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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O Contador de Estórias...


Em meio à toda esta loucura, de Homero à Bíblia, passando por Marx, Freud,  Jung, Kardec, Lenin, Hitler, Fidel... ETs, 'abertura dos códigos de luz', 'seres de luz', e a imortalidade... e mesmo conhecendo o intercurso, e as respectivas decorrências neurofisiológicas, não posso deixar de pensar: 


"... o que não vale um bom contador de estórias,  ou uma boa fábula???


A realidade não é facilmente digerida, apetecida, nem a verdade nua e crua, sem as cores e os temperos dos contos de fadas, os dragões, sem a  boa nova da vida eterna, ou da hora e a vez do proletariado... E não entendo por quê? Talvez, porque a má notícia da vida finita, não possa ser assimilada, e a negação assuma o controle, mesmo diante de uma inescapável verdade; sem dúvida percebida em algum momento, mesmo que tênue, pelo sentido de realidade... Mas talvez a realidade não tenha sido contada com a mesma paixão, ou com os trejeitos 'verborrágicos', com os quais as fábulas esotéricas são contadas... Mas as fábulas precisam vender, enquanto a realidade teima em despertar do sonho... E a concorrência é duríssima, a realidade contra a eterna redenção e seus redentores... E o que é a realidade além de... REAL???

A Realidade é a droga mais poderosa que existe... Não entendo porque tantos fogem para drogas menores: religião, cocaína, freudismo, heroína, 'marxianismo', LSD, extra-terrestres, espiritismo, matrix, conspiracionismos diversos...  Mas trata-se de uma questão meramente retórica... Conheço a Biologia da Crença...

Mas insisto que não há experiência comparável à LIBERDADE DA LUCIDEZ, não há nada como a VIDA REAL... TENTE A REALIDADE??? SÓ PRA VARIAR...


Carlos Sherman

segunda-feira, 9 de abril de 2012

FIAT LUX



Publicaram uma recomendação para um livro espírita, que prometia:


Camille Flammarion escreve em seu livro "Deus na Natureza":
"O verdadeiro título desta obra deveria ser: – “A contemplação de Deus através da Natureza”.
Há alguns anos que se anuncia, como estando no prelo, este trabalho e nós lhe temos modificado várias vezes o título, que, de início era puramente científico. (Da Força, no Universo.)
Acabamos, finalmente, por nos fixarmos neste. Sem dúvida, um título não tem essencial importância para que o autor se explique tão formalmente a respeito. Mas, no caso vertente, julgamos útil declarar desde logo que todos quantos vissem nas quatro palavras da capa a expressão de uma doutrina, errariam completamente. Aqui não há panteísmo, nem dogma. Nosso objetivo é expor uma filosofia positiva das ciências, que, em si mesma, comporta uma refutação não teológica do materialismo contemporâneo. É, talvez, imprudentíssima ousadia o tentar assim uma senda isolada, entre os dois extremos, que sempre aliciaram poderosos sufrágios; mas, de vez que nos sentimos impelidos e sustentados por uma convicção particular, tanto quanto por ardente amor a um novo aspecto da verdade, podemos, porventura, resistir ao impulso interior que nos inspira?"
e segue:
"Dividiremos nossa argumentação geral em cinco partes, no intuito de demonstrar em cada uma a proposição diametralmente contrária à sustentada pelos eminentes advogados do ateísmo.
Assim, na primeira, lidaremos por estabelecer, preliminarmente, pelo movimento dos astros e depois pela observação do mundo inorgânico terrestre, que a Força não é atributo da Matéria, mas, ao contrário, a sua soberana, a sua causa diretora.
Na segunda parte verificaremos, pelo estudo fisiológico dos seres, que a vida não é propriedade fortuita das moléculas que a compõem e sim uma força especial a governar átomos, conforme o tipo das espécies. O estudo da origem e progressão das espécies também aproveitará à nossa doutrina.
Na terceira parte observaremos, examinando as relações do pensamento com o cérebro, que há no homem algo mais que a matéria e que as faculdades intelectuais distinguem-se das afinidades químicas. A personalidade da alma afirmará o seu caráter e a sua independência.
A quarta evidenciará na Natureza um plano, uma destinação geral e particular, um sistema de combinações inteligentes, no seio das quais o olhar desprevenido não pode deixar de admirar, mediante sadia concepção das causas finais, o poder, a sabedoria e a previdência que coordenam o Universo.
A quinta parte, enfim, como centro de convergência das vias precedentes, nos colocará na posição científica mais favorável para julgar simultaneamente a misteriosa grandeza do Ente Supremo e a cegueira inconteste dos que fecham os olhos para se convencerem de que Ele não existe.


Comentei:

Os conceitos acima estabelecem juízo prévio e desconhecimento, respeitosamente falando, e está baseado ora em verbosidades ora em incongruências... Explico porque: 

1.
No primeiro conceito pretende rediscutir a Física Clássica, Relativística e Quântica , assim como a Astronomia e espero que o trabalho contenha a mesma vastidão de provas, e extenso volume para desfazer tudo o que está entendido... Fica a impressão de que apelará para o superado e equivocado modelo Aristotélico... É ver - ou ler - para entender - sem apelar para crer... Lembrando que desenvolvemos e colocamos satélites em órbita da Terra, pousamos em uma lua de Saturno - Titã... E a teoria atômica moderna nos tem servido à perfeição, repetida todos os dias, milhões de vezes, sendo corrobora por milhares de cientistas e diferentes países... 
Ou seja a vida físico-química à nossa volta é a demonstração cabal de que não existem lacunas para encaixarmos o sobrenatural... Vale ressaltar que o autor viveu antes da Física Quântica, e das principais descobertas Astronômicas, da Física, da Química e da Biologia...

2. 
Depois fala em 'doutrina', ao descrever 'pelo estudo fisiológico dos seres, que a vida não é propriedade fortuita das moléculas que a compõem e sim uma força especial a governar átomos conforme o tipo das espécies'... Está de uma só tacada reescrevendo a química, a biologia, ao alegar que existe uma força especial - e portanto até o presente desconhecida, diferente da nuclear fraca e forte - que governa átomos 'dependendo da espécia', o que assassina a química, e a biologia que tão bem conhecemos... 
Chega a ser infantil e pueril, que alguém desconsidere que a medicina e o conhecimento da química e da biologia, assim como da fisiologia humana, tenha nos levado de 30 anos como expectativa média de vida, do homem de Cro-Magnon ao homem do fim da Idade Média; e que hoje, pela ciência médica gozemos de 70, 80 anos de vida - com ampla vantagens para países menos crentes e portanto melhor assistidos pela ciência... Também é incrível o desprezo pela drástica diminuição da mortalidade infantil, que nos tempos de Hippolyte Léon Denizard Rivail poderia levar à uma especulação, bastante delirante, de que o sofrimento pela morte de infantes estava pautado em reencarnação e outras vidas... Sabemos que políticas públicas de saúde e ciência são suficientes... 
Observem como países majoritariamente descrentes, pelo uso da ciência, reduziram a mortalidade infantil afetando diretamente os desígnios fantasmagóricos da reencarnação... Pensem nisso... 

3.
A alma é postulada na terceira parte, no melhor estilo platônico e aristotélico, discurso velho e carcomido... Lembrado que este senhores, grandes arquitetos da ideia de que o corpo de nada serve sem a 'alma' - um conceito vazio e sem função clara em nossos dias -. também acreditavam que o coração pensava, e que o cérebro era uma espécie de 'radiador' para esfriar o sangue... Assim como acreditavam, piamente, que a Terra estava no centro do Universo... Aristóteles postulou ainda que as mulheres 'seguramente' não tinham alma... Ledos enganos... 
O que Platão e Aristóteles deixaram como 'conhecimento' seria suficiente para uma Enciclopédia de Equívocos... E para quem pensa em recorre à 'contextualização', devo esclarecer que Demócrito, Epicuro, Leucipo, Hipócrates, Aristarco, viveram o mesmo período e não se equivocaram tanto... A diferença entre o primeiro e o segundo grupo é simples, o primeiro tomou a arrogante liberdade de profetizar sem PROVAS, enquanto o segundo só abriu a boca diante de evidências e provas... O primeiro grupo, Platão e Aristóteles projetou sua vontade e caprichos, o segundo observou, pensou e descreveu... 
Portanto enquanto os defensores da alma, Platão e Aristóteles diziam que a Terra estava no centro do Universo e as estrelas eram esferas de cristal, Aristarco sabia que o Sol estava no centro... Calculou a distância relativa entre Terra, Sol e Lua, e especulou sobre suas dimensões... Enquanto Platão e Aristóteles preenchiam seu vasto desconhecimento com 'alma', Hipócrates, o pai da medicina, dizia: 

"Os homens pensam que a epilepsia é divina meramente porque não a compreendem. Se eles denominassem divina qualquer coisa que não compreendem, não haveria fim para as coisas divinas."
Hipócrates (Pai da Medicina; 460–377 AEC)

Não, não haverá... Por quase 2.000 anos, a medicina de Hipócrates foi substituída pela 'espiritualidade', possessões demoníacas, etc, e passamos a viver como era antes de Hipócrates, na maior ignorância e em péssimas condições de saúde... Enfrentamos a Peste Negra perseguindo hereges, e caçamos bruxas até o acender das luzes... Com o advento do Iluminismo, Humanismo, Positivismo, recuperamos a medicina perdida, o respeito pelo corpo, abolimos falácias, acendemos definitivamente as luzes, e mudamos completamente o quadro da chances humanas de viver e permanecer vivos... 
Mas até hoje muitos, a maioria, vive imersa em superstições, enquanto recorre à medicina cética quando a saúde capenga... Por quê? Porque existem 'bugs' e características em nossos cérebros, e que levam à acolhida de toda sorte de superstição... Distúrbios nos lobos temporais levam crentes à experiências divinas, e descrentes a uma sensação de sintonia com a natureza... Tais distúrbios são frequentes... Determinados tipos de Epilepsia não desencadeiam convulsões, mas sim visões do divino... Desde que você acredite no divino, caso contrário, serão sensações de intimidade com a natureza, pelo rompimento da sensação de 'ser você'... Isso leva místicos a pensar em viagens astrais, etc... Seria interessante refletir sobre dois aspectos, primeiro porque deus escolhe a epilepsia para vislumbres tão raros de sua existência, e depois se seria certo privar estes pacientes da experiência do 'divino'... 
A esquizofrenia é outro problema, e Chico Xavier foi sem dúvida um esquizofrênico não diagnosticado... Wellington Menezes, doutrinado pela religião, matou crianças em Realengo... John Nash ganhou o Nobel de Ciências Econômicas... O que existe em comum entre os dois? A esquizofrenia... O que os diferes, o conhecimento versus a doutrina religiosa... Nash via russos em seu encalço em plena Guerra Fria... Menezes ruminava o comando bíblico, morte aos infiéis... 
Podemos hoje, com uma espécie de capacete, estimular a partir de campos magnéticos zonas cerebrais... E podemos finalmente entender com as ditas experiências místicas funcionam... Podemos provocar tais sensações... A resposta está no Sistema Límbico e o próximo Nobel de Medicina e Fisiologia sairá desta área... O Sistema Límbico regula as nossas emoções, e comporta-se como um núcleo cerebral dentro do Cérebro, tendo o Hipotálamo como centro de decisões... O Corpo Mamilar, as Amígdalas, são 'cúmplices' o co-autores de nossas experiências ditas 'místicas'... Outros sistemas de decisão atuam, como a vontade de pertencer a um grupo, e a gestão do medo e do risco... Estamos perto de solucionar a questão, que nas últimas décadas andou 70% do caminho, e os 30% finais estão previstos para esta década... Mas se tem visões e ouve vozes, e se é capaz de entregar-se radicalmente, mesmo sendo uma pessoa inteligente e instruída, a crenças, crendices, e superstições, pode ser a hora de consultar um neurologista... É sério...

4.
O quarto conceito, verbosidades à parte, postula a existência de causas morais para a existência do Universo... Sabemos que não procede... Caso contrário deus teria que dar muitas explicações... Toda sorte de argumentação espírita e frágil, falaciosa, e evidentemente não pode ser comprovada... De forma que este livro deve ser um pouco mais do mesmo... 

5.
E o Gran Finale, a profecia do 'deus supremo', e claro, os que não podem ver são cegos... 

Camille Flammarion foi um astrônomo, e morreu antes de que a maioria esmagadora dos avanços científicos pudessem ter sido descobertos... Morreu antes da ressonância magnética e da Neurociência Moderna, morreu antes do Hubble, e da ampla exploração espacial, morreu antes da Mecânica Quântica... Morreu antes da consagração da Relatividade... Morreu antes da descoberta do DNA... Já em sua época foi um astrônomo sem relevância, mas dedicado à polêmica... Flammarion foi amigo de Kardec, e ao invés de procurar um Neurologista, afundou-se na falácia do espiritismo...

Perdão, mas tenho uma posição realmente dura sobre o assunto... 

Muita gente deixa de ser atendida por médicos, e passa a vida imersa no obscurantismo espírita... Eu passei pela experiência... Estou curado de semelhante devaneio... 

A hipnose, embora um mero truque, realmente existe, e trabalha sobre nossa fragilidade de sugestionamento e controlando os nossos centros de decisão... Estima-se que mais ou menos 20% das pessoas sejam altamente hipnotizáveis, enquanto 60% podem ser hipnotizadas dependendo das circunstâncias e o hipnotizador, e 20% nunca serão hipnotizadas... 

Em um estudo relativo ao tema, 16 pessoas foram hipnotizadas, 50% suscetíveis, 50% resistentes, segundo uma pré-seleção... Então foram submetidas à hipnose e receberam a seguinte instrução: 'esqueçam a palavra que está escrita, em uma língua estranha, e informem apenas a cor'... Foram então liberadas do transe, e o experimento passou a avaliar os efeitos 'pós-hipnose'... O grupo então foi apresentado a palavras que diziam 'VERDE', mas estavam coloridas de AZUL, ou AMARELO, estando colorida de VERMELHO... E era solicitado responder: 'qual a cor?'... Exatamente a metade hipnotizável respondeu diretamente a cor que via, ignorando a palavra... A outra metade percebeu o conflito...

Já imaginaram o que a hipnose coletiva, em um culto religioso podem causar nas pessoas?  

Finalmente, e sobre o livro proposto, trata-se de uma obra de cunho oitocentista, e pelos conceitos em destaque, um convite à refutação cabal... Temos uma tendência à explicações causais, onde um efeito emerge de uma causa direta... Temos dificuldades, mesmo sem saber, com sistemas caóticos, complexos, probabilísticos, randômicos, estocásticos... Por exemplo, taxistas adoram comentar o clima: 'este clima está louco'.... Não, este clima 'é louco'... A troposfera é um sistema caótico, que pode ser modelado, mas que guarda sempre incerteza... 

As pessoas, e o Sistema Límbico ajudam em acentuar este problema, preferem relações causais simplistas... Por que este casal não está bem? Porque não tem deus na vida deles, ora... Pensam em quão complexos são dois seres humanos, em quão complexas são as relações, nas circunstâncias que mudam, na variância dos parâmetros que regem a vida, e muito mais complicado... Então? Foi deus... E o emprego? Por que não consigo um emprego? Mal olhado... É o seu carma, são os chakras, etc e tal... Não, é a vida, complexa, mas não misteriosa... 

Lembrando ainda, e pouco sabem, que o cérebro evoluiu de dentro para fora... O núcleo, ou Reptiliano, é idêntico ao cérebro dos répteis... O nosso DNA, com cerca de 30 mil genes ativos, salta 80% do código total... Sim temos instruções de 'jump' por toda parte, e desprezamos 80% do que está escrito nele... Por quê? Porque deixamos estas instruções para trás na Evolução... A oxitocina e a vasopressina regulavam a salinidade de nosso corpo, quando vivíamos no mar, hoje regulam o nosso afeto... Hormônio são mensagens, que uma vez que encontram seu destino produzem reações que são deflagradas fisicamente... 

Já que um livro foi mencionado, mencionarei outras sugestões, 'Os Fantasmas no Cérebro' (V.S. Ramachandram), 'Quebrando o Encanto' (Daniel Dennett), 'O que nos faz humanos' (Matt Ridley), 'Um Antropólogo em Marte' (Oliver Sacks), 'Em Busca da Memória' (Eric Kandel), 'Um Mundo Assombrado por Demônios' (Carl Sagan), 'Deus Um Delírio' (Richard Dawkins), 'E o Cérebro Criou o Homem' (Antonio Damásio), 'Por que Acreditamos em Coisas Estranhas' (Michael Shermer), 'Truques da Mente' (Stephen Macknik, Susana Martinez-Conde), 'O Cérebro Imperfeito' (Dean Buonimano), 'Como a Mente Finciona' (Steven Pnker)... 

Temos ainda, uma tendência a preferir o que é 'espetaculoso' - não confundir com espetacular... A vida e a realidade são espetaculares... A Realidade é a droga mais forte que existe, e não entendo porque as pessoas fogem para drogas menores, cocaína, religião, espiritismo, psicanálise... O real é muito melhor... Incomparável... Você pode entender a Genética, a Neurociência e a Astrofísica... Não é tão complexo quanto parece, e hoje existe ampla literatura 'séria' com linguagem acessível... Tudo isso, todo a crenças reinante, em alguma medida responde ao nosso medo da morte... E assim, desprezamos o corpo, desprezamos a vida REAL, imersos em um mundo fantasmagórico e triste... FIAT LUX... 

Somos apenas, e tão somente - parafraseando Nietzsche - humanos, demasiado humano... Frágeis, irremediavelmente mortais, e ainda assim, maravilhosos... 

Peço desculpas antecipadas pela extensão dos texto, mas a tentativa de questionar com uma só tacada a física, química e biologia, postulando o velho deus das lacunas, e o conceito infantil de alma como solução, merecem um tratado... Fui econômico, dada a abrangência do tema, e a extensão do desconhecimento...

Pior do que o desconhecimento são as pré-suposições equivocadas... Solução? Estudar.... Não crenças e crendices, estudar aquilo que foi testado e repetido, inúmeras vezes, por diferentes cientistas, em diferentes países, por diferentes métodos... Sem isso, lamento, serão motivo de piada... Por que tudo isso, não percebem, é absurdo....


Carlos Sherman

sexta-feira, 23 de março de 2012

Kardec, Sócrates e Platão... Relação delirante...



Sócrates e Platão: Precursores do Espiritismo... Esta é a tese delirante de Sérgio Biagi Gregório...


"O objetivo central deste estudo é mostrar que a ideia espírita é tão velha quanto o próprio tempo. Já na Antigüidade podemos perceber o clarão dessas verdades eternas. Perguntaríamos: quem foi Sócrates? E Platão? Em que as idéias de Sócrates e Platão se assemelham às do Espiritismo?"


As fontes consultadas por Gregório em seu ESTUDO, rsrsrsrs, vem do seu fundamentalismo espírita:


BRUN, J. Sócrates. Lisboa, Dom Quixote, 1960. (Coleção Mestres do Passado, n.º 9).
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed., São Paulo, IDE, 1984.
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995.
SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3. ed., São Paulo, Matese, 1965.



Gregório em seu delírio diz: "O objetivo central deste estudo é mostrar que a ideia espírita é tão velha quanto o próprio tempo. Já na Antigüidade podemos perceber o clarão dessas verdades eternas."...

Primeiramente o tempo começa bem antes de Sócrates e Platão - nascido Arístocles -, mas ou menos 14,6 bilhões de anos antes... Depois, a Antiguidade clássica não é um palco de verdades... Ao contrário... Em sua esmagadora maioria o que os filósofos gregos disseram foram tremendas asneiras... Com raras exceções, como Epicuro, Demócrito, Aristarco, Hipócrates... O pai da medicina declara:


Os homens pensam que a epilepsia é divina meramente porque não a compreendem. Se eles denominassem divina qualquer coisa que não compreendem, não haveria fim para as coisas divinas.


Hipócrates (Pai da Medicina; 460–377 AEC)



Epicuro declara:


Deus deseja prevenir o mal, mas não é capaz? Então não é onipotente. É capaz, mas não deseja? Então é malevolente. É capaz e deseja? Então por que o mal existe? Não é capaz e nem deseja? Então por que lhe chamamos Deus?


Epicuro (Grécia, 341 a.C. - 270 a.C.)


Platão postula que o universo é regido pela perfeição, posto que deus é perfeito... Esta ideia equivocada nas mãos equivocadas, nos remetem a 1.600 de atraso... As ideias equivocadas de Aristóteles sobre astronomia, dificultam o trabalho de homens como Copérnico, Keppler e Galileu... Mas Aristarco estava sendo dobre o Heliocentrismo, enquanto Aristóteles e Platão diziam asneiras... Isso para quem pensa em invocar a 'contextualização'...

A crenças em 'almas do outro mundo', teve grande aceitação, dos delírios Clássicos ao acender das luzes após a Idade Média, ou Idade das Trevas, quando tais delírios começaram a ser compreendidos, e os planos médicos passaram a cobrir tratamentos psiquiátricos... Mesmo assim, esquizofrênicos de carteirinha como Chico Xavier não puderam receber adequado tratamento médico... 

O endeusamento da Antiguidade Clássica é um fenômeno resultante da ignorância sobre o próprio classicismo, que Gregório conhece pela coleção Mestres do Passado, e evidentemente superficialmente... O suficiente para sua causa metafísica... Mas o que é aceito sem provas pode ser descartado sem provas...

Filosofar, no classicismo, era praticado por adivinhação, 'achologia' - clássica -, astrologia, astronomia, matemática, geografia, história, magia, para estabelecer leis, costumes, medicina, estratégias de guerra, etc... Tudo estava envolto em uma névoa de ideias, algumas e poucas muito boas, e sendo a esmagadora maioria sofrível... Mas quem não conhece endossa a Antiguidade Clássica em todo o seu espectro, da genialidade à boçalidade... Sérgio centrou-se no segundo caso, na boçalidade, extensamente superada em nossos dias, pela Genética, Neurociência, Física, Química, Biologia; embora Sócrates mereça o meu apreço, por parte significativas do que pensou - embora só saibamos de suas supostas ideias e feitos por Xenofonte e Platão -, mas sobretudo por sua inabalável coerência e conduta... Sócrates praticou a integridade intelectual... Mas não aprendeu com Epicuro e Aristarco, sobre o valor das evidências...
  
O que separa Aristarco de Aristóteles e Platão, foi a epistemologia, a validação de sua pensabilidade, pelo respeito às provas e evidência... Teremos então a História do Pensamento ou da Filosofia, e teremos a verdadeira Filosofia... A verdadeira Filosofia, em nossos dias, converteu-se na Ciência Teórica, em suas diversas áreas... E já não temos mais porque pensar no sobrenatual, se podemos ler a verdade, pela Ciência... 


O personagem Sherlock Holmes - que ganhou vida pela obra de Sir Arthur Conan Doyle - reverbera com genialidade em 'Um caso de Identidade': 'Este é uma antigo axioma meu, de que as pequenas coisas são infinitamente mais importantes... E Holmes - Doyle - filosofa, de fato, tendo o cuidado de estabelecer não um mero postulado dito filosófico, nos moldes platônicos, mas a correta definição de um axioma -  hipótese inicial de qual outros enunciados são logicamente derivados... Holmes acerta, mas Platão, Aristóteles, a até Sócrates - através de Platão - derrapam... Derrapam feio... Examinemos algumas 'pequenas coisas', no melhor estilo Holmes:


Aristóteles foi o primeiro a falar em superioridade racial... Ele inventou o conceito... Por quê? Baseado em que evidência, provas ou demonstrações além de sua eloquência, tantas vezes equivocada? Platão levantou a remota possibilidade de que talvez as mulheres pudessem ter uma "alma" como os homens... Ou seja, Platão 'cogita', não afirma ou postula, como faz em tantas outras questões... Mas Aristóteles, o filósofo dos filósofos, apresentou 'argumentos filosóficos' e garante que "somente as ideias masculinas deveriam ser cortejadas, e explicando que as mulheres têm menos dentes, não têm 'almas', e seus corações não batem... E foram estas aberrações ditas 'filosóficas' que modelaram o que se entende equivocadamente por Filosofia...


'Alma'? Estamos em 2012, com uma avanço sensacional em termos de Genética, Embriogênese, Fisiologia, Neurociência, e ainda tem gente evocando Platão e Sócrates para falar em alma? Platão e Sócrates, assim como Aristóteles, no entanto, deixaram outros legados para a humanidade, mas entre eles certamente não está o entendimento sobre mulheres, raças superiores e 'almas'...


A obra de Platão, aquele que cunhou o termo 'filosofia', com amplo destaque para a República, está longe de ser uma proposta filosófica consistente... Contraditória do inicio ao fim, copiada de conceitos Pitagóricos, Platão propõe em A República um estado fascista, vegetariano, banindo a música e a poesia, desencorajando o amor, e restringindo o sexo à procriação... Tais conceitos fundamentais e indeléveis, são totalmente despidos em 'O Banquete'... A República não é mais do que uma coletâneas de peças anedóticas, mas nunca um exercício profundo da 'pensabilidade'... É evidente que seu conteúdo não resistiria ao escrutínio epistemológico... Trata-se de uma ode à cobiça e ao materialismo, com direito à distinção de classes, supressão das liberdades individuais, o estabelecimento de uma elite governante e um forte exército - os famosos guardiões platônicos...


Adoro particularmente 'A caverna', mas que na verdade termina em contradição... Esta fabulosa e inventiva retórica para demonstrar os perigos da crenças, termina em vazio quando o próprio Platão apresenta suas próprias crenças, em 'alma', 'divindades', e 'vida após a morte'... Vivendo para e passo com outros grandes, verdadeiramente céticos, como não pôde nada aprender?


A República de Platão está bem longe de ser 'ideal', é mais do que impraticável... É risível, infantil... Platão, jogando na lama as conquistas de 'A Caverna', diz:


"... talvez no outro mundo ela esteja assentada como um modelo, um modelo que aqueles que o desejarem poderão contemplar e, assim fazendo, conseguir pôr em ordem as próprias cidades. Se tal cidade existe - ou se de fato existirá - não importa, pois tais pessoas viverão à maneira da cidade ideal e nada terão a ver com qualquer outro modelo"


Puro exercício achológico, indo do nada ao lugar algum, argumento circular, verborragia... "talvez... aqueles que desejarem... e, assim fazendo... Se... existe... ou se... existirá... não importa... pois tais pessoas viverão à maneira da cidade ideal... e nada terão a ver com qualquer outro modelo"... Que besteirol vago e vazio!!! Platão senhores, o Filósofo...

Sempre tive particular curiosidade sobre a peruca de Chico Xavier... Aquele que curou o câncer, a tuberculose, e muito mais, mas nada pôde contra a calvície... Aliás, pensei que um 'espírito tão evoluído', pudesse importar-se menos com a aparência, como fez Sócrates... Calvo... Sem peruca... Pode parecer uma piada, e é, mas leva a uma importante reflexão...


Considerem esta fábula anedótica:

Contou-nos um casal amigo de Chico Xavier, o Sr. João Vicente Coelho e D. Anna, que, tempos atrás, estando na residência do médium em Uberaba, presenciou o seu encontro com um jovem japonês que, falando através de intérprete, lhe descreveu o fato acontecido com ele.
Sofrendo de leucemia e desenganado pelos melhores especialistas, o rapaz teve acesso a um vídeo do médium que o mostrava em ação no Brasil. Ao ver Chico atendendo à multidão e psicografando, foi ele tomado pela certeza íntima de que aquele homem, que nunca houvera visto antes, haveria de curá-lo.
Emocionado e diante de várias testemunhas em visita ao médium, o nipônico contou que, naquela mesma noite, o espírito do médium, acompanhado de dois outros desconhecidos para ele, esteve em sua casa, no Japão, e lhe impôs as mãos à altura da medula, chegando, inclusive a massageá-la diretamente.
Daquele dia em diante, ele começou a recuperar-se, e os exames feitos a posteriori surpreenderam os médicos, os quais o deram por curado de LEUCEMIA!
Fonte:
universoespirita.org.br. por Chico Xavier;
Do Livro "Chico Xavier, O Apóstolo da Fé", de Carlos A. Baccelli.

Isso apesar de nosso amigo nipônico estar recebendo tratamento avançado no Japão... Mas, assim caminha a humanidade... Chico Xavier, e seus espíritos só não encontraram a cura para a calvície, ..., e para a vaidade...


Madre Teresa de Calcutá foi beatificada - mas ainda não canonizada - em 19 de outubro de 2003, em função de um MILAGRE ocorrido com Monica Besra, uma indiana, que foi curada de um 'tumor no estômago' - 'de forma inexplicável' -, e cuja cura foi atribuída a MTC... Mas o Dr. Ranjan Mustafi, médico de Monica Besra, disse ao The New York Times:  "Nunca houve câncer ou tumor, foi apenas um cisto. Não foi um milagre, ela tomou medicamentos por um ano, e foi curada"... Também de acordo com o próprio marido de Besra: "Minha esposa foi curada pelos médicos e não por um milagre"... Mas, assim caminha a humanidade...

Existo, logo penso... Ético, logo cético...

Carlos Sherman