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A CIÊNCIA DO ERRO | Sobre Verdades, Veracidade e Realidade Objetiva - Parte 1: Uma resposta a Marcelo Gleiser

A CIÊNCIA DO ERRO Sobre Verdades, Veracidade e Realidade Objetiva Parte 1:   Uma resposta a Marcelo Gleiser Dedicado ao me...

segunda-feira, 30 de março de 2020

COVID-19 E A CORAGEM DA VERDADE



Observem o Gráfico e a Tabela acima, informações atualizadas em 30 de Março de 2020, cuja fonte é o MINISTÉRIO DA SAÚDE DO BRASIL! O que podemos concluir de uma análise superficial, com noções básicas de estatística? O que você vê? Primeiro, que a riqueza não é parâmetro de contágio, mas densidade populacional sim - como se nota também na Europa e nos Estados Unidos. O problema, no caso da riqueza ou da pobreza, é a taxa de mortalidade. Já imaginou o que acontecerá em uma favela? Na África, com baixa densidade demográfica em relação com a Europa ou Ásia, o contágio será propagado mais rapidamente nos países mais densamente povoados, como a África do Sul; mas a morte encontrará morada nos países mais pobres. E é importante considerar que a África entende de barreiras epidemiológicas; e, apesar dos pesares, sabem cumprir uma quarentena. Eles conhecem o preço do sofrimento, e já perderam a conta...

Depois, notamos que o vírus prefere sim climas amenos ou frios, mas vive muito bem em todos os climas do planeta, do norte ao sul da Europa, no fim do inverno, e da Austrália ao Brasil, passando pela Malásia, Índia, todo calor Africano, e nas dimensões continentais dos Estados Unidos. Mas as pandemias se comportam de forma muito distinta em termos de sazonalidade, quando comparadas com o convívio viral típico.

Muitas doenças infecciosas aumentam e diminuem com as estações do ano. A gripe geralmente chega com os meses mais frios do inverno, assim como o norovírus o "vírus do vômito". Outros, como a febre tifoide, tendem a atingir o pico durante o verão. Os casos de sarampo caem durante o verão em climas temperados, enquanto nas regiões tropicais atingem o pico na estação seca. Por isso, muitas pessoas agora estão perguntando se podemos esperar uma sazonalidade semelhante no caso Covid-19. Desde que surgiu na China, em meados de dezembro, o vírus se espalhou rapidamente, com o número de casos agora aumentando mais acentuadamente na Europa e nos EUA. Muitos dos maiores surtos ocorreram em regiões onde o clima é mais frio, levando a especulações de que a doença possa começar a diminuir com a chegada do verão. Muitos especialistas, no entanto, já alertaram contra o uso desta informação como uma certeza epidemiológica, o que seria inteiramente falso.

E eles estão certos por recomendarem a cautela. O Covid-19 - oficialmente denominado SARS-CoV-2 - é novo demais para ter dados firmes sobre como os casos mudarão com o tempo. O vírus Sars estreitamente relacionado que se espalhou em 2003 foi contido rapidamente, o que significa que há pouca informação sobre como foi afetado pelas estações do ano. Mas existem algumas pistas de outros coronavírus que infectam os humanos sobre se o Covid-19 pode eventualmente se tornar sazonal.

Um estudo realizado há 10 anos por Kate Templeton, do Centro de Doenças Infecciosas da Universidade de Edimburgo, Reino Unido, descobriu que três coronavírus - todos obtidos de pacientes com infecções do trato respiratório em hospitais e cirurgias de GP em Edimburgo - mostraram “sazonalidade acentuada no inverno ”. Esses vírus pareciam causar infecções principalmente entre dezembro e abril - um padrão semelhante ao observado com a gripe. Um quarto coronavírus, encontrado principalmente em pacientes com sistema imunológico reduzido, era muito mais esporádico. Há algumas dicas de que o Covid-19 também pode variar com as estações do ano. A disseminação de surtos da nova doença em todo o mundo parece sugerir que ela tem preferência por condições frescas e secas.

Uma análise inédita comparando o clima em 500 locais em todo o mundo onde houve casos do Covid-19 parece sugerir uma ligação entre a disseminação do vírus e a temperatura, a velocidade do vento e a umidade relativa. Outro estudo não publicado também mostrou que temperaturas mais altas estão ligadas à menor incidência de Covid-19, mas observa que a temperatura sozinha não pode explicar a variação global na incidência. Pesquisas posteriores ainda não publicadas preveem que o clima ameno e/ou frio é o mais vulnerável ao atual surto de Covid-19, seguido por regiões áridas. Partes tropicais do mundo provavelmente serão menos afetadas, dizem os pesquisadores. Mas outro fator muito importante aí, é a densidade populacional. Normalmente, regiões áridas são menos povoadas, assim como regiões úmidas em densamente florestais.

Mas sem dados confiáveis ao longo de várias temporadas os pesquisadores só podem confiar na modelagem computacional para prever o que pode acontecer ao longo do ano. Extrapolar dados sobre a sazonalidade do Covid-19 com base em coronavírus endêmicos - ou seja, vírus que circulam nas populações humanas há algum tempo - é um desafio. Isso não é menos importante, porque os vírus endêmicos são sazonais por vários motivos que podem não se aplicar atualmente à pandemia do Covid-19.

As pandemias não seguem os padrões sazonais...

Como dito, as pandemias geralmente não seguem os mesmos padrões sazonais observados mesmo em surtos. A gripe espanhola, por exemplo, atingiu o pico durante os meses de verão, enquanto a maioria dos surtos de gripe ocorre durante o inverno. Deixando um registro oficial de 50 milhões de mortos; que, em função da precariedade da época, podem ter chegado facilmente à 100 milhões. Vale lembrar ainda que a epidemia começou nos Estados Unidos, durante a Primeira Guerra, tendo sido acobertado pelas autoridades, até ser desvelada ao mundo pela Espanha - que finalmente teria o seu gentilício ligado à epidemia. E o próprio avô do presidente Trump morreu da doença. Ele minimizou o efeito da nova pandemia, para depois curvar-se aos números, que catapultaram os Estados Unidos ao topo da lista, com 50% mais em casos do que a China, embora com uma população 5 vezes menor. "Eventualmente, esperaríamos ver o Covid-19 se tornar endêmico", diz Jan Albert, professor de controle de doenças infecciosas especializado em vírus no Instituto Karolinska, em Estocolmo. “E seria realmente surpreendente se não mostrasse sazonalidade na época.

A grande questão é se a sensibilidade deste vírus às estações influenciará sua capacidade de se espalhar em uma situação de pandemia. Não sabemos ao certo, mas deve estar profundamente entendido que isso é possível." Portanto, precisamos ser cautelosos ao usar o que sabemos sobre o comportamento sazonal de outros coronavírus para fazer previsões sobre a atual pandemia de Covid-19. Mas por que a família coronavírus é sazonal? E por que isso oferece esperança para esse surto? Os coronavírus pertencem à família dos chamados "vírus envelopados". Isso significa que eles são revestidos com uma camada oleosa, conhecida como bicamada lipídica, cravejada com proteínas que se destacam como pontas de uma coroa, ajudando a dar-lhes o nome - sendo "corona" a versão em Latim para coroa.

Pesquisas com outros vírus envelopados sugerem que esse revestimento oleoso os torna mais suscetíveis ao calor do que aqueles que não possuem um. Em condições mais frias, o revestimento oleoso endurece para um estado semelhante a borracha, assim como a gordura da carne cozida endurece à medida que esfria, para proteger o vírus por mais tempo quando está fora do corpo. A maioria dos vírus envelopados tende a mostrar forte sazonalidade como resultado disso. Mas, pesquisas já mostraram que o Sars-Cov-2 pode sobreviver por até 72 horas em superfícies duras, como plástico e aço inoxidável, a temperaturas entre 21-23 °C (70-73 °F) e umidade relativa de 40%.

De forma que, não sabemos como o vírus Covid-19 se comporta diante da temperatura e umidade, e precisamos de mais tempo, dados confiáveis, e testes. Por outro lado, pesquisas com outros coronavírus sugerem que eles podem sobreviver por mais de 28 dias a 4 °C. O que poderia justificar mais contaminação em climas frios do que quentes, mas nunca eliminar o contagio sob outras condições, e principalmente como justificativa para descartar o isolamento. Isso porque mesmo diante de uma sobrevida mais baixa no calor, a densidade populacional desempenha um caráter forte de disseminação, e uma vez contaminado a luta passa ocorrer dentro do organismo. Um coronavírus intimamente relacionado que causou o surto de Sars em 2003 também sobrevivia melhor em condições mais frias e secas. Por exemplo, o vírus Sars em superfícies secas e lisas permaneceu infeccioso por mais de cinco dias entre 22 e 25 °C, com uma umidade relativa de 40 a 50%.

Quanto mais alta a temperatura e a umidade, mais curta foi a sobrevida do vírus. Lembrando sempre que isso aumenta ou diminui a OPORTUNIDADE infecciosa, por mais ou menos tempo, mas se o contagio é rápido, pela densidade populacional, então essa variável será praticamente anulada. É por esse motivo que as pandemias não respeitam climas e períodos sazonais típicos. “O clima entra em jogo porque afeta a estabilidade do vírus fora do corpo humano quando expulso por tosse ou espirro, por exemplo”, diz Miguel Araújo, que estuda os efeitos das mudanças ambientais na biodiversidade no Museu Nacional de Ciências Naturais de Madri Espanha. “Quanto maior o tempo em que o vírus permanece estável no ambiente, maior sua capacidade de infectar outras pessoas e se tornar epidêmica. Enquanto o Sars-Cov-2 se espalhava rapidamente por todo o mundo, os principais surtos ocorreram principalmente em locais expostos ao clima frio e seco.”

Por outro lado, o frio faz com que as pessoas procurem o confinamento, para proteger-se do frio. Mas é muito importante repetir: A OPORTUNIDADE DE CONTAMINAÇÃO POR SOBREVIDA DO VÍRUS FORA DO COMPORTO É SUPERADA PELA DENSIDADE CONTAGIOSA. Explico com um exemplo, não sendo este o caso do Sars-Cov-2, pela carência de dados: se o vírus vive fora do corpo humano por apenas um dia em clima quente e úmido, três dias em clima quente e seco, e cinco em clima frio, a oportunidade de contágio será proporcional à essa condição; mas, a concentração de pessoas representará um fator multiplicativo, em uma taxa de contágio de um para seis, o que supera inclusive a componente de sobrevida do vírus; concluindo que tanto o clima quando a densidade demográfica jogam papéis relevantes, sendo a densidade demográfica superior em qualquer pandemia.

Os modelos estatísticos parecem confirmar ao padrão de surtos em todo o mundo, com o maior número de casos fora dos trópicos. Ou seja, no caso do Brasil isso diminuiria a incidência apenas no Norte do Brasil, e precisamente em nossas regiões menos povoadas; explicando também porque existe mais casos no Sul e Sudeste, com temperaturas mais amenas e em regiões densamente povoadas. Araújo, o especialista espanhol citado, acredita também que se o Covid-19 apresentar a sensibilidade esperada para a temperatura e umidade, isso pode significar que os casos de coronavírus poderão eclodir em momentos diferentes por todo o mundo. Isso sem descartar que o raciocínio não modifica as ações neste momento, já que estamos lidando com uma pandemia; mas aponta o futuro para esta doença que passará a viver entre nós. É razoável esperar vírus da mesma família mutacional compartilhem comportamentos semelhantes. Mas Araújo destacada que “[...] essa não é uma equação de uma variável. O vírus se espalha de humano para humano. Quanto mais humanos em um determinado local e quanto mais eles entrarem em contato, mais infecções haverá. O comportamento deles é essencial para entender a propagação do vírus.” E retornamos ao importante aspecto das barreiras epidemiológica.

Uma pandemia não é uma equação 
com apenas uma variável... 

Outro estudo, dessa vez conduzido pela Universidade de Maryland, mostrou que o vírus se espalhou mais nas cidades e regiões do mundo onde as temperaturas médias estão em torno de 5-11 ° C (41-52 ° F) e a umidade relativa é baixa. Mas também houve um número considerável de casos em regiões tropicais. Uma análise recente da disseminação do vírus na Ásia, por pesquisadores da Harvard Medical School - onde também estudei -, sugere que esse coronavírus pandêmico será menos sensível ao clima do que muitas esperam. Eles concluem que o rápido crescimento de casos em províncias frias e secas da China, como Jilin e Heilongjiang, juntamente com a taxa de transmissão em locais tropicais, como Guangxi e Cingapura, sugere que aumentos na temperatura e na umidade, durante a primavera e o verão, poderão levar ao declínio nos casos. Lembrando que o Brasil adentra o outono, à caminho do inverno - que é bem mais rigoroso no sul. O estudo enfatiza ainda sobre a necessidade de extensas intervenções e extremas medias em saúde pública para conter e controlar o avanço da doença.

Isso ocorre porque a propagação de um vírus depende muito mais do que simplesmente sua capacidade de sobreviver no ambiente. E é aí que a compreensão da sazonalidade das doenças se torna complicada. Para uma doença como o Covid-19, são as pessoas que estão disseminando o vírus e, portanto, mudanças sazonais sobre o comportamento humano também podem levar a mudanças nas taxas de infecção. Os casos de sarampo na Europa, por exemplo, tendem a coincidir com o período escolar, e diminuindo durante as férias - quando as crianças não estão transmitindo o vírus umas às outras. Também foi sugerido que a enorme migração de pessoas ao redor do Ano Novo Lunar da China, em 25 de janeiro, teve um papel fundamental na expansão do Covid-19 de Wuhan para outras cidades da China e do mundo. O clima também pode mexer com o próprio sistema imunológico, nos tornando mais vulneráveis ​​à infecções.

Existem evidências de que os níveis de vitamina D em nossos corpos podem afetar a vulnerabilidade à doenças infecciosas. No inverno, nosso corpo produz menos vitamina D, devido ao decréscimo na exposição à luz solar, principalmente porque passamos mais tempo em ambientes fechados e nos envolvemos em roupas contra o ar frio. Mas alguns estudos sérios e bem conduzidos demonstram ser improvável que essa teoria seja responsável isoladamente pela variação sazonal observada em doenças como a gripe. Mais controversa ainda é a discussão sobre a influência do frio enfraquecendo o nosso sistema imunológico; alguns estudos sugerem que sim, mas outros apontam o aposto, de que o frio aumenta a nossa resistência imunológica, aumentando o número das células que defendem nosso corpo contra infecções.

Há evidências mais fortes, no entanto, de que a umidade pode ter um impacto maior na nossa vulnerabilidade à doenças. Quando o ar está particularmente seco, reduz-se a quantidade de muco que reveste nossos pulmões e vias aéreas. Essa secreção pegajosa forma uma defesa natural contra infecções; e, com menos muco, estaremos naturalmente mais vulneráveis ​​aos vírus. Estudo todas essas variáveis e suas correlações. Muitas destas variáveis apresentam forte correlação entre si, e isso interfere em uma regressão linear múltipla, e muitas vezes escondendo as correlações mais fortes quando vistas de forma global.

Minhas investigações sobre os dados disponíveis, resultado de um trabalho em graduação avançada em Estatística e Ciência e Análise de Dados pelo MIT, apontam para uma correlação muito acentuada com a densidade populacional, seguida pela umidade, e finalmente pelo clima. Minhas observações e modelos se encaixam perfeitamente ao quadro observado para o SARS-CoV-2.

Um estudo intrigante levado à cabo por cientistas chineses, sugere que existe algum tipo de relação entre o quão mortal o Covid-19 pode ser e as condições climáticas. Eles analisaram quase 2.300 mortes em Wuhan, China, e as compararam com os níveis de umidade, temperatura e poluição no dia em que ocorreram. Isso nos leva ao tema do MUCO... Embora ainda não tenha sido publicado em uma revista acadêmica, suas pesquisas sugerem que as taxas de contaminação eram mais baixas nos dias em que os níveis de umidade e temperatura eram mais altos. Também sugere que, nos dias em que as faixas de temperatura máxima e mínima eram maiores, havia níveis mais altos de contaminação. Esse trabalho esta baseado em modelagem computacional, de modo que somente dados muito confiáveis, colhidos com a frequência adequada, e em grande número, poderão aproximar o modelo da realidade.

Portanto, o desafio de prover um PROGNÓSTICO CONFIÁVEL sobre o comportamento deste vírus ainda será muitas vezes revisitado; sendo a Biologia, apoiada pela Ciência de Dados, o ambiente seguro e de onde emerge o conhecimento necessário para este sério embate que une todo o globo. Como o vírus que causa a pandemia do Covid-19 é novo, é improvável que muitas pessoas, se houver alguma, tenham imunidade contra ele; isso, até que tenham sido infectadas e se recuperem com facilidade e naturalmente. Isso significa que o vírus se espalhará, infectará e causará doenças de maneira bem diferente dos vírus endêmicos.

Na verdade, estamos diante de quadros dramáticos vividos no passado, como a Gripe Espanhola, a Peste negra e congeneres; deitando centenas de milhões de vidas pelo caminho, em função da falta de conhecimento biológico e recursos computacionais, assim como estratégias imunológicas e anti-epidemiológicas, conhecimento em infectologia viral e terapias científicas de combate e luta pela vida.

Um estudo publicado na Nature pelo Imperial College of London, onde também estudei, fez a predição de mais de 40 milhões de mortos pelo Covid-19 sem as medidas de isolamento e barreiras epidemiológicas; mas dificilmente escaparemos adicionar mais de seis dígitos ao número de mortos. 

As viagens aéreas têm sido a principal rota pela qual o vírus se espalhou pelo mundo tão rapidamente, diz Vittoria Colizza, diretora de pesquisa do Instituto Francês de Saúde e Pesquisa Médica. Mas uma vez que começa a se espalhar dentro de uma comunidade, é o contato próximo entre as pessoas que dirigem a transmissão. Interromper o contato entre as pessoas também deve reduzir as taxas de infecção. É exatamente isso que muitos governos tentam fazer com o crescente bloqueio de locais públicos em todo o mundo. "Ainda não há evidências para um comportamento sazonal do Covid-19", assevera Colizza. "O componente comportamental também pode desempenhar um importante papel." Mas ela alerta que é muito cedo para saber se as medidas adotadas serão suficientes para impedir a propagação do vírus, e se "Por si só, poderá reduzir parcialmente a contagiosidade efetiva devido à redução dos contatos ao longo dos quais a doença pode ser transmitida."

E os casos do Covid-19 podem aumentar nos próximos meses, sobretudo por decisões políticas equivocadas, como do presidente Trump - que já voltou atrás em função dos caixões lacrados -, e de Bolsonaro - cuja teimosia obtusa persiste; também enfrentaremos falhas nas medidas de prevenção, isolamento e bloqueios. Também poderemos experimentar um cenário de imunidade crescente na população, como efeito da sazonalidade, como sugerem os modelos. Se houver um efeito sazonal, isso ainda poderá mascarar a correlação com as demais variáveis, como a demografia.

Em países onde um forte bloqueio mitigou a contaminação, não seria surpresa alguma se uma nova onda, o efeito rebote, eclodisse no outono e no inverno... e surpreendendo com a força de um tsunami epidemiológico. Mesmo que o Covid-19 mostre alguma variabilidade sazonal, é improvável que desapareça inteiramente durante os meses de verão, como alguns sugeriram. Mas, uma queda nos casos pode trazer muitos benefícios, ou até mesmo representar um divisor de águas. As medidas que estamos tomando para nivelar a curva são custosas, em termos econômicos, da economia doméstica ao panorama macroeconômico; mas podem nos ajudar a levar essa pandemia para o verão no hemisfério norte; no sul, as medidas terão um caráter preventivo, e ainda mais relevante.

Se houver alguma sazonalidade, sendo esse o cenário mais provável, achatar a curva ajudará os sistemas de saúde do mundo inteiro a lutar contra o tempo e suas limitações. É hora de FORÇOSAMENTE, DISPONIBILIZAR MAIS RECURSOS PARA A SAÚDE. E em um mundo que luta para lidar com o número cada vez maior de casos, pode ser esse o tempo que precisamos... desesperadamente. 

Conhecimento salva vida, ignorância mata... mesmo com boa vontade. 
A economia pode ser ressuscitada, mortos não - nem hoje, nem nunca... 
Fantasias à parte, e esqueçam discursos políticos populistas, 
TODA VIDA É IMPORTANTE... 
Cada pessoa da sua família, de sua lista de contatos, cada pessoa de minha família... 
Não façamos apostas com a vida humana... 

Em resposta ao presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, na mesma linha que o inóbil presidente Jair Bolsonaro, quando declarou que "a vida não tem valor infinito", eu lhe pergunto: QUANTO VALE A VIDA DE SEU FILHO? E A SUA? O seu plano médico cobre tratamento no Sírio-Libanês e no Einstein... e brasileiro recorrerá ao SUS com seus entes queridos nos braços e sufocando... "Muita bobagem é feita e dita, inclusive por economistas, por julgarem que a vida tem valor infinito. O vírus tem que ser balanceado com a atividade econômica"... Absurdo, terrível... 

Mas pode piorar, e piora com Bolsonaro, declarando em cadeia nacional, do alto do cargo que ocupa, que essa pandemia perigosíssima não passa de uma “gripezinha”. Sua ignorância galopante ainda acredita em mortos de frio... Mas como? Congelamento? Ninguém no Ministério da Saúde explicou ao presidente que gripe é causada por vírus, e jamais por firo? Mas ele sempre se supera: “Alguns vão morrer? Vão! Fazer o que, é da vida…”. Vão morrer agonizando sem atendimento, e o número no Brasil pode chegar a seis dígitos... E Bolsonaro frequente o Sírio-Libanês. 

Tudo isso é verdade, assim como é verdade que o PT, comandado por psicopatas, e chefiado por Lula, dilapidou a economia, e preferiu "estádios" do que "hospitais". Mas e daí? Isso torna as declarações de Bolsonaro sobre a pandemia legitimas? Jamais... Trata-se de uma falácia retórica e intelectiva, o Non Sequitur, ou "não se segue". Verdades ou meias-verdades são alinhadas para criar a falsa ideia de que uma coisa justifica a outra. E antes que o maniqueísmo seja tentando, declaro que votei em Bolsonaro... e mais: VOTARIA OUTRA VEZ! Por quê? Porque lutei contra um mal AINDA maior. Foi necessário utilizar o meu voto para encarcerar um perigoso psicopata, um cleptocrata, um autocrata, para empossar um IMBECIL... Mas um imbecil transparente, e que respeita os poderes - até aqui. É claro que seria muito pior com Lula, roubando em plena crise... Mas isso não desliga a minha honestidade intelectual e análise crítica.

Parafraseando Keynes, quando interpelado por um repórter sobre a quinada e o distanciamento em relação ao comunismo, o célebre economista disse algo como: QUANDO OS FATOS MUDAM EU MUDO DE OPINIÃO... E O SENHOR, O QUE FAZ? Bom, eu não estive engado sobre as limitações de Bolsonaro e o risco que ele TAMBÉM representa, mas não tive uma terceira escolha no segundo turno. Preferi a quimioterapia ao câncer, e agora preciso cuidar dos efeitos colaterais. Mas finalmente, que indicar o uso constante de mais uma falácia: O TERCEIRO EXCLUÍDO... Só existe duas alternativas, ser Lulista ou Bolsonarista... ser livre-pensante, e honesto intelectualmente está fora de questão? Não posso desejar que Lula apodreça na cadeia e que Bolsonaro deixe de vomitar asneiras que podem custar vidas? E tem mais, Lula é um psicopata como Trump, Putin, Berlusconi, Fidel, Edir Macedo, Malafaia, Feliciano e congeneres... Bolsonaro não! Bolsonaro é apenas fraco, ignorante, crente, limitado... maniqueísta, portando inteiramente míope. Mas se ajoelha diante de um psicopata, pede a benção à outro, e é uma caricatura de um terceiro... Assim que, mesmo que a corrupção não seja o seu pecado, e não é, ele anda em péssima companhia; e definitivamente não está minimamente preparado para dirigir um país. Espero que tenhamos candidatos mais competentes no futuro, onde honestidade será apenas um pré-requisito, conforme previsto em lei: a Ficha Limpa.   

Carlos Sherman


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