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A CIÊNCIA DO ERRO | Sobre Verdades, Veracidade e Realidade Objetiva - Parte 1: Uma resposta a Marcelo Gleiser

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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Luiz Fux segue relator e condena Pizzolato, Cunha, Valério e sócios

SBT Brasil - Gurgel diz que Mensalão foi o esquema mais escandaloso do país

Debate do mensalão: O voto de Lewandowski

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Ciência e Lucidez



Inventamos a Ciência para testar a nossa lucidez...


Carlos Sherman

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Daniel Dennett - Uma Refutação Científica e Secular para Rick Warren (LE...

Coisas da Vida...



Coisas da Vida... E da ciência...

Já ouviram fala no MICRÔMETRO??? Pois o micrômetro "é um instrumento de medição utilizado para aferir as dimensões de um objeto (espessura, altura, largura, profundidade), e têm grande uso na indústria mecânica, medindo toda a espécie de artefatos, como peças de máquinas..."... Ok???

Pois bem, também segundo o Wikipédia - em português, inglês, etc - "Jean-Louis Palmer apresentou, pela primeira vez, um micrômetro para requerer sua patente. O instrumento permitia a leitura de centésimos de milímetro, de maneira simples."... Só que está errado... Quem inventou o micrômetro - e foi solenemente condecorado pela rainha Victoria por este feito - foi o meu tataravô, JEAN-LAURENT PALMER... Laurent sim, Louis não... Apenas o Wikipédia em francês, e web pages em língua francesa, apresentam o nome correto...

Então, a minha descendência viaja desde Paris, em meados do século XIX, para aportar no Rio e em Cabo Frio:

- Jean-Laurent Palmer (meu tataravô, francês - cientista e inventor do micrômetro);
- Legèr Palmer (meu trisavô, francês - engenheiro mecânico, veio ao Brasil para construir o canal que liga a lagoa de Araruama ao mar, o canal Palmer, modernizou a indústria do sal e da cultura canavieira na região, foi também um importante inventor, morrendo na queda de um moinho de vento);
- Carlos Palmer (meu bisavô, brasileiro - cientista e inventor: catraca eletrônica para ônibus, uma toca elétrica para mulheres, pulverizando óleos e aquecendo o cabelo, etc...);
- Plínio Palmer (meu avô, brasileiro);
- Carlos Leger Sherman Palmer (meu pai, brasileiro);
- Carlos Leger Sherman Palmer Júnior (EU, marciano);

Esclarecido isso, vale dizer que descender deste importante cientista é motivo de orgulho para mim, e para nossa família... 

Já a descendência dos Shermans - o nosso Sherman - provém de Luton (Bedfordshire), Inglaterra... E chegou até mim por meio da querida e saudosa vovó: Glória Sherman... 


Não descendemos por certo, em linhagem direta, do ilustre General Sherman - cuja estátua pode ser admirada na entrada do Central Park... Mas tanto a linhagem de William Tecumseh Sherman - que liderou as tropas do Norte, vitoriosas na Guerra de Secessão - como a nossa, provém da mesma origem germânica... Tendo os meus ascendentes passado pela Inglaterra, enquanto os ascendentes de William vieram diretamente da Alemanha para os Estados Unidos....


A vitória do Norte, a vitória do General Sherman, representou o fim da escravidão nos Estados Unidos, rumo a um destino de liberdade, igualdade e fraternidade... Os ideais humanistas, os Direitos Humanos... Mas reza a lenda que William Tecumseh Sherman foi um homem implacável na guerra contra os Estados Confederados... Mas sem dúvida Sherman foi um homem honrado e de princípios... Seu pai foi Charles Sherman... Curioso: 'Carlos Sherman'... O General Sherman descende de imigrantes vindos da Alemanha no século XV... Sherman também foi empresário e escritor...








Curiosamente temos outro eminente membro do clã, Mr. Roger Sherman, ascendente do General Sherman que além de bacharel em Direito, esteve interessado em várias áreas do conhecimento humano, Juiz, e ASTRÔNOMO...

Curiosamente, um certo Capitão John SHERMAN, também ascendente do General Sherman em território americano, foi casado com Martha PALMER no século XVII... Curioso, não?
ORIGEM DO NOME SHERMAN
O sobrenome  'Sherman' é originário de Savony, na região do Reno - século X... Os Shermans vieram para a Inglaterra com William 'O Conquistador' em 1066... O mais antigo registro do nome Sherman na Inglaterra foi data de 08 de junho de 1174, quando uma licença para comércio de lã foi concedida a Richard Le Sherman, um comerciante em Huthe, Essex County... O significado do nome Sherman aparentemente vem de algum progenitor cuja ocupação era 'shearer', ou tosquiador... Daí 'shearer man', ou Sherman... 
Fonte: "Nossa Saga Sherman" por Janet Hess
Carlos Legèr Sherman Palmer Junior

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Fraudes na Psicologia...


What to Do About Scientific Fraud in Psychology?
Five Golden Rules for Conducting Ethical Research
Published on September 10, 2011 by Mark van Vugt, Ph.D. in Naturally Selected
By Mark van Vugt



Is scientific fraud on the rise among academic psychologists? If so, what should our scientific community do about this?

After the high profile case of Marc Hauser, the Harvard psychologist found guilty of serious scientific misconduct there is the recent case of my colleague, Diederik Stapel, a social psychology professor in the Netherlands who has been suspended by his university after admitting to have fabricated experimental data over a prolonged period. [1]

The extent of his fraud is yet unclear but it has produced shock waves among the international social psychology community. Stapel was the poster boy of Dutch social psychology, having published in the major psychology journals, and receiving various grants and prestigious awards for his research on social cognition and stereotyping. In a recent article published in Science, he and his colleagues showed that in a messy environment (a dirty railway station) White participants were more prejudiced against a Black person. The authenticity of these results is now being investigated...

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Ellen, we don't need more irrationality (you must be a sought-after guest at seances!)
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and more!

How common is scientific fraud? It is not all that clear but a recent survey among scientists suggests that  thankfully it is rare. Only 2% of scientists admitted to fabricating or falsifying data. But 14% said that they had personal evidence of such behavior in their colleagues, suggesting that it is underreported.[2 ]

There are to my knowledge no specific data about psychology and so there is no reason to believe that it is more common in our discipline than in others. Yet are there any lessons to be learnt from these fraud cases to help us tackle academic cheating.

Rule 1# Support Whistle-Blowers

The Hauser and Stapel cases came to light because of suspicions raised by research assistants and junior colleagues who were working in the labs of these professors. In doing so they were putting their own careers at risk and so their employers have an obligation to protect them. Having an impartial ethics officer in the Department might encourage colleagues to report suspected misconduct.

Rule 2# Avoid Deception

The field of social psychology has unfortunately a bit of a reputation problem because social psychologists routinely deceive subjects in their studies. Remember the Milgram obedience experiments in which participants falsely believed they were administering electric shocks to fellow participants. It is standard practice in social psychology. But this means that junior social psychologists are being trained to deceive people and this might be a first violation of scientific integrity. It would be good to have a frank discussion about deception in our discipline. It is not being tolerated elsewhere so why should it be in our field.

Rule #3 Publicize Only Published Findings

Modern Science is Big Media Business. There are huge pressures on getting out your research as quickly as you can before someone beats you to it. And so psychologists present their findings in the media even before a scientific paper is written, peer-reviewed, and published. This malpractice contributed to the downfall of Satoshi Kanazawa, the former blogger at Psychology Today, who reported unpublished research data showing that Black Women are physically less attractive. It also happened to Stapel and colleagues who got huge press for unpublished data showing that meat-eaters are selfish and unkind. There is a suspicion that Stapel also made up these results.

Rule #4 Acknowledge (and Recognize) People's Contributions

In various science disciplines it is required to acknowledge for each individual author what their personal contribution to the project was so that it is clear how the work was divided and who is responsible for which part of the research project. In psychology journals this practice is not yet standard. And so there is some diffusion of responsibility among authors which might increase opportunities for fraudulent behavior.

Rule #5 Introduce Ethics and Hand Out Team Prizes and Awards

Perhaps ultimately it is through training our psychology students into doing ethically sound research that we can tackle scientific fraud. This is no easy feat. Research suggests that 75% of university students engage in some form of academic dishonesty.[3].

Yet we humans are a cooperative species and psychological science is a cooperative discipline. Only by accepting that scientific progress is not about individuals and their personal achievements but about groups of researchers working together and trusting each other to be open and frank about their results can we tackle this.

Perhaps it would be good to rethink the system of awarding prizes and grants to excellent individual scientists. In business and team sports, individuals do not win prizes but groups of people do. Why should it be different in psychological science?
_______________________________________________________________________________

[1] http://news.sciencemag.org/scienceinsider/2011/09/dutch-university-sacks-social.html


[2] Fanelli, W. (2009). How many scientists fabricate and falsify research? A systematic review and meta-analysis of survey data. PLoS One, 4 (#5), 1-11.

[3] McCabe, D. L (1993). Academic dishonesty: Honor codes and other contextual influences. Journal of Higher Education 64, 522-38.

OS MAIORES ABSURDOS DA BÍBLIA - SURTA-SE!

domingo, 26 de agosto de 2012

Ciência prova que autismo é genético, mas pais ainda se culpam

A Genética do Autismo




Gene responsável por tipo de epilepsia infantil provoca sintomas de autismo
Segundo pesquisadores americanos, esses resultados indicam que essa condição deveria ser incluída entre as síndromes do espectro autista:

Crianças: gene que ligado a um tipo de epilepsia infantil também provoca sintomas do autismo (Comstock)

Um gene reconhecido por ser o causador de uma forma de epilepsia infantil, a chamada de síndrome de Dravet, também poderia ser um dos responsáveis pela aparição de comportamentos autistas, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira pela revista Nature. Em testes feitos com animais, os pesquisadores descobriram que uma droga utilizada para combater crises epilépticas também age sobre problemas comportamentais e cognitivos comuns a pacientes autistas. 

A síndrome de Dravet, um transtorno com incidência de um caso para cada 20.000 nascimentos, começa com crise epiléptica ainda no primeiro ano de vida e comportamentos autistas a partir do segundo ano, sendo que seu tratamento possui intenção de atenuar as convulsões, mas não de curar a doença.

Um estudo recente já havia sugerido que, ao contrário de outras formas de epilepsia, os sintomas dessa síndrome também incluem comportamentos autistas, como hiperatividade, dificuldade nas relações sociais e um desenvolvimento mais lento da linguagem e das habilidades motoras. A partir desse dado, então, uma equipe da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, passou a investigar as causas dessa síndrome para saber se elas também poderiam estar ligadas com a aparição das características do autismo.

Leia também: Estudo mostra como alterações genéticas podem levar ao autismo

Autismo ganha contornos de epidemia nos EUA

Causa compartilhada — Em testes feitos com roedores, os cientistas descobriram que os animais com apenas uma cópia funcional do gene SCN1A, localizado no cromossomo 2 e um dos nove responsáveis pelo funcionamento dos canais de sódio nos neurônios, desenvolveram comportamentos autistas. A equipe, então, confirmou que este gene também era o principal causador dos sintomas mais graves da síndrome de Dravet e, por isso, puderam considerar que essa condição deveria ser incluída entre as síndromes do espectro autista.

Em uma segunda fase da pesquisa, os especialistas trataram os ratos com clonazepam, um remédio que atua sobre o sistema nervoso central e que habitualmente é receitado para combater crises epilépticas, e descobriram que os comportamentos sociais anormais e os déficits cognitivos dos roedores — sintomas do autismo — desapareceram. Segundo o coordenador do estudo, William Catterall, essa descoberta pode dirigir os pesquisadores em direção a novas estratégias terapêuticas contra o autismo.

Os Neurónios

Experimento mostra a diferença entre neurônios normais e de autistas

A genética do Alzheimer




Cientistas encontram mutação genética que previne o Alzheimer  

Segundo os pesquisadores que encontraram a mutação, ela representa o primeiro exemplo de uma alteração genética que pode proteger contra a doença:

O Alzheimer é causado por placas de proteína que se formam no cérebro e danificam os neurônios (Thinkstock)

Cientistas islandeses descobriram uma mutação genética que protege contra a doença de Alzheimer e o comprometimento cognitivo causado pelo envelhecimento, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira pela revista científica britânica Nature.

Uma equipe do centro 'deCODE Genetics' de Reykjavik (Islândia), liderado por Kari Stefansson, estudou o genoma completo de 1.795 islandeses e descobriu uma mutação no gene APP, que reduziria em até 40% a formação da proteína amiloide em idosos saudáveis. Esta proteína é uma substância insolúvel que se acumula no cérebro dos pacientes formando placas e que é responsável pela aparição do Alzheimer, uma doença sofrida por um quarto dos maiores de 90 anos.

"Pelo que sabemos até agora, (esta mutação) representa o primeiro exemplo de uma alteração genética que confere uma proteção forte contra o Mal de Alzheimer", afirma Stefansson em seu artigo.

Essa mesma mutação frearia a deterioração cognitiva dos idosos sem Alzheimer. Isso fez os pesquisadores acreditarem que os dois transtornos compartilham os mesmos ou similares mecanismos. O estudo mostrou que a função cognitiva dos idosos de 80 a 100 anos portadores dessa mutação funcionava muito melhor que a daqueles que não a tinham.

Até o momento, os cientistas descobriram 30 mutações no gene APP, 25 das quais se consideram causadoras da doença em idades avançadas, mas esta é a primeira vez que se detecta uma mutação relacionada com a aparição do Alzheimer em idosos.

Mais de 5% dos maiores de 60 anos sofrem de algum tipo de demência e, em dois terços dos casos, se trata de Alzheimer.

Genética e/ou Aprendizado



Sobre a natureza humana, a alternativa à Genética ou Natureza não é o Aprendizado ou Meio, e a alternativa do Aprendizado não é a Genética... A capacidade de aprender depende da neurofisiologia, depende de nossa biologia, depende de de nossa bioquímica... Aprendemos e interagimos com o meio por meio de nosso instrumental inato, natural, genético... Genética e Aprendizado são causas complementares do Comportamento Humano, e não mutuamente exclusivas... Biologia Evolutiva, Neurociência Cognitiva, Genética Comportamental, eis as pistas para o nosso comportamento...

Carlos Sherman





A mais longa queda livre da história

maior salto do mundo de paraquedas

Neil Armstrong


Este é um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade...

Neil Armstrong (1930-2012)

Juliet




Carta de Richard Dawkins para sua filha Juliet

"Querida Juliet,

Agora que você fez dez anos, quero lhe escrever sobre algo que é muito importante para mim. Você já se perguntou sobre como sabemos as coisas que sabemos? Como sabemos, por exemplo, que as estrelas, que parecem pequenos pontos no céu, são na verdade grandes bolas de fogo como o Sol e ficam muito longe? E como sabemos que a Terra é uma bola menor, girando ao redor de uma dessas estrelas, o Sol?

A resposta para essas perguntas é “provas”. Às vezes “prova” significa realmente ver (ou ouvir, ou sentir, cheirar…) que algo é verdade. Astronautas viajaram longe o suficiente da Terra para ver com seus próprios olhos que ela é redonda. Às vezes nossos olhos precisam de ajuda. A “estrela-d’alva” parece uma sutil cintilação no céu, mas com um telescópio você pode ver que ela é uma linda bola — o planeta que chamamos de Vênus. Uma coisa que você aprende diretamente vendo (ou ouvindo, ou cheirando…) é chamada de observação.

Frequentemente, a prova não é só uma observação por si só, mas há sempre observações em sua base. Se aconteceu um assassinato, é comum ninguém (menos o assassino e a pessoa morta!) ter visto o que aconteceu. Mas os detetives juntam diversas observações que podem apontar na direção de um suspeito. Se as impressões digitais de uma pessoa coincidirem com as encontradas num punhal, isso é uma prova de que ela tocou nele. Isso não prova que ela cometeu o assassinato, mas pode ser uma informação útil, junto com outras provas. Às vezes um detetive consegue pensar sobre várias observações e então de repente perceber que todas se encaixam e fazem sentido se fulano de tal cometeu o crime.

Os cientistas — os especialistas em descobrir o que é verdade sobre o mundo e o universo — frequentemente trabalham como detetives. Eles dão um palpite (chamado de hipótese) sobre o que talvez seja verdade. Depois dizem para si mesmos: “Se isso realmente for verdade, devemos observar tal coisa”. Isso é chamado de previsão. Por exemplo, se o mundo realmente for redondo, podemos prever que um viajante que caminhar continuamente numa mesma direção acabará no ponto de onde partiu. 

Quando um médico diz que você está com sarampo, ele não olhou para você e viu sarampo. A sua primeira observação lhe fornece a hipótese de que você talvez tenha sarampo. Então ele diz para si mesmo: se ela realmente está com sarampo, devo encontrar… E ele então consulta sua lista de previsões e testa-as usando seus olhos (você está com pintas?), mãos (sua testa está quente?) e ouvidos (seu peito está com um chiado?). Só então ele toma a decisão e diz: “Meu diagnóstico é que essa criança está com sarampo”. Às vezes, os médicos precisam fazer outros testes, como exames de sangue ou raios-X, que ajudam seus olhos, mãos e ouvidos a fazer observações.

O modo como os cientistas usam provas para aprender sobre o mundo é muito mais engenhoso e complicado do que consigo dizer numa breve carta. Mas agora quero deixar de lado as provas, que são uma boa razão para crer em algo, e alertá-la sobre três más razões para acreditar em algo. Elas se chamam “tradição”, “autoridade” e “revelação”.

Primeiro, a tradição. Alguns meses atrás, fui à televisão para ter uma conversa com cerca de cinquenta crianças. Essas crianças foram convidadas por terem sido criadas segundo diferentes religiões: algumas como cristãs, outras judias, mulçumanas, hindus ou sikhs. Um homem com um microfone ia de criança em criança, perguntando no que acreditavam. O que elas responderam mostra exatamente o que quero dizer com “tradição”. Suas crenças não tinham nenhuma relação com provas. Elas simplesmente papagaiavam as crenças de seus pais e avós que, por sua vez, também não eram baseadas em provas. Elas diziam coisas como: “Nós, hindus, acreditamos em tal e tal”; “Nós, muçulmanos, acreditamos nisso e naquilo”; “Nós, cristãos, acreditamos numa outra coisa”.

Como todas acreditavam em coisas diferentes, nem todas poderiam estar certas. O homem com o microfone parecia achar que isso não era um problema, e nem tentou fazê-las discutir suas diferenças entre si. Mas não é isso que quero enfatizar no momento. Eu simplesmente quero analisar de onde vieram as crenças. Vieram da tradição. Tradição significa crenças passadas do avô para o pai, deste para o filho, e assim por diante. Ou por meio de livros passados através das gerações ao longo dos séculos. Crenças populares frequentemente começam de quase nada; talvez alguém simplesmente as invente, como as histórias sobre Thor e Zeus. Mas depois de terem sido transmitidas por alguns séculos, o simples fato de serem tão antigas as faz parecer especiais. As pessoas acreditam em coisas simplesmente porque outras pessoas acreditaram nessas mesmas coisas ao longo dos séculos. Isso é tradição.

O problema com a tradição é que, independentemente de há quanto tempo a história tenha sido inventada, ela continua exatamente tão verdadeira ou falsa quanto a história original. Se você inventar uma história que não seja verdadeira, transmiti-la através de vários séculos não vai torná-la verdadeira!

A maioria das pessoas na Inglaterra foi batizada pela Igreja anglicana, mas esse é apenas um entre muitos ramos da religião cristã. Há outras divisões, como a ortodoxa russa, a católica romana e as metodistas. Todas acreditam em coisas diferentes. A religião judaica e a mulçumana são um pouco diferentes; e há ainda diferentes tipos de judeus e mulçumanos. Pessoas que acreditam em coisas um pouco diferentes umas das outras vão à guerra por causa discordâncias. Então você talvez imagine que eles têm boas razões — provas — para acreditar naquilo que acreditam. Mas, na realidade, suas diferentes crenças são inteiramente decorrentes de tradições.

Vamos falar sobre uma tradição em particular. Católicos romanos acreditam que Maria, a mãe de Jesus, era tão especial que ela não morreu, mas acendeu ao Céu. Outras tradições cristãs discordam, e dizem que Maria morreu como qualquer pessoa. Outras religiões não falam muito nela e, de modo diferente dos católicos romanos, não a chamam de “Rainha do Céu”. A tradição segundo a qual o corpo e Maria foi levado ao Céu não é muito antiga. A Bíblia não diz nada sobre como ou quando ela nasceu; aliás, a pobre mulher mal é mencionada na Bíblia. A crença de que seu corpo foi levado ao Céu não foi inventada até cerca de seis séculos após a época de Jesus. No início, só foi inventada, da mesma forma que qualquer história, como “Branca de Neve”. Mas, no transcorrer dos séculos, ela se tornou uma tradição e as pessoas começaram a levá-la a sério simplesmente porque a história havia sido transmitida ao longo de tantas gerações. Quanto mais velha a tradição se tornava, mais as pessoas a levavam a sério. Ela foi por fim escrita como uma crença católica romana oficial muito recentemente, em 1950, quando eu tinha a idade que você tem hoje. Mas a história não era mais verdadeira em 1950 do que quando foi inventada, seiscentos anos após a morte de Maria.

Vou voltar à tradição no fim de minha carta, e olhá-la de outro modo. Mas antes preciso tratar das outras duas más razões para crer em alguma coisa: autoridade e revelação.

Autoridade enquanto razão para crer em algo significa acreditar porque alguém importante ordenou que você acreditasse. Na Igreja católica romana, o papa é a pessoa mais importante, e as pessoas acreditam que ele deve estar certo só porque ele é o papa. Num dos ramos da religião muçulmana, as pessoas importantes são velhos barbados chamados de aiatolás. Muitos muçulmanos se dispõem a cometer assassinatos simplesmente porque aiatolás de um país distante deram essa ordem.

Quando digo que só em 1950 os católicos romanos foram finalmente informados que tinham que acreditar que o corpo de Maria havia subido para o Céu, quero dizer que em 1950 o papa disse que isso era verdade, e então tinha que ser verdade! É claro que algumas coisas que o papa disse ao longo de sua vida devem ser verdade e outras não. Não há nenhuma boa razão para você acreditar em tudo que ele diz mais do que você haveria de acreditar nas coisas que muitas outras pessoas dizem, só porque ele é o papa. O papa atual ordenou às pessoas que não controlasse o número de filhos que vão ter. Se sua autoridade for seguida com a obediência que ele deseja, os resultados poderão ser uma terrível escassez de alimentos, doenças e guerras, causadas por superpopulação.

É claro que, mesmo na ciência, às vezes nós mesmos não vemos as provas e temos de acreditar no que foi dito por outra pessoa. Eu não vi, com os meus próprios olhos, que a luz viaja à velocidade de 300 mil quilômetros por segundo. Mas acredito em livros que me dizem qual é a velocidade da luz. Isso parece “autoridade”. Mas na realidade é muito melhor que autoridade, porque as pessoas que escreveram o livro viram as provas, e qualquer um de nós pode examinar as provas com atenção no momento que quiser. Isso é muito confortante. Mas nem mesmo os padres afirmam que há provas para a história de que o corpo de Maria subiu para o Céu.

A terceira má razão para acreditar em algo é “revelação”. Se você tivesse perguntado ao papa, em 1950, como ele sabia que o corpo de Maria tinha subido ao Céu, ele provavelmente teria dito que isso lhe fora revelado. Ele se fechou num quarto e rezou, pedindo orientação. Sozinho, ele pensou e pensou, e na sua intimidade teve mais e mais certeza de suas ideias. Quando pessoas religiosas têm uma simples sensação de que algo deve ser verdade, mesmo que não haja provas de que o seja, eles chamam sua sensação de “revelação”. Não só os papas afirmam ter revelações. Isso também acontece com muitas pessoas religiosas. É uma de suas principais razões para acreditar naquilo que acreditam. Mas isso é bom ou ruim?

Suponha que eu lhe dissesse que seu cachorro está morto. Você provavelmente ficaria muito triste, e talvez dissesse: “Você tem certeza? Como você sabe? Como aconteceu?”. Suponha então que eu respondesse: “Na verdade, eu não sei se Pepe está morto. Eu não tenho provas. Só tenho uma sensação esquisita, bem dentro de mim, de que ele está morto”. Você ficaria muito zangada comigo por tê-la assustado, porque você sabe que uma “sensação” por si só não é uma boa razão para acreditar que um cachorro está morto. Você precisa de provas. Todos temos sensações e pressentimentos de tempos em tempos, e descobrimos que às vezes estavam certos, às vezes não. De qualquer forma, pessoas diferentes podem ter sensações opostas, então como decidir quem teve a intuição correta? O único jeito de ter certeza de que um cachorro está morto é vê-lo morto, ou ouvir que seu coração parou de bater, ou obter essa informação de uma pessoa que viu ou ouviu alguma prova de que ele está morto.

As pessoas às vezes dizem que devemos acreditar em sensações íntimas, senão você nunca teria certeza de coisas como “Minha esposa me ama”. Mas esse é um argumento ruim. Pode haver muitas provas de que alguém ama você. Durante todo o dia em que você está com alguém que a ama, você vê e ouve pequenas provas, e elas se somam. Não é somente uma sensação interior, como a sensação que os padres chamam de revelação. Há outras coisas para apoiar a intuição: olhares, um tom carinhoso de voz, pequenos favores e gentilezas; tudo isso serve de prova.

Certas pessoas têm forte sensação de que alguém as ama sem que isso esteja baseado em provas, e então é provável que estejam completamente enganadas. Há pessoas com uma forte intuição de que um astro do cinema está apaixonado por elas, mas na realidade o astro de cinema nem sequer as encontrou. Pessoas assim são doentes da cabeça. Sensações íntimas ou intuições precisam ser apoiadas por provas, senão você simplesmente não pode confiar nelas.

As intuições são valiosas na ciência também, mas só para lhe dar ideias que você então testa, procurando provas. Um cientista pode ter um “pressentimento” sobre uma ideia que ele “sente” estar correta. Por si só, isso não é uma boa razão para acreditar nela. Mas pode ser uma razão para passar algum tempo fazendo experimentos, ou à busca de provas. Cientistas usam a intuição o tempo todo para ter ideias. Mas elas não valem nada até que sejam apoiadas por provas.

Eu prometi que voltaria à tradição, para examiná-la de outro modo. Quero explicar o que a tradição é tão importante para nós. Todos os animais são construídos (pelo processo chamado de evolução) para sobreviver no local em que seus semelhantes vivem. Leões são construídos para sobre sobreviver nas planícies da África. O lagostim é construído para sobreviver na água doce, enquanto as lagostas são adaptadas para a vida na água salgada. As pessoas também são animais, e somos construídos para viver bem no mundo cheio de… outras pessoas. A maioria de nós não caça para obter comida, como as lagostas ou os leões; nós a compramos de pessoas que, por sua vez, a compram de outras pessoas. Nós “nadamos” num “mar de pessoas”. Assim como um peixe precisa das brânquias para sobreviver na água, as pessoas precisam do cérebro que as torna capazes de se relacionarem umas com as outras. Assim como o mar está cheio de água salgada, o mar de pessoas está cheio de coisas difíceis de aprender. Como a linguagem.

Você fala inglês, mas sua amiga Ann-Kathrin fala alemão. Cada um de vocês fala a língua que lhes permite “nadar” no seu “mar de pessoas”. A linguagem é transmitida por tradição. Não há outra alternativa. Na Inglaterra, Pepe é um dog. Na Alemanha, ele é ein Hund. Nenhuma dessas palavras é mais correta ou verdadeira do que a outra. As duas foram transmitidas ao longo do tempo, só isso. Para serem boas em “nadar no seu mar de pessoas”, as crianças têm que aprender a língua de seu país, e muitas outras coisas sobre o seu povo; e isso só quer dizer que elas precisam absorver, como papel mata-borrão, uma enorme quantidade de informações sobre tradições (lembre que essas informações são aquelas passadas dos avós para pais e deste para filhos). O cérebro da criança tem que absorver informações sobre tradições. Não é de se esperar que a criança consiga separar a informação boa e útil, como as palavras de uma língua, das informações ruins e tolas como acreditar em bruxas, demônios e virgens imortais.

É uma pena — mas não deixa de ser assim — que, por serem sugadoras da informação sobre tradições, as crianças possam acreditar em qualquer coisa que os adultos lhes digam. Não importa se é falso ou verdadeiro, certo ou errado. Muito do que os adultos dizem é verdadeiro e baseado em provas, ou pelo menos sensato. Mas se parte do que é dito é falso, tolo ou até malvado, não há nada para impedir as crianças de acreditarem naquilo também. E quando as crianças crescerem o que farão? Bom, é claro que contarão as histórias para a próxima geração de crianças. Então, uma vez que uma ideia se torna uma crença arraigada — mesmo que seja completamente falsa e nunca tenha havido uma razão para acreditar nela —, pode durar para sempre.

Será isso o que aconteceu com as religiões? A crença de que há um Deus ou deuses, crença no Céu, crença em que Maria nunca morreu, que Jesus nunca possuiu um pai humano, que as rezas são respondidas, que vinho se torna sangue — nenhuma dessas crenças é apoiada por boas provas. E, no entanto, milhões de pessoas acreditam nelas. Talvez isso ocorra porque elas foram levadas a acreditar nessas coisas quando eram tão jovens que aceitavam qualquer coisa.

Milhões de pessoas acreditam em coisas bem diferentes, porque diferentes coisas lhes foram ensinadas quando eram crianças. Coisas diferentes são ditas para crianças muçulmanas e cristãs, e ambas crescem totalmente convencidas de que estão certas e as outras erradas. Mesmo entre cristãos, católicos romanos acreditam em coisas diferentes dos anglicanos ou de pessoas como os shakers [adeptos da Igreja milênio] ou quacres, mórmons ou Holy Rolers, e todos estão plenamente convencidos de que estão certos e os outros errados. Acreditam em coisas diferentes exatamente pela mesma razão que você fala inglês e Ann-Kathrin fala alemão. Ambas as línguas são, em seu próprio país, a língua certa para se falar. Mas não pode ser verdade que religiões diferentes estão corretas em seus próprios países, pois religiões diferentes afirmam que coisas opostas são verdadeiras. Maria não pode estar viva na Irlanda do Sul (um país católico) e morta na Irlanda do Norte (que é protestante).
O que podemos fazer sobre tudo isso? Não é fácil para você fazer alguma coisa, porque você só tem dez anos. Mas você pode experimentar o seguinte. Da próxima vez que alguém lhe disser algo que parecer importante, pense: “Será que isso é o tipo de coisa que as pessoas sabem por causa de provas? Ou será o tipo de coisa em que as pessoas acreditam só por causa de tradição, autoridade ou revelação?”. E, da próxima vez que alguém lhe disser que uma coisa é verdade, por que não perguntar: “Que tipo de prova há para isso?”. E, se ela não puder lhe dar uma boa resposta, eu espero que você pense com muito carinho antes de acreditar em qualquer palavra daquilo que foi dito.

De seu querido Papai"

Fiat Lux



Viemos tateando pela escuridão... Tomando sombras por realidade... Até o encontro com as luzes... Assim começou o registro realista da vida... 

O interruptor? O Método Científico... O apreço pela prova, o respeito pela verdade... Enfim...

Carlos Sherman

Ilusão... Pareidolia, Apofenia... Crença, Superstição...




A pareidolia é um fenômeno psicológico que envolve um estímulo vago, aleatório, ou ilusório, geralmente uma imagem ou som, sendo percebido como algo distinto e com significado. É comum ver imagens que parecem ter significado em nuvens, montanhas, solos rochosos, florestas, líquidos, janelas embaçadas e outros tantos objetos e lugares. Também acontece com sons, sendo comum em músicas tocadas ao contrário, como se dissessem algo. A palavra pareidolia vem do grego para, que significa 'junto de' ou 'ao lado de', e eidolon, 'imagem', 'figura' ou 'forma'. Pareidolia é um tipo de apofenia.

Em situações simples e ordinárias, este fenômeno fornece explicações para muitas ilusões criadas pelo cérebro, por exemplo, discos voadores, monstros, fantasmas, mensagens gravadas ao contrário em músicas entre outros. O fenômeno psíquico, diante de uma figura com dados aleatórios, pode variar segundo o ângulo ou as crenças do observador. Para uma criança, por exemplo, uma figura notada talvez possua formas que tragam à lembrança animais de estimação, personagens de desenhos animados ou qualquer outra coisa condizente com a faixa etária de compreensão sobre coisas. Para uma pessoa com uma faixa etária superior, a mesma figura assume formas diferentes conforme a capacidade criativa de associação de formas.

Dependendo das figuras observadas, podem assumir um aspecto muito subjetivo que varia de observador para observador ao passo que outras mais claramente nítidas, possuem uma mesma interpretação ótica em comum entre vários observadores. Portanto, muito tem que ver com a condição psicológica de cada observador, do que se passa em sua mente.

O físico Carl Sagan explicou o fenômeno em O Mundo Assombrado pelos Demônios:

Os humanos, como outros primatas, são um bando gregário. Gostamos da companhia uns dos outros. Somos mamíferos, e o cuidado dos pais com o filho é essencial para a continuação das linhas hereditárias. Os pais sorriem para a criança, a criança retribui o sorriso, e com isso se forja ou se fortalece um laço. Assim que o bebê consegue ver, ele reconhece faces, e sabemos agora que essa habilidade está instalada permanentemente em nossos cérebros. Os bebês que há 1 milhão de anos eram incapazes de reconhecer um rosto retribuíam menos sorrisos, eram menos inclinados a conquistar o coração dos pais e tinham menos chance de sobreviver. Nos dias de hoje, quase todos os bebês identificam rapidamente uma face humana e respondem com um sorriso bobo.

Como um efeito colateral inadvertido, o mecanismo de reconhecimento de padrões em nossos cérebros é tão eficiente em descobrir uma face em meio a muitos outros pormenores que às vezes vemos faces onde não existe alguma. Reunimos pedaços desconectados de luz e sombra, e inconscientemente tentamos ver uma face.

A pareidolia não representa somente fenômenos visuais mas também auditivos onde pessoas executam músicas no sentido contrário e ouvem palavras ou até mesmo sentenças inteiras. Apesar de existir uma técnica sonora de mascarar mensagens sobre uma gravação (conhecida como Backmasking), é comum muitos entenderem frases ou palavras onde só há um ruído incoerente. Recentemente ocorreu um típico caso de pareidolia na Universidade Queen, em Ontário, Canadá, onde alguns médicos 'acreditaram' ter visto um rosto humano no ultrassom de tumor.

Já a Apofenia, um termo proposto em 1959 por Klaus Conrad, é um fenômeno cognitivo de percepção de padrões ou conexões em dados aleatórios. É um importante fator na criação de crenças supersticiosas, da crença no paranormal e em ilusão de ótica.

Inicialmente descrita como sintoma de psicose, a apofenia ocorre no entanto em indivíduos perfeitamente saudáveis mentalmente. Do ponto de vista da estatística é um Erro de tipo I, ou seja, tirar conclusões de dados inconclusivos. Em um exame pode levar a um resultado falso positivo. Psicologicamente é um exemplo de viés cognitivo.

Ocorrências de apofenia frequentemente são investidas de significado religioso e/ou paranormal ocasionalmente ganhando atenção da mídia como a impressão de ver Jesus em uma torrada. No teste projetivo de manchas Rorschach a apofenia é estimulada com o objetivo de identificar padrões significativos na vida do indivíduo que ele projeta sobre a mancha.

Existem vantagens evolutivas em perceber padrões na natureza para prever o futuro ou evitar perigos. Por exemplo, se você observa um vulto e identifica como um animal perigoso evitá-lo poderia salvar sua vida. Caso você não considerasse a impressão do vulto suficientemente conclusiva, ignorando a possível associação com perigo, e realmente fosse um animal perigoso você poderia morrer. Na lógica evolutiva é melhor prevenir que remediar e por isso é mais vantajoso ver um excesso de padrões mesmo onde eles não existem do que negligenciá-los e correr riscos desnecessários.

Exemplo:

Imagine que o Brasil esteja jogando na Copa do Mundo, e após 4 jogos obteve-se os seguintes placares: 2x2, 3x1, 4x0, 2x2. Alguém com apofenia poderia ver uma relação ente os placares e deduzir que a soma de cada um dos jogos do Brasil sempre dá 4, e pressupor que a soma do placar do próximo jogo também será 4. O problema está que este vínculo não existe e o placar foi apenas coincidência.

O exemplo acima é bastante simples, e pode não seduzir ninguém a acreditar. É mais comum pessoas se sentirem atraídos por casos onde há complexidade na forma de se encontrar o vínculo apofênico, muitas vezes usando operações matemáticas de mais alto grau. Pode-se usar o quadrado dos números, raizes da soma, produtórios, sequencia de Fibonacci, etc.

Três círculos e uma linha já é suficiente para o cérebro interpretar um rosto:



O relógio da imagem parece estar triste. No entanto, isso é apenas uma associação que o cérebro humano faz ao ver uma imagem com dois pontos semelhantes a olhos e uma curva virada para baixo, semelhante a uma boca representando tristeza:



Apesar de essa figura não ser de um rosto real, muitas pessoas podem identificar a semelhança com um... Ilusão... Superstição...

SIM



A minha vida é uma vida pelo SIM... Este é o meu desafio... Desafie-me... SIM...

Carlos Sherman

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Neste caso, quanto mais velho PIOR...




Muito interessante esse estudo que mostrou que quanto mais velho o pai é no momento da fertilização, maiores o número de mutações genéticas que o filho receberá e isso implica em um risco maior para o desenvolvimento de doenças mentais, como esquizofrenia e autismo. Isso significa que não só a idade da mãe é importante, mas do pai também! Bravo!!! - Thales Vianna Coutinho

A Síndrome de Down, caso clássico... - Carlos Sherman

Children of older men have more gene abnormalities: 
Study August 22, 2012 
By Mariette le Roux in Genetics 

Do older fathers doom their children to genetic disease? 

This is the question raised by a new study that says older men produce more gene mutations in the children they sire, boosting their risk of schizophrenia and autism and possibly other diseases. A father's age is by far the biggest factor determining the rate of new, uninherited genetic mutations in his offspring, according to a paper published Wednesday in the journal Nature. From a man's peak reproductive years in adolescence, the rate of new or "de novo" gene mutations triggered at conception in his children rises by about two per year, the study found. The rate doubles every 16 years, meaning that the baby of a 36-year-old father would have twice as many new mutations than that of a 20-year-old. "The age of the father is the most important factor to determine the number of new mutations that happen when a child is conceived," study co-author Kari Stefansson from Iceland's DeCODE genetics company told AFP. Though de novo mutations are not necessarily harmful, it can take only one change in a key gene to cause some types of disease -- and the more mutations the higher the risk. The results from what is claimed to be the biggest-ever study of its kind suggest that disproportionate attention has been paid to the age at which women give birth. "We have in a very unjust manner been pointing the finger at the old mother when we should have been careful when it comes to the old father. It is clearly dangerous to have an old father," said Stefansson. Maternal age is linked to Down's syndrome and other chromosomal diseases that develop through a process that is different to the type of genetic mutation described in this study. The mutations in the Nature report are caused by cell division during processes like sperm production. Ads by Google Brain Exercises - Improve Memory and Attention with Brain Games by Scientists - www.lumosity.com Knockin mice from Ozgene - Ozgene produces customised knockin mice to your research specification - www.ozgene.com/knockins Stefansson and a team in Iceland, Denmark and Britain sequenced the genomes of 78 parent-child trios, as well as hundreds of control subjects, looking for variants in the sequence of a child's genetic code that did not exist in the parents. They found that the rate of increase in de novo mutations could be ascribed to the tune of 97.1 percent, "maybe entirely", to the age of the father -- an outcome that "surprised" the researchers. The remaining 2.9 percent was ascribed to environmental factors and other random influences, Stefansson said, adding there was "no connection" between the mother and age-related increase in the rate of mutations. The average newborn today has about 60 new small-scale mutations -- ranging from 25 in the child of a 20-year-old man to 65 in that of a 40-year-old, Alexey Kondrashov of the University of Michigan's department of ecology and evolutionary biology wrote in an analysis of the study. The number of de novo mutations ascribed to the mother always remains roughly 15, regardless of her age. Previous research has shown a link between de novo mutations and autism and schizophrenia, and also a statistical link between the diseases and paternal age. "Our contention is that a part of the increase in the diagnosis of autism that is being made these days is accounted for by increase in the age of the father," said Stefansson. And he added further research is likely to show a similar link to other genetic illnesses, especially diseases of the brain. In a comment also carried by Nature, Kondrashov said the study suggested a rethink of the advisable age to have children. It might be a "wise individual decision" for young men to cold-store their sperm for later use. The age of new fathers in the Western world has been climbing in recent decades, and the number of first-time dads over 40 is growing. Official statistics show that in Iceland, the average age of fathers at conception rose from 27.9 in 1980 to 33 in 2011. Contrary to de novo mutations which occur during cell division, inherited gene mutations are transferred at an equal rate by the father and mother, are more common and thus more commonly responsible for disease. Scientists believe that both inherited and new mutations are responsible for diseases like autism and schizophrenia, but have not worked out the ratio of blame. On the positive side, de novo gene mutations are a necessary element of human evolution, allowing us to adapt to our changing environment. Journal reference: Nature (c) 2012 AFP

Read more at: http://medicalxpress.com/news/2012-08-children-older-men-gene-abnormalities.html#jCp

Humanos, troppo umanos...



O ser humano é o único dentre os seres vivos no reino animal que acompanha os passos de suas crias por anos... É o único que, pelo estudo abnegado, reverteu o processo natural, aumentando a sobrevida de seus semelhantes, assim como diminuiu a mortalidade de seus recém nascidos... Pela ciência, é claro... É o único que, comprovadamente, pratica a embatia... A nobre habilidade de colocar-se no lugar do outro... E é diante destes fatos, e de tantos outros, que refuto veementemente a tese de uns, e o aplauso de outros, sobre a vilania humana, ou a epítome da crueldade no reino animal... Não, não é verdade, nem meia verdade, nem tange a verdade...

Estas falácias, que logo se transformam em jargões no ôba-ôba irresponsável, e isso devido à ignorância coletiva... Mas existe a violência? Sim... O homem perpetra a violência? Sim... Esta é portante uma característica inata, geral, um estigma da espécie humana? Não... Claro que não... Mas o hábito de subir em palanques e desfilar 'verdades', 'leis' e 'dogmas', sem pé nem cabeça, sim... Isso é bem humano, e mostra-se uma característica mais geral e predominante... Assim como o hábito de seguir ficções, sem o menor empenho em na leitura da realidade... Sim, estas são características de nossos cérebros... A ficção, a adesão ao simplismo, a afinidade por fenômenos causais...

Quando uns dizem que 'o homem é o único animal que...', normalmente investem em generalizações falaciosas, sem apresentar a fonte se suas certeza... Os leões não costumam ser canibais, mas já foi amplamente documentado, em vídeo, e em alta definição, o canibalismo entre leões... Chimpanzés assassinando um membro do grupo, a pauladas... Golfinhos atacando seres humanos... Não são feitos inatos, gerais, e estigmas destas espécies, mas podem acontecer... Constitui falácia da generalização apressada, o estigma do homem com ser cruel e assassino... Esta não é a marca que define a nossa espécie... Não mesmo... Mas a complexidade humana leva à violência orquestrada, assim como a sua diversidade genética leva à atos e patologias individuais... Nos dois casos a espécie não pode ser culpada e estigmatizada como VIOLENTA... Simplesmente tal alegação é fruto da ignorância, da miopia, da manipulação da verdade, ou do cinismo...

Recomendo portanto, o estudo, ao menos superficial, ou noções básicas sobre Biologia Evolutiva, Genética Comportamental, Neurociência Cognitiva, História do Conhecimento Humano... Confiram, por exemplo, 'Tábula Rasa' de Steven Pinker, 'O que nos faz humanos' de Matt Ridley, 'Um Antropólogo em Marte' de Oliver Sacks, 'Em Busca da Memória' de Eric Kandel, 'Os Fantasmas no Cérebro' de V.S. Ramachandran, ou 'Quebrando o Encanto' de Daniel Dennett.... Asseguro que a literatura disponível é simples e extremamente agradável... Tentem... E não atentem mais contra a verdade... Não, o homem não é uma máquina de matar...

Sem mais...

Carlos Sherman

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Reflexões de Brenda




Por Brenda Pratte

Não antes do terceiro século supunha-se ou acreditava-se que os livros compondo o Novo Testamento eram inspirados. Devemos lembrar que havia grande número de livros, de Evangelhos, Epístolas, Atos e entre estes, os "inspirados" eram escolhidos por homens "não-inspirados". Entre os "Pais do Cristianismo" havia grandes diferenças de opinião sobre quais seriam os livros inspirados; havia muitas discussões cheias de ódio. Muitos livros que hoje são considerados espúrios eram tidos nos primórdios como divinos, e alguns dos hoje considerados inspirados eram considerados espúrios. Muitos dos antigos cristãos e alguns dos pais repudiaram o Evangelho de João, as Epístolas dos hebreus, Jade, James, Pedro e a Revelação de São João. Por outro lado, muitos deles tinham os Evangelhos dos hebreus, dos egípcios, os Ensinamentos de Pedro, os Pastores de Hermas, as Epístolas de Barnabé, o Pastor de Hermas, a Revelação de Paulo, as Epístolas de Clemente, o Evangelho de Clemente como livros inspirados, igualáveis aos melhores. De todos esses livros e de muitos outros, os cristãos escolheram quais os "inspirados". Os homens que fizeram a seleção eram ignorantes e supersticiosos. Eram crentes convictos no miraculoso. Pensavam que doenças podiam ser curadas colocando-se sobre o paciente um lenço que supunham ter pertencido a um apóstolo, ou os ossos de um morto. Acreditavam na fábula de fênix, e que as hienas mudavam de sexo todos os anos. Seriam os homens que fizeram a seleção há muitos séculos, inspirados? Seriam eles -- ignorantes, supersticiosos, estúpidos e maliciosos -- mais qualificados para julgar a "inspiração" que os estudantes do nosso tempo? Por que teríamos de seguir suas opiniões? Não poderíamos nós mesmos escolher?

Brenda Pratte


P.S.:
Não precisamos seguir tais opiniões... Já não precisamos viver imersos em superstições... 'Pero', a dificuldade com a razão, com a lógica e com a coerência, decorre de 'bugs' ou características em nosso cérebro... De onde veio a nossa inventividade, também veio a superstição... E de uma afinidade com fenômenos causais, simplistas, causa e efeito de primeira ordem, onde uma causa tem relação direta com um efeito... Daí tanta confusão... E somemos a tudo isso, o fato de haverem mais seguidores do que líderes, ou homens livres, pensantes... Dispostos a abandonar a zona de conforto do rebanho para explorar a floresta ao longe, e ver o que há por trás dos montes... O livre-arbítrio é um antiga e carcomida falácia, assim como a ideia de que o homem é produto exclusivo do meio... A diversidade genética garante que muitos não serão capazes de ver, entender ou interagir com a nossa liberdade de pensar... E ainda assim, a educação, e a perseverança na investigação, no estudo, e no caminho do conhecimento, será o melhor caminho... Quer eles escutem ou não... Mas o ceticismo está vencendo... Pouco a pouco... Ações humanas e solidárias estão suplantando as 'negociatas da salvação judaico-cristã-islâmica'... Humanos, troppo umanos...

Carlos Sherman

A farsa do Livre-Arbítrio




Neurociência
O livre-arbítrio não existe, dizem neurocientistas

Aretha Yarak

Saber se os homens são capazes de fazer escolhas e eleger o seu caminho, ou se não passam de joguetes de alguma força misteriosa, tem sido há séculos um dos grandes temas da filosofia e da religião. De certa maneira, a primeira tese saiu vencedora no mundo moderno. Vivemos no mundo de Cássio, um dos personagens da tragédia Júlio César, de William Shakespeare. No começo da peça, o nobre Brutus teme que o povo aceite César como rei, o que poria fim à República, o regime adotado por Roma desde tempos imemoriais. Ele hesita, não sabe o que fazer. É quando Cássio procura induzi-lo à ação. Seu discurso contém a mais célebre defesa do livre-arbítrio encontrada nos livros. "Há momentos", diz ele, "em que os homens são donos de seu fado. Não é dos astros, caro Brutus, a culpa, mas de nós mesmos, se nos rebaixamos ao papel de instrumentos."

Como nem sempre é o caso com os temas filosóficos, a crença no livre-arbítrio tem reflexos bastante concretos no "mundo real". A maneira como a lei atribui responsabilidade às pessoas ou pune criminosos, por exemplo, depende da ideia de que somos livres para tomar decisões, e portanto devemos responder por elas. Mas a vitória do livre-arbítrio nunca foi completa. Nunca deixaram de existir aqueles que acreditam que o destino está escrito nas estrelas, é ditado por Deus, pelos instintos, ou pelos condicionamentos sociais. Recentemente, o exército dos deterministas – para usar uma palavra que os engloba – ganhou um reforço de peso: o dos neurocientistas. Eles são enfáticos: o livre-arbítrio não é mais que uma ilusão. E dizem isso munidos de um vasto arsenal de dados, colhidos por meio de testes que monitoram o cérebro em tempo real. O que muda se de fato for assim?

Mais rápido que o pensamento — Experimentos que vêm sendo realizados por cientistas há anos conseguiram mapear a existência de atividade cerebral antes que a pessoa tivesse consciência do que iria fazer. Ou seja, o cérebro já sabia o que seria feito, mas a pessoa ainda não. Seríamos como computadores de carne - e nossa consciência, não mais do que a tela do monitor. Um dos primeiros trabalhos que ajudaram a colocar o livre-arbítrio em suspensão foi realizado em 2008. O psicólogo Benjamin Libet, em um experimento hoje considerado clássico, mostrou que uma região do cérebro envolvida em coordenar a atividade motora apresentava atividade elétrica uma fração de segundos antes dos voluntários tomarem uma decisão – no caso, apertar um botão. Estudos posteriores corroboraram a tese de Libet, de que a atividade cerebral precede e determina uma escolha consciente.

Um deles foi publicado no periódico científico PLoS ONE, em junho de 2011, com resultados impactantes. O pesquisador Stefan Bode e sua equipe realizaram exames de ressonância magnética em 12 voluntários, todos entre 22 e 29 anos de idade. Assim como o experimento de Libet, a tarefa era apertar um botão, com a mão direita ou a esquerda. Resultado: os pesquisadores conseguiram prever qual seria a decisão tomada pelos voluntários sete segundos antes d eeles tomarem consciência do que faziam.

Biblioteca


Who's in Charge? Free Will and the Science of the Brain

O pai da neurociência cognitiva apresenta argumentos contra o senso comum de que somos guiados pelo livre-arbítrio. Para Gazzaniga, a mente é gerada pelo cérebro, que guiado pelo determinismo biológico define quem nós somos. 

Autor: Michael S. Gazzaniga
Editora: Ecco


Nesses sete segundos entre o ato e a consciência dele, foi possível registrar atividade elétrica no córtex polo-frontal — área ainda pouco conhecida pela medicina, relacionada ao manejo de múltiplas tarefas. Em seguida, a atividade elétrica foi direcionada para o córtex parietal, uma região de integração sensorial. A pesquisa não foi a primeira a usar ressonância magnética para investigar o livre-arbítrio no cérebro. Nunca, no entanto, havia sido encontrada uma diferença tão grande entre a atividade cerebral e o ato consciente.

Patrick Haggard, pesquisador do Instituto de Neurociência Cognitiva e do Departamento de Psicologia da Universidade College London, na Inglaterra, cita experimentos que comprovam, segundo ele, que o sentimento de querer algo acontece após (e não antes) de uma atividade elétrica no cérebro.

"Neurocirurgiões usaram um eletrodo para estimular um determinado local da área motora do cérebro. Como consequência, o paciente manifestou em seguida o desejo de levantar a mão", disse Haggard em entrevista ao site de VEJA. "Isso evidencia que já existe atividade cerebral antes de qualquer decisão que a gente tome, seja ela motora ou sentimental."

O psicólogo Jonathan Haidt, da Universidade da Vírginia, nos Estados Unidos, demonstrou que grande parte dos julgamentos morais também é feito de maneira automática, com influência direta de fortes sentimentos associados a certo e errado. Não há racionalização. Segundo o pesquisador, certas escolhas morais – como a de rejeitar o incesto – foram selecionadas pela evolução, porque funcionou em diversas situações para evitar descendentes menos saudáveis pela expressão de genes recessivos. É algo inato e, por isso, comum e universal a todas as culturas. Para a neurociência, é mais um dos exemplos de como o cérebro traz à tona algo que aprendeu para conservar a espécie.

O determinismo pela História



386: Agostinho de Hipona
Nos três volumes da obra De Libero Arbitrio (Sobre o livre-arbítrio), Santo Agostinho rebate o maniqueísmo, teoria que defende que o mundo é dividido entre bem e mal. Defensor ferrenho do livre-arbítrio após sua conversão ao cristianismo, Agostinho acreditava que o mal era fruto da liberdade humana mal utilizada. Como Deus havia criado o homem livre para fazer suas próprias escolhas, cabe a ele agir de forma consciente e escolher entre o bem e o mal.

1530: João Calvino
O Calvinismo, movimento religioso protestante, tem suas raízes na Reforma iniciada no século XVI na Europa. A ideologia define que Deus, criador supremo de todas as coisas, governa o mundo. Por isso, o homem já nasce predestinado àquele futuro – às graças os escolhidos, ao inferno os demais.


1677: Espinoza
A publicação póstuma de Ética, do filósofo holandês Bento Espinoza, é uma das marcas de sua posição contrária à teoria de Descartes - que defende em 1641 que existe a cisão entre corpo e mente. Para Espinoza, esse dualismo não existe e tudo - como o comportamento humano - é determinado pela natureza e acontece em função da necessidade. Nossa liberdade estaria, então, na capacidade de reconhecermos que somos seres determinados e de entender por que agimos da maneira como agimos.


1687: Isaac Newton
Segundo as teorias do físico inglês, o Universo é regido por leis fixas, determinadas no momento em que ele foi estabelecido. Assim, é possível comparar as partículas básicas do mundo às bolas em uma mesa de bilhar: elas se movem e se chocam de maneiras previsíveis, que levam a resultados já esperados. Isso porque seu comportamento é pré-determinado. Ou seja, para Newton, o Universo é uma grande engrenagem que segue seu fluxo determinado - nesse cenário, os homens seriam as peças do grande maquinário.


1718: Voltaire
Apesar de defender a emancipação humana e as reformas sociais, o pensador francês se aproximou das teorias deterministas - acredita-se que pela influência de Isaac Newton. “Se alguém olhar com cuidado, verá que a doutrina contrária àquela do destino é absurda.”


1896: James Mark Baldwin
Para o psicólogo americano, embora alguns comportamentos adquiridos durante a vida não sejam hereditários, a tendência a adquiri-los pode ser. Um exemplo seria o medo de cobra. O medo em si não é hereditário, mas a tendência a temer o animal, sim. Essa tendência é passada de geração a geração com um único fim: a preservação da espécie.


1920: Albert Einstein
"Sobre a liberdade humana, no sentido filosófico, sou definitivamente um descrente. Todo mundo age não só sob compulsão externa, mas também de acordo com uma necessidade interior. (...) Não acredito em liberdade de arbítrio. Esse reconhecimento de não-liberdade me protege de levar a mim e aos demais homens muito à sério, como agir e julgar os indivíduos e perder o bom humor.”


1945: Burrhus F. Skinner
O psicólogo americano é uma das referências do Behaviorismo Radical. Para Skinner, o homem é uma entidade única, já que sua teoria refuta a ideia da divisão entre corpo e mente. Em seu livro Além da Liberdade e da Dignidade, o psicólogo rejeitou noções como a do livre-arbítrio e defendeu que todo comportamento é determinado pelo ambiente, embora a relação do indivíduo com o meio seja de interação, e não passiva.







A mente como produto do cérebro — Como o cérebro já se encarregou de decidir o que fazer – e o ato está feito —, é preciso contextualizar a situação. É aí que entra a nossa consciência. Ela também é um produto da atividade cerebral, que surge para dar coerência às nossas ações no mundo. O cérebro toma a decisão por conta própria e ainda convence seu 'dono' que o responsável foi ele.

Em outras palavras: quando você para, pensa e toma decisões pontuais, tem a sensação de que um eu consciente e racional, separado do cérebro, segura as rédeas de sua vida. Mas para cientistas como Michael Gazzaniga, coordenador do Centro para o Estudo da Mente da Universidade da Califórnia e um dos maiores expoentes da neurociência na atualidade, não existe essa diferenciação. Segundo ele, somos um só: o que é cérebro também é mente. A sensação de que existe um eu, que habita e controla o corpo, é apenas o resultado da atividade cerebral que nos engana. "Não há nenhum fantasma na máquina, nenhum material secreto que é você", diz Gazzaniga, que, em seu mais recente livro, Who’s in Charge – Free Will and the Science of the Brain (Quem está no comando – livre-arbítrio e a ciência do cérebro, sem edição em português), esmiúça a mecânica cerebral das decisões.

Segundo Gazzaniga, o cérebro humano fabula o tempo todo. A invenção de pequenas histórias para explicar nossas escolhas seria uma maneira sagaz de estruturar nossa experiência cotidiana. Essa estrutura narrativa, segundo Patrick Haggard, tem um significado importante na evolução humana.

"Criar histórias sobre as nossas ações pode ser útil para quando nos depararmos com situações similares no futuro. É assim que iremos decidir como agir, relembrando resultados anteriores", diz. Ou seja, funcionamos na base do acerto e do erro, e da cópia do comportamento de pessoas próximas – principalmente nossos familiares. "Por isso a educação das crianças é tão importante. É um momento em que o cérebro absorve uma grande carga de informações e está sendo moldado, criando parâmetros para saber como se portar, como viver em sociedade." (continue lendo a reportagem)

Dúvidas — Em artigo publicado no periódico Advances in Cognitive Psychology, o pesquisador W. R. Klemm coloca em xeque a metodologia usada em diversos dos experimentos recentes da neurociência. Segundo Klemm, que é professor na Universidade do Texas e autor do livro Atoms of Mind. The 'Ghost in the Machine' Materializes (Átomos da mente. O fantasma da máquina se materializa, sem edição no Brasil) alguns estudos sugerem que não é possível medir com precisão o tempo entre o estímulo cerebral e o ato em si. O que poderia colocar abaixo toda a tese da turma de Gazzaniga.

O argumento principal do pesquisador, no entanto, recai sobre a generalização dos testes. "Não é porque algumas escolhas são feitas antes da consciência em uma tarefa, que temos a prova de que toda a vida mental é governada desta maneira", escreve no artigo. Klemm defende ainda a tese de que atividades mais complexas do que apertar um botão ou reconhecer uma imagem devem ser feitas de maneiras muito mais complexas. "Os experimentos feitos são muito limitados."

Ainda que as pesquisas estejam corretas, os próprios neurocientistas reconhecem que a ideia de um mundo sem livre-arbítrio provoca estranhamento. Eles se esforçam, sobretudo, para conciliar sua teoria com o problema da responsabilidade pessoal. "Mesmo que a gente viva em um universo determinista, devemos todos ser responsáveis por nossas ações", afirma Gazzaniga. "A estrutura social entraria em caos se a partir de hoje qualquer um pudesse matar ou roubar, com base no argumento simplista de 'meu cérebro mandou fazer isso'."

Para o cientista cognitivo Steven Pinker, a solução talvez seja manter a ciência e moralidade como dois reinos separados. "Creio que ciência e ética são dois sistemas isolados de que as mesmas entidades fazem uso, assim como pôquer e bridge são dois jogos diferentes que usam o mesmo baralho", escreve ele no livro Como a Mente Funciona. "O livre-arbítrio é uma idealização que torna possível o jogo da ética."

Continuaríamos, assim, a viver no mundo descrito por Cássio em Júlio César. "Há momentos em que os homens são donos de seu fado", diz ele. Neurocientistas como Pinker estão prontos a concordar com isso - desde que se entenda o livre-arbítrio como uma ilusão necessária para o jogo das leis e da ética - e desde que se ponha o cérebro o lugar dos astros, como o grande condutor de nossos atos.

Emoção x Razão

Em seu recente livro Thinking, Fast and Slow (Pensando, rápido e devagar, com edição em português prevista para o segundo semestre de 2012), o ganhador do prêmio Nobel de economia de 2002, Daniel Kahneman, defende a tese de que grande parte das nossas decisões são puramente emocionais. Mesmo quando um pessoa acredita que está racionalizando, e que faz um determinado investimento baseado em dados, está, na verdade, agindo pela emoção.

Isso explica por que as pessoas criam empatia por um político apenas pela sua fisionomia ou porque professores tendem a dar melhores notas a alunos que já se destacam. Kahneman ainda discorre sobre a substituição do problema, mecanismo pelo qual criamos opiniões intuitivas sobre assuntos complexos. Quando alguém lhe pergunta, por exemplo: "Quanto você doaria para salvar uma espécie ameaçada?", a pergunta que você responde é "Quão emotivo eu fico quando penso em golfinhos ameaçados?"

Logo abaixo estão dois testes propostos por Kahneman. Segundo a tese do Nobel, a tendência é que você responda às perguntas motivado pela intuição e pelos estereótipos — deixando de lado a pura racionalidade. 

1) Linda é uma mulher de 31 anos, solteira, e muito inteligente. Ela é graduada em filosofia. Enquanto estudante, ela se envolveu profundamente com assuntos como discriminação e injustiça social, e participou de demonstrações antinucleares. Qual a afirmativa correta?

a) Linda é caixa de banco
b) Linda é uma caixa de banco e participa ativamente do movimento feminista

Solução: Nas respostas de todos os grupos avaliados por Kahenaman, houve um consenso: quase 90% dos participantes colocaram a opção caixa de banco e feminista com altos índices de probabilidade. Mas a probabilidade de que Linda seja uma caixa feminista é menor do que a de ser apenas uma caixa de banco. Aqui, fica estabelecido um conflito entre a intuição de representatividade e a lógica de probabilidade. Pela lógica (e não a intuição e o estereótipo), Linda seria apenas uma caixa de banco.

2) Quantos encontros amorosos você teve mês passado?
a) 1 – 3
b) 3 – 5
c) 0

Numa escala de 1 a 5, o quão feliz você está se sentindo esses dias (sendo 5 o mais feliz)?
a) 1
b) 2
c) 3
d) 4
e) 5

Solução: Independente de como foi sua resposta, é bastante provável que a resposta à segunda pergunta esteja diretamente relacionada com a primeira. Se você teve poucos encontros, vai se sentir menos feliz – e vice-versa. Entretanto, quando as mesmas perguntas são feitas em ordens trocadas, a quantidade de encontros não influencia o quão feliz a pessoa se acha. Quando deparado com uma pergunta objetiva (quanto encontros teve no mês), seguida por outra subjetiva (felicidade), a resposta da primeira acaba por influenciar a segunda. Essa projeção é chamada de substituição.


A Justiça Perfeita de Deus ( AKA Jeová e Yahweh ) - Repostado

Michio Kaku - Por que nos sentimos atraídos (LEGENDADO)

Michio Kazu e o livre arbítrio

Steven Pinker - Fronteiras do Pensamento

Steven Pinker e o livre arbítrio

Steven Pinker e o livre arbítrio

Hoje não...



Publicaram:

Deus liga os nossos caminhos pela conexão da alma, mas nós reconhecemos pelo coração. Linda noite, paz!!!

Inofensivo? Não... E tenho aturado esta verborragia da sacristia dia após dia... Hoje não...

Quem nada sabe, em tudo crê - Jam Neruda

Nem alma, nem deuses, nem coração... O coração é um músculo que trabalha bombeando o sangue... Nossas emoções são decodificadas no cérebro... O mesmo cérebro que leva ao carcomido e infantil devaneio dos deuses e almas... Somos humanos, troppo umanos... Apenas isso, e tudo isso... 

Vivam com o fato de não sermos os escolhidos de nenhum deus para nenhuma missão... Não estamos aqui por motivos morais, e sim por condições contingentes, e é só... Mas podem aproveitar a chance de estarmos vivos para trabalhar por causas que sejam maiores do que a nossa própria vida... Como estudar para aliviar o sofrimento humano... Como estudar para mudar o destino da humanidade, em termos de mortalidade infantil e expectativa de vida... Nos templos bíblicos, a exemplo do homem de Cro-Magnon - no Neolítico -, assim como nos estertores da Idade Média, ou Idade das Trevas - quando a religião dominou o mundo -, o homem vivia em média entre 30 e 40 anos... A mortalidade infantil era mais de dez vezes a atual... Mas ainda é elevada nos países mais pobres - e crentes... 

Foi a ciência dos últimos séculos que mudou drasticamente este panorama...

Deuses representaram atrasos, misoginia, morte... Aristóteles, de quem tais ideias são herdadas, considerava o 'coração como pensante', o cérebro como um radiador, que esfriava o sangue quente do lado direito do corpo, para esfriá-lo do lado esquerdo, e a mulher 'sem alma', assim como os escravos e o animais... Platão considerava, em sua Evolução, que os 'deuses' - assim, no plural -haviam criado o homem perfeito, mas este foi degenerado na mulher, que finalmente degenerou nos animais... Tais imbecilidades foram propagadas pelos esquisitões da cristandade, Santo Agostinho e São Tomás de Aquino... 

Mas aqui estamos, em 2012, com uma expectativa de vida de quase 80 anos, e uma mortalidade infantil reduzida mais de dez vezes - nos países mais descrentes... Não permaneçam de joelhos, com as mãos espalmadas em submissão... Levantem-se, usem os seus braços e mãos em sinal de apoio, ajuda, suporte... E para tal, estudem... Não sejam inocentes úteis à velha falácia religiosa, crente, de INCUTIR O MEDO PARA VENDER A SALVAÇÃO... 

Podem atirar as pedras... Seria bem bíblico...

Carlos Sherman