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A CIÊNCIA DO ERRO | Sobre Verdades, Veracidade e Realidade Objetiva - Parte 1: Uma resposta a Marcelo Gleiser

A CIÊNCIA DO ERRO Sobre Verdades, Veracidade e Realidade Objetiva Parte 1:   Uma resposta a Marcelo Gleiser Dedicado ao me...

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Einstein religioso? Que absurdo...




(...) Einstein era religioso? Que absurdo... 

Vou repetir trechos da última carta de Einstein, escrita ao filósofo alemão Eric Gutkind em 1954, um ano antes da morte de Einstein, em resposta ao livro de Gutkind "Escolha a vida: O chamado bíblico para a revolta"... O documento foi leiloado pela casa de leilões Bloomsbury Auctions, em Londres:

A palavra Deus para mim é nada mais que a expressão e produto da fraqueza humana, a Bíblia é uma coleção de lendas honradas, mas ainda assim primitivas, que são bastante infantis” (…) “Para mim, a religião judaica, como todas as outras, é a encarnação de algumas das superstições mais infantis. E o povo judeu, ao qual tenho o prazer de pertencer e com cuja mentalidade tenho grande afinidade, não tem qualquer diferença de qualidade para mim em relação aos outros povos.” (...) “Até onde vai minha experiência, eles não são melhores que nenhum outro grupo de humanos, apesar de estarem protegidos dos piores cânceres por falta de poder. Mas além disso, não consigo ver nada de ‘escolhido’ sobre eles.”... 

Religioso? "A palavra Deus para mim é nada mais que a expressão e produto da fraqueza humana", e "para mim, a religião judaica, como todas as outras, é a encarnação de algumas das superstições mais infantis."... Se a "palavra de deus" é nada menos do que a expressão e produto da fraqueza humana, e a encarnação de superstições infantis, sejam eles judeus ou "todas as outras" religiões, de onde o Luan Ceu tirou a ideia de Albert Einstein era - minimamente - religioso? Nem judeu, nem cristão, nem nada... Einstein era um cientista, avesso a conflitos desta natureza, até porque 'crentes' acreditam no que querem, conforme bem disse o Dêverton Plácido Xavier... Insistem em acreditar - por exemplo - que Albert Einstein era 'religioso'... Triste destino, falacioso, desonesto...

Carlos Sherman

Evolução e ComCiência...



A Evolução é o registro histórico da Seleção Natural, e está tão amplamente demonstrada, provada e corroborada por fatos, que poucos cientistas ousam afirmar que o rumo de tais 'leis' possa ser alterado... Seguimos no entanto efetuando ajuste, analisando a Evolução e a Seleção natural em populações e sobre o comportamento e a cultura... Eventuais correções serão necessárias e bem vindas, mas 'deus' o 'deus das lacunas', jamais será convocado a participar... Simplesmente deus é um absurdo superado, e saiu de cena com as bruxas, espíritos, possessões demoníacas e milagres, no acender das luzes do pensamento humano pela ComCiência - consciência crítica - para jamais retornar...

Evoluir, sempre, é um caminho sem volta.. Que bom... Como diria BuzzLightyear: 'ao infinito e além'...

Carlos Sherman

domingo, 29 de abril de 2012

Em Stricto sensu, não existem raças humanas...



Por fim, e não pretendo me estender mais sobre este tema - cotas raciais -, entenda Alexandre Correa Rodrigues: COMO PODEMOS LEGISLAR SOBRE ALGO QUE NÃO EXISTE? RAÇAS NÃO EXISTEM... Em Stricto sensu, não existem raças humanas... Este antigo conceito antropológico foi popular no século XIX, mas perdeu o interesse heurístico em função do desenvolvimento da Genética - na segunda metade do século XX -, caindo em desuso... 

SÓ EXISTE A MISCIGENADA ESPÉCIE HUMANA: O Homo sapiens, ou 'homem sábio', muito embora muitos não mereçam tal denominação... Isso tudo, toda esta questão, em todos os foros tratados, é uma gigantesca estupidez e falta de base GENÉTICAS... Além disso, e como se não bastasse a ignorância sobre nossa fisiologia, tal discussão não leva em conta as Ciências Histórica e Econômica, e os fatos e informações estatísticas - IBGE, FGV -, sendo pois, na origem, uma causa viciada e eminentemente política... 

Temos avançado sócio-economicamente sem medidas populistas e eleitoreiras como esta, e podemos continuar a fazê-lo... Retornar a rancorosa discussão racial, certamente nos trarão consequências nefastas... Constitucionalmente, nem deveria existir uma discriminação racial em nosso registro civil... Simples assim... 

E mais uma vez, rogo a você que examine as implicações de discutir o mérito de ser ou não pardo, e ser ou não negro... E assim me despeço deste chat, agradecendo a sua paciência e decoro... Mas esta é a verdade, simples, clara e límpida... E a verdade não tem adjetivos... Insiste, persiste,  resiste, penetra... Cedo ou tarde... Somos humanos - demasiado - e apenas humanos... Nem pardos, nem brancos, nem negros, nem azuis... Somente humanos... 

Ético, logo cético... 

Carlos Sherman

Cajal

A imagem de um gênio...


Santiago Ramón y Cajal (1853-1934), grande anatomista espanhol, formulou a Doutrina do Neurônio, base - até os nossos dias - de todo o pensamento moderno sobre o neurônio... Cajal pretendia ser pintor e para aprimorar suas técnicas para retratar o corpo humano decidiu estudar anatomia com o seu pai, um cirurgião... Para ilustrar as aulas, seu pai utilizava ossos desenterrados em um antigo cemitério... Cajal, fascinado por estes restos de esqueleto, e pela anatomia humana, relegou sua inclinação artística à descobertas que faria a seguir... Cajal foi sem sombra de dúvidas o maior Cientista do Cérebro que já existiu - e o panteão é grande e valioso, e sem dúvida Freud não está nele...

Cajal tinha uma habilidade incrível para intuir sobre a funcionalidade e constituição das células nervosas, partindo de seções de células mortas onde ele surpreendentemente inferia a vida... O brilhante neurofisiologista britânico, Sir Charles Scott Sherrington (1857-1952) - Presidente da Royal Society of London, agraciado com o Nobel de Fisiologia/Medicina de 1932 por descobertas na área da neurologia -, responsável pelo termo sinapse, assim descreveu as habilidades de Cajal:

'Ele tratava a cena microscópica como se fosse habitada por seres que sentiam e agiam, tinham expectativas e faziam tentativas como nós, humanos, fazemos (...) Com as fibras que dela emergiam, uma célula nervosa "tateava com a mão para encontrar a outra"! (...) Escutando Cajal, eu me perguntava até que ponto essa capacidade de antropomorfização contribuía para o seu sucesso como pesquisador. Jamais conheci outra pessoa em que esse traço fosse tão marcante'...

Cajal, um gênio desconhecido de muitos...

Carlos Sherman


Entendo o Comportamento Humano



A célula nervosa não é apenas uma obra de arte da biologia evolutiva... Ela é o caminho, a chave para a compreensão do cérebro, e consequentemente da mente humana e de nosso comportamento...

Antes de polemizar e 'socializar' a vida, considere o estudo da Biologia Molecular, da Genética e da Neurofisiologia...

Carlos Sherman

Evolução e Cultura



O tamanho - e estrutura - do cérebro humano não foi alterado desde o surgimento do Homo Sapiens há aproximadamente 200.000 anos, no leste da África... A capacidade de aprendizado e o acervo de conhecimento histórico cresceram exponencialmente neste período pela aprendizagem cumulativa e compartilhada - a evolução cultural... A linguagem e a escrita desempenharam um papel primordial neste processo de registro e transmissão de conhecimento, técnicas, ciência - enfim de nossa memória Extra corpus... 

A Saga Humana portanto, nos últimos 200.000, não remonta à nenhum evento na evolução biológica sobre a estrutura geral do cérebro; mas sim da evolução cultural e de novas possibilidades para o seu uso, provenientes da diferenciação genética existente, inerente aos diferentes tipos de seres humanos, tendência, habilidades, características neurofisiológicas - não estruturais... E ressaltando que a capacidade de aprendizado é resultante das características genéticas que nos diferenciam... Aprendizado e natureza genética se combinam para explicar o comportamento humano...

Carlos Sherman

Aprendizado e Vigilância



A única lição que deve ficar da escravatura e do racismo, é a de que a ignorância genética nos levou a desigualdades terríveis, suprimindo a liberdade e atribuindo valores ao ser humano baseado em raças e etnias, violentando a todas, dependendo apenas da bola da vez do poder... Todas as raças, todos os seres humanos foram vítimas e algozes...  A misoginia também deu o tom da desigualdade, oprimindo a mulher, e mais recentemente o preconceito contra a homoafetividade... Toda forma de preconceito é estúpida... E só podemos manter inabalável vigilância em nossos dias... Não podemos sob nenhum pretexto repetir sua ignóbil conduta, não devem existir sobre a face de da terra a descrição humana por RAÇA... Não procede, geneticamente, não diz nada, não prova nada, não conduz a nada...

Carlos Sherman

Marlon e Eu




Fui questionado pelo meu amigo Marlon:

'A tecnocracia funciona?'

Respondi:

(...) sobre tecnocracia, considere a malícia por trás da verdade... A pergunta parece capciosa, e o termo 'tecnocracia' sem dúvida é... É pejorativo, negativo, crítico... Mas vamos aos fatos.. O que buscamos na vida? O que queremos de fato? Queremos viver bem, pagar as contas, comer, beber, dormir, saúde, diversão, segurança... Certo? Para todos... Ok?

Isso passa necessariamente pela geração de riqueza, e pela distribuição através do trabalho... Certo? Observe que todo país rico também foi bem administrado... Os nossos lampejos de prosperidade coincidiram com lampejos de boa administração... E os países rico, e que forma e são bem administrados também são os que melhor remuneram sua população, por meio do benefício público da educação, medicina e segurança, e pela qualidade de vida... Os países ricos e bem administrados também dividiram bem a sua riqueza, praticando regras igualitárias... Exceções? China, Índia e Rússia... Temos aí 'três países crentes', rsrsrsrsrs... Hoje precismos colocar o Brasil na roda... Mais um país crente, rsrsrsrs...

O Brasil é mais justo entre os BRICs... Bem mais justo do que a China, Índia e a Rússia... Mas estamos melhorando a passos largos... As classes D e E somam 24%, e estão em queda desde de 2005, quando apontavam 51%... Estamos melhorando, e a passos largos... E quando um país é bem administrado as coisas funcionam bem... Um país pode ser entendido como uma grande empresa, e não como marxistas pensavam, uma grande utopia ideológica... Na prática precisamos de boa administração, técnica, e estratégica... Como uma empresa...

Quando se coloca o termo 'tecnocracia', se está tentando denegrir o valor de administrar bem, para encenar na sequência a paródia sociológica... A falácia populista e demagógica clássica do socialismo... 'Teocracia' traz uma crítica implícita, e qual: a insensibilidade... 'E o social'? O bem estar social emerge diretamente da boa administração e não dos truques de magos sociológicos... Este é o ponto, este é o problema, essa é a questão... Em meu livro demonstro que a sociologia está montada sobre a falácia behaviorista, assim como o marxismo... E irmanados sociologia e marxismo, tratam de proteger seus feudos... Historicamente, acho que o marxismo vive a fase de 'Alzeheimer', e não se lembra do que forma os países socialistas/comunistas... Um catástrofe... Não entenderam nada sobre o ambiente social, porque nada sabiam sobre o homem... O homem natural, biológico, e não aquele homem inventado, social, pavloviano... 

Tudo isso faz parte de uma grande e complexa falácia histórica... A era das utopias, e a falácia do behaviorismo, marxismo... Falácias ainda não superadas, e seus eco ainda causam muitos problemas... Enquanto a sociologia não se apartar por completo do marxismo, seu sinônimo, não poderá desempenhar o papel de uma ciência séria...

Recomendo um livro espetacular 'O Que Nos Faz Humanos' de Matt Ridley... Não perca o seu tempo com Marx... É ridículo... Só se justifica pela devoção ao marxismo... Isso é grave... Para começar a entender a falácia do marxismo leia 'Casos Filosóficos' de Martin Cohen, e 'História do Século XX' de Geofrey Blainey... Confira sem demora 'Guia Politicamente Correto da História do Brasil e da História da América Latina'... Tudo isso te ajudará no vestibular, e na vida...

Você pergunta sobre as críticas de Marx ao capitalismo, se são procedentes, certo? Vejamos:

1. Capitalismo: O que é o capitalismo? Não é um organismo, uma empresa, uma entidade de classe, um sindicato, nem o protagonista de uma maniqueísta 'do bem contra o mal', nem o protagonista de uma luta messiânica estilo MMA: 'capitalismo x marxismo'... O que chamamos de capitalismo é na realidade a própria ECONOMIA... O que chamam de capitalismo é na verdade o sistema econômico mundial... E os diversos países participam de tal sistema com suas nuances própria, mais o menos agressivos, mais ou menos conservadores... Já o marxismo foi e é somente uma crítica, e não uma alternativa... Este é o ponto....

2. Livre-Mercado: Ou seja, o livre-mercado não é discutível... É essencial... Ou seja, empreender é inerente à liberdade de empreender... Confira em 'História do Século XX', página 41...

3. Marxismo: O marxismo não é um novo sistema, nem uma alternativa... A crítica marxista em 'O Capital', volume 1, é ridícula, fraquíssima, limitada, demonstra profundo desconhecimento dos meios de produção - claro, Marx nunca trabalhou na vida, nunca foi dirigente de nada, público ou privado -, e não é sequer original... Esta é uma das falácias mais vivas da história, competindo par e passo com deus e Freud... Marx, tem 4 filhos mortos por inanição, embora insistisse em uma estilo de vida aristocrático, decorrente de sua origem rica... Marx é sustentado por Engels, e com o excedente da exploração que este impõe aos operários de sua fábrica têxtil em Manchester... Não é um ataque Ad Hominem, trata-se da verdade...

4. A Crítica Marxista foi muito mal fundamentada, muito mesmo... Marx por exemplo não considera - em sua crítica ao excedente - depreciação, manutenção de máquinas, etc... É fraco, desconectado da realidade e da verdade empresarial... Mas nos pontos em que acerta, não faz mais do que ecoar outras vozes também críticas, dentro do próprio sistema econômico mundial, ou capitalismo se preferir... Ou seja, no início do Século XX seria natural pensar em corrigir um sistema econômico que começava a se tornar global e complexo... Natural, mas nada revolucionário...

5. Ambição Revolucionária: Marx faz estardalhaço por razões pessoais, ambição, projeção - no melhor estilo freudiano... E este é o estrago, porque se a sua crítica já era meia boca, agora transformada em alternativa revolucionário, a casa pode cair... E caiu... Tais aberrações populistas como 'o controle pelo povo dos meios de produção', 'a revolução do proletariado', 'uni-vos', 'vamos formar o novo homem' - segundo o behaviorismo - ecoam perigosamente na Rússia e na China, em explodem em uma luta pelo poder... Trocando uma ditadura por outra muito mais opressora e sanguinária...

6. Diagnóstico e Prognóstico: então, Marx e outros, antes, e ao mesmo tempo que ele, criticaram a ECONOMIA... Tudo bem, mas se de alguma forma Marx contribuiu para o diagnósticos de 'certos' problemas, ele errou absurda e infantilmente no PROGNÓSTICO, e isso matou milhões, oprimiu muitos mais... Foi um dos momentos mais terríveis da história recente...

7. A Ilha da Fantasia: Mas porque tais ideias encontraram eco na China e na Rússia e não em países como a França, Inglaterra, Estados Unidos, Suécia, Noruega e a NOVA ZELÂNDIA... Sim, a Nova Zelândia, que poderia ter se tornado uma Cuba, mas não o fez... Por que? Primeiro em 1910 a Nova Zelândia era considerada - realmente - o país mais igualitário e socializado do mundo... O governo administrava - bem - muitas empresas, as estradas de ferro, pagando pensões a idosos e com educação pública de qualidade e gratuita - uma novidade no mundo... O governo estipulou salários mínimos setoriais, criando regras trabalhistas modernas, reduzindo as jornadas de trabalho... Também eram proibidos os grandes latifúndios, e o comércio de álcool era regulamentado... Esse quadro, esta ilha da fantasia, animava os socialistas... Mas a Nova Zelândia não precisava do marxismo... O marxismo também não encontra eco na economia americana, muito mais igualitária e desenvolvida, com regime democrático, e boas condições para os trabalhadores... No entanto, na China de na Rússia a desigualdade era tremenda, governos monárquicos, com poderes concentrados, serviram de estopim para terríveis e sanguinárias revoluções, que só aprofundaram os problemas... Os governos marxistas foram sempre catastróficos...

8. A URSS foi um governo fascista de esquerda, com contornos sombrios e hipócritas, patrocinador da eugenia, imerso em mentiras, corrupto, assassino... Anexando vários países, como a Alemanha Oriental - diferentemente dos aliados que não anexaram a Alemanha Ocidental -, patrocinando em provocando guerras por todo o mundo, e lutando pela implantação do comunismo no planeta, seu ideal doentio e aterrador...

9. A China cambaleou do cinismo e militarismo soviético, ao esdrúxulo modelo de comunismo de mercado... Nenhum outro país no mundo explora tanto os seus trabalhadores, e nenhum outro país no mundo, é tão agressivo como economia multinacional... E joga de forma suja, desconsiderando direitos humanos, individuais, direito ao voto, liberdade de expressão, desconsiderando leis trabalhista, condições mínimas de trabalho, remuneração justa, proteção do meio ambiente, direito autoral... A China é uma aberração, um capitalismo ditatorial selvagem travestido de comunismo...

10. A Realidade: hoje temos UM SISTEMA ECONÔMICO MUNDIAL, e aqueles que vivem - profissionalmente - de politizar tudo, socializando toda e qualquer discussão, devotos marxistas, chamam este sistema de Capitalismo... Como se fosse um organismo vivo, intencional, nefasto... Mas não é nada disso... Não existe capitalismo, senão a economia de mercado... Um conceito, um sistema de trocas, e nunca tivemos outro caminho... E funciona... Todos os indicadores que citei para a qualidade de vida, no início de nosso papo, estão melhoraram e em todo o mundo livre...

11. A saúde mundial: veja isso, corrobora o que digo... A prosperidade da economia levou a uma melhora na vida de todos... Não resolvemos tudo, claro, mas fizemos muito... Não precisamos de revoluções, e sim de melhoramento contínuo... E irmos polindo as regras de mercado... Liberdade e igualdade... Clique no link abaixo:


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Então o Marlon perguntou:

'e essa exploração do capitalismo? pessoas trabalhando muito, o dia todo pra chegar no final do mês, ganhar um salário mínimo...

Respondi atordoado:

Rrsrsrs, pergunto a você? Qual é o país que mais explora a mão de obra no mundo? 

Ele respondeu:

'USA'

Está louco, ou está gozado da minha cara? Rrsrsrs, foi isso que te ensinara, ma escola? Processe sua escola e seus professores... Os Estados Unidos é o país que mais distribui qualidade de vida no mundo... Sempre foi... Um trabalhador nos Estados Unidos sai do trabalho no seus carro, vai para uma boa casa, come bem - engorda também - e tem seguro desemprego, acesso ao mercado de consumo - até demais -, escola pública para todos, medicina pública de boa qualidade... O país que se comporta como você descreve é a China, e foi a Rússia enquanto viveu a falácia socialista/comunista, como queira, é tudo a mesma besteira...

As empresas, como você diz, não montam unidades nos Estados Unidos por ser mais barato... Isso é insano... Não procede... Elas montam fábricas na China, porque a China é desonesta e corrupta, porque explora trabalhadores, porque não tem regras, nem mesmo para o meio ambiente... A China é como a Santa Efigênia... A China é o país mais injusto... Onde um trabalhador ganha 100 dólares por mês...

Evidentemente existem outros países menores, com qualidades de vida superiores ou idênticas aos Estados Unidos, como o Canadá, Austrália, Inglaterra, França, Suécia, Noruega, Finlândia, Islândia... Todos governos livres, capitalistas no sentido de livre-mercado... O marxismo não existe mais... Somente seus devotos... Como os Adventista do Sétimo... O mundo não acabou como prometido por seu líder, William Miller, mas eles insistem que suas ideias tem validade... Note que adventista vem de advento, o advento do fim do mundo... Não rolou no dia previsto, assim como o socialismo/comunismo não funcionou como Marx previu, e mesmo assim, mesmos que tal regime hipócrita e fascista só resita em paraísos da afronta aos direitos humanos, como Cuba, Albânia e Korea do Norte, seus fieis seguidores insistem na falácia do 'advento marxista'... Que evidentemente, não virá... A China como já explicado, é uma ditadura capitalista, disfarçada de marxista, e a que pior trata o 'povo, o proletariado, o trabalhador'... E por que não reagem? Porque são cativos... A Rússia é um engôdo, pseudo-socialista, mas hipocrisia não merece ser comentada... 

Sobre a China é um fato... A exploração do trabalhador chinês não é só salarial... As condições de trabalho são péssima, insalubres, etc... Estão atrasado em condições laborais pelo menos 100 anos... 

O problema do ensino de História, Geografia, Sociologia e Filosofia, se assemelha a uma doutrinação religiosa... Isso é gravíssimo... Forma um mote de ideólogos, quem seguem um rito...
Sem análise crítica, e muito longe da verdade... Podemos ensinar a 'pensabilidade'... A lógica, a análise crítica, a epistemologia... Podemos ensinar a pensar... No que pensar será pessoal... Mas pensar livremente pode ser ensinado... Só que estamos longe disso...

Não está na moda nada disso do que te disse meu amigo... Mas esta é a verdade histórica e factual...

Carlos Sherman

Assim Caminha a Humanidade...


Não é o passado literal que nos governa, salvo, possivelmente, num sentido biológico. São as imagens do passado. Quase sempre essas imagens são tão estruturadas e seletivas quanto os mitos. As imagens e sínteses mentais do passado são impressas, quase à maneira de informação genética, em nossa sensibilidade. Cada nova era histórica se espelha na imagem e na mitologia ativa do seu passado.

George Steiner, 'No Castelo do Barba Azul' (1971)

A Natureza Biológica da Mente Humana



Os Cinco Princípios que regem a Ciência da Mente, ou Neurociência:

1. A mente e o cérebro são inseparáveis - sendo o cérebro um órgão biológico e complexo, com grande capacidade de processamento, onde codificamos ou decodificamos nossa experiência cognitiva e sensorial... O cérebro não é responsável apenas por nossa motricidade, e por nossas funções fisiológicas, o cérebro é responsável pelos processos complexos caracterizados como a 'quintessência do ser humano, como pensar, falar, criar obras de arte' (Kandel, 2009); e SER...

2. Cada função mental no cérebro está associada à circuitos neurais especializados em diferente áreas do cérebro - o cérebro está portanto dividido em áreas funcionais...

3. Toda a atividade neural, em última análise, depende das mesmas unidades elementares, as células nervosas...

4. A atividade neural depende de moléculas bioquímicas para a conexão entre as células nervosas...

5. O cérebro é a prova viva da Evolução - as células nervosas estavam presentes em nossos ancestrais evolutivos mais antigos e mais humildes, e podem ser encontrada ainda hoje mesmo em nossos parentes mais distantes e primitivos como as bactérias e leveduras, vermes, moscas, lesmas - que empregam as mesmas unidades moleculares para efetuarem suas manobras e processos vitais, que nós que nós empregamos para governar nossa vida diária, e executarmos os estratagemas que nos reconciliam com o meio ambiente...

A Neurociência apoia a Evolução, a Biologia da Vida, e presta um serviço fundamental à revisão de toda a Filosofia do Comportamento Humano... Nas palavras mais do que proféticas de Darwin - posto que só se atreveu a pronunciá-las diante de evidência, depois provas e por fim fatos:

"A nossa inteligência difere dos demais animais apenas em grau, e não em tipo"...

A Ciência da Mente será tão importante para o Século XXI quando a Ciência do Gene foi para o Século XX... 

Parafraseando Shermer, invertendo e subvertendo Descartes:

Sum ergo cogito... Existo, logo penso...  

Carlos Sherman

Cotas e o "afro-coitadismo"

Uma abordagem interessante sobre as crenças e descrenças...

sábado, 28 de abril de 2012

Freudianismo

"Freudianismo...
As vezes um túnel é apenas um túnel...
- Deus, eu acho que este trem não vai caber!!!"

O Bando



Sobre religiosos não praticantes mas que alegam acreditar em deus...

Juliano, trata-se da crença na crença... Um impulso genético a permanecer no bando e assegurar a continuidade da vida... Países mais desenvolvidos, de maioria descrente, estão logrando transmitir segurança através da razão e da solidariedade inteligente... Aqueles que precisam do bando, no bando estarão... Um bando de homens livres, éticos, logo céticos...

Carlos Sherman

Liberdade de Credo



Alguém propôs um governo 'científico', suprimindo a liberdade religiosa...

Comentei:

Ciência é um processo cumulativo de conhecimento, submetido a validação pelo método, e submetendo suas proposição ao escrutínio da pensabilidade e da epistemologia... Precisamos de um estado livre, regido por conceitos 'humanos' - tendo o homem como objetivo final -, democrático, igualitário e LIVRE... Basicamente o que temos hoje na teoria, com algumas importantes revisões, mas sobretudo fazendo cumprir o que já está acordado... Exemplo, cadeia para todos os estelionatários da fé.... Estelionato é crime... Liberdade assegurada para os que creem... Que possam cultivar suas crenças em liberdade... Temos o direito até de comer cocô... Por que não podem orar? Mas um severo crivo sobre os mercadores da fé... Lembrando sempre que agremiações são permitidas, deste que paguem impostos... Eliminação imediata do status de instituição religiosa sem fins lucrativos... Prisão dos contraventores.... Mas garantindo a liberdade de ir e vir, e de credo - claro, sempre... E a ciência? A ciência não serve para gerir, mas para emprestar seus critérios de validação ao conhecimento e às boas práticas administrativas...

Sempre ético, logo cético...

Carlos Sherman

Ignorância Pública



Com respeito ao acesso à Universidade, a única dívida que o estado brasileiro tem com seus cidadãos, refere-se à qualidade do ensino público... Cotas, ou condições facilitadas, ou melhor ainda, um exame especial, poderiam ser pensados - e submetidos a profundas reflexões - para corrigir este deficit... E com data e hora para acabar, posto ser uma perigosa muleta, que poderá de vez justificar o descaso com o ensino público... Precisaríamos ter um cronograma, ou uma agenda se preferem, para igualar o ensino público ao particular... Como no genuíno 'socialismo' americano... è isso mesmo, 'lá' este problema foi resolvido...

Sem essa falácia marxista do social, isso é nefasto e hipócrita... Países desenvolvidos em termos sociais, todos eles, criaram riqueza pelo trabalho e dividiram esta riqueza pela boa administração, e nunca por decreto... O populismo nunca levou a nada, a sociologia é um invento, um engodo... Gostem ou não...

Antes que levantem a bandeira igualmente falaciosa anti-tecnocracia, devo adverti-los de que buscamos apenas boas condições de vida, é constitui um fato que somente pela boa administração de recursos humanos e materiais, com regras justas e igualitárias - sem cotas raciais -, chegaremos a tal fim... Falastrões montados em palanques prometendo bolsa disso, bolsa daquilo, não nos levaram e não nos levarão a parte alguma, senão à alienação, e à submissão pela palavra proferida dos pregadores profissionais, sem os respectivos compromissos pela ação... Até porque tais ideólogos, sociólogos, e políticos profissionais, não sabem como administrar recursos... O seu ministério é administrar massas, enganá-las, iludi-las, e sorver seus votos, perpetuando assim o seu legado parasitário...

Tenho duas filhas, uma considerada branca e outra considerada parda, e não me perguntem quais os critérios objetivos... Me considero, para todos os efeitos, pardo; por analogia e simples comparação frente ao espelho... Como faremos? Se o critério é meramente RAÇA, uma de minhas filhas tem o direito de pleiteá-la, enquanto a outra não... Por quê? Imaginem as consequência desta questão? Estaremos dedicados a provar nossa raça, estaremos debatendo direito por raça... O que é isso minha gente? Que loucura é essa...

A compatibilidade sanguínea, sob o ponto de vista genético e fisiológico, conta muito mais do que a produção de melanina, principalmente em tempos onde com um avião cruzamos de uma região a outra, eliminando os efeitos práticos, benéficos ou maléficos de sermos fenotipicamente 'mais claros' ou 'mais escuros'... Mas o sangue carrega a nossa imunologia, entre tantas outras características genotípicas cruciais... O meu sangue, uma vez doado, encontra compatibilidade com o sangue de outros humanos, podendo me aproximar muito mais da fisiologia de alguém 'mais escuro' do que 'mais claro' que eu... 

O que são pardos? São herdeiros da miscigenação, da mistura... O IBGE trata de 'mestiços'... São herdeiros de genes de 'gente mais clara e mais escura'... Sem a possibilidade de rastreamento... E sem a necessidade... Somos humano, irremediavelmente humano, queiram os políticos de toga ou não...

E deixo a reflexão:

Quando o funcionalismo público, a política, o executivo, o legislativo, e o judiciário instituirão cotas para negros? Para mulheres, para gays? Para ateus?

Sou pardo, sou contra o racismo das cotas raciais, sou contra a minha cota, sou contra a cota de uma de minhas filhas - a parda... E sou favorável à confrontação por argumentos, e por representação pública frente ao STF, e uma vez mais, para impedir esta severa agressão contra o estado de direito... Luto pela a instrução de todos, que por ignorância ampla, geral e irrestrita, ou devido por interesses ou por simples modismo, aderem a este absurdo... E insisto... A verdade resiste, persiste, penetra...

Deixem o bloco ideológico passar, PENSEM... Estamos retrocedendo perigosamente, em alta velocidade, e em marcha ré, sem o retrovisor da História, sem as luzes da Genética e da Neurofisiologia...

Carlos Sherman

Saramago e eu




Sobre “Como podem homens com deus serem tão maus?”, considero em princípio a demonstração cabal de que religião nada tem a ver com ética, solidariedade e amor... Mas não os vejo, homens crentes, como culpados nem inocentes... Combato os seus algozes do púlpito, e lamento os atos desesperados dos que creem... 

Mas sim, a crença leva à medidas cruéis sob a égide de um falso moralismo... E a resposta à questão proposta é de certa forma simples... A solução, no entanto, é bem mais complexa... 

O amuleto dos deuses e das superstições, em geral, é a salvação dos covardes, e dos não iniciados sobre a realidade, sobre o Universo, sobre os fenômenos complexos e caóticos que permeiam a vida, sobre a verdadeira condição humana – demasiado humana... Sem a devida instrução não existirá a devida justiça... A religião é pois, o perverso sistema de INCUTIR O MEDO PARA VENDER A SALVAÇÃO...

Ético, logo Cético...

Carlos Sherman  

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A Grande Decepção




[...] Uma pregadora cristológica e um rapaz que se diz 'doutor em arqueologia', mas desconhecem a Evolução das Espécies, que chamam de forma caricata de "A Teoria da Enganação", são fiéis devotos do moralista William Miller, e o seu grupo "Adventista do Sétimo Dia"...

Então vejamos:

Miller é o camarada que protagonizou alguns dos maiores fiascos proféticos - e sucessivamente -, ainda em vida; fazendo desde 1818 diversas predições sobre a "segunda vinda do salvador"... E já conhecemos os resultados de tais devaneios... Simplesmente uma comunidade ignorante começou a seguir este senhor, devido a um mero fenômeno astrofísico, uma chuva dos meteoros, que foi atribuída às suas divagações - sendo que Miller jamais pensou em meteoros... Então, pessoas ignorantes e assustadas, passaram a acreditar nas profecias de Miller... 

O que não é capaz de fazer um bom contador de estórias e uma boa estória? Fábulas que encaixam perfeitamente no imaginário simplista e nas expectativas de muitos, tratando de evitar as más notícias, e a própria realidade... 

Baseando-se nos capítulos 8 e 9 do Apocalipse, ele chegou à 'brilhante' conclusão de que exatamente em 1840, o Império Otomano, influente e poderoso na época, seria desintegrado... Não aconteceu, e Miller, falecido em 1849, não viveu para ver o fim do Império que durou de 1299 e 1922... Mas, como um truque de mágica depende do mágico, mas principalmente da colaboração da platéia, hipnotizada; uma  breve crise econômica e política, envolvendo o Império Otomano, como passa com qualquer país do mundo, e corriqueiramente, foi utilizada para justificar os devaneios proféticos de Miller... E assim, os fanáticos começaram a aumentar... 

O termo "adventismo" se refere ao "advento do retorno de Cristo", e estava agendado segundo Miller, em contato direto com deus, para muito breve... O que também ainda não aconteceu... Certamente estamos enfrentando um homem com distúrbios nos lobos temporais, talvez epilético; lembrando que existem epilepsias sem convulsões, e que provocam, em crentes, experiências místicas... Mas no caso de Miller era mais extremo... Descarto o uso de drogas, em função da época, e sendo assim existem grandes chances para a esquizofrenia ou estelionato cretino... E já estamos em 2012, e nada de Cristo aparecer em sua nuvem, conforme previsto pelo mago... 

Miller, que não era bobo nem nada, nunca marcou uma data exata  para o "advento", mas se expôs perigosamente com um "período"... Afinal, Cristo anda sempre muito ocupado... Sendo assim, seria melhor agendar um "período" e não uma data, para dar mais flexibilidade, evitando atrasos - provavelmente em função do "tráfego cósmico"... E Miller foi enfático, profetizando desta vez que Cristo regressaria entre a primavera de 1843 e a primavera de 1844.... Bem, já sabemos o que aconteceu... NADA... E daí? Os fanáticos com cara de tacho abandonaram o "profeta"? Não, jamais, e muito pelo contrário... Continuaram fiéis às sandices de Miller... 

Que falta a Neurociência Cognitiva fez no passado!!! Mas que falta a educação específica e a divulgação do nosso entendimento sobre o comportamento humano faz no presente!!! Triste destino... 

Miller, em seu delírio, reconsiderou seus cálculos, e predisse que "Cristo voltaria ao final de 2.300 anos desde Daniel [8:14]", e de maneira pessoal, visível, física, voando nas nuvens do céu... Só que isso também não aconteceu... E então ele e seus companheiros, trataram de analisar e encontrar onde estava o erro.... Na verdade 'eles eram o erro'... 

Mas, outro pirado do sanatório geral, o pastor Samuel Snow, sugeriu que "Cristo viria sim", mas não na Primavera e sim no Outono daquele mesmo ano... E isso porque, o dia do juízo seria exatamente "o 10º dia do sétimo mês no calendário judaico rabinista" - e que naquele ano cairia no dia 22 de outubro de 1844... A-ha!!!... Agora sim... Afinal, seguiu Snow, "a purificação era feita no santuário israelita, um antítipo do santuário celestial, e aconteceria naquele dia"... Batata!!! Portanto, concluiu Snow, Cristo virá neste dia - e eu imagino que para pegar o feriadão... O sumo sacerdote viria a este mundo buscar o seu povo eleito e puro, e precisamente nesta data... Mas esta data ficou conhecida como o "Dia do Grande Desapontamento" ou da "Grande Decepção"... Isso porque  'nananinanão', nada de salvador voando em nuvens, e nada de juízo final, mais uma vez... A festinha dos adventistas estava preparada, com bandas, fanfarras e bandeirinhas, mas o 'chopp foi aguado outra vez'... Que papelão de deus??? Isso não se faz... Pelo menos liga com antecedência e avisa que vai ficar pra depois - pra bem depois, pelo visto...

Mas o teimoso Miller, que morreu em 20 de dezembro de 1849, insistiu até o fim que a sua interpretação estava certa... Claro que sim... Curiosamente ele nunca deixou de pertencer à Igreja Batista, outra agremiação religiosa... Hoje este movimento fanático, os adventistas, ainda vivem da interpretação das profecias e asneiras de William Miller, um doente mental, que nunca estudou e nem se formou em nada, tendo apenas concluído o ensino fundamental com sofreguidão...

Quando será a próxima vinda de Cristo? Já está marcada?

Não podemos acordar a quem prefere continuar dormindo e esperando pelo juízo final... E não podemos ajudar a quem "crê que tudo sabe" através do seu único livro, a bíblia... Ou seja, estarei à disposição de que quiser aprender, mas não perderei todo este tempo com quem só escuta a própria voz dizendo 'lalalalalaa'... Estarei pronto para atender a quem 'sabe que nada sabe'... Ou ao menos tem dúvidas... Mas concordo com o Thales Vianna Coutinho, não há nada a fazer neste caso... É como um viciado em drogas que não quer ser tratado...

A fé não explica nada, mas afasta importantes perguntas... Fé, é quando as respostas - previamente colhidas na bíblia - precedem as perguntas... Sendo a fé cega um notório pleonasmo... E a insPIRAÇÃO bíblica dependente, diretamente, da ignorância de quem lê... quando leem!!!

Carlos Sherman

Racismo é burrice...



Sinto uma indignação enorme com aqueles que insistem em demarcar fronteiras RACIAIS... Não é só o absurdo das cotas... Mas ficar postando somente fotos de pessoas de uma determinada raça, e de forma marcadamente racista, música racial, movimentos raciais, consciência racial, etc e tal... Fico indignado com isso... Esta necessidade de acentuar diferenças que não existem, e que nunca deveriam ter sido sufragadas... Somos todos humanos, demasiado humanos... E só...

Carlos Sherman


ASHERAH





ASHERAH: 
A Deusa Proibida 

ASHERAH: 
THE FORBIDDEN GODDESS 
Ana Luisa Alves Cordeiro 
Graduanda do Bacharelado em Teologia pela Universidade Católica de Goiás. 
Assessora do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI). 

Yahweh fazia parte de um contexto  politeísta onde havia um panteão de Deuses e Deusas, sendo que provavelmente foi adorado ao lado de sua consorte, Asherah. Reconstruir a presença da Deusa Asherah na vida de mulheres e homens no antigo Israel é um esforço de, a partir de uma perspectiva feminista e de gênero, trazer elementos que nos ajudem numa maior aproximação do que foram os espaços religiosos e vitais deste povo. Esta reconstrução é algo necessário, uma vez que estamos diante de textos sagrados marcados pelo sistema patriarcal, onde há o domínio do pai e quiriarcal, onde há o domínio do senhor (Gossmann, 1997: 371-374). Sistemas que projetaram historicamente um Deus masculino, legitimando práticas e funções masculinas, com isso silenciando mulheres, suas representações sagradas, tudo aquilo que pudesse lhes garantir espaço e voz. Por isso, faz-se necessário a nossa reflexão, 

voltar a um ponto anterior ao monoteísmo patriarcal, até religiões nas quais uma Deusa era a imagem divina dominante ou então era emparelhada com a imagem masculina de uma forma que tornava a ambas modos equivalentes de aprender o divino (Ruether, 1993: 46).

Carol Christ (2005: 17) ressalta que “re-imaginar o poder divino como Deusa tem importantes conseqüências psicológicas e políticas”, como caminho de desconstrução do pensamento que naturaliza a dominação masculina. Segundo Schroer (1995: 40), o culto à Deusa era exercido tanto por homens como por mulheres, mas veio sobretudo ao encontro das necessidades das mulheres, pois lhes oferecia mais espaço no âmbito religioso.  Através de uma “hermenêutica feminista de suspeita”, método proposto por Elisabeth Schüssler Fiorenza (1992: 89), queremos “re-imaginar” Asherah a partir de uma análise exegética crítica ao patriarcado/quiriarcado presente nos textos bíblicos, reconstruindo a memória da Deusa a partir dos dados arqueológicos e identificando na literatura bíblica a relação conflituosa que se estabelece com ela.

As Origens do Monoteísmo no Antigo Israel

Antes de qualquer reflexão em torno da Deusa Asherah, é necessário primeiramente fazermos uma breve alusão sobre o que foi a constituição do monoteísmo no Antigo Israel, para então entendermos como este monoteísmo afetou a cultura politeísta da época, mais especificamente o culto e a imagem da Deusa Asherah. 

Há uma grande problemática em torno do início do  monoteísmo, são vários os apontamentos e as pesquisas. Frank Crüsemann (2001: 780) aponta a época do profeta Elias (cf. 1Rs 18,19-40) como o momento histórico em que se começa a falar da exclusividade do  Deus de Israel, principalmente no embate com o Deus Baal e no processo de sincretismo onde Yahweh incorpora as características de Baal. Os escritos bíblicos do Primeiro Testamento teriam em si a tendência de mostrar, do início ao fim, a realidade do monoteísmo, “a proibição de se adorar outras divindades já é pressuposta em Gênesis e formulada claramente no Sinai (Ex 20,2)” (Crüsemann, 2001: 781). 
Haroldo Reimer (2006: 115) aponta, sobretudo o século V a.E.C como o momento histórico marcante, em que Yahweh vai se constituindo como Deus único de Israel, desencadeando um “processo de diabolização de outras divindades”.

Num primeiro momento, a divindade  Yahweh teria sido um elemento religioso que veio de fora do contexto cananeu. Nesta época, possivelmente era o Deus El que ocupava a cabeça  do panteão divino. Yahweh passa a integrar o contexto israelita sem contudo negar a existência e diversidade de 
outras divindades. No entanto, os conflitos religiosos  começam a acontecer, sobretudo no Reino do Norte, no período que  vai dos séculos IX a VIII a.E.C, com o Deus Baal, ocorrendo a transferência dos atributos da fertilidade de Baal para Yahweh, o que Crüsemann também aponta. Já no Reino do Sul, do final do século VIII até o final do século VII a.E.C,  

a fé monoteísta javista é afirmada em um contexto nacionalista, na medida em que se pode retrojetar a idéia de nação para aqueles tempos. A diversidade religiosa passa a ser objeto de ações perseguidoras oficiais, buscando-se sempre a cumplicidade dos homens de Israel que devem denunciar quem se desvia do credo oficial afirmado desde Jerusalém (Reimer, 2006: 117).  

Neste sentido, a afirmação da exclusividade de Yahweh acarreta um processo de “diabolização” da própria Deusa Asherah, onde textos bíblicos serão instrumentos de justificação deste processo monoteísta.  Frente a essa exclusividade de Yahweh, será impossível a sobrevivência de qualquer outra divindade, além de que a ênfase em Yahweh será critério de afirmação do sacerdócio masculino perpetuando uma sociedade patriarcal (Reimer, 2006: 117). 

Neste contexto, a existência de outras divindades masculinas e femininas foi sempre uma ameaça ao monoteísmo estabelecido, sendo que as reformas religiosas em Judá, de Josafá (870-848 a.E.C), de Ezequias (716-687 a.E.C), de Josias (640-609 a.E.C) e as legislações do Código da Aliança (Ex 20,22-23,19) e do Código Deuteronômico (Dt 12-26) agiram como instrumentos que visavam assegurar a fé monoteísta (Reimer, 2003: 968). O desenvolvimento do Monoteísmo e suas fases. 

O pesquisador Haroldo Reimer (2003) aponta cinco fases do desenvolvimento do monoteísmo no Antigo Israel. A primeira fase seria marcada pelo sincretismo entre El e Yahweh, no qual El é uma divindade cananéia cujas características é criador da terra e pai dos deuses. A segunda fase, por volta do século IX a.E.C, seria marcada pelos conflitos com o Deus Baal. Baal era filho de El, cuja característica principal era a fertilidade. A terceira fase estaria na ênfase  da adoração exclusiva a Yahweh. O profeta Oséias, no século VIII a.E.C, equipara a idolatria à adoração de outras divindades. Neste período acontece a  reforma de Ezequias (2Rs 18,4), que mostra a remoção dos lugares altos e a destruição da serpente de bronze, Neustã, reforma legitimada legalmente através do Código da Aliança (Ex 20,22-23,29). A quarta fase remete à época de dominação assíria, com a reforma de Josias (2Rs 22-23), justificada legalmente pelo Código Deuteronômico, englobando uma série de medidas visando a exclusividade de Yahweh e sua centralidade em Jerusalém, do templo de Jerusalém teriam sido retirados utensílios feitos para Baal, Aserá e o Exército do céu; sacerdotes dos 'altos' foram depostos, a estaca sagrada (hebraico: asherah) foi destruída, cabanas onde as mulheres teciam véus para Aserá foram demolidas etc. Também os santuários do interior foram desautorizados e desmantelados. Houve, assim, claramente, uma concentração do culto a Yahveh em Jerusalém, com a conseqüente exigência da adoração exclusiva dessa divindade (Reimer, 2003: 982). 

Cada vez mais, as reformas religiosas vêm carregadas de intolerância religiosa proibindo qualquer tipo de imagens de  divindades, mesmo que de Yahweh. Esta fase teria repercutido imensamente no culto à Deusa Asherah, consorte de Yahweh. A quinta fase seria marcada pelo  monoteísmo absoluto e estaria relacionada com o período do exílio. Esta realidade estaria clara em Is 45,5 “Eu sou Yahweh e fora de mim não existe outro Deus”. Gn 1 seria a afirmação do poder criacional de Yahweh diante do domínio  babilônico ancorado na fidelidade à divindade Marduc. No entanto, o pós-exílio, época do domínio Persa e do retorno das elites sacerdotais exiladas na Babilônia, seria o 
momento de maior afirmação do monoteísmo absoluto em Yahweh, bem como, a supressão de qualquer referência a outras divindades, sobretudo femininas. Toda a literatura bíblica produzida  e finalizada neste período terá essa tendência exclusivista em Yahweh. Enfim, o monoteísmo em Israel traz em si um longo processo de elaboração e afirmação, que se absolutiza sobretudo em torno dos séculos VI e V a.E.C.

A presença da Deusa em Israel (Do Bronze ao Ferro) 

Conforme a pesquisadora Monika Ottermann (2004), que traça o panorama da presença da Deusa em Israel, da Idade do Bronze à Idade do Ferro, no Oriente Médio, datando a Idade do Bronze Médio (1800-1500 a.E.C), a representação da Deusa é caracterizada como “Deusa-Nua”, destacando o triângulo púbico, emergindo também representações em forma de ramos ou pequenas árvores estilizadas, combinação que vem a ser denominada “Deusa-Árvore”. Na Idade do Bronze Tardio (1550-1250/1150 a.E.C), a Deusa-Árvore apresenta duas mudanças, aparecendo  em forma de uma árvore sagrada flanqueada por cabritos ou como um triângulo púbico, que substitui a árvore. Neste período, já se nota a tendência de substituição do corpo da Deusa pelos seus atributos, em especial a árvore. Aparece, 

na passagem do BM para o BT uma mudança decisiva no campo das figuras de material mais precioso: as Deusas Nuas foram substituídas em grande parte por deuses guerreiros como Baal e Reshef (...) o encontro dos sexos fica claramente relegado ao segundo plano e é substituído por representações de legitimação, luta, dominação e lealdade político-imperial (Ottermann, 2004: 5). 

A Deusa continua perdendo representatividade na religião oficial, onde divindades masculinas ganham cada vez mais força, principalmente a partir de características dominadoras e guerreiras. Na Idade do Ferro I (1250/1150-1000), a forma corporal da Deusa-Árvore vai desaparecendo enquanto que formas de animais que amamentam filhotes, às vezes com a presença de uma árvore estilizada, ganham cada vez mais espaços na glíptica, significando a prosperidade e a fertilidade. A presença da Deusa fica relegada aos espaços de religiosidade das mulheres.

Na Idade do Ferro IIA (1000-900 a.E.C), início da formação do javismo as Deusas passam a ser simbolizadas por  seus atributos. A forma vegetal da Deusa confunde-se com seu símbolo, a  árvore estilizada, sendo que muitas vezes é substituída por ele. Entendemos essas imagens como representações da Deusa Asherah. Na Idade do Ferro IIB (925-720/700 a.E.C), Israel e Judá apresentam diferenças no âmbito simbólico. Os documentos epigráficos de Kuntillet Adjrud e de Khirbet el-Qom destacam um vínculo estreito entre Asherah e Yahweh, o que acima de tudo demonstra um contexto politeísta, onde se adoravam a várias divindades femininas e masculinas. Na Idade do Ferro IIC (720/700-600 a.E.C), a Babilônia derruba a Assíria e passa a dominar Israel e Judá.  Neste período encontramos o símbolo tradicional da Deusa, a árvore e o ramo. Vários selos ou impressões de selos que associam símbolos astrais com árvores estilizadas foram encontrados na Palestina e na Transjordânia, o que reforça interpretações sobre a existência de um culto a Deusa Asherah ao lado do Deus Yahweh. É principalmente na forma de árvore estilizada que, ao longo de séculos, Asherah esteve presente em Israel. Mas é sobretudo na época pós-exílica que as vertentes políticas e religiosas dominantes vão excluir e  proibir a presença de uma divindade feminina dentro do javismo (Ottermann, 2005:.52).

Evidências arqueológicas da Deusa Asherah 

As primeiras evidências de Asherah aparecem em textos cuneiformes babilônicos (1830-1531 a.E.C) e nas cartas de El Armana (século XIV a.E.C) (Neuenfeldt, 1999:.5). Para o pesquisador Ruth Hestrin (1991: 52-53), informações importantes sobre Asherah vêm dos textos ugaríticos de Ras Shamra (Costa Mediterrânea da Síria). Nestes textos, Asherah é chamada de Atirat, consorte de El, principal Deus do panteão cananeu no II milênio a.E.C, sendo mencionada também como ‘Elat, forma feminina de El. Nos textos ugaríticos, Asherah (ou seja, Atirat ou ‘Elat) é a mãe dos Deuses, simbolizando a Deusa do amor, do sexo e da fertilidade.

Também foram escavados vários pingentes ugaríticos que retratam uma Deusa, provavelmente Atirat/ ‘Elat. A figura humana estilizada nestes pingentes contém o rosto, os seios e a região púbica e uma pequena árvore estilizada gravada acima do triângulo púbico. Em 1934, o arqueólogo britânico James  L. Starkey encontrou o jarro de Lachish, datado aproximadamente no 13º  século a.E.C, provavelmente ano 1220.

O jarro é decorado e contém inscrições raras do antigo alfabeto semítico. Na decoração há o desenho de uma árvore flanqueada por duas cabras com longos chifres para trás, que, segundo Ruth Hestrin, representa Asherah. Uma inscrição que segue pela borda do jarro tem sido reconstruída e traduzida por Frank M. Cross, como: “Mattan. Um oferecimento para minha senhora 'Elat”. Não se sabe quem é Mattan, mas está claro que ele faz uma oferenda para 'Elat, que é o feminino para El,  chefe do panteão cananeu no II milênio a.E.C, equivalente ao pré-bíblico Asherah. Nota-se um dado importante, o nome 'Elat está escrito logo acima da árvore, representação de 'Elat/ Asherah. Há uma possibilidade deste jarro e  seu conteúdo terem sido uma oferenda à Deusa (Hestrin, 1991: 54).

No entanto, foi no templo de Arad, no Neguev, ao sul de Jerusalém, que se encontrou fortes evidências de Asherah. No santuário interno foram encontrados dois altares diante de um par de pedras verticais, possivelmente lugar de culto a Yahweh e Asherah. Um outro altar foi encontrado no pátio externo do templo com tigelas dos sacerdotes e cinzas de ossos de animais queimados, no canto uma irmandade local e altares com pedras duplas (Discovery, 1993). Segundo Elaine Neuenfeldt (1999:.6), o templo é datado aproximadamente da época do Bronze Recente, entre o 10º e 8º séculos a.E.C., quando possivelmente a reforma de Ezequias o extinguiu (2Rs 18).

Em Khirbet el-Qom, ao oeste de  Hebron, em 1967, outro arqueólogo encontrou um túmulo judaico da segunda metade do século VIII (Discovery, 1993), com uma inscrição na parede interior que Severino Croatto (2001:.36) traduz como:

1. Urijahu (...) sua inscrição. 
2. Abençoado seja Urijahu por Javé (lyhwh) 
3. sua luz por Asherah, a que mantém sua mão sobre ele 
4. por sua rpy, que... 

Segundo Hestrin, em 1975-1976, o arqueólogo israelita Ze’ev Meshel, em Kuntillet Adjrud, 50km ao sul de Qadesh-Barnea, na antiga estrada de Gaza a Elat, escavou uma pousada no deserto que continha várias inscrições. Controlado por Israel, este posto estatal encontrava-se em território de Judá, funcionando aproximadamente entre 800-775 a.E.C. No prédio  principal, em sua entrada, duas jarras de armazenagem com desenhos e inscrições foram encontradas e identificadas como pithos A e pithos B. Na inscrição do pithos A se lê: 

Diz... Diga a Jehallel... Josafa e...”: 
Abençoo-vos em YHWH de Samaria e sua Asherah. 
No pithos B se lê:

Diz Amarjahu: Diga ao meu Senhor: Estás bem?”. 
Abençoo-te em YHWH de Teman e sua Asherah. 
Ele te abençoa e te guarde e com meu senhor. 

Neste pithos aparecem três figuras,  duas masculinas retratos do Deus egípcio Bes e uma claramente feminina (seios em destaque) tocando uma lira. Ruth Hestrin (1991: 55–56), aponta ainda que em outra pintura egípcia, do túmulo do Faraó Tuthmosis III, está retratada uma Deusa na forma humana no tronco de uma árvore, apresentando alimento para o rei através do seio que é sustentado pelo braço, ambos saindo da árvore.

Willian Dever (Discovery: 1993) também aponta a dama-leão como uma forte evidência de que Asherah existiu  como Deusa no início de Israel. No mundo antigo, o leão quase sempre acompanhou o Deus chefe. Em uma estela egípcia a Deusa despida em cima de um leão é chamada de Qudshu, que para William F. Albright e Frank Cross é o equivalente egípcio do ugarítico ‘Atirat/‘Elat e do bíblico Asherah. Em outra  figura a árvore sagrada que representa Asherah é colocada em cima de um leão (Hestrin, 1991: 55-57). 

Em 1968, o arqueólogo americano Paul Lapp escavou um outro artefato muito famoso em Taanach, datando ao  final do 10º século a.E.C (Hestrin, 1991: 57). 

Num dos quartos da instalação cúltica foram encontrados prensa de óleo, forma para fazer figuras de Asherah, sessenta pesos de tear e 140 ossos de articulações de ovelhas e cabras (Neuenfeldt, 1999: 7).

Um quadrado oco de terracota, aberto na base, composto de quatro níveis ou róis também foi encontrado. Conforme Ruth Hestrin (1991: 57-58), no rol inferior, uma mulher nua flanqueada por dois leões é mais uma representação de Asherah, Deusa-mãe, o que é similar  á estela egípcia com Qudshu. No segundo rol temos uma abertura vazia no meio (provavelmente a entrada do templo) flanqueada por duas esfinges (corpo de leão, asas de pássaros e cabeça de mulher). O terceiro rol traz uma árvore sagrada da qual saem três pares de galhos, simbolizando a Deusa principal, Asherah, consorte de Baal e fonte da fertilidade, sendo flanqueada possivelmente por duas leoas. No rol superior temos um touro sem chifres,  com um disco de sol em cima, o que simboliza o Deus supremo não só na Mesopotâmia e no panteão hitita, como também no panteão cananeu. O jovem touro representa Baal,  principal Deus do panteão cananeu, que no II milênio substituiu El, cabeça do panteão. Em 1960, a arqueóloga inglesa Kathyn Kenyon descobriu centenas de estatuetas femininas quebradas em uma caverna perto do templo de Salomão em Jerusalém, para vários estudiosos  essa descoberta sinalizou a existência do templo, para outros determinou o fim dos cultos pagãos pelo rei Josias, o qual ordenou a destruição de todos os  vasos feitos para Baal e Asherah (Discovery, 1993).

Todas essas descobertas são fortes evidências da existência da Deusa Asherah. Parece claro que por determinado tempo essa Deusa teve mais espaço e representatividade na vida do povo em Canaã/ Israel, até ser taxada como a causa de todos os males que o povo estava sofrendo nas mãos de seus dominadores, em especial na época da dominação Babilônica, com toda experiência de destruição e exílio, 

Aserá, na maioria do tempo venerada sob o corpo de uma árvore, era, inicialmente, a parceira de YHWH, mas com o crescente desenvolvimento do javismo como religião de um deus masculino, transcendente e único, ela foi taxada como sua maior rival e inimiga (Ottermann, 2005: 48). 

A existência da Deusa Asherah remonta uma época de adoração a vários Deuses e Deusas, antes da ascensão do Javismo,

o culto da Deusa Árvore Asherah realizava-se, principalmente, em torno de uma árvore natural ou estilizada, ou seja, de um poste sagrado que podia estar ao lado de um altar seu ou de uma outra divindade, inclusive YHWH. Porém, seu culto foi realizado, de preferência, debaixo de uma árvore natural, nos chamados 'lugares altos', santuários ao ar vivo no topo das colinas e montanhas. Na maioria do  tempo, uma imagem ou símbolo de Asherah estava também presente dentro do próprio templo de Jerusalém (Ottermann, 2005:.49). 

É fato que a nova religião, centrada em Yahweh, vai se construindo e se impondo a partir da proibição a qualquer tipo de representação religiosa que não fosse Yahweh. De politeísta Israel passa a se constituir monoteísta, pelo menos na religião oficial. Provavelmente, adorações a Deuses e Deusas dentro das casas continuaram por longo tempo, como forma de resistência. A centralização no Deus único, Yahweh, que neste processo também se apropriou das funções de Asherah, custou caro aos outros Deuses e Deusas que compartilhavam da mesma cultura. Esta proibição atingiu a vida de homens e mulheres, que ali encontravam uma significação religiosa.

Seria ingênuo querer defender, neste contexto, uma sociedade no antigo Israel onde havia reciprocidade entre os sexos, pelo simples fato de existirem as Deusas. Pelo contrário, como reflete Simone de Beauvoir (2002:.91), o culto a Deusa se dá dentro de um contexto patriarcal,  onde a perda de representação da Deusa atinge profundamente e principalmente ao universo religioso das mulheres, sendo que, o culto a Asherah vai sobrevivendo, até ser definitivamente extinguido e proibido, dos espaços, das mentes e dos corpos, de homens e mulheres que tinham em Asherah uma fonte de significação para a vida. É nesse contexto patriarcal,  que Yahweh se torna uma forte 
representação do masculino no sagrado, justificando a dominação masculina, tanto no âmbito social, econômico, político, como religioso. A religião oficial israelita absorve então uma identidade somente masculina, onde o feminino passa a ser relegado ao espaço particular das mulheres. Por isso, é extremamente importante uma memória da Deusa, em especial Asherah, consorte de Yahweh, não só numa tentativa de reconstruir a história do antigo Israel, mas principalmente dar espaço e voz às divindades femininas, que são uma possibilidade de identificação sagrada das mulheres, em busca de relações mais recíprocas e humanizadas entre os gêneros.

Deusa Asherah: Uma imagem a partir dos Escritos Bíblicos

Conforme Ruth Hestrin (1991:.50), Asherah é mencionada cerca de 40 vezes na Bíblia Hebraica, de três formas  diferentes, ora como uma imagem que representa a própria Deusa, ora como  uma árvore ou como um tronco de árvore, que a simbolizam.

Asherah, a Deusa Cananéia, na mitologia ugarítica era conhecida como “Senhora do Mar”, a esposa de El, chefe do panteão dos Deuses. No Primeiro Testamento ela aparece muitas vezes  como esposa de Baal, sendo que na épica de Baal, Asherah cria os monstros que o devoram, se opondo à 
construção de um templo para Baal (Mackenzie, 1984:.82).

O culto a Asherah foi muito popular em Israel e Judá. O rei Asa (912-871 a.E.C), que ficou no poder durante  41 anos em Judá, empreendeu uma restauração no culto a Yahweh e “chegou a retirar de sua mãe a dignidade de Grande Dama, porque ela fizera um ídolo para Aserá; Asa quebrou o ídolo e queimou-o no vale do Cedron” (1Rs 15,13; cf. 2Cr 15,16). O ídolo remete na palavra hebraica mifleset, a algum objeto de culto, provavelmente de madeira.

É interessante perceber que o culto se  dá no palácio, em ambiente oficial (Croatto, 2001: 40-41). Já na passagem de 1Rs 16,33 “Acab erigiu também um poste sagrado...” demonstrando que Asherah também foi adorada em Israel. Em 2Cr 14,1-2, onde o rei Asa é lembrado como o rei que fez o que é “bom e justo aos olhos de Yahweh, seu Deus”, exatamente porque “eliminou os altares do estrangeiro e os lugares altos, despedaçou as estelas, destruiu as aserás...” ordenando o povo a praticar a lei e os mandamentos de Yahweh (cf. Jz 3,7).

Refletindo sobre os textos bíblicos que mencionam a Deusa Asherah teremos como pano de fundo o contexto que Silvia Schroer tão bem elucida, 

os/as repatriados/as da Babilônia tinham integrado a questão da culpa de tal maneira que consideravam sobretudo o culto às deusas como motivo da ruína de Israel. Os expoentes deste grupo conseguiram banir de Judá quase completamente o culto às deusas dentro de um século e de apagar, o máximo possível, as memórias dele. Não é por acaso que o culto clandestino à deusa acontece no contexto de proibições misóginas e xenófobas de casamentos mistos. Todas as tentativas que seguem, de integrar a deusa pelo menos na linguagem teológica, são tentativas assentadas dentro do sistema monoteísta (Schroer, 1995:.40).

A partir desta perspectiva, de demonização da Deusa ou das Deusas, tentaremos constatar, nos escritos bíblicos, os impactos e as conseqüências que tal visão e atitude trouxe para  a imagem da Deusa Asherah, que aos poucos passa a se tornar a Deusa proibida, a causa dos males e da ruína de 
Israel. 

A marginalização do feminino, das mulheres é um processo que  também se dá e se sustenta por meio de escritos bíblicos justificadores de uma sociedade patriarcal, atuando assim no que podemos chamar de “desempoderamento” das mulheres a partir do sagrado, o que trouxe e traz fortes impactos nas dimensões culturais, religiosas, sociais, econômicas e políticas. A seguir, em dois momentos, analisaremos citações bíblicas sobre Asherah. Primeiramente as que mencionam Asherah  como Deusa, depois as que aparecem com o nome “poste sagrado”, símbolo da Deusa. 
A Deusa Asherah: 

Há uma preocupação dos redatores bíblicos de excluir qualquer suspeita da Deusa Asherah ao lado de Yahweh, como sua consorte, de tal forma que os escritos bíblicos possivelmente foram  redigidos com a intenção de apagar e demonizar a presença da Deusa. As inúmeras citações sobre Asherah demonstram seu peso no contexto religioso, o que faz dela uma grande  ameaça ao monoteísmo javista em ascensão.

Em 1Rs 18,19, “pois bem, manda que se reúna junto de mim no monte Carmelo, todo o Israel com os quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal e os quatrocentos profetas de Aserá, que comem à mesa de Jerusalém”, a referência a Asherah geralmente é considerada uma glosa. Quem incluiu esta 
referência tinha claro que Asherah era uma Deusa e a coloca em paralelo com Baal (Croatto, 2001:.41). 

O rei Josafá (871-848 a.E.C), filho e sucessor do rei Asa, deu continuidade à política de seu pai, “Yahweh manteve o reino em suas mãos” (2Cr 17,5), pois “seu coração caminhou nas sendas de Yahweh e ele suprimiu de novo em Judá os lugares altos e as aserás” (2Cr 17,6). Em outra passagem, Josafá após combater contra Aram,  apesar de ferido, volta com vida para Jerusalém sendo aclamado por Jeú, o vidente,

deve-se levar auxílio ao ímpio? Amarias aqueles que odeiam Yahweh, para assim atrair sobre ti sua cólera? Todavia, foi encontrado em ti algo de bom, pois eliminaste da terra as aserás e aplicaste teu coração à procura de Deus (2Cr 19,3). 

Ezequias (727-698 a.E.C), filho e sucessor de Acaz, é lembrado como o rei que “fez o que é agradável aos olhos de Yahweh”. Durante o seu reinado, após a celebração da Páscoa e da festa dos Ázimos é empreendida uma reforma do culto, 

terminadas todas essas festas, todo o Israel que lá se achava saiu pelas cidades de Judá quebrando as estelas, despedaçando as aserás, demolindo os lugares altos e os altares, para eliminá-los por completo de todo o Judá, Benjamim, Efraim e Manassés. A seguir, todos os israelitas voltaram para suas cidades, cada um para seu patrimônio (2Cr 31,1).  

Nesta época o Reino do Norte, Israel, já havia sido destruído, sendo assim, Judá, Reino do Sul, tornou-se o único espaço onde a identidade religiosa do povo de Yahweh poderia ser  mantida. Foi nesse contexto que Ezequias promoveu uma extensa reforma religiosa e política, com intenções de 
reunir o povo em torno de um só Deus e um só rei. Por isso, Ezequias é exaltado pelos redatores deuteronomistas como o rei que “fez o que agrada aos olhos de Yahweh” (2Rs 18,3). A reforma religiosa de Ezequias era baseada nas seguintes medidas: no combate a idolatria, na centralização do culto a Yahweh em Jerusalém e no cumprimento dos mandamentos. Tais medidas podem ter sido fundamentadas no documento trazido do Norte (Dt 12-26), que foi adaptado à reforma em Judá. Josias retoma 100 anos mais tarde este documento para empreender sua reforma religiosa e política (Gass, 2005: 78-83).

O rei Manassés (698-643 a.E.C), filho e sucessor de Ezequias, é lembrado pelos redatores como um rei que “fez mal aos olhos de Yahweh”, justamente porque reconstruiu os lugares altos que seu pai havia destruído, ergueu altares para os baais e fabricou postes sagrados, prestando-lhes culto. 

No entanto, foi construir altares dentro do Templo de Yahweh (2Rs 21,7) a maior abominação para os redatores, que ao final dos escritos sobre Manassés relatam sua conversão a Yahweh. “Sua  oração e como foi ouvido, todos os seus pecados e sua impiedade, os sítios onde havia construído os lugares altos e erguido aserás e ídolos antes de se ter humilhado, tudo está consignado na 
história de Hozai” (2Cr 33,19). 

O rei Josias (640-609 a.E.C) empreendeu uma reforma a partir de 622 a.E.C fazendo de Jerusalém o centro político e religioso de seu estado, destruindo os santuários de Yahweh que havia no interior e acabando com os cultos cananeus e assírios, que aconteciam no templo de Jerusalém e nos lugares altos. A reforma de Josias atingiu a liberdade religiosa popular, pois ordenou  

a Helcias, o sumo sacerdote, aos sacerdotes que ocupavam o segundo lugar e aos guardas das portas que retirassem do santuário de Yahweh todos os objetos de culto que tinham sido feitos para Baal, para Aserá e para todo o exército do céu, queimou-os fora de Jerusalém, nos campos do Cedron e levou suas cinzas para Betel (2Rs 23,4). 

Com isso, o culto exclusivo a Yahweh é reafirmado pela corte e pela classe sacerdotal de Jerusalém, exclusividade que custou caro à religiosidade popular (Gass, 2003:.134-138).

Josias ainda “demoliu as casas dos prostitutos sagrados, que estavam no templo de Yahweh, onde as mulheres teciam véus para Aserá” (2Rs 23,7). Aqui provavelmente se trata de vestidos feitos para a estátua de Asherah (Croatto, 2001:.41).

As intenções daqueles que redigiram tais textos parecem claras, ou seja, querem demonstrar que o “bom e justo” rei e povo é aquele que elimina qualquer resquício da presença de outros Deuses e Deusas em Israel, que o rei ou povo que “faz mal aos olhos de Yahweh” seria justamente aquele que aceita a realidade politeísta. Na citação a seguir além de derrubar, despedaçar e reduzir a pó os 
altares, Josias manda espalhar este  pó sobre o túmulo dos que ofereciam sacrifício a Baal e Asherah, ou seja, está explicíto que pessoas foram assassinadas. Aqui o nome Asherah também aparece no plural, 

no oitavo ano de seu reinado, quando ainda não era mais que um adolescente, começou a buscar ao Deus de Davi, seu antepassado. No décimo segundo ano de seu reinado, começou a purificar Judá e Jerusalém dos lugares altos, das aserás, dos ídolos de madeira ou de metal fundido. Derrubaram diante dele os altares dos baais, ele próprio demoliu os altares de incensos que estavam sobre eles, despedaçou as aserás, os ídolos de madeira ou de metal fundido, e tendo-os reduzido a pó, espalhou o pó sobre os túmulos dos que lhes ofereceram sacrifícios (...) Nas cidades de Manassés, de Efraim, de Simeão e também de Neftali e nos territórios devastados que os rodeavam, ele demoliu os altares, as aserás, quebrou e pulverizou os ídolos, derrubou os altares de incenso em toda a terra de Israel e depois voltou para Jerusalém (2Cr 34,3-4.6-7). 

Em Is 27,9 a Deusa Asherah é taxada de forma explícita como o pecado de Israel, a causa de sua iniqüidade e ruína, devendo ser banida por completo, 

porque, com isto, será expiada a iniqüidade de Jacó. Este será o fruto que ele há de recolher da renúncia ao seu pecado, quando reduzir todas as pedras do altar a pedaços, como pedras de calcário, quando as Aserás e os altares de incenso já não permanecerem de pé.  

Está claro que a ascensão do culto exclusivo a Yahweh não se faz de forma tranqüila, mas de forma violenta, a partir da intolerância religiosa, da destruição e da eliminação por completo do outro, que se torna uma ameaça.

Asherah como objeto cúltico: 

A proibição “não plantarás um poste sagrado ou qualquer árvore ao lado de um altar de Yahweh teu Deus que hajas feito para ti, nem levantarás uma estela, porque Yahweh teu Deus a odeia” (Dt 16-21-22), conforme Croatto (2001:.42), revela que o objeto que simboliza Asherah é feito de madeira, que está plantado, ou seja, é um poste ou uma  estaca e não uma estátua, que sua colocação “ao lado de um altar de Yahweh” transparece o caráter cultual do símbolo e principalmente a associação da Deusa simbolizada junto com o próprio Yahweh.

Em Jz 6,25 o pai de Gedeão possuía  um altar de Baal que tinha uma Asherah ao lado, “aconteceu que, naquela mesma noite, Yahweh disse a Gedeão: Toma o touro de teu pai, o touro de sete anos, de uma segunda cria destrói o altar de Baal que pertence a teu pai e quebra o poste sagrado que está ao lado”. Conforme Jz 6,26.28, o 'poste sagrado' é queimado. Tal atitude provocou revolta, “os habitantes da cidade disseram então a Joás: Traze para fora o teu filho, para que morra, porquanto destruiu o altar de Baal e cortou o poste sagrado que estava ao lado” (Jz 6,30).
  
Acab (874-853 a.E.C) construiu um templo de Baal para sua esposa fenícia, “erigiu também um poste sagrado e cometeu ainda outros pecados, irritando Yahweh, Deus de Israel, mais  que todos os reis  de Israel que o precederam” (1Rs 16,33).

Os redatores deuteronomistas se queixam que na época do rei Joacaz (813-797 a.E.C) o culto a Asherah esteve presente “todavia, não se apartaram do pecado ao qual a casa de Jeroboão havia arrastado Israel; obstinaram-se nele e até mesmo o poste sagrado permaneceu de pé em Samaria” (2Rs 13,6). A ruína da Samaria é então explicada  em 2Rs 17,16 porque “rejeitaram os mandamentos de Yahweh seu  Deus, fabricaram para si estátuas de metal fundido, os dois bezerros de ouro, fizeram um poste sagrado, adoraram todo o exército do céu e prestaram culto a Baal”.

Manassés desfaz a reforma de seu pai Ezequias “reconstruiu os lugares altos que Ezequias, seu pai, havia destruído, ergueu altares a Baal, fabricou um poste sagrado, como havia feito Acab, rei de Israel...” (2Rs 21,3). Em 2Rs 23,6 o rei Josias tira Asherah de dentro do Templo de Jerusalém, transportou do Templo de Yahweh para fora de Jerusalém, para o vale do Cedron, o poste sagrado e queimou-o no vale do Cedron, reduziu-o a cinzas e lançou suas cinzas na vala comum.

Na citação de 2Rs 23,15b supõe-se que havia uma Asherah em Betel, muito antes de Josias, mas que este a “queimou”, 

demoliu também o altar que estava em  Betel, o lugar alto edificado por 
Jeroboão, filho de Nabat, que havia arrastado Israel ao pecado, demoliu 
também esse altar e esse lugar alto, queimou o lugar alto e o reduziu ao pó, 
queimou o poste sagrado. 

Conforme Croatto (2003:.43) o termo aserot (“os postes”) que designa o símbolo específico da Deusa Asherah é  encontrado em poucos lugares. No plural, aparece geralmente no masculino (aserim). Nestas citações o termo já perdeu seu sentido original de símbolo da Deusa Asherah, num processo de “masculinização” que tenta apagar qualquer memória da Deusa.

Estes textos bíblicos nos ajudam a perceber o profundo processo de erradicação da Deusa Asherah, apagando qualquer resquício de sua memória, causando conseqüências drásticas à importância de Asherah na religiosidade do povo, bem como, no antigo culto ao lado de Yahweh. Os redatores bíblicos têm uma intenção nítida, contar a história a partir de Yahweh, único Deus, de tal forma que Asherah de consorte passe a ser sua rival, ou seja, a elite de escritores bíblicos tinham uma idéia daquilo que Deus deveria ser, único e masculino: Yahweh, negando assim toda a realidade politeísta em Israel.

Conclusões 

Concluímos que Asherah possivelmente era uma Deusa e consorte de Yahweh no Antigo Israel e não um simples atributo deste. Várias descobertas arqueológicas e mencionadas nesta  pesquisa nos ajudam na reflexão, destacando as de Khirbet el-Qom, em 1967 e a de Kuntillet Adjrud, em 1976, que traz a inscrição “abençoo-te em Yahweh de Teman e sua Asherah”. 

A proibição da Deusa Asherah é fruto de um dado momento histórico de elaboração e ascensão do monoteísmo javista. A identidade judaica, após a drástica experiência do exílio babilônico e na tentativa  de reorganização da nação, passa a se constituir em torno de três pilares: um só Deus, um só Povo e uma só Lei. A centralidade em Yahweh se torna um fator importante de credibilidade e legitimação da nova identidade nacional em formação, resultado das reformas empreendidas por Esdras e Neemias. A idolatria se torna então a culpa da ruína de Israel e neste contexto Yahweh é triunfante. Isso irá se refletir no conflito que os textos bíblicos demonstram em relação a Asherah e a outros Deuses e Deusas, bem como, em relação principalmente às mulheres estrangeiras.

Podemos claramente perceber que  a elaboração e instituição do monoteísmo não se deu de forma democrática e muito menos pacífica. A partir de um contexto politeísta, a centralidade em Yahweh é um processo violento, de destruição da cultura religiosa do outro e da outra, de proibição do diferente, demonizando-o e tornando-o uma ameaça. Um processo nítido de intolerância religiosa.

A supressão do culto e da imagem da Deusa Asherah traz consigo conseqüências profundas para as relações entre os gêneros, afetando em especial aos corpos das mulheres, que tinham na Deusa uma possibilidade de representação do feminino  no sagrado. A religião judaica vai se constituindo em torno de um único Deus masculino, legitimando historicamente uma sociedade patriarcal. Este poder divino imaginado somente como Deus afetou as mulheres, as crianças, a natureza, pois quase sempre partiu de um pressuposto de dominação, opressão e hierarquização das relações, tanto 
humanas como ecológicas. 

Afirmar Asherah como Deusa é polêmico, mas necessário à religião e à pesquisa bíblica. Dar voz a uma época em que Deuses e Deusas eram adorados, em que o próprio Yahweh foi adorado ao lado de Asherah, nos impulsiona a re-pensar não só as relações pré-estabelecidas entre homens e mulheres, bem como, a própria representação do sagrado estabelecida. Re-imaginar o sagrado como Deusa é re-imaginar as relações de poder, não numa tentativa de apagar a presença  de Deus e sim de dar espaço ao feminino no sagrado, novamente o feminino não como um atributo do Deus masculino, mas como Deusa. Esta talvez seja uma grande contribuição da reflexão feminista, que nos desloca e nos provoca a re-imaginar o sagrado, como possibilidade de reimaginar a sociedade e as estruturas cristalizadas secularmente.

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Recebido em abril/2007. 
Aprovado em junho/2007.
ISSN 1981-1225 
Dossiê Religião 
N.4 – abril 2007/julho 2007 
Organização: Karina K. Bellotti e Mairon Escorsi Valério