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domingo, 7 de abril de 2013

Judith Rich Harris... Um Norte...




Em 1960, Judith Rich Harris, então estudante de pós-gradação em Harvard recebeu uma carta do figurão George Armitage Miller, chefe do Departamento de Psicologia, dispensando 'sumariamente' e 'arbitrariamente' do curso, alegando que ela "não estava à altura do programa"... Guarde este nome 'George A. Miller'... O mundo de Judith veio à baixo, e logo ela também enfrentaria uma doença crônica, que a deixaria confinada parcialmente em casa, e com sua carreira liquidada pôs-se a investigar um aspecto particular do comportamento humano... Judith passou a escrever livros de psicologia onde enfrentava o paradigma de que a personalidade além de outras características era adquirida pelo aprendizado, e com ênfase na delicada relação familiar... Então foi assim, quando 35 anos após Harris haver sido 'escorraçada' de Harvard por 'George Miller' - e tendo por fortuna escapado à servil doutrinação acadêmica -, na condição de dona de casa, avó baby-sitter, e desempregada, que ela escreveu um artigo que foi publicado na prestigiosa Psychological Review... Notem que tudo poderia ter sido diferente... Miller poderia ter evitado esta mácula em seu currículo, Harris poderia ter enveredado por outros caminhos acadêmicos, e sobretudo a Psychological Review poderia ter invocado o corporativismo e o mesmismo da classe, sem que jamais escutássemos falar em Judith Harris... E sem nos beneficiarmos de seu valoroso trabalho... Outros viriam, sempre vem a verdade sempre eclode, em um momento ou outro, mas perderíamos tempo... Fatalmente tais conceitos não escapariam à observação de um Pinker, Sacks, etc... Mas foi ela quem enfrentou a questão... Olhando deste ângulo, devo concordar com 'Dr. Miller', Harris não estava à altura de Harvard neste momento, estava muito além...

As primeiras palavras deste histórico e célebre artigo vão à seguir: 

"Será que os pais têm um efeito importante e de longo prazo sobre o desenvolvimento da personalidade de seus filhos? Este artigo examina as evidência e conclui que a resposta é NÃO [grifo meu]."...

Em 1997, somente com o impacto provocado pelo artigo, Judith Rich Harris recebeu aquele que é considerado o maior prêmio na área de Psicologia, o 'Prêmio George A. Miller'... Miller, que morreu em 2012, estava vivo para encarar as voltas que o mundo dá, e de camarote... A ironia do destino não poderia ter sido mais saborosa para Harris, e mais amarga para Miller... Tudo por uma questão de atitude... Então agradecemos a Miller pela lambança... A História agradece... Judith nem tanto...


Carlos Sherman


ooooooooooOOOOOOOoooooooooooo


Entrevista Revista ÉPOCA

Em 1998, uma psicóloga americana pouco conhecida no mundo acadêmico causou polêmica com uma tese revolucionária. Segundo ela, os pais exercem pouca influência sobre os filhos. No livro The Nurture Assumption (publicado no Brasil com o título Diga-me com Quem Andas…), Judith Harris afirma que quem influencia o comportamento de crianças e adolescentes são seus amigos. Oito anos depois, ela acaba de publicar um novo livro, No Two Alike (algo como Não Existem Duas Pessoas Iguais), em que lança uma teoria própria sobre a formação da personalidade.

Judith derruba teses antigas, como a preponderância genética e ambiental, e descreve uma nova, que leva em conta a evolução humana. Sua pesquisa foi desenvolvida a partir de artigos científicos em livros e na internet. Como o pai e o avô, Judith tem uma doença auto-imune - os anticorpos de seu organismo não funcionam direito, deixando-a mais vulnerável a doenças oportunistas. Por isso, quase não sai de casa. "Como não faço minhas próprias pesquisas, posso analisar evidências de várias fontes sem estar comprometida com um ponto de vista", disse ela em entrevista a ÉPOCA.

ÉPOCA - A personalidade é resultado da interação entre nossos genes e o ambiente em que vivemos?

JudithHarris - Não. Segundo essa teoria, gêmeos idênticos, aqueles que possuem os mesmos genes e são criados da mesma forma, deveriam reagir da mesma maneira aos fatores ambientais. Mas não é isso que acontece. Em meu livro, conto o exemplo de Laleh e Ladan Bijani, gêmeas iranianas cujos corpos nasceram grudados. Com 25 anos, elas arriscaram a vida numa operação para tentar separar seus corpos - e morreram. Apesar de compartilharem a mesma carga genética, terem sido criadas da mesma maneira e terem visto e enfrentado as mesmas situações, as duas eram diferentes. Laleh questionava tudo, era briguenta e queria ser jornalista; Ladan era extrovertida, fazia piadas e pretendia ser advogada.

ÉPOCA - Os genes têm alguma importância em nosso comportamento?
Judith - Cinqüenta por cento das diferenças que nós temos uns em relação aos outros são causadas pela genética.

ÉPOCA - E os outros 50%?
Judith - Eles têm duas fontes. Uma parte não é genética, mas biológica. Mesmo gêmeos com genes idênticos não têm cérebros iguais, porque uma parte do desenvolvimento celular é aleatória. A segunda fonte - a mais importante - é que as pessoas passam por experiências diferentes. Não é só o ambiente que muda. As respostas que cada um dá ao ambiente são diferentes. A evolução da espécie humana deu certa plasticidade a nossa personalidade. Essa plasticidade permite que nos adaptemos às circunstâncias de acordo com o que já vivemos.

ÉPOCA - Sua teoria parte do funcionamento do cérebro. Qual é o papel dele?
Judith - O cérebro armazena o que aprendemos, vemos, sentimos. Por minha teoria, ele possui três sistemas de aprendizado que foram concebidos pela própria evolução da espécie. Cada um guarda e processa um tipo de informação. E cada um nos leva a ter determinadas atitudes e comportamentos.

ÉPOCA - Que sistemas são esses?
Judith - O sistema de relacionamento nos motiva a ter bons relacionamentos e guarda informações sobre cada pessoa que encontramos. Ele é responsável pelos sentimentos, pela confiança que temos nos outros. E nos dá conselhos práticos: com quem contar para determinada tarefa, quem gosta de mim, quem não gosta. Ele não interfere na personalidade, mas no comportamento: agimos diferentemente dependendo das circunstâncias.

O sistema social leva a pessoa a se adaptar à sociedade em que vive e a sua posição dentro dela. Ninguém nasce sabendo a maneira correta de se comportar. Como se espera que as crianças se comportem diferentemente dos adultos, elas não podem aprender simplesmente observando os pais. Um garoto vai aprender como se comportar vendo outros meninos de sua idade. Ele observa vários meninos - a forma como se vestem, as gírias, as reações. Depois faz um balanço e constrói seu perfil.

Já o sistema de status tem um objetivo darwiniano: nos motiva a competir com nossos rivais e armazena informações que vão nos ajudar a vencer esses rivais. Ele ensina a criança a descobrir em que ela é boa e em que ela é ruim. Ele capta o que as outras pessoas acham da criança, o que os outros vêem como seus pontos fortes e fracos. Com esse conhecimento, a criança vai se concentrar naquilo em que ela pode ser uma vencedora.
#Q#
“O sistema de status tem um objetivo darwiniano. Ele nos motiva a competir com nossos rivais e armazena informações que vão nos ajudar a vencer esses rivais”
OPOSTAS Laleh e Ladan nasceram grudadas, mas suas p
ersonalidades eram bem diferentes
ÉPOCA - Esses sistemas têm a mesma importância para todo mundo?
Judith - Não. O sistema de relacionamento é mais importante para mulheres, enquanto o de status pode influenciar mais os homens. Em uma sociedade competitiva, o sistema de status será mais relevante, enquanto numa sociedade socialista o social falará mais alto.

ÉPOCA - Parece mesquinho imaginar que as pessoas se comportam pensando em como podem vencer seus rivais…
Judith - O sistema de status é egoísta mesmo! Felizmente temos os outros dois sistemas que amenizam os efeitos dele. O sistema social observa como as pessoas vivem em grupo, cooperam. Quando uma pessoa dá a vida em nome de seu grupo, é o sistema social que o motiva a agir assim. Vivemos nesse conflito de sistemas: devo fazer o que é melhor para mim ou o que é melhor para meu marido, meus colegas?

ÉPOCA - Esse sistema de status é reflexo da sociedade capitalista?
Judith - Não. Nas sociedades tribais, que favoreciam a cooperação, um homem podia ter duas mulheres desde que conseguisse cuidar delas. Isso significava que alguns homens não tinham mulher nenhuma. Ou seja: mesmo nessas sociedades, os homens competiam por mulheres e pelas coisas que lhes permitiam mantê-las.

ÉPOCA - A ordem de nascimento faz diferença para a personalidade?
Judith - Não. Muita gente acha que o filho mais velho é mais maduro e domina os menores - e esse comportamento é visto como prova de que a ordem de nascimento faz diferença. Mas essa ordem só afeta o comportamento no ambiente familiar. A criança que domina os irmãos não vai controlar seus amigos na escola. E aquela que aceita a dominação do irmão em casa não necessariamente vai ser controlada pelos colegas na rua.

ÉPOCA - Mas os pais não tratam o primeiro filho de forma diferente?
Judith - Certamente. Mas esse tratamento não resulta numa personalidade específica de "primeiro filho". No parquinho ou no ambiente de trabalho, ninguém descobre que essa ou aquela pessoa é o filho mais velho de uma família por suas atitudes.

ÉPOCA - Qual é o papel da evolução em sua teoria?
Judith - Ela foi construída a partir do trabalho de evolucionistas como Steven Pinker, Leda Cosmides e John Tooby. Eles mostraram que a plasticidade do cérebro é resultado da pressão evolutiva experimentada por nossos ancestrais. Os três sistemas que proponho teriam sido tão úteis na era paleolítica quanto são agora. São os ingredientes para uma vida em sociedade.

ÉPOCA - Seu primeiro livro causou polêmica. A senhora esperava uma reação contrária tão forte?
Judith - Sabia que seria controverso porque ataquei um mito de nossa cultura. É difícil para um pai aceitar que ele tem pouco poder sobre o futuro de seus filhos. Tive duas filhas. Naquela época, eu acreditava que podia influenciá-las. Mas os estudos mostram o contrário.

ÉPOCA - Se não são os pais, quem influencia as crianças?
Judith - Elas tentam se descobrir sozinhas. Buscam saber como se comparam com outras crianças da mesma idade e sexo. Disputando jogos, um garoto descobre se é forte ou fraco se comparando com os outros. Para descobrir se são espertas ou bonitas, as crianças tentam ler a mente das pessoas a seu redor. Todo mundo pode contribuir com um voto nessa balança. Mas alguns votos são mais importantes. Por exemplo: a mãe falar que a filha é linda conta menos que as amigas falarem o mesmo


Entrevista con Judith Rich Harris
autor: Cristian Campos

¿Cuál es la influencia de los padres en el comportamiento de sus hijos cuando estos se encuentran fuera del área de influencia del hogar familiar? Según la psicóloga estadounidense Judith Rich Harris, ninguna. No “mínima” o “anecdótica” o “insignificante”: nula. Por algo se la considera como una peligrosa “radical” a raíz de la publicación en 1999 de su libro de culto El mito de la educación. La entrevistamos.

He aquí una verdad irrefutable: los niños se parecen a sus padres. Sin llegar a comportarse como dos gotas de agua, padres e hijos tienen bastantes probabilidades de puntuar de forma similar en los tests de personalidad al uso, si descontamos el ruido provocado en los resultados por la evidente diferencia en madurez psicológica. Pero la discusión empieza cuando se intenta averiguar el porqué de esa similitud.

La explicación popular, que coincide con la de buena parte del establishment académico y con los dogmas de lo políticamente correcto, es que esa semejanza se debe a la influencia de los padres. A fin de cuentas, ¿quién ha acompañado día a noche a ese niño durante los primeros años de su vida? Según la psicóloga estadounidense Judith Rich Harris (1938), esa similitud se debe casi por completo a la herencia genética. Pero no es esa la afirmación más polémica que Rich Harris incluyó en su libro de culto El mito de la educación (publicado en España en 1999 por la editorial Grijalbo). Si por algo se la considera una “extremista” es por su teoría de que la influencia de los padres en el comportamiento de sus hijos fuera del hogar familiar es, lisa y llanamente, nula. No “mínima” o “anecdótica” o “insignificante” o “ridícula” o “desestimable” o “ínfima” o “insustancial”, no: nula. Zero. Nil. Nothing. Niente. Cero. Por lo que respecta al comportamiento de los niños en la escuela, en la calle y en cualquier otro ámbito que no sea el comprendido entre las cuatro paredes de su casa, da igual que estos convivan con sus padres o con una etiqueta de Anís del Mono. Y lo mismo ocurre con la personalidad del adulto en el que esos niños se convertirán con el tiempo. A la pregunta de ¿quién o qué influye entonces en la personalidad de esos niños cuando se encuentran fuera de la influencia del hogar familiar?, la respuesta de Judith Rich Harris es “sus coetáneos”, es decir amigos, conocidos y saludados de su misma generación.

El mito de la educación, del que ahora se publica en los EE UU una edición revisada, tiene su origen en un artículo publicado en la revista Psychological Review en 1995. El artículo recibió el premio George A. Miller que otorga la American Psychological Association a los trabajos de reconocida relevancia. Prueba, por cierto, de que la justicia poética existe: el George Miller del premio es el mismo profesor universitario que 37 años antes expulsó a Judith Rich Harris del Departamento de Psicología de la Universidad de Harvard. Steven Pinker prologó la primera edición del libro, que en la actualidad se encuentra descatalogado en España.

En la actualidad, Judith Rich Harris se dedica a “contestar cuestionarios como este. 

JH: Cuando acabe con tu entrevista tengo que responder una lista de preguntas igual de larga de un periodista polaco. Pero al margen de eso, acabo de terminar de escribir uno de los capítulos de un libro editado por dos psicólogos evolucionistas, y estoy empezando a escribir otro capítulo que aparecerá en el libro de un criminólogo”.

¿Hasta qué punto las investigaciones en genética, neurología y ciencia cognitiva de la última década han confirmado las tesis avanzadas en El mito de la educación?

JH: De acuerdo a mi teoría, hay dos elementos que modelan la personalidad de los niños a largo plazo: los genes que heredan de sus padres y sus experiencias fuera del hogar. Los niños se parecen algo a sus padres en personalidad, habilidades y actitud, pero eso se debe básicamente a la herencia, es decir a la influencia genética en esos rasgos. Así que, con el objetivo de confirmar o refutar mi teoría, las investigaciones deberían poder controlar o descartar de la ecuación esas influencias genéticas. Cuando eso se consigue, los resultados han coincidido en general con mi teoría. Por ejemplo, algunos investigadores de los EE UU han estudiado cómo los niños pequeños adquieren el autocontrol que necesitan para comportarse correctamente en la escuela. Cuando los investigadores se centraron en la influencia de los genes en el comportamiento de los niños, encontraron que las enseñanzas de los padres no tenían ningún impacto en cómo se comportaban aquellos en la escuela. Lo que sí influía era cómo se comportaban en clase el resto de los niños.

JH: En relación a la neurología y la ciencia cognitiva, los investigadores en el terreno de la neurociencia cognitiva han respaldado mi teoría de que las relaciones personales son procesadas en un área del cerebro diferente al área que se ocupa de los elementos grupales, como por ejemplo el hecho de convertirse en miembro de un grupo o el de clasificar a la gente en función de su identidad grupal. Estos mismos investigadores han descubierto que el hemisferio derecho del cerebro es mejor identificando individuos, mientras que el hemisferio izquierdo es mejor en lo que ellos llaman “representaciones grupales”.

¿Han cambiado en algo sus ideas a lo largo de los últimos años?

JH: Mi teoría se ha desarrollado durante los últimos años, pero la conclusión básica sigue siendo la misma. La última versión de la teoría, descrita en mi segundo libro, No Two Alike, responde a una pregunta para la que la teoría original no tenía una buena respuesta: ¿por qué los gemelos idénticos (monocigóticos o univitelinos) que han crecido en una misma casa, que van a la misma escuela y que a menudo pertenecen al mismo grupo de amigos, difieren tanto en su personalidad?

¿Qué ha revisado entonces en la edición revisada de El mito de la educación?

JH: La nueva edición tiene una nueva introducción, en la que explico brevemente cómo ha progresado mi teoría desde que se publicó la primera edición del libro. También incluye un nuevo apéndice en el que hago comentarios, favorables y desfavorables, sobre algunas de las investigaciones de la última década. Además, hay algunas pequeñas correcciones en el texto, y algunas referencias y notas finales añadidas. Pero no he intentado abarcar todo lo que ha pasado en el terreno de la psicología del desarrollo durante este tiempo, porque eso ya lo he hecho en No Two Alike.

Su libro y La tabla rasa de Steven Pinker tienen algo en común: ambos provocan reacciones de rechazo visceral entre los defensores más radicales de la teoría de la influencia ambiental, e incluso entre el público lego. ¿A qué se debe? ¿Qué tabú han roto estos dos libros?

JH: En estos libros se atacan algunos mitos culturales muy apreciados, creencias poderosas que arraigaron en la cultura europea y americana a mediados del siglo anterior. Al afirmar que los niños no son bolas de plastilina modeladas por sus padres, Steven Pinker y yo misma estamos desafiando algunas convicciones ampliamente compartidas. Muchos psicólogos del desarrollo han dedicado toda su carrera profesional a la tarea de demostrar cómo los padres modelan a sus hijos, y aquí estoy yo, que ni siquiera pertenezco a la aristocracia académica, diciéndoles: “déjalo ya, tus investigaciones tienen muchos puntos débiles y no demuestran nada de lo que tú crees”.

¿Por qué cree que resulta tan difícil aceptar algunas ideas que parecen coincidir con el sentido común: las mujeres y los hombres son diferentes, los amigos influyen más en los niños que sus propios padres…? ¿Se debe quizá a que la realidad y el sentido común chocan con los dogmas de lo políticamente correcto y con una idea infantil y beata de la naturaleza humana?

JH: En el caso de la afirmación “los hombres y las mujeres somos diferentes” creo que la culpa es de la corrección política. En el caso de la influencia parental, hay otros factores involucrados. En primer lugar, algunos de los procesos mentales que controlan nuestro comportamiento social son inconscientes: los niños no son conscientes de ellos mientras suceden y no los recuerdan posteriormente, pero sí recuerdan a sus padres. En segundo lugar, la gente infravalora la influencia de los genes. Ven que los bebés tienen una personalidad determinada desde muy pequeños (son audaces o miedosos, por ejemplo), así que atribuyen esos rasgos a algo que supuestamente les pasó cuando eran incluso más pequeños. ¿Y quién estaba a su lado cuando eran muy, muy pequeños? Sus padres, por supuesto.

Ligado con la pregunta anterior, ¿por qué la psicología popular y la académica suelen diferir tanto?

JH: Bueno, en ciertos aspectos coinciden al 100%. Muchos psicólogos “populares” creen fuertemente en la influencia parental, al igual que muchos psicólogos “académicos”. Steven Pinker es una rara excepción a esa regla.

¿Cuáles son, o deberían ser, las implicaciones políticas de su teoría?

JH: Debería culparse menos a los padres y poner más énfasis en dos cosas que yo creo que son muy importantes para los niños: la escuela y la estabilidad. Es perjudicial para los niños moverlos demasiado, de un barrio a otro o de una escuela a otra. El divorcio es en buena parte malo para los niños porque destroza la estabilidad de sus vidas fuera de la familia.

¿Me equivoco si digo que su libro parece ser más popular entre los hombres que entre las mujeres? ¿A qué se debe?

JH: Bueno, si he de juzgar por las cartas que recibo de los lectores, parece que el libro gusta más a los hombres. Quizá las mujeres están más involucradas en la maternidad que los hombres en la paternidad. A ellas no les gusta oír que son menos importantes para sus hijos de lo que creían. Yo pensaba que a las madres les gustaría que les dijeran que no tenían por qué sentirse culpables por los fallos de sus hijos, pero eso implica que tampoco pueden atribuirse sus méritos.

¿Tratan los padres de forma diferente a los primogénitos que al resto de sus hijos? ¿Tiene eso alguna influencia en los niños?

JH: Oh, sí, definitivamente los tratan diferente dependiendo, entre otras cosas, del orden en el que han nacido. Y sí, eso tiene una influencia mesurable en cómo se comportan esos niños en casa o en presencia de los miembros de la familia. Pero no tiene una influencia relevante en cómo se comportan los niños fuera de su casa, en presencia de sus amigos. Y tampoco tiene una influencia significativa en cómo responden, de adultos, a los cuestionarios de personalidad. Los estudios que usan tests estándar para determinar la personalidad no han encontrado diferencias entre primogénitos y segundos y terceros hijos.

¿Tienen los niños maltratados más posibilidades de ser adultos violentos?

JH: Esa es una pregunta sorprendentemente difícil de contestar, porque muchas de las investigaciones que se han hecho al respecto son inútiles por dos razones. En primer lugar, muchos investigadores no detectan las influencias genéticas en el comportamiento. Las personas agresivas tienen más probabilidades de pegar a sus hijos, así que los niños maltratados pueden haber heredado la agresividad de sus padres. En segundo lugar, muchos investigadores no tienen en cuenta que los niños se comportan de forma diferente en entornos diferentes. Un niño que se porta mal en casa puede portarse bien en el colegio, o viceversa. Así que un estudio que investigue los efectos del maltrato centrándose sólo en cómo se comporta ese niño en casa, o que sólo le pregunte a sus padres, no es informativo. Los pocos estudios que se han fijado en cómo se comportan los niños fuera de su casa, de acuerdo a lo que dicen por ejemplo sus profesores, sugieren que el hecho de ser maltratado no tiene ningún efecto en cómo se comporta el niño en la escuela.

Los padres suelen estar expuestos a decenas de teorías pedagógicas  que les dicen cómo comportarse para que sus hijos sean más inteligentes, o tengan mejores modales, o sean más respetuosos. Pero los niños de hoy en día no parecen especialmente mejores (o peores) que los de hace 50 años. ¿Por qué se sigue entonces a) dando consejos que no funcionan, y b) haciendo caso de esos consejos?

JH: ¡Muy buena pregunta! Siempre hay “expertos” que se ganan la vida aconsejando a los padres, pero los consejos que dan cambian con los años. Yo nací en 1938, una época en la que la paternidad y la maternidad eran muy diferentes de lo que son ahora. Los padres de los años 30 y 40 no se preocupaban de la autoestima de sus hijos: les preocupaba la posibilidad de que prestarles demasiada atención los malcriara y los convirtiera en niños consentidos. Los padres no se preocupaban demasiado por los deberes escolares de sus hijos; ese era el trabajo de los profesores, no el suyo. Y el castigo físico era pura rutina. Los padres jugaban sólo un pequeño papel, si lo jugaban, en el cuidado de los niños: su principal función era administrar la disciplina. A pesar de los importantes cambios que se han producido recientemente en el papel de los padres, la gente es igual que siempre. A pesar de todo el afecto y la atención que los niños reciben hoy en día, tanto por parte de padres como de madres, no son menos depresivos o demuestran una mayor autoestima que hace años. A pesar del descrédito del castigo físico, no son menos agresivos. Estos hechos son una prueba apabullante de que mi teoría es correcta.

El mito de la educación se centra básicamente en el lenguaje, que usted considera una prueba irrefutable de lo acertado de su teoría, pero el lenguaje es una característica 100% ambiental. ¿Qué ocurre cuando se aplica su teoría a otras características que no son 100% ambientales?

JH: El lenguaje es un buen ejemplo de cómo funciona mi teoría precisamente porque es una característica 100% ambiental. El idioma que hablamos, al igual que nuestro acento, es totalmente ambiental, totalmente aprendido. Nadie hereda una predisposición a hablar español o inglés. Nadie hereda el acento de una región particular o de una clase social determinada. Y cuando te fijas en el lenguaje, se ve exactamente lo que predice mi teoría. Los hijos de los inmigrantes, incluso aunque hablen la lengua de sus padres en casa, utilizan el idioma local fuera de ella. Lo hablan además con el mismo acento que sus coetáneos, sin rastro alguno del acento de sus padres.

JH: Pero para muchas otras características, la herencia juega un rol. Si nos fijamos por ejemplo en la actitud respecto a la política o la religión, encontramos que los niños se parecen a sus padres. Pero eso se debe a que esa característica es, en parte, genética. Bueno, no la actitud en sí, sino la personalidad que conduce a esas actitudes. La existencia de influencias genéticas hace mucho más difícil determinar qué es exactamente lo que está pasando. Hacen falta métodos de investigación especializados para separar el grano de la paja.

Si su teoría es cierta, ¿qué pueden hacer los padres para que sus hijos sean más inteligentes?

JH: Enviarlos a una escuela donde se potencien y se disfrute de las actividades intelectuales, y donde los niños que destacan académicamente sean admirados en vez de humillados.

¿Cuál es la crítica a su libro que ha resultado más difícil de contestar? En otras palabras, doce años después de la primera edición de su libro, ¿ha encontrado algún punto débil en él?

JH: La crítica más difícil es la que me acusa de ser una extremista. Lo que yo digo no es que los padres tengan menos influencia de lo que se piensan: digo que los padres no tienen ninguna influencia en absoluto en cómo se comportan sus hijos fuera de casa o en su personalidad adulta. Cuando escribía El mito de la educación pensaba que esa posición sería difícil de defender. Pensaba que los psicólogos del desarrollo saldrían con algún tipo de evidencia que yo no podría refutar y que demostraría que los padres tienen al menos una pequeña influencia. Para mi sorpresa, no han conseguido hacerlo. Ha habido muchos estudios e investigaciones, pero todos los que dicen haber encontrado algún tipo de influencia parental tienen algún defecto; su método de investigación muestra siempre algún punto débil. Y los estudios que han utilizado métodos más apropiados apoyan en general mi teoría.

Desde el punto de vista evolutivo, ¿por qué los niños prefieren la influencia de sus compañeros a la de sus padres?

JH: Por dos razones. En primer lugar, la niñez prepara para la vida adulta, y las personas que tienen éxito no pasan su vida adulta con sus padres. Su futuro es su propia generación. En segundo lugar, en todas las sociedades, los niños y los adultos se comportan de manera diferente; para decirlo en términos técnicos, pertenecen a categorías sociales distintas. Esto significa que los niños no pueden aprender a comportarse correctamente imitando a sus padres. Un niño que se comporte como un adulto parecerá bastante anormal.

¿Qué le contesta usted a los padres que le preguntan cómo educar a sus hijos si su influencia en ellos va a ser mínima o nula?

JH: Los padres tienen una influencia importante en cómo se comportan sus hijos en casa. El trabajo de los padres es darle a sus hijos un hogar seguro y feliz.

¿Podría mencionar los tres libros sobre la naturaleza humana que, en su opinión, deberían ser leídos por todo el mundo?

JH: La tabla rasa de Steven Pinker, Personality: What Makes You the Way You Are de Daniel Nettle, y Mistakes Were Made (but Not by Me) de Carol Tavris y Elliot Aronson.


Diga-me com quem andas...

Seu primeiro livro, o mais famoso, causou grande agitação no mídia e no meio acadêmico. Nele, Harris desenvolve sua teoria revolucionária. Foi saudado nos Estados Unidos como o "fenômeno editorial da temporada". Discutido nos jornais e programas de televisão mais importantes do país, ganhou matéria de capa na Newsweek e em The New Yorker. "Um livro para marcar definitivamente a história da psicologia". Também recebeu aval acadêmico. O psicólogo e linguista Steven Pinker, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, por exemplo, qualificou a obra como "erudita, revolucionária, perspicaz e maravilhosamente clara e espirituosa".

Judith Harris contesta um dos mitos mais arraigados em nossa cultura: a hipótese da criação, segundo a qual, junto à herança genética, os pais legam aos filhos uma determinada educação que definirá as dificuldades emocionais do adulto. Por que, então, gêmeos criados juntos não se parecem mais do que os que são criados separadamente? Por que os filhos de imigrantes acabam falando perfeitamente e sem sotaque a língua dos seus colegas e não a dos pais? Com exemplos do folclore e da literatura, além de extenso conhecimento acadêmico, a autora mostra que as relações familiares variam de uma cultura para outra. Já um aspecto da infância que é universal - e Harris analisa o relacionamento de crianças das mais diversas culturas, inclusive as de uma tribo indígena brasileira - é o grupo de amigos.

Com seu livro desmistificador, Judith Harris tranquiliza os pais quanto a seu real papel na formação dos filhos. Pois como milhares deles já podiam intuir por sua própria experiência, apesar de toda a pressão cultural na direção contrária, pais dedicados e atentos não garantem filhos felizes e seguros.

Não há dois iguais

Sobre o livro, diz a autora:

"Completei o trabalho que comecei no primeiro livro, que é sobre como as crianças se adaptam a suas culturas e aprendem a ser comportar apropriadamente no mundo fora de suas casas. A sociabilização faz as crianças ser mais parecidas no comportamento. Mas ao mesmo essas crianças estão se tornando diferentes em outros aspectos. Escrevi Não Há Dois Iguais para explicar por que as crianças se tornam ou permanecem diferentes quanto à personalidade, mesmo quando estão entrando na sociedade."

Em Não Há Dois Iguais (editora Globo) Judith sistematizou um estudo sobre como se forma a personalidade com base no evolucionismo de Darwin. Para ela, a criança molda sua essência no contexto para sobreviver melhor socialmente.

Segundo a autora a personalidade é definida por três sistemas distintos:

(1) "O sistema de relacionamento nos motiva a ter bons relacionamentos e guarda informações sobre cada pessoa que encontramos. Ele é responsável pelos sentimentos, pela confiança que temos nos outros. E nos dá conselhos práticos: com quem contar para determinada tarefa, quem gosta de mim, quem não gosta. Ele não interfere na personalidade, mas no comportamento: agimos diferentemente dependendo das circunstâncias."

(2) "O sistema social leva a pessoa a se adaptar à sociedade em que vive e a sua posição dentro dela. Ninguém nasce sabendo a maneira correta de se comportar. Como se espera que as crianças se comportem diferentemente dos adultos, elas não podem aprender simplesmente observando os pais. Um garoto vai aprender como se comportar vendo outros meninos de sua idade. Ele observa vários meninos - a forma como se vestem, as gírias, as reações. Depois faz um balanço e constrói seu perfil."

(3) "Já o sistema de status tem um objetivo darwiniano: motiva-nos a competir com nossos rivais e armazena informações que vão nos ajudar a vencer esses rivais. Ele ensina a criança a descobrir em que ela é boa e em que ela é ruim. Ele capta o que as outras pessoas acham da criança, o que os outros vêem como seus pontos fortes e fracos. Com esse conhecimento, a criança vai se concentrar naquilo em que ela pode ser uma vencedora."

Referências

↑ a b Sobre Diga-me com quem anda.... Trad. Anna Olga de Barros Barreto. Ed. Objetiva. ISBN 8573022280.
↑ a b c O comportamento em evolução, por Gisela Anaute. Revista Época, 19 de maio de 2007.]
[editar]Ligações externas

The Nurture Assumption Web Site
The Parent Trap, Newsweek 7 de setembro de 1998.
Children don't do things half way. Entrevista com Judith Harris, 29 de junho de 1999.


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