Samaria." - II Reis [2:23-25]

Notem, como inescapável terror, que após citar os "quarenta e dois corpos" DESPEDAÇADOS, o autor do texto "sagrado" dá de ombros para a carnificina e passa uma segunda, complementado dados sobre o itinerário do enviado de seu "senhor" - como em um Google Maps da Idade do Bronze... 

Finalmente, em uma crença que sugere a morte por apedrejamento de filhos REBELDES, não podemos esperar muito mais do que EXCREMENTO... Sim, "irmãos", eu disse EXCREMENTO!!!

"Quando alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedecer à voz de seu pai e à voz de sua mãe, e, castigando-o eles, lhes não der ouvidos, então seu pai e sua mãe pegarão nele, e o levarão aos anciãos da sua cidade, e à porta do seu lugar; E dirão aos anciãos da cidade: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz; é um comilão e um beberrão. Então todos os homens da sua cidade o apedrejarão, até que morra; e tirarás o mal do meio de ti, e todo o Israel ouvirá e temerá." - Deuteronômio [21:18-23]

E já que Cristo, além de cometer suas próprias atrocidades, sendo o comandante em chefe do 'humanicídio' do Apocalipse, endossou 100% do Antigo Testamento...

"Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido." -  Mateus [5:17-18]

... seus crimes e loucura foram "crucificados" na mesma medida em que ele ordenou a "crucificação" de inocentes:

"Quando também em alguém houver pecado, digno do juízo de morte, e for morto, e o pendurares num madeiro, o seu cadáver não permanecerá no madeiro, mas certamente o enterrarás no mesmo dia; porquanto o pendurado é maldito de Deus; assim não contaminarás a tua terra, que o Senhor teu Deus te dá em herança." - Deuteronômio [21:18-23]

Essa é a Lei do Talião Bíblica!!! Um livro que você parece desconhecer - se tem a boca aberta... Ou um livro que parece endossar - se tudo isso não embrulha o seu estômago, ou provoca sua revolta... IGNORANTE OU CÚMPLICE? QUAL É O SEU CASO?

Carlos Sherman


segunda-feira, 29 de junho de 2015

Sobre Riscos, Pinga, Tombos, Mandioca... e "A Espada de Dâmocles"...



Dionísio (430-367 AEC), foi um general obstinado e ambicioso, alçado à história por haver libertado Siracusa do domínio cartaginês... Como rei, "o Velho", como costumava ser chamado, praticou com requintes de crueldade a sua própria versão de tirania... A paranoia e o medo de provar do próprio veneno, no entanto, sempre foi companheira fiel daqueles que aniquilaram a justiça e esmagaram a liberdade... 

Não sabemos ao certo se Dâmocles foi um personagem de uma anedota moral, ou um protagonista histórico... O fato é que sua estória começa a ser narrada como o puxa-saco mor do séquito de Dionísio, um adulador real, sempre disposto a enaltecer e invejar o poder, a riqueza e a glória... Conta a estória que passou à História que certa feita, e durante uma festividade, Dionísio convidou Dâmocles a tomar assento e ocupar o seu privilegiado lugar por apenas uma noite... 

Conhecemos o diálogo por meio de Timeu de Tauromênio (356-260 AEC), contado através da história perdida da Sicília... Acredita-se que o filósofo, orador, político e jurista romano Tullius Cicero (106 - 43 AEC), pode tê-la lido em Diodoro Sículo, fazendo uso da ilustração em suas Tusculan Disputationes (V.61-62)...

DM: - Que sorte a sua! Você tem tudo que se pode desejar. Só pode ser o homem mais feliz do mundo!

Dionísio foi ficando cansado de ouvir esse tipo de papinho:
DS: - Ora essa! Você acha mesmo que eu sou mais feliz do que todo mundo?

O babão respondeu:
DM: - Mas é claro! Olhe só o seu tesouro e todo o seu poder! Você não tem absolutamente nada com que se preocupar. Poderia sua vida ser melhor do que isso?
DS: - Talvez você queira trocar de lugar comigo - disse Dionísio.
DM: - Ora, eu nem sonharia com uma coisa dessas! Mas se eu pudesse ter sua riqueza e desfrutar de todos esses prazeres e da posição de comando por um dia apenas, não desejaria felicidade maior.
DS: - Pois bem! Troque de lugar comigo por um dia apenas e desfrute disso tudo.

E assim foi... e lá estava o bobalhão todo deslumbrado, coroado, cercado de cortesãs, serviçais, lauta refeição, o melhor vinho, raríssimos perfumes, incenso, com aposentos regiamente decorados com flores, preenchidos com música... e investido de um fajuto poder... 

DM: - Ah, isso é que é vida! - confessou a Dionísio, que se encontrava sentado à mesa, na outra extremidade. Nunca me diverti tanto.

Quando notou que uma espada afiadíssima pendia do teto, amarrada apenas por um fiapo da crina de um cavalo qualquer... 

DS: - O que foi, meu amigo? Parece que você perdeu o apetite.
DM: - Essa espada! Essa espada! Você não está vendo?
DS: - É claro que estou. Vejo-a todos os dias. Está sempre pendendo sobre minha cabeça e há sempre a possibilidade de alguém ou alguma coisa partir o fio. Um dos meus conselheiros pode ficar enciumado do meu poder e tentar me matar. As pessoas podem espalhar mentiras a meu respeito, para jogar o povo contra mim. Pode ser que um reino vizinho envie um exército para tomar-me o trono. Ou então, posso tomar uma decisão errônea que leve à minha derrocada. Quem quer ser tirano, ocupar as primeira posições e controlar a ferro e fogo tudo e todos precisa estar disposto a aceitar esses riscos. Eles vêm junto com o poder, percebe?
DM: - É claro que percebo! Vejo agora que eu estava enganado e que você tem muitas coisas no que pensar além de sua riqueza, fama e posição. Por favor, assuma o seu lugar e deixe-me voltar para a minha modesta casa.

A espada apontava para a cabeça de Dâmocles, que enrijecido e desesperado abdicou de sua noite de poder... E lá estava ele dando as costas à todas as benesses do poder, e sem lograr esquecer do brilho da lâmina que pendia sobre sua irrisória vida, enquanto em disparada se afastava do poder, rumando aliviado para o seu casebre...  

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Muito pode ser dito sobre esta fábula moral, mas infelizmente a Internet está infestada de propaganda apologética, ora cristã, ora espírita, ora outra crendice qualquer... Primeiro podemos rememorar o sábio conselho: CUIDADO COM O QUE VOCÊ DESEJA, POIS PODE SE TORNAR REALIDADE... Depois poderíamos invocar o velho ditado: A GRAMA DO VIZINHO É SEMPRE MAIS VERDE...

Mas em tempos de "mandioca", e de poder "bêbado e trôpego", podemos "mandioquisar" a lição de Dâmocles, invocando o bom jargão tupiniquim: VOCÊ VÊ AS PINGAS QUE TOMO, MAS NÃO VÊ OS TOMBOS QUE EU LEVO... Ainda poderíamos dizer que "TUDO TEM UM PREÇO", e que muito poder corresponde à muitas fronteiras para proteger... Poderíamos ainda filosofar sobre economia e a sobre a vida empresarial, lembrando a Dâmocles que o capital de uma empresa se chama CAPITAL DE RISCO... Filosofar sobre golpistas arrogantes como Eike Batista, etc...

E deixo aberta a reflexão: DE QUE FORMA A ESPADA DE DÂMOCLES TOCA A SUA VIDA? 

Carlos Sherman 

sábado, 25 de abril de 2015

A Poesia da Realidade



Aqui estão minhas considerações sobre os postulados do Dalai Lama sobre a "felicidade":

Não esqueçam que existe uma neuropsicologia, uma bioquímica da vida... uma realidade objetiva que o Dalai Lama desconhece... Assim como uma natureza humana que ele teima em calar... Somos livres, repletos de paixões e desejos... Maravilhosamente imperfeitos... E ansiar uma tal perfeição, iluminação, constitui o primeiro equívoco... [recomendo o debate entre Sagan e o Dalai Lama, para a demonstração cabal das contradições dogmáticas do budismo]... De qualquer forma, sentir-se feliz é uma decorrência "fisiológica" regulada por hormônios e não por conselhos... Não é isso que notamos quando bebemos? Ou quando tomamos um anti-depressivo, quando fumamos um baseado? Isso enquanto ouço "Odara" com Gil e Rita Lee, rsrsrsrs... 

O budismo tibetano produz um entorpecimento, e nunca felicidade... Isso me remete ao notável escritor irlandês: 

“O fato de um crente ser mais feliz que um cético não é mais pertinente que o fato de um homem bêbado ser mais feliz que um sóbrio.” - George Bernard Shaw 

Não se esqueçam, existe uma realidade objetiva a ser entendida... Qualquer coisa que seja dita, dispensando este fato, não passará de blá, blá, blá... E é o que vemos por aí, enquanto os magos da auto-ajuda fatura milhões... Pois Auto-ajude-se!!! 

Não podemos escolher ser felizes... A felicidade, a sensação de felicidade, subjetiva e individual, é uma consequência bioquímica, fruto de um complexo comportamental sobre o qual temos menos poder do que imaginamos... Somos quem somos sem intencionar ser - mas somos, e somos únicos... Mas, parafraseando Schopenhauer, não podemos querer o que vamos queres, nem desejar o que vamos desejar... E não podemos dizer a alguém como ser feliz, e nem mesmo que deseje ser feliz, ou que queira ser feliz... 

Sei que estão pensando "quem é esse desmancha prazeres, questionando o Dalai Lama, em uma bela manhã zen, em um dia ensolarado qualquer de um Outono qualquer, em um lugar qualquer?"... Eu me chamo Carlos Sherman, e estou aqui para servir... Estou aqui para a poesia da realidade...

Beijos e perdão por mais esta objeção filosófica e neuropsicológica - enquanto insisto: AUTO-AJUDE-SE!!!

Carlos Sherman