Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Sagan. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sagan. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Sessão de Terapia





Uma amiga escreveu pedindo apoio para certas questões em sua vida pessoal, e em busca de um rumo... Respondi:

Querida, conte comigo, o meu negócio é servir...

Quando estamos - como você diz - 'sem rumo', tratamos de buscar saídas, e o difícil é encontrá-las... Normalmente pendemos para as saídas fáceis... Lamento dizer que grandes problemas ou grandes questões, exigem saídas elaboradas... Desconfie sempre da verborragia fácil e barata, das "leis do retorno", "você pode", "desperte sua luz interior", e baratos afins... Basicamente, o desespero das saídas fáceis desemboca no mundo mágico - e placebo - da auto-ajuda, ou coisa muito pior... 

O que poderia ser 'muito pior'??? Religiões, espiritismo, astrologia, numerologia, freudismo, junguianismo, e esoterismos correlatos... Para desenvolver a capacidade, e a auto-suficiência para encontrar suas próprias respostas, precisamos de verdadeiro conhecimento -  multi-disciplinar -, experiências, e 'a capacidade de aprender com  as nossas experiências... Mas as pessoas tem mais ou menos dificuldade em aprender com suas próprias experiências... Muitas vezes, é necessário um 'mestre' ou 'mentor', mas é bem difícil cruzar com eles, rsrsrsrsr... 

Outro problema reside na inércia para aprender... O besteirol esotérico é apenas um boa fábula, como a novela das 20:00hs, que pode ser "aprendida" por muitos, pela massa... Mas é difícil indicar uma literatura adequada para quem pretende começar a aprender 'Como a Mente Funciona' - título homônimo da obra do fantástico Psicologia e Neurocientista Steven Pinker... Esta talvez não seja a melhor obra de Pinker para iniciantes... 'Tábula Rasa' pode ser o caminho, mas devo advertir, que apesar de ser uma leitura sensacional e agradável, em nada se parecerá com livros de auto-ajuda - ou deveria dizer auto-engano (?)...

Mas existem outros caminhos para entender o comportamento humano, a Genética é essencial, e nesta particular, um obra se destaca: 'O que nos faz humanos' - Matt Riddley... Se faz mister dizer que tais obras não oferecerão receitas mágicas, imediatistas, fáceis... Tais obra são antes de tudo, conhecimento efetivo, que uma vez absorvido, passará a integrar o seu próprio conjunto de conhecimento, e servirão para analisar as questões de sua vida, na tentativa de elucidá-las e ajudando você a formulas suas próprias respostas... 

Entre Pinker e Riddley, a imperdível obra de Daniel Dennett, 'Quebrando o Encanto', também servirá como fonte inesgotável de conhecimento sobre os porquês do comportamento, assim como promoverá um autêntico choque de realidade... 

'A Dança do Universo' de Marcelo Gleiser, te conduzirá pela deliciosa história do conhecimento humano, contribuindo para a maravilhosa compreensão sobre o seu lugar no Cosmo... Carl Sagan também é uma leitura indispensável, nesta indescritível experiência de habitar verdadeiramente, e pala primeira vez, o seu lugar no Cosmo... 'Bilhões e Bilhões' é a minha sugestão neste caso... Estas duas obras citadas neste parágrafo, foram editadas pela Companhia de Bolso, uma série econômica da Companhia das Letras...

Igualmente editadas pela Companhia de Bolso, estão as obras primas do Neurocientista Oliver Sacks, 'Tio Tungstênio' e 'Um Antropólogo em Marte'... Não se assuste com o título, Sacks é extremamente gostoso e fácil de ler...

O delicioso e esclarecedor livro de Fernando Reinach, 'A Longa Marcha dos Grilos Canibais - e outras crônicas sobre a vida no planeta Terra', é uma coletâneas de textos publicados por Reinach em sua coluna na revista Nature... Infelizmente esta obra-prima não fez alarde na mídia literária, até porque não é um livro para todos... Reinach tangencia em um breve capítulo nesta obra prima, a questão das dificuldades da aprendizagem...

"Gato escaldado tem medo de água fria" é um ditado popular que resume a questão do aprendizado pela dor, trauma, etc... Mas podemos aprender também com estímulos positivos... O Hipocampo, responsável - em grande parte - por nosso processo de memorização, trabalha sob efeito emocional... Emoções extremas, excitação, dor, ou medo, podem conduzir à um processo de memorização mais efetivo de nossas experiências, assim como a indiferença, o desânimo, e a apatia, podem induzir também o nosso Hipocampo pelo desprezo por aquela experiência... 

Aprendemos com as punições e com as recompensas, certo? Nem sempre... Um grupo de cientistas alemães entendeu e quantificou este processo, demonstrando o papel de um gene, um receptor de Dopamina (D2), sobre a nossa capacidade de aprendizado... Os experimentos mostraram que dependendo de uma forma alterada para este gene (D2+A1), os indivíduos não serão capazes de aprender com a mesma facilidade que aqueles que possuem a forma original (D2), mas apenas sob efeito da punição... Em relação ao aprendizado por estimulo, os dois grupos não apresentaram diferenças sensível... 

Desta forma, pudemos demonstrar que uma parcela de nossa população (D2+A1), tem dificuldades para aprender com os seus erros, ou a partir da respectiva punição... Isso é revelador... E pode nos indicar por exemplo, porque códigos morais punitivos, regidos pela experiência negativa - como as Instruções de Shuruppak, Bíblia, Corão -, tem menos eficácia do que as instruções positivas - Tao Te King, ou 'O Livro do Caminho e da sua Virtude', assim como 'A Conquista da Felicidade' de Bertrand Russell -, onde sugerimos como viver melhor, mas não educamos pelo erro ou pela punição...

Na instrução negativa é dito por exemplo "se você fizer isso, será morto por deus, e se ouvirá o ranger de seus dentes"... Na instrução positiva dizemos "faça isso e serás mais feliz, evite isso porque causa a dor"... Esta é a diferença básica entre a tradição sumeriana, reproduzidas nos livros judaico-cristãos-islâmicos, em contraste com a Filosofia Oriental, as ideias Iluministas de do Humanismo Secular...

Sabemos, já há algum tempo, que a Dopamina está relacionada com o nosso comportamento, e o gene em questão (D2), atua sobre os neuroreceptores para a Dopamina, enquanto grande parte da farmacologia associada à depressão, age diretamente na oferta de de Dopamina no cérebro... Todos possuímos duas cópias pare este gene (D2), mas algumas pessoas possuem uma destas cópias ligeiramente alterada (D2+A1), implicando em um número menor de neuroreceptores para a Dopamina no cérebro... Estamos falando de uma pessoas normal e lúcida, mas com uma variante para este gene, assim como possuímos variantes genéticas para a cor da pele,  ou cor do olho... Trata-se de uma variante dentro da normalidade... Embora acarrete certa desvantagem sobre o aprendizado - da mesma maneira que menos pigmentação com a melanina, diminui a nossa proteção UV...

O resultado dos testes surpreendeu a todos... Os voluntários com o gene em sua forma original (D2), foram capazes de evitar cometer erros já cometidos, em 70% dos casos, contra 50% - o que equivale à uma escolha aleatória - dos voluntários com a variante (D2+A1)... 

Vale ressaltar ainda, que estes resultados podem ajudar na compreensão da correlação entre a quantidade de receptores para a Dopamina e a propensão a vícios e obsessões, como o álcool, drogas, jogos e até mesmo a religião... A hipótese mais em voga, sugere que tais indivíduos, em função da maior dificuldade em aprender com seus erros, e experiência negativas, tornam-se mais suscetíveis à estes distúrbios ou vícios, na forma de uma repetição de tais atos... Na verdade, este cenário é um pouco mais complexo, e estamos avançando a passos largos, mas existem outros genes, e outros efeitos sobre o comportamento, que estarão alinhados com o D2, para explicar outras variantes do comportamento humano...

Mas pensem nas implicações morais, jurídicas, psicológicas e educacionais, em demonstrar um incremento genético, sobre a dificuldade de aprender com os seus próprios erros e com a punição...

Finalmente, gostaria de indicar o livro supra-citado de Russell, 'A Conquista da Felicidade'... A Felicidade precisa ser conquistada, e também dependemos de nossa genética para a 'potência desta ação de conquistar', e também na hora de nos sentirmos 'felizes'... A sensação de realização e felicidade, está muito mais relacionada com os nossos neuroreceptores e neurotransmissores do que com nosso entorno... Quem nunca viu uma pessoas sujeita à toda sorte de intempéries, presa à um cadeira de roda, e com outras desvantagens fisiológicas, mas que não para de sorrir... A facilidade em sentir-se feliz, é interior, mas não é sempre uma questão de 'escolha'... Normalmente não é...

Mas, a em nosso processo de auto-conhecimento 'efetivo', real, comportamental, neurofisiológico, bioquímico, podemos descobrir quem somos, e assim sermos de propósito, rsrsrsrsr... Ou efetuar alguns ajustes, estar atentos a alguns detalhes, mas ainda assim seremos quem somos... 

Somos quem somos sem intencionar sê-lo... Mas somos... E respondemos socialmente e legalmente por isso...

Carlos Sherman

Fonte de Pesquisa:  "Genetically determined   differences  in learning from errors", 
Science, vol. 318, p. 1.642, 2007

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O Canto da Sereia



"Preocupa-me que [..] a pseudociência e a superstição pareçam a cada ano mais tentadoras, o canto da sereia se torna cada vez mais sonoro e atraente. Onde ouvi isso antes? Sempre que nossos preconceitos étnicos ou nacionais são estimulados, em épocas de escassez, em desafios ao orgulho nacional, quando nos afligimos com a diminuição de nosso lugar e nosso propósito no cosmo, ou quando o fanatismo fervilha ao nosso redor - os hábitos do pensamento familiar de eras passadas tentam assumir o controle. A chama da vela se derrete. Sua luz tremula. A escuridão se acumula. Os demônios começam a se agitar."

Carl Sagan
(O Mundo Assombrado pelos Demônios)

domingo, 26 de agosto de 2012

Ilusão... Pareidolia, Apofenia... Crença, Superstição...




A pareidolia é um fenômeno psicológico que envolve um estímulo vago, aleatório, ou ilusório, geralmente uma imagem ou som, sendo percebido como algo distinto e com significado. É comum ver imagens que parecem ter significado em nuvens, montanhas, solos rochosos, florestas, líquidos, janelas embaçadas e outros tantos objetos e lugares. Também acontece com sons, sendo comum em músicas tocadas ao contrário, como se dissessem algo. A palavra pareidolia vem do grego para, que significa 'junto de' ou 'ao lado de', e eidolon, 'imagem', 'figura' ou 'forma'. Pareidolia é um tipo de apofenia.

Em situações simples e ordinárias, este fenômeno fornece explicações para muitas ilusões criadas pelo cérebro, por exemplo, discos voadores, monstros, fantasmas, mensagens gravadas ao contrário em músicas entre outros. O fenômeno psíquico, diante de uma figura com dados aleatórios, pode variar segundo o ângulo ou as crenças do observador. Para uma criança, por exemplo, uma figura notada talvez possua formas que tragam à lembrança animais de estimação, personagens de desenhos animados ou qualquer outra coisa condizente com a faixa etária de compreensão sobre coisas. Para uma pessoa com uma faixa etária superior, a mesma figura assume formas diferentes conforme a capacidade criativa de associação de formas.

Dependendo das figuras observadas, podem assumir um aspecto muito subjetivo que varia de observador para observador ao passo que outras mais claramente nítidas, possuem uma mesma interpretação ótica em comum entre vários observadores. Portanto, muito tem que ver com a condição psicológica de cada observador, do que se passa em sua mente.

O físico Carl Sagan explicou o fenômeno em O Mundo Assombrado pelos Demônios:

Os humanos, como outros primatas, são um bando gregário. Gostamos da companhia uns dos outros. Somos mamíferos, e o cuidado dos pais com o filho é essencial para a continuação das linhas hereditárias. Os pais sorriem para a criança, a criança retribui o sorriso, e com isso se forja ou se fortalece um laço. Assim que o bebê consegue ver, ele reconhece faces, e sabemos agora que essa habilidade está instalada permanentemente em nossos cérebros. Os bebês que há 1 milhão de anos eram incapazes de reconhecer um rosto retribuíam menos sorrisos, eram menos inclinados a conquistar o coração dos pais e tinham menos chance de sobreviver. Nos dias de hoje, quase todos os bebês identificam rapidamente uma face humana e respondem com um sorriso bobo.

Como um efeito colateral inadvertido, o mecanismo de reconhecimento de padrões em nossos cérebros é tão eficiente em descobrir uma face em meio a muitos outros pormenores que às vezes vemos faces onde não existe alguma. Reunimos pedaços desconectados de luz e sombra, e inconscientemente tentamos ver uma face.

A pareidolia não representa somente fenômenos visuais mas também auditivos onde pessoas executam músicas no sentido contrário e ouvem palavras ou até mesmo sentenças inteiras. Apesar de existir uma técnica sonora de mascarar mensagens sobre uma gravação (conhecida como Backmasking), é comum muitos entenderem frases ou palavras onde só há um ruído incoerente. Recentemente ocorreu um típico caso de pareidolia na Universidade Queen, em Ontário, Canadá, onde alguns médicos 'acreditaram' ter visto um rosto humano no ultrassom de tumor.

Já a Apofenia, um termo proposto em 1959 por Klaus Conrad, é um fenômeno cognitivo de percepção de padrões ou conexões em dados aleatórios. É um importante fator na criação de crenças supersticiosas, da crença no paranormal e em ilusão de ótica.

Inicialmente descrita como sintoma de psicose, a apofenia ocorre no entanto em indivíduos perfeitamente saudáveis mentalmente. Do ponto de vista da estatística é um Erro de tipo I, ou seja, tirar conclusões de dados inconclusivos. Em um exame pode levar a um resultado falso positivo. Psicologicamente é um exemplo de viés cognitivo.

Ocorrências de apofenia frequentemente são investidas de significado religioso e/ou paranormal ocasionalmente ganhando atenção da mídia como a impressão de ver Jesus em uma torrada. No teste projetivo de manchas Rorschach a apofenia é estimulada com o objetivo de identificar padrões significativos na vida do indivíduo que ele projeta sobre a mancha.

Existem vantagens evolutivas em perceber padrões na natureza para prever o futuro ou evitar perigos. Por exemplo, se você observa um vulto e identifica como um animal perigoso evitá-lo poderia salvar sua vida. Caso você não considerasse a impressão do vulto suficientemente conclusiva, ignorando a possível associação com perigo, e realmente fosse um animal perigoso você poderia morrer. Na lógica evolutiva é melhor prevenir que remediar e por isso é mais vantajoso ver um excesso de padrões mesmo onde eles não existem do que negligenciá-los e correr riscos desnecessários.

Exemplo:

Imagine que o Brasil esteja jogando na Copa do Mundo, e após 4 jogos obteve-se os seguintes placares: 2x2, 3x1, 4x0, 2x2. Alguém com apofenia poderia ver uma relação ente os placares e deduzir que a soma de cada um dos jogos do Brasil sempre dá 4, e pressupor que a soma do placar do próximo jogo também será 4. O problema está que este vínculo não existe e o placar foi apenas coincidência.

O exemplo acima é bastante simples, e pode não seduzir ninguém a acreditar. É mais comum pessoas se sentirem atraídos por casos onde há complexidade na forma de se encontrar o vínculo apofênico, muitas vezes usando operações matemáticas de mais alto grau. Pode-se usar o quadrado dos números, raizes da soma, produtórios, sequencia de Fibonacci, etc.

Três círculos e uma linha já é suficiente para o cérebro interpretar um rosto:



O relógio da imagem parece estar triste. No entanto, isso é apenas uma associação que o cérebro humano faz ao ver uma imagem com dois pontos semelhantes a olhos e uma curva virada para baixo, semelhante a uma boca representando tristeza:



Apesar de essa figura não ser de um rosto real, muitas pessoas podem identificar a semelhança com um... Ilusão... Superstição...

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Gêmeos, intrigante semelhança...



Manchetes sensacionalistas como 'o gene para isso, o gene para aquilo', são particularmente um desserviço à Ciência... No entanto o estudo dos gêmeos idênticos criados separadamente, em comparação à gêmeos fraternos criados juntos não deixa dúvida, a personalidade de um ser humano está mais relacionada a seus genes do que ao meio... Modernamente, e entre vários sistemas de classificação, os psicólogos tendem a definir a personalidade em 'cinco dimensões', ou 'cinco grandes fatores', ou ainda ACEAN - (A)bertura, (C)onsciência, (E)xtroversão, (A)gradabilidade, (N)eurose... Obviamente é um resumo grosseiro, e temos classificações que chegam a elencar até 2.000 aspectos da personalidade, mas a ACEAN pode se tornar uma ferramenta classificatória interessante para os fins e limites deste post... A dimensão 'abertura' define a disponibilidade para o aprendizado, a abertura para testar novos caminhos, explorar novas fronteiras, sair do bando e dar uma voltinha pela floresta, rsrsrs, ou aferrar-se ao grupo, apegado à bandeiras, e preso em devoções... A 'consciência' mede o grau de reflexão, o racionalismo, moderação de conduta... A 'extroversão' define a nossa capacidade de exposição, a nossa reação à opinião dos demais, a auto-confiança... A 'agradabilidade' sugere o grau de cordialidade, empatia, a tendência ao altruísmo ou ao egoísmo, ou mesmos à relação simbiótica... Preferiria chamar esta componente de (S)ociabilidade, mas... E a dimensão da 'neurose' mede a nossa tendência à obsessão, manias, sistematismos... Em maior ou menor grau, todos temos as nossas neuroses... O termo tem sido associado à transtornos mentais, mas não é o caso aqui... Aqui, a dimensão da 'neurose' mediria o nosso grau de tensão orientada a algum fim; o fervor, mania, obsessão... Comportamentos sistemáticos ou irracionais, e que provocam tensão, estariam elencados nesta dimensão - mas sem o caráter patológico... As psicoses seriam então a face patológica das neuroses extremas, e receberiam outro tipo de atenção, uma vez que estão associadas a delírios, alucinações e crises... Quadros neuróticos extremos invadem o espectro das psicoses...

Por exemplo, você poderá ter a mente moderadamente aberta (A), ser um cara muto meticuloso (C), e no entanto medianamente extrovertido (E), individualista (S/A), e calmo ou neutro em termos de neuroses (N)... Ou pode ter a mente bem aberta, sem um cara desorganizado, muito introvertido, altruísta, e muito polêmico, do contra ou reativo... Pode ter a mente fechada, ser organizado, extrovertido, ambicioso e egoísta, e um religioso fervoroso, sendo que este seria um excelente perfil para um pastor da Igreja Universal, srsrs... Se fosse mais introvertido e afetuoso, quem sabe o Vaticano? Mas gracinhas à parte, o assunto é sério e o jogo é de campeonato...

Um pouco mais do que 40% da variabilidade em nossa personalidade depende diretamente de fatores genéticos, menos de 10% de experiências ambientas compartilhadas - família -, e 25% decorrem das experiência únicas - ou da cadeia de eventos de nossas vidas -, sendo os 25% restantes relativos à erros e imprecisão, até porque não existem fronteiras tangíveis e determinadas, demarcando a força de cada fator sobre a resultante do comportamento humano... Mas estes são bons parâmetros... 

Ou seja - e durma com esse barulho: a personalidade é quase tão herdável quando o peso corporal !!!

A correlação média para o peso entre dos irmãos quaisquer é de 34%, e entre pais e filhos é ainda mais baixa 26%... Quanto desta correlação esta relacionada com o meio compartilhado - alimentação, sedentariedade, cultura - e quanto está relacionada com a genética? Gêmeos idênticos compartilhando o mesmo meio tem correlação para o peso de 80%, enquanto gêmeos fraternos criados juntos tem somente 43%, o que responde a questão... Observem que os gêmeos idênticos tem quase o dobro de correlação em relação aos gêmeos fraternos, mas os gêmeos fraternos tem uma correlação muito similar a irmãos não-gêmeos... Mas observe que gêmeos fraternos decorrem de genética inteiramente diferente, são dois óvulos distintos e dois espermatozoides distintos, assim como irmãos não-gêmeos... Pero, esta pequena melhora na correlação de 34% para 43% pode ser explicada por três importantes variáveis: primeiramente os óvulos e espermatozoides, no caso dos gêmeos fraternos, vem do mesmo 'lote', rrsrsrsrs... Ou seja, óvulos e espermatozoides que decorre do mesmo 'padrão de qualidade' - saúde... Diferentemente dos irmãos não-gêmeos, que decorrem de diferentes 'lotes', em diferentes momentos da vida do casal, o que pode redundar em diferenças sobre a qualidade ou saúde dos mesmos... A qualidade de óvulos e espermatozoide poderia então ser afetada pela ação do tempo - e do meio - sobre o organismo... Pelo mesmo motivo, e seguindo a linha do tempo do casal, os gêmeos fraternos compartilharão o mesmo 'meio' gestacional, exposição bioquímica no útero através da placenta et cetera... 

Assim como gêmeos idênticos apresentam sempre correlações superiores entre si em relação aos gêmeos fraternos, os gêmeos fraternos por sua vez estarão sempre mais correlacionados entre si - embora de forma menos gritante - quando comprados com irmãos não gêmeos... Ou seja, temos o fator tempo atuando sobre a saúde de óvulos e espermatozoides, mas sobretudo o impacto da vida e do desenvolvimento gestacional, ou ontogenia... Finalmente, o terceiro fator, também associado ao tempo, que contribui na diferença entre gêmeos fraternos e não-gêmeos, em relação ao peso, está relacionado ao meio compartilhado, ou seja, os hábitos familiares podem variar no tempo, em função da cultura, da mudança do padrão de vida et cetera... 

Mas e quantos aos irmãos adotivos? Qual seria a correlação média esperada no caso do peso?  A-haaa... Apenas 4%... Ou seja, irmãos adotivos não compartilham nada mais do que o meio, e por isso apresentam as diferenças esperadas... Mas gêmeos idênticos criados por famílias inteiramente diferentes, tendo sido separados na maternidade, educados em culturas, países e continentes diferentes, ainda assim, apresentam 72% de correlação em relação ao peso... Isso solapa de vez a ideia de que o homem é produto do meio... A genética é bem mais influente em nossas vida do que o meio, que por suas vez não deixa de representar um importante fator...

Portanto, queridos amigos, entendo como é chocante - depois de um século de 'certezas e sandices freudianas' e seus derivativos (Lacan e Jung), além dos dogmas behaviorianos -, descobrir que o comportamento humano e a personalidade são tão  pouco influenciados pela família em que fomos criados...

Sigmund Freud - corretamente - escreveu: "a humanidade ao longo do tempo teve que sofrer nas mãos da ciência três grandes ultrajes a seu amor-próprio"... Os referidos ultrajes são: 1) A descoberta de que o nosso 'mundo' - ou mundinho - não está no centro de um fantasioso sistema composto por 'perfeitas esferas cristalinas', criadas decorativamente por um deus mágico, somente para iluminar a noite; e que na verdade o nosso 'mudinho' é muito menos do que um grão cósmico, perdido em meio a três sextilhões (3x10^23) de outras 'esferas' - nem tão esféricas - de plasma, onde o Hidrogênio é fusionando para produzir toda a Tabela Periódica; 2) A descoberta de que não somos as criaturas especiais e diletas daquele deus 'decorativo', e que na verdade descendemos de animais, e somos resultado de um processo evolutivos, de onde compartilhamos com eles - animais - as mesmas unidades elementares da vida e pera o pensamento e consciência; 3) A descoberta de que a nossa mente 'consciente' não 'livre-arbitra' e nem controla o modo como agimos, mas na verdade a nossa mente apenas nos conta uma estória 'remontada e continua' sobre nossas vidas; uma estória por vezes fantasiosa, mas sempre pessoal e subjetiva...

Freud estava certo quanto ao impacto cumulativos de tais descobertas sobre a humanidade, mas foi a associação entre a Psicologia Cognitiva, a Neurociência Cognitiva e a Genética Comportamental, que desferiu o terceiro golpe, e não dogmática e bizarra Psicanálise...

Mas esta tríade - Psicologia Cognitiva, Neurociência e Genética - está promovendo alguns ultrajes mais: 4) A descoberta de que não somos uma 'tábula rasa', nem uma folha em branco preenchida apenas pela experiência, e muito menos pela engenharia social, e que não somos um mero produto do meio; 5) A descoberta de que a doutrina sociológica do 'bom selvagem' é uma falácia, e que podemos viver de forma civilizada construindo uma sociedade mais inclusiva, justa, fraterna, e ainda assim livre; operando a partir da tomada de ComCIÊNCIA sobre a 'real condição humana'; 6) A descoberta de que o fantasma da máquina não existe, consequentemente dualidade entre corpo em alma - ou mente - também cai por terra... Só o que existe é a Physis, em última análise, e pensamento decorre de nossas células neurais, e não de um comando central - ou alma - desconectado do corpo, e portanto resistente à morte; 7) A descoberta de que somos mortais, finitos mas maravilhosos; e que o tempo urge...

Lesões nos Lobos Frontais podem deixar a pessoa embotada ou modificar - moderada ou completamente - o seu repertório comportamental, uma vez que esta região do cérebro esta relacionada com os freios ou inibidores de nossos impulsos emocionais, atuando sobre o Sistema Límbico - particularmente em um circuito que liga a amígdala ao hipotálamo pela via conhecida como Stria terminalis... Os Lobos Frontais atuam sobre cada hemisférico, garantindo que as nossas estratégias e objetivos predominem sobre os impulsos deflagrados pelo Sistema Límbico... É por isso que cedemos lugar à uma pessoa idosa, ou respeitamos filas, ou pedimos as coisas ao invés de tomá-las... O nosso desejo e o nosso instinto de sobrevivência e defesa é então moderado, resultando em um comportamento dito sociável...

100 bilhões de neurônios conectados por 100 trilhões de sinapses, modelados por 30.000 genes, e um infindável número de combinações, resultando na complexidade e beleza da experiência  humana... Complexidade tal que Alfred Russel Wallace, co-desenvolvedor - ao lado de Charles Darwin - da Teoria da Evolução,  familiarizado com a diversidade 'não intencional ou moral' da vida, não foi capaz de aceitar... Wallace não pôde aceitar que a mente humana, ou sistema neural, diferia dos demais animais apenas em grau e não em tipo... De forma que infelizmente Wallace não pôde livrar-se do 'fantasma na máquina', o que de certa forma ofuscou o brilho e a importância de sua obra... Wallace terminou a vida tentando se comunicar com os mortos e procurando um lugar para a 'alma' humana... Em tempos vitorianos, antes da descoberta do DNA por Watson e Crick, antes das maravilhas de Santiago Ramón y Cajal - que intuitivamente postulou a doutrina do neurônio, que tempos depois foi comprovada -, e de outras descobertas genéticas e neurofisiológicas, não podemos condenar Wallace por sua hesitação... 

Apesar de toda a timidez (E), Darwin tinha uma mente incomum e aberta (A) para sua época; era meticuloso (C), generoso (S), e talvez uma de suas neurose tenha sido o detalhismo, que caiu como uma luva no desenvolvimento da Teoria da Evolução... Outra neurose de Darwin talvez tenha sido o medo do moralismo religioso de sua época... E Darwin, embora não tenha impetrado nenhum sendeiro místico - no estilo espírita de Wallace -, terminou a vida declarando-se um deísta quase agnóstico, mas sem permitir que isso interferisse em sua integridade intelectual... Mas para a nossa sorte, Thomas Huxley estava em seu caminho: aberto (A), consciente, intenso e disposto a correr riscos (C), extremamente extrovertido, eloquente e carismático (E); agressivo, combativo e sem medos - e muito temido - (S); e talvez a sua neurose mais tangível advenha do orgulho e de não levar desaforo para casa (N)... Estas explosivas e brilhantes características nunca estiveram tão claramente a serviço da humanidade como no célebre debate com o Bispo de Oxford Samuel Wilbeforce:

"(...) o Bispo de Oxford, Samuel Wilbeforce, de dedos enfiados na lapela volta-se ostensivamente para Huxley e, com maliciosa cortesia, insiste em saber se 'é por parte do avô ou da avó que o senhor afirma descender de um macaco?' Ao detectar a entonação bajuladora dada à palavra 'avô', a assistência solta alguns 'oohhs' em voz baixa e concentra a atenção em Huxley. Ainda sentado, Huxley vira-se para o indivíduo que está ao lado dele e, quase sonolentamente, murmura 'o senhor entregou-o em minhas mãos.' Pondo-se de pé e fitando Wilbeforce nos olhos responde: 'Prefiro ser descendente de dois símios a ser um homem que tem medo de enfrentar a verdade.' (...)" (Sagan, 2009 - Sombras de Antepassado Esquecidos)

Carlos Sherman

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Freud Um Delírio...

Michel Onfray 'Crepúsculo de um Ídolo, a Fábula Freudiana'...

"Há um século, Sigmundo Freud [...] , 'acreditava' que por trás de cada caso de histeria havia uma lembrança reprimida de abuso sexual na infância. Mas acabou mudando a sua 'explicação', para afirmar que a histeria é causada por FANTASIAS - nem todas desagradáveis - de ter sofrido abuso sexual quando criança. O peso da culpa foi então transferido por Freud do pai e a da mãe para a criança. [...] A razão para Freud ter 'mudado de ideia' ainda está em discussão - as explicações vão desde ele ter provocado escândalo entre seus colegas vienenses do sexo masculino de meio idade, até TER LEVADO MUITO À SÉRIO AS HISTÓRIAS DOS HISTÉRICOS." - Carl Sagan, Um Mundo Assombrado por Demônios, p. 157...

"Um paralelo assustador com a caça as bruxas na Idade Média é o 'resgate de memórias'. Memórias resgatadas são supostas memórias de abuso sexual na infância, reprimidas pelas vítimas, mas lembradas décadas depois pelo uso de técnicas psicanalíticas 'especiais', como pergunta sugestivas, hipinose, regressão de idade por meio de hipnose, visualização, drogas, interpretação dos sonhos. [...] Ausentes no início da terapia, as memórias de abuso sexual na infância são logo criadas por meio de semanas e meses de aplicação de tais 'técnicas terapêuticas especiais'. Então aparecem os nomes - pai, mãe, avô, tio, irmão, amigos do pai e assim por diante. A seguir vem a confrontação com o acusado. O resultado são famílias destruídas (ver Hochman, 1993). [...] O escritor Richard Webster em seu fascinante 'FREUD ESTAVA ERRADO. POR QUÊ?' (Campo das Letras, 2002), [...]" - Michael Shermer, 'Porque as pessoas acreditam em coisas estranhas', p.138,139...

‎"O comentário social contemporâneo fundamenta-se em concepções arcaicas da mente. Vítimas explodem sob pressão, os meninos são condicionados a fazer isto, as mulheres sofrem lavagem cerebral para valorizar aquilo, as meninas são ensinadas a serem de tal e tal modo. De onde vêm essas explicações? DO MODELO HIDRÁULICO OITOCENTISTA DE FREUD, dos cães salivando e ratos apertadores de botões do behaviorismo, das tramas para controlar a mente nos filmes de segunda categoria da época da Guerra Fria, dos filhos ingênuos e obedientes de 'Papai Sabe-Tudo'" - Steven Pinker, Como a Mente Funciona, p.65...


 "Todos somos ignorantes. A diferença é que nem todos ignoramos as mesmas coisas." - Albert Einstein

"Fico chocado com o fato de Freud ambicionar deslindar a psiquê humana desprezando - em seu modelo hidráulico - a Genética, a Neurologia, toda a Bioquímica do Corpo, a Fisiologia, a Endocrinologia... Só por isso mereceria toda a atenção crítica... O grande Lamarck, em dado momento, se equivocou; mas Freud mentiu e enganou... Trata-se - comprovadamente - de delírio, trapaça, fraude, charlatanismo... Caso de polícia - Carlos Sherman


domingo, 15 de janeiro de 2012

Os Meus Hereges Preferidos...



Os meus Hereges preferidos... 
(dedicado à Juliana e ao Ciel)

Charles Darwin,
Voltaire, 
Carl Sagan,
Claude Lévi-Strauss,
Carlos Drummond de Andrade,
Cora Coralina,
Ayn Rand,
Jorge Luis Borges,
Fernando Pessoa,
Mário Quintana,
Friedrich Nietzsche, 
Bertrand Russel,
Drauzio Varella,
David Gilmour,
Richard Dawkins,

Roger Waters,

Pablo Neruda,
Gabriel Garcia Marques,
Albert Eisntein,
Charles Chaplin,
Denis Diderot,
David Hume,
Chico Buarque,
Caetano Veloso,
Richard Feynman, 
Neil deGrasse Tyson,
Hipatia de Alexandria,
Michael Shermer,
Jacob Bronowski, 
Stephen Hawking, 
Carolyn Porco,
Epicuro,
Sócrates,
Demócrito,
Aristarco,
Galileu Galilei,
Jack Nicholson,
Leonardo Da Vinci,
Federico Fellini,
Michel Onfray,
José Saramago,
Vargas Llosa,
Jorge Amado,
Machado de Assis,
Humberto Eco,
Luis Fernando Veríssimo,
Arnaldo Jabor,
Francis Crick,
Stephen Jay Gould,
Steven Pinker,
Eric Kandel,
V.S. Ramachandran,
Daniel Dennett,
James Watson,
James Rand,
Isaac Assimov,
Betinho,
John Lennon,
Dias Gomes
Paul McCartney,
Raul Seixas,
Charles Dickens,
Chico Anysio,
Lima Duarte,
Paulo Autran,
Ferreira Gullar,
Hugh Laurie,
Ernest Hemingway,
Marcelo Gleiser,
Mark Twain,
Monteiro Lobato,
Oscar Niemayer,
Pablo Picasso,
Paul Dirac,
Mario Lago
John Malkovich,
Lance Armstrong,
John Maynard Smith,
Le Corbusier,
João Cabral de Melo Neto,
Karl Popper,
John Stuart Mill,
Lenine
Linus Pauling
Ludwig Feuerbach
Luis Buñuel
Johnny Deep,
Erwin Schrodinger,
Jean-Pierre Lapalce;
Jean-Paul Sartre,
Simone de Beauvoir
James Joyce,
Robin Williams,
Patch Adams,
Rosa de Luxemburgo,
Arthur Schopenhauer,
Auguste Comte,
Thomas Huxley,
Gertrud Stein,
Ingmar Bergman,
Jimmy Wales,
Sam Harris,
Ludwig Wittgenstein,
William James,
Frank Zappa
François Truffaut,
Steve Jobs,
Mark Zuckerberg,
Bill Gates, 
Marlon Brando
Mark Knopfler,
Michel Foucault
George Soros,
Joseph Campbell,
Shlomo Sand,
Thomas Edison,
Albert Camus,
Santiago Ramon y Cajal,
Aldous Huxley,
Alfred Hitchcock,
Alfred Kinsey,
Anaxágoras de Clazômenas,
Hippo,
Anaximandro,
Wilder Penfield,
Galeno,
Hipócrates,
Giordano Bruno,
Gregor Johann Mendel,
Nicolau Copérnico,
Maurice Ravel,
Johannes Kepler,
Isaac Newton,
Nick Mason,
Nikolai Rimsky-Korsakov
Michelângelo,
Martin Heidegger,
Bento de Spinoza,
Claude Bernard,
Sergei Korsakov,
Pierre Paul Broca,
Korbinian Broadmann,
James Parkinson,
Charles Scott Sherrington,
Harvey Williams Cushing,
George Huntington,
Ziraldo
Vinicius de Moraes
William Bradford Shockley,
Thomas Jefferson,
Teodoro,
Steve Allen,
Woody Allen,
Robert Altman,
Richard Strauss
Robert Green Ingersoll,
Serguei Prokofiev,
Warren Buffett,
Xenófanes
Pier Paolo Pasolini,
Pierre Berton,
Phil Collins,
Dr. OZ,
Rowan Atkinson,
Noam Chomsky,
Oliver Sacks,
Omar Sharif,
Oswald de Andrade,
Franz Gall,
Charles Bell,
Walter Campbell,
Carl Wernicke,
Camillo Golgi,
Alois Alzheimer
Leucipo...

E ainda:
André Breton,
Andréa Beltrão,
Angelina Jolie,
Ann Druyan,
Antonio Banderas,
Antônio Fagundes,
Arthur C. Clarke,
Arthur Miller,
Bill Maher,
Brad Pitt,
Brian Eno,
Bruce Willis,
Barack Obama,
Barão d'Holbach,
Billy Joel,
Björk,
Bob Geldof,
Bruce Lee,
Burt Lancaster,
Camila Pitanga,
Cassia Eller,
Christopher Hitchens,
Christopher Reeve,
Cláudia Raia,
Daniel Radcliffe,
David Bowie,
Deborah Evelyn,
Dercy Gonçalves,
Diane Keaton,
Daniel Filho,
Danton Mello,
Dave Matthews,
David Edgar,
David Gray,
Derren Brown,
Diogo Mainardi,
Dmitri Shostakovitch,
Eddie Vedder,
Emma Thompson,
Édson Celulari,
Émile Zola,
Eurípedes
Eva Green
Evêmero
Fernando Alonso,
Fernando Henrique Cardoso,
Fernão de Magalhães,
Frank Miller,
George Carlin,
George Clooney,
Gene Wilder,
George Orwell,
Giuseppe Garibaldi,
Glória Maria,
Graciliano Ramos,
Graham Greene,
Guy Pratt,
H. G. Wells,
Hector Berlioz,
Hélio Schwartsman,
Herson Capri,
Iuri Gagarin,
Ivan Petrovich Pavlov,
James Cameron,
Jodie Foster,
Julianne Moore,
James Callaghan,
Jim Crace,
João Luíz Woerdenbag Filho, Lobão
Johan Cruijff,
Johannes Brahms,
John Doyle,
John Ernest,
John Huston,
Joseph Agassi,
Juca Kfouri,
Katharine Hepburn,
Keanu Reeves,
Ken Follett,
Kevin Bacon,
Larry Flynt,
Lauro César Muniz,
Leila Diniz,
Leon Trótski,
Leonard Susskind,
Monica Bellucci,
Marcelo Rubens Paiva,
Marlene Dietrich,
Marquês de Sade,
Matheus Barbosa,
Matheus Nachtergaele,
Mathias Gonzalez,
Max Cavalera,
Michael Caine,
Mikhail Gorbachov,
Milos Forman,
Nílton Santos,
Noel Gallagher,
Nando Reis,
Nick Cave,
Nick Cohen,
Oscar Filho,
Oswaldino Ribeiro Marques,
PC Siqueira,
Penn & Teller,
Pascual Romero,
Paul Delos Boyer,
Paul Edwards,
Paul Feyerabend,
Paul Gray,
Paulo César Pereio
Paulo Francis,
Peter Greenaway,
Pierre Boulez,
Pol Pot,
Prachanda,
Primo Levi,
Rebecca Goldstein,
Ricardo Boechat,
Raul Pompeia,
Ricky Gervais,
Robert I. Sherman,
Robert Spitzer,
Robin Cook,
Rubem Alves,
Rubem Fonseca,
Salman Rushdie,
Sarah Bernhardt,
Sandro Pertini,
Sean Penn,
Selton Mello,
Simon Le Bon,
Simon Napier-Bell,
Skandar Keynes,
Stephen Edwin King,
Steve Jones,
Steven Soderbergh,
Steven Weinberg,
Theo van Gogh,
Tim Maia,
Tim Minchin,
Tom Wolfe,
Tony Bellotto,
Tracey Thorn,
Trent Reznor,
Uma Thurman,
Ute Lemper,
Wendy Turner Webster,
Will Wyatt,
William B. Davis,
William Bateson,
William Boyd,
William Cooper,
William Golding,
William Thompson,
Zac Efron,

Com toda a certeza, os maiores nomes da saga humana estão nesta lista... Faltam muitos, mas os mais importantes estão aí... E seguramente boa parte de seus maiores ídolos... Todos livres, pensantes, e trabalhando pela humanidade... Aceito sugestões e vamos completando a listinha...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Liberdade, Pensamente, Método e Ceticismo...





Minha querida amiga escreveu sobre a Bíblia e suas atrocidades:

NÃO POSSO ACREDITAR QUE EM TODOS ESSES ANOS, COM TODAS ESSAS PROVAS, SE É QUE ISSO PROVA ALGUMA COISA... A GRANDE MAIORIA DOS HOMENS DE BEM OU NÃO, SÁBIOS OU IGNORANTES, TENHAM SEGUIDO E ALGUNS...PERSEGUIDO... UM "SUPOSTO DEUS", COM TAMANHA IRA E COVARDIA! GRANDES PENSADORES, ALGUNS FILÓSOFOS, INÚMEROS POETAS E ESCRITORES... SERÁ QUE ELES ACREDITAVAM MESMO? HOJE JÁ ESTOU QUESTIONANDO ESTA DITA "FÉ"! SÓ FALTA ALGUÉM ME REVELAR QUE EM ALGUM MOMENTO ALGUM CIENTISTA TAMBÉM TEVE ALGUM TIPO DE FÉ!!!

Rsrsrss... 

Bem colocado... Mas querida, na História do Pensamento Humano existe um divisor de águas... Galileu e o Método Científico... Até ele, tudo era possível... Pensar e dizer qualquer coisa, tonteria ou não era aceitável... Tudo era uma questão de opinião, se 'eu acredito que'... E neste sentido, ficava muito difícil estabelecer 'sabedoria e genialidade'... Mas, desde a Grécia Antiga, uma linha separava 'faladores' de 'pensadores'... Aristarco já sabia que a Terra girava em torno do Sol, mas 'decidimos' - o cristianismo - optar por considerar a Aristóteles e Plantão, que disseram grandes 'asneiras' sobre os céus, pineladas em alguns 'poucos' momentos por boas idéias... Raros momentos... 

Epicuro considerava os deuses risíveis, enquanto Demócrito lançava as bases para o estudo da natureza... Não foram estes os eleitos da cegueira cristã... Depois disso, na Idade Média, era muito difícil encarar a questão de ter Fé ou não, em função do medo... Mas, os GRANDES homens sempre questionaram deus... A começar pelo grande Sócrates, que desafiou seu tempo com CETICISMO -- olhar de perto, olhar detidamente, olhar os detalhes, olhar com cuidado -, na verdade o primeiro homem a morrer pela Ética, pela Integridade Intelectual, pela necessidade de estar 'CIENTE', de tomar 'CIÊNCIA', de como a vida realmente funciona... 

Pensar foi confundido com especular sem evidência... Então confundimos pensadores com faladores, por muito tempo... Mas os primeiros observadores e cientistas modernos, estavam livres do medo de crer... E então, livres, pensaram com liberdade e frescor... Não somente sobre a natureza, mas sobre o social e o humano... Com destaque para Voltaire... 

Michelangelo ao que tudo indica, tinha planos revolucionários, embora ganhasse dinheiro como fornecedor do Santo Oficio... Da Vinci com certeza foi 'descrente', e um cientista de fato... Precisou de proteção contra o Santo Ofício... Galileu foi excomungado, Giordano Bruno queimado... Copérnico e Kepler tiveram suas obras do Index... Newton se manteve comportado... O maior de todos, Darwin, se manteve com medo, mas foi protegido e defendido pelo corajoso Huxley, caso contrário não teríamos a Seleção Natural e a Evolução... Einstein ridiculrarizou deus... E todos os demais, de lá pra cá, com raras exceções morreram de rir das divindades... Contabilização apenas as exceções pelo medo... 






Querida, e a propósito, eu fui um homem de muita, mas muita FÉ... Fui um cristão católico pra lá de fervoroso... Encontros de 'Jovens com Cristo', Segue-me, Escalada, Emaús, fundador do PaFé - Patrulheiros da Fé, é mole? -, nadador da ACM - Associação Cristã de Moços, e por aí vai... Fui doutrinado pela minha família, escola, igreja, catecismo, crisma... Lavagem cerebral total... Tive medo, muito medo... Assim como a grande maioria no Brasil... Se fosse na Índia seria adepto de Krishna, em Riad de Maomé, no mundo Nórdico de outrora Wotan, na Pérsia antiga Zorosatro, no mundo romano na época de cristo, Mitra ou Júpiter... 


Até me livrar de tudo isso, levei 22, 23 anos, e com muito MEDO e dificuldade... A saída foi sair da casa dos meus pais, dos 'grupos jovens', dos 'encontros', da igreja, e pensar com o meu próprio cérebro, já bastante intoxicado a esta altura... Tive que livrer-me da condição de crente autômato... Tive que passar por severa desintoxicação, para depois reaprender a pensar... A cura foi a vencer o medo, adquirir liberdade no pensamento, e a Ética, a necessidade de estar CIENTE, e de tomar CIÊNCIA das coisas, para desenvolver uma vida digna e humana... Muitos passam ou passaram por isso...

Hoje vivemos, ainda, o medo de um lado, e a falta de educação e conhecimento de outro... Falo do homem comum... Agora, os grande homens que vem a sua mente neste momento, Borges, Pessoa, Machado de Assis, Neruda, Jorge Amado, Chaplin, Gracia Marques, Vargas Llosa, Quintana, Cora Coralina, Humberto Eco, Saramago, Drauzio Varella, Veríssimo, Jabor, foram ou são céticos, descrentes e livres... Carl Sagan, Richard Dawkins, Steven Pinker, Daniel Dennett, Ramachandram, Eric Kandel, e a maioria esmagadora dos ganhadores do Nobel... 

Então querida, existe um divisor de águas separando o pensamento livre do pensamento coagido... Do pensamento espúrio do pensamento baseado em provas e evidências... O marco está no Humanismo, logo após a Idade Média... O Método veio com Galileu... Mas a sabedoria e a genialidade sempre existiu, desde os gregos, e antes... Só que não foi eram popular em um cristianismo que admirou e valorizou  homens pelo seu 'temor a deus'... 

E tenho dito... 

Beijos...

Carlos Sherman



quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Eram os Deus Astronautas?



Seriam as Igrejas cópias de Naves Espaciais, ou seriam as Naves Espaciais cópias de Igrejas?










Ou não seria nada disso? Sendo as abóbadas apenas um estilo arquitetônico intuitivo, de origem babilônica, e que se generalizou no Império Romano?



Ahh, mas esse negócio de envolver História, conhecimento, isso não é legal, não é espetacular, espetaculoso, não é extra-qualquer-coisa, super, mega, não é master, nem plus... Tem que ter algum mistério, ou não? Tem que ter alguma coisa oculta, como nas brincadeiras infantis... Para que possamos desvendar... Tchan, tchan, tchan, tchan...








Seriam os Capitólios espalhados pelo mundo, Washington, Havana, Buenos Aires, etc, provas - inequívocas - das conexões destes povos com alienígenas, ou seriam apenas construções feitas à partir da mesma referência arquitetônica, e outra vez, meta questão de estilo? Mardona, Fidel, Chavez, você crê que são normais, mortais, humanos?





Eram os deuses astronautas? Ou astronautas, sem diploma, drogados ou não, com severos traços de esquizofrenia, estão plantando estes e outros absurdos?










Cristo era um Allien como muitos afirmam - rsrsrsrsrsrs - assim como o Papa - este com certeza -, ou estão usando drogas muito pesadas, e muita maionese foi esparramada no planeta?

Ou alguns tem maionese no lugar de cérebro? Que cérebro?







Mas um site super 'entendido' diz ABRA SUA MENTE, TUDO É POSSÍVEL... Sim, mas tome cuidado apenas para O SEU CÉREBRO NÃO CAIR NO CHÃO...

Apesar das piadinhas, esta paranoia coletiva muito me preocupa... 

PENSO, LOGO RIO...

Carlos Sherman