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sábado, 1 de setembro de 2012

Razão para Crer...



Nossa natureza - genética - expressa em nossa neurofisiologia, sulcada por imprintngs, dirige a nossa percepção; que registra a experiência de viver, moldada pelas relações psicossociais, família, cultura, amigos, etc, através da cadeia de eventos de nossa vida... Deste complexo advém os nossos conceitos e 'crenças'... Em última análise, portanto, de nossa percepção dinâmica e interativa do universo - ou mundo, ou mundinho -, advém as nossas crenças...

Curiosamente, e por fim, invertendo flagrantemente o sentido de causa e efeito, a nossa intelectualidade tratará de justificar as nossas crenças mais arraigadas, construindo ou forjando explicações... Homens intelectualmente admiráveis, construirão explicações igualmente admiráveis, sobre crenças débeis e precárias... Um elevado QI não é suficiente para livrar-nos da falacia de crer...  

Esta habilidade 'explicatória', subverte aquilo em que podemos acreditar, naquilo em que devemos acreditar... Parafraseando Shermer, primeiro acreditamos, para depois explicar porque... Ou nem isso... Ao invés de construir as nossas crenças a partir de evidências, provas e explicações, primeiramente 'cremos', e depois tratamos de tentar explicar porque, em que, como, pra quê... E muitos são extremamente imaginativos, hábeis, e até sofisticados... Mas um exame mais profundo e multidisciplinar, sempre terminará por encontrar fissuras, rachaduras e severas falhas estruturais no simples ato de crer... A habilidade retórica por exemplo, ou seja, a capacidade de identificar falácias retóricas... O pleno conhecimento do Método Científico, Genética Comportamental, Neurociência Cognitiva, Biologia Evolutiva, etc...



O medo e as fragilidades humanas, expressas tanto em sua neurologia como em sua cultura, assim como a tendência evolutivas ao reconhecimento de falsos positivos, entre outros vetores em nossa natureza, tratam de complicar todo este processo - multivariável... Primeiro convidamos a crenças, para somente depois evocar as razão para crer... 

Considero que a inteligência é a medida de nossa capacidade de reconhecimento de padrões... Isso equivale a dizer que tal capacidade começa em nosso embaralhamento genético, e será extrapolada em nossa experiência e aprendizado... Aprenderemos métodos para intensificar tal capacidade - não inventar - e testar sua qualidade... Novamente a 'Ciência', o Método, a Lógica, etc...

O processo de reconhecer padrões e aprimorar a nossa inteligência esbarra em pelo menos dois problemas... Podemos não estar diante de um padrão da vida, mas reconhecê-lo como tal: um falso positivo... E podemos estar diante de um flagrante padrão de comportamento e não sermos capazes de reconhecê-lo: o falso negativo... Evolutivamente o 'falso positivo' pode ter sido um tremendo aliado... Examinem a situação de um humano que escuta um barulho na floresta... Pode ser apenas o vento, mas pode ser um tigre dente-de-sabre... Se nossa ascendente falhar, e o tigre realmente estivesse à espreita, teria sido uma experiência terminal... Este é um bom motivo pelo qual falsos positivos podem ter sido extremamente vantajosos em certos cenários... Vale lembrar que certas experiência não permitiam uma análise detalhada... Era correr ou ficar...

Através deste bloco, desfila também a nossa capacidade de acúmulo de conhecimento extra corpóreo... Isso nos permitiu aprender com a experiência de nossas antepassados, assim como transmitir a nossa própria experiência... Isso nos permitiu colocar naves no espaço, aumentar a expectativa de vida de nossos semelhantes, e diminuir a mortalidade infantil de nossos bebês...

Outro grande passo em nosso aprendizado de padrões, refere-se ao conhecimento acumulado sobre sistemas e variáveis... O nosso cérebro, em sua distribuição normal, apresenta franca afinidade por padrões 'causais', de onde um efeito emerge de uma causa direta, única, ordinária... Mas a vida nem sempre funciona assim... Aliás, quase nunca... Vejamos por exemplo a Troposfera, a camada da atmosfera na qual vivemos; trata-se de um sistema caótico... Recentemente aprendemos a modelar sistemas caóticos... O ciclo das chuvas é multivariável, e podem ser ensinado e aprendido na quarta série... Quando um simpático taxista diz 'o clima está louco', respondo com gentileza 'não, o clima É louco'...



Quando o guia de uma visita arqueológica a 'Huaca de la Luna' en Trujillo, Perú disse que os Moches conheciam o fenômeno do 'El Niño' e a corrente de Humboldt, fui obrigado a objetar... Se realmente soubessem disso não estaria degolando pessoas, e vertendo o sangue na terra para estimular o seu principal deus - Ai Apaec - a 'fazer chover'... Saberiam que a seca em suas terras correspondia ao fenômeno do El Niño, e por sua vez as chuvas de monções estariam castigando a Ásia... Mas, assim caminha a humanidade...



Parafraseando Jam Neruda, quem nada sabe, em tudo crê...

Uma coisa é o que dizem as evidências, e outra coisa é o que queremos que as evidências digam... E este pode ser um bom resumo da questão... Ou um excelente complemento para a reflexão de Neruda...

A Ciência estabelece limites de validez para suas leis, sempre baseadas em confirmações independentes, e recorrente... E estabelece também o ERRO associado... E é precisamente neste reconhecimento de limites que reside a fortaleza da Ciência... Dogmas e atos de fé não admite erro... Mas o que pode ser aceito sem provas, pode - e deve - ser descartado sem provas...

Um ponto de suma importância quando estamos debatendo sobre crenças, é o fato de que uma proposição, para sequer ser aceita, precisa começar com evidências, e acolher provas... Caso contrário estaremos subvertendo o ônus da prova... Quem prova é quem propões... E evidentemente, não podemos provar a inexistência do que não existe... Não podemos examinar algo que não está materializado em provas... Por que não será nada... Não haverá, de fato, nada a ser analisado... Mas se alguns preferem insistir em um debate menos diante de NADA, será meramente uma questão de dispor ou não de tempo a perder...

Em uma vida finita, como a minha, o tempo é precioso... Parafraseando os Titãs: SÓ QUERO SABER DO QUE PODE DAR CERTO, NÃO TENHO TEMPO A PERDER...   

E não esqueçamos do papel dos Lobos Temporais...

Carlos Sherman 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Enfrentando a Ai Apaec...




Hoy estuve visitando más una vez las 'Huacas del Sol y de la Luna', en el complejo arqueológico Moche en Trujillo (Perú), centro de la cultura de mismo nombre, que ahí floreció entre los siclos I y VIII de la Era Común – ya no se dice más ‘antes o después de Cristo’... 

Ahí me detuve mirando el altar de donde se presentaban los sacrificios de decapitación humana, perpetrada por los sumos sacerdotes del templo de La Luna, y en honor a su deidad preferida Ai Apaec – ‘el que hace’, en idioma moche… Ai Apaec era un dios muy vengativo, malgeniado  y castigador – como por ejemplo el dios cristiano -, y también era el más temido y adorado por los mochicas… Y no había como ser diferente, puesto que le llamaban ‘el decapitador’... 

El rostro aterrorizante de Ai Apaec está por toda parte en los murales de la huaca de La Luna… Un rostro antropomorfo con colmillos de felino y olas marinas rodeándolo… Ai Apaec fue representado de varias formas al largo de los tiempos, dentro de la cultura Moche, pero siempre de forma intimidadora y agresiva…

Los sacrificios humanos eran impuestos a los prisioneros en batallas, y a los perdedores de contiendas o juegos, en los cuales los perdedores, después de tomar una sustancia alucinógena, eran decapitados, y su sangre era derramado para la gloria de Ai Apaec, y para que, ‘el que hace’, hiciera llover…

Pensé en cuanto sufrimiento hubiéramos podido evitar a todos estos ‘decapitados’, si el estudio da la meteorología hubiera avanzado en los tiempos moches… En esta época, en la Europa cristiana, vivíamos el terror de la Edad Media, pero al menos ya sabíamos que dioses no coordinaban las lluvias, aunque acreditábamos – equivocadamente – en brujas, demónios, y que 'un dios' estaba encargado de otros aspectos de la vida humana, y aun muchos siguen acreditando… Hasta nuestros días muchos creen en dioses, aunque decapitar ya salió de moda… También siguen, muchos, creyendo en supersticiones, astrologia, espiritismo, búzios, numerologia, homeopatia y psicanálisis...

Hoy nuestros niños conocen sobre el ciclo de la lluvia, los adultos expertos en el estudio del clima conocen sobre sistemas caóticos y sobre la troposfera, conocemos los fenómenos climáticos como ‘La Niña’, ‘El Niño’, la corriente de Humboldt, responsable por lluvias torrenciales en Asia, mientras someten el Perú  a la más absoluta falta de lluvias…  

El guía, al final de la visita dijo que ‘los diferentes niveles del templo de la Luna, representaban la evolución de las creencias entre los moches’, y que esto sigue hasta hoy, como si dios – o dioses – existieran, y solamente hubiéramos cambiado la forma de describir a ellos… Y arremató: ‘y quien no cree en su dios, o en un dios?’… Yo le dije ‘yo, y los que conocen un poco o mucho sobre ciencia’… En este caso, de los decapitados por Ai Apaec, bastaría un poco de meteorología, o una miradita en el Discovery Science o en el National Geographic Channel… 

Por esto insisto,

Ético, luego Escéptico…

Carlos Sherman