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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

COMUNICAÇÃO, LIDERANÇA, EMPREENDEDORISMO... e alguns VESPEIROS



CARLOS LEGER SHERMAN PALMER JUNIOR

Por ocasião de um trabalho de pós-graduação, respondi às seguintes questões:


Comunicação e liderança: por que elas devem caminhar juntas?

Antes de encarar a questão, devo pontuar que considero o conteúdo das unidades 1 e 2, versando respectivamente sobre Liderança e Comunicação, superficial e carente do necessário embasamento neuropsicológico. A liderança é tratada com base senso comum, e no lugar comum dos discursos da autoajuda - hoje rebatizados por “coaching” e “mentoring”; onde qualquer um pode se tornar um líder, ou um orador “inato”. Podemos ensinar técnica de liderança, mas não poderemos forjar um líder... ou “o líder do bando”.

ALGUNS VESPEIROS

A Neuropsicologia, ou Ciência Psicológica (Gazzaniga & Heatherton; 2007), é fundada precisamente para alçar o estudo do comportamento humano à condição de Ciência; cuja abordagem cumulativa de conhecimento dependerá de metodologia clara, com teorias devidamente comprovadas – ou “Método Dedutivo Baseado em Prova” (Popper; 2008). Este era o sonho de William James – há quase um século:
"Ao tratar a psicologia como uma ciência natural, quis ajuda-la a se tornar uma delas."
Mas isso nunca aconteceu... até agora, até o surgimento da Neuropsicologia. A Ciência Psicológica, portanto, não deriva da Psicologia (Pinker; 2007) (Gazzaniga & Heatherton; 2007) (Damásio; 2011), assim como a Química não deriva da Alquimia – sendo ainda, não raro, matérias antagonistas.

O eminente psicólogo Michael Gazzaniga, um dos fundadores da Neurociência, trabalhou diretamente com eminente “biólogo" Roger Sperry, ganhador do Nobel de Fisiologia e Medicina em 1981 por suas descobertas sobre a especialização funcional dos hemisférios cerebrais – especialmente no lobo frontal. Gazzaniga declarou peremptoriamente:
"A psicologia propriamente dita está morta. Ou, dito de outro modo, a psicologia vive uma situação curiosa. A minha universidade, Dartmouth, está construindo um magnífico edifício para a psicologia. Contudo, os seus cinco pisos repartem-se da seguinte forma: a cave destina-se por inteiro à neurociência, o piso térreo alberga as salas de aula e os gabinetes administrativos, o primeiro andar dedica-se à psicologia social, o segundo à ciência cognitiva e o terceiro à neurociência cognitiva. Vai lá saber porque é que lhe chamam de edifício da psicologia."
A resposta à esta intrigante questão seria dada por ele mesmo, no fabuloso marco da Neuropsicologia, que ajudou a escrever: CIÊNCIA PSICOLÓGICA – Mente, Cérebro e Comportamento (2007). Mundo afora, e principalmente nas melhores universidades americanas de Psicologia, como Harvard, Yale, Universidade da Califórnia em Davis, no SAGE em Santa Bárbara, Darthmouth, no Instituto de Neurociência do MIT etc., as grades curriculares do entendimento sobre a condição humana destacam palavras como “cérebro”, “genética”, “biologia social”, “evolução”, “cognição”... totalmente ausentes em qualquer curso de Psicologia brasileiro. Então, quando nos referimos à psicologia nos Estados Unidos ou na Europa – à exceção da França, “catequizada” pela “freudista” Elisabeth Roudinesco -, estamos na verdade endereçando a Neuropsicologia; fundamentada principalmente na Neurociência Cognitiva, Genética Comportamental, Biologia e/ou Psicologia Social e Evolucionária.

Na aula inaugural de Introdução à Psicologia em Yale, Paul Bloom esclarece – quando interpelado sobre “Freud” – um perigoso embusteiro:
"Vocês não encontrarão Freud no curso de Psicologia desta universidade, e já faz algum tempo. Talvez encontrem Freud na Sociologia, Filosofia ou Literatura."
Áreas correlatas, e dedicadas à ficção...

“ZIP Code or Genetic Code?” (“CEP - Código Postal ou Código Genético?”); esse é o provocador título da matéria da Harvard Gazette, mídia oficial de notícias da Universidade de Harvard, sobre o mais extenso e preciso estudo já realizado envolvendo gêmeos... Steven Pinker, professor emérito de Psicologia na mesma universidade, nos conta o resultado:
"[...] revela que as funções cognitivas são as que têm maior probabilidade de sofrerem influências genéticas (4/5) e as menos prováveis de sofrerem influência ambiental compartilhada (2/5)."
Por exemplo, a hierarquia ou “pirâmide” de Maslow é algo inteiramente ultrapassado, e sem qualquer fundamentação, senão pelo arbítrio de seu criador. Notem, por exemplo, a sua completa inutilidade quando conceituamos a importante e predominante herança genética. Falta também a perspectiva evolutiva; já que a hierarquia de “necessidades” parece inteiramente desconectada do processo evolutivo que a produziu. Depois, o conceito de hierarquia não foi totalmente desenvolvido, não explicando a interação entre os “níveis”, e sem levar em conta os flagrantes exemplos que violam de seu sistema “hidráulico” de classificação de “necessidades” (Cory; 1974) (Coming; 1983) (Maddi; 1989) (Smith; 1991).

Maslow e sua “pirâmide colorida” também receberam pesadas críticas por sugerir que a conquista material e sucesso são resultado inconteste do desenvolvimento humano (Yankelovich; 1981); com isso, tende a ignorar ou diminuir as grandes realizações intelectuais, morais e de serviço à humanidade, e que não estiveram centradas em resultados materiais ou exposição midiática à fama (Maddi; 1989). A hierarquia de Maslow, com seu foco quase exclusivo no indivíduo, denota pouca ou nenhuma percepção sobre a dinâmica da interação social – que nos caracteriza como humanos, troppo umanos. Este tipo de abordagem e suas emendas, nunca se tornaram de fato uma importante referência para o estudo da socialização humana, ou no campo das teorias políticas (Zigler & Child; 1973) (Knutson; 1972) (Davies; 1963), o que dirá uma abordagem séria sobre o comportamento.

Estamos aqui falando em Maslow em 2019, enquanto um editorial do New York Times publica o obituário Judith Harris – que se despediu de nós em 30 de Dezembro de 2018, aos 80 anos. Estudem Harris, estudem The Nurture Assumption, o livro que mudaria o entendimento sobre a personalidade e a relação entre pais e filhos – base para a Neuropsicologia... esqueçam Maslow et alia.

Harris foi dispensada do doutorado de Harvard pelo “famoso psicólogo” George Miller, então diretor do departamento, e tratada como uma reles “dona de casa”; para depois sacudir para sempre os dogmas do psicologismo. Harris deu a volta por cima, trabalhou como investigadora independente, e enfrentou uma grave doença degenerativa, para receber das mãos de Steven Pinker a maior honraria na psicologia: o prêmio – pasmem vocês – George Miller.


LIDERANÇA e COMUNICAÇÃO

Uma abordagem Neuropsicológica da Comunicação precisa levar em conta os aspectos neurais da fala e da linguagem, a natureza evolutiva da das expressões corporais e de dominância, o ToM – ou Theory of Mind -, a capacidade humana de imaginar o que o outro está pensando sobre o que estamos dizendo, além de muitas multiplicações deste tipo de interação... ou: “o que será que ela acha que eu acho, sobre o que ele disse?”...

Além das questões básicas de comunicação, emissor, receptor, envelopamento, mensagem, meio... é fundamental aprofundar a questão na semântica, gramática, construção lógica e conteúdo – ou CONHECIMENTO. Sobretudo quando o assunto é liderança, e aqui centrado na liderança profissional.

Steven Pinker adverte sobre o que considera o principal problema na comunicação em um ambiente profissional – mas que pode ser estendido para a vida:
"Quando você [realmente – grifo meu] sabe alguma coisa, é muito difícil saber como é não saber."
Um problema ordinário de empatia, ou a qualidade de colocar-se no lugar do outro... mas existe um degrau a mais: a capacidade de se colocar no lugar do outro pensando como o outro! E esse é o maior problema da comunicação relacionada à liderança, já que, por um lado, e supostamente, um líder deve possuir mais conhecimento em diferentes abordagens da realidade; enquanto, por outro, e quando nos referimos à questões muito específicas ou detalhadas, e ninguém sabe tudo sobre tudo, o líder precisará promover uma comunicação reversa, ou seja, ajudar o interlocutor a comunicar-se adequadamente.

Nas Unidades 1 e 2 não estamos abordando a questão mais importante – profundamente desprezada por Rogers - por exemplo: o CONHECIMENTO sobre o que pretendemos comunicar, a construção LÓGICA e GRAMATICAL da sentença, suas PREMISSAS, além da PERTINÊNCIA e UTILIDADE de sua conclusão.

A comunicação verbal é fundamentalmente uma ação, e toda ação nos leva a algum objetivo. Mesmo a introspecção, o pensamento, é – lato sensu - uma espécie de comunicação interior (Pinker; 2007). Elkhonon Goldberg, que estudou com o eminente psicólogo soviético Luria, divide o seu tempo entre as atividades de neuropsicologia clínica, docência, e pesquisas de ponta sobre as atividades do que batizou como “cérebro executivo” (Goldberg; 2002) - ou “interprete” (Gazzaniga; 2000); este é o sujeito dentro de nós... e vive no córtex frontal, normalmente do lado esquerdo. Aí também reside o líder em nós, o Diretor Executivo em nós...

Mas para exercer a liderança exterior será necessário muito mais do que isso, muito embora as respostas ainda estejam no cérebro, resultado da Genética Comportamental, e suas artimanhas Evolutivas... Talvez devêssemos chamar o “líder do bando” de “chefe do bando”, em função de sua insuspeita tirania. Estima-se que 25% dos CEOs estejam dentro do espectro de caraterização do psicopata, e esse número pode chegar a mais de 70% nos círculos políticos. Sendo assim, a tradução de Chief estaria então muito adequada em ¼ dos casos...

Finalmente, o psicopata, ou sua designação corporativa de sociopata, segue a máxima popular de “manter a cabeça fria” – ipisis litteris. O sociopata evolutivo (Goldberg; 2002) adapta o seu aparato comportamental para o poder - egocentrado, implacável, sem remorsos, nem escrúpulos, escalando com vantagens insuspeitas o cume das esferas públicas e privadas.

Suspeito que o aparente sucesso dos psicopatas se deve a um ajuste evolutivo em direção ao egoísmo, e em função de deficiências em termos de sensibilidade emocional ou empatia. O altruísmo heroico se opõe ao psicopata pela mesma linha de raciocínio, e provavelmente em função da elevada sensibilidade ao sofrimento alheio. Neste sentido, o equilíbrio natural, ou homeostase, seria obtido pela adoção de medidas que culminem com o bem comum... O neurocientista António Damásio tem as mesmas preocupações em mente em A Estranha Ordem das Coisas:
"A cooperação evolui como gêmea da competição, e isso ajudou a selecionar os organismos que mostraram as estrategias mais produtivas."
Mas existem impeditivos igualmente evolutivos para esta linha de análise, já que evoluímos para viver em clãs de 150 ou 200 pessoas, e não em megalópolis de 200.000, 2.000.0000, 20.000.000... Não seria o sucesso evolutivo dos psicopatas uma resposta à superpopulação? Ou seria exatamente o contrário? O altruísmo é jovem, e vem no encalço da densidade demográfica? Sustento que sim, e apesar de nos tornarmos mais agressivos com a densidade, também passamos a desenvolver estratégias mais bem sucedidas para a mitigação da violência.

O Batman, do imaginário popular, pratica o altruísmo, em busca do bem comum... apesar de milionário. Enquanto seus algozes, Coringa, Charada, Pinguim, almejam apenas poder, e bonança pessoal... apesar de miseráveis. Esses contos substituem as tragédias gregas... São dramas heroicos, onde acreditamos possuir mais controle sobre o destino de tudo... Sem notar, no entanto, que o supremo poder, ainda sim desprezível diante da Entropia, é o CONHECIMENTO.

E o altruísmo pode ser ensinado... Muito embora não possamos garantir que será aprendido ou praticado. E uma questão salta diante de todas: Por quê desejamos liderar? Pelo bem individual? Então seria chefia, e não liderança... Pelo bem comum? Então precisamos saber se estamos em condições de receber a tarefa. Por que empreender? Como viver melhor? Como ajudar a diminuir o sofrimento humano? Pensem nisso...

Retomando o ponto, a liderança, ortogonal à chefia, declara que “nós vamos”, ao invés de “você vai”; para finalmente elogiar que “nós conseguimos”, em lugar de “eu consegui”. O líder nato ou inato percebe que o sucesso do grupo é benéfico a ele também, e entende que chefiar um bando, ao invés de liderar, pode ser bem perigoso. Mas existem cenários onde a necessidade de chefia pelo medo se impõe à qualquer argumento em favor do idealismo de liderar... Isso diferencia ambientes pacificados e judicializados, da selva, ou da periferia, e daqueles cenários à margem da Justiça.

A Unidade 1 induz exercícios agradáveis e que revelam um pouco sobre as nossas tendências de personalidade. Também aponta – de forma leve – para uma série de boas práticas em liderança, e que naturalmente podem ser ensinadas e exemplificadas. Mas não podemos forjar um líder. Podemos melhorar um líder, ou ajudar aquele que não nasceu líder a liderar... sendo essas, sutis, mas fulcrais diferenças.

Por exemplo, uma personalidade dependente (DPD - Dependent Personality Disorder) NÃO PODE decidir. Existem personalidade neuróticas, narcisistas, autodestrutivas, sádicas, masoquistas, inseguras - patologicamente... e que jamais serão líderes... e não devem ser estimuladas a liderar. Aliás, a natureza parece subtrair os traits de liderança nestes casos... em função do risco... à exceção dos psicopatas, que ainda assim não lideram, mas chefiam.

Damásio, em a Estranha Ordem das Coisas,

Nas palavras de Jacqueline Du Pré:
"A primeira responsabilidade de um líder é definir a realidade. A última é agradecer. Entre esses dois extremos o líder deve servir."
Se este aforismo lhe diz alguma coisa, note quantos traços marcantes de personalidade serão necessários para desempenhar bem esse papel de regente de um grupo harmonioso - homeostático... aqui descrito de forma tão genial e singela.

[Escrevi um importante trabalho sobre liderança e regência... mas seria muito longo para este espaço. Desde já, ficarei feliz em enviar a quem possa interessar.]

Kaoru Ishikawa fez parte de uma verdadeira revolução no Japão pós-guerra, e influenciou mais de uma geração de empreendedores... Kaoru bem definiu o conceito de Círculo de Qualidade, e mais tarde esquadrinhou o engenhoso e simples Diagrama de Causa-e-Efeito - também conhecido como Diagrama de Ishikawa ou Diagrama de Peixe. Essa foi, sem dúvida, a maior contribuição desse mestre, fornecendo uma metodologia poderosa e segura, usada também por pessoas não-especializadas, para analisar e resolver todo tipo de problema. Sobre liderança e empreendedorismo, ele declarou:
"Na gestão, a primeira preocupação da empresa deve ser a felicidade das pessoas que estão ligadas a ela. Se as pessoas não se sentem felizes e não podem ser felizes, essa empresa não merece existir." 
Existem muitos testes para avaliar o espectro da psicopatologia – e.g., Psychopathy Checklistrevised (PCL-R) -, mas não existem dúvidas sobre a natureza genética do transtorno, nem sobre o fato que que não haverá cura. Por outro lado, não seria o psicopata um tremendo sobrevivente? Alguém que mantém a frieza diante do caos... narcisista, egoísta, calculista... dominante?

O paradoxo, afinal, sendo essa a proposta do meu trabalho na área de GRC, decorre do fato de que: (P1) os psicopatas focam em grandes organizações, (P2) e sabemos que de fato os mega-CEOs, ou super-treinadores esportivos em equipes repletas de talentos, não têm influência significativa no resultado do “jogo” (Mlodinow; 2008) (Lewis; 2013)... CEOs muito bem pagos por mega-organizações não serão capazes de influir no resultado de suas empresas - mas podem detoná-las... Grandes estruturas administrativas, com dezenas de milhares de empregados, têm os seus resultados definidos pelo convívio com a entropia, como o caminhar de um trôpego, e que não pode ser de forma alguma ordenado por um superman... Então, (S) o paradoxal é que a liderança tem muito mais impacto em grupos ou empresas pequenas, como pequenos clãs, e onde um homem ainda pode fazer a diferença. E essas empresas não precisam de fato de grandes heróis. Neste sentido sim podemos ensinar a liderança a pequenos empreendedores, que um dia poderão evoluir a médios e grandes negócios.

Vivemos a Era da Transparência, como destaca Daniel C. Dennett, Professor Emérito de Filosofia e Codiretor do Centro de Estudos Cognitivos da Universidade Tufts, durante um famoso discurso para calouros da turma de 2017. Precisamos sim de transparência e conformidade com as regras do jogo, e daí decorre todo o debate sobre Compliance, Risk and Governance. Afinal, hoje sabemos, convivemos com psicopatas e afins...

Este é um excelente ponto final em minha contribuição ao tema, mas preciso deixar mais algumas ressalvas para o que virá – Tarefas 3, Unidades 3 e 4: (P1) nem todos devem se aventurar na sina dos empreendimentos, e ao contrário. Muitos de nós, a esmagadora maioria de nós, será muito mais feliz sendo conduzida, guiada, liderada, de forma segura e protegida, do que encarando as vicissitudes de empreender, lutar por um lugar ao Sol, e liderar... Não é correto dizer às pessoas que podem empreender e liderar, sem maiores ressalvas; (P2) Sobre Ética, precisaremos encarar o Dilema do Pacifista – suas rubricas evolutiva, genética e neurocientífica.

P.S.: Finalmente, com tantos pensadores ilustres, com tanto conhecimento disponível, consagrado, é muito difícil "aprender" alguma coisa com opinólogos profissionais como Clovis de Barros, Cortella e Karnal... Decepcionante!!! Tenho denunciado a baixa qualidade do debate promovido por esse senhores, e seguirei denunciando.



Como você vivencia essa experiência integrativa no seu ambiente de trabalho?

 Fundei e dirigi empresas, gerenciei grandes projetos, trabalhei em 23 países, dirigindo pessoas muito diferentes em termos culturais, mas troppo umanos. Atuo como investigador acadêmico independente na área Neurocientífica, e com profundo interesse em traits de personalidade e transtornos. Escrevi livros sobre Ética, Comunicação, Liderança, e hoje estou preparando um curso sobre o assunto, envolvendo ainda GRC – Compliance, Risk, Governance. Considero a abordagem escolhida revolucionária e consciliente.

A abordagem do assunto é inteiramente nova para os padrões brasileiros, mas está consonante com o conhecimento disponível no exterior, e nos grandes centros de investigação, como Harvard, MIT, sobre “o que nos torna humanos” (Ridley; 2008). Trabalho com a Neurociência Cognitiva, Genética Comportamental, Biologia Social e Evolutiva... e não vendo ilusões. Assim que esse debate tem tudo a ver com minha vida em muitos sentidos, como empresário, consultor, pensador, investigador acadêmico, escritor e palestrante.



A comunicação tem sido efetiva - transmissão <-> compreensão?

Acredito que sim. E o “x” da questão, como ressaltei antes, é o entendimento sobre a necessidade de clareza na “construção” da mensagem, parte gramatical, lógica e conteúdo. E a integridade intelectual... E falta abordar prioritariamente essa questão: A utilidade da mensagem e da comunicação é essencial. As premissas, sentenças, e respectivas conclusões, devem “endereçar a verdade” (Sherman; 2015). Além do protocolo, a mensagem deve estar bem construída e o tema deve ser bem conhecido. Para finalmente encarar o “problema do conhecimento” – ou “da falta de”... Onde um dos interlocutores não dispõe de estrutura prévia capaz de aproveitar a mensagem que está sendo transmitida. Esse também é um problema do Hipocampo, já que o registro de todo aprendizado, sabemos, depende da atividade desta área do sistema límbico, e que opera sob estimulo de neurotransmissores. Ou seja, registramos mais quando estamos excitados, e nos excitamos mais quando estamos familiarizados com o assunto, ou “impressionados”...

Em sentido muito amplo, defendo que vivemos contra a Entropia – Segunda Lei da Termodinâmica, e Primeira Lei da Neurociência. (Pinker; 2018) Jogamos contra uma sorte deletéria, mecânica e biológica, implacável em termos probabilísticos, de forma que tratamos de aprimorar a previsibilidade pelo conhecimento. Daí o comportamento, daí nosso destino... daí a comunicação, liderança, e todo o resto. Portanto... Entendamos a Entropia, a Genética e a Informação. Esse é o Jogo da Vida.



Carlos Leger Sherman Palmer Jr

domingo, 27 de janeiro de 2013

[Eu] LUTO sem LUTO...



[Eu] LUTO sem LUTO...
Por que a luta é pra valer...


Carlos Sherman

Sobre a Tragédia de Santa Maria




Sobre a Tragédia de Santa Maria:

LUTO SEM LUTO... 
LAMENTO A PERDA - destas, e de toda vida quando chega ao fim precocemente ou tragicamente...



Carlos Sherman

Apologia...



Amigos estou muito preocupado... 

Símbolos, logos, estandartes, 'ismos', são recursos da propaganda e do aparato hipnótico e apologético... Não precismos disso... Não entremos nessa... 

Homens livres, pensantes, céticos, façam apenas a sua parte!!! E sejam humanos, troppo umanos, acima de tudo... 

Carlos Sherman  

Então, só me resta desligar a TV e fazer logout no Facebook...



LUTO SEM LUTO... 
LAMENTO A PERDA - destas, e de toda vida quando chega ao fim precocemente ou tragicamente...

Uma terrível tragédia, e lamento profundamente a perda... Dirijo a minha solidariedade aos amigos e familiares dos mortos e vítimas... Não posso dimensionar vossa dor... 

Mas situações dramáticas como esta, e pelo número de mortos, abrem caminho para toda sorte de manifestações, mais ou menos dignas de respeito... Uns manifestem a sua tendência ao sentimentalismo, outros exacerbem o pessimismo - 'porque no Brasil, as autoridades...' -, outros inundam a rede com - pasmem - 'pedidos de oração', sem considerar que o 'tal deus' foi o autor do atentado; afinal ele criou o universo - o 'U-NI-VER-SOOOOOOOO' -, e todas as leis da natureza... Ele sopra o oxigênio na combustão, e acendeu e manteve a chama... De forma que, em tragédias como essa, onde a maioria das pessoas redescobre a morte, que teimam em afastar de suas mentes, uma horda de crentes vem falar em orações... Orações pra quê??? Cobrem explicações de seus deuses, o deus sumério-judaico-cristão-islâmico, ou Tupã, ou do 'Grande Jujú da Montanha', em seus 'papos com ele', e perguntem por quê? 

Mas o ato mais deplorável e cretino, é a horda de 'crentes' que sustenta - em seu 'amor cristológico' -, tratar-se de uma punição de Deus, de Cristo, contra os 'depravados, drogados, pervertidos, prostitutas, etc'... Esta é a condição mais execrável que existe, destes abutres que tripudiam, covardes, sobre o sofrimento de inocentes, e com a cara de pau de invocar a palavra 'amor'... Isso enquanto destilam toda a sua sandice vingativa, crística, apocalíptica... Sempre lembrando que Cristo é o comandante em chefe do humanicídio do Apocalipse, e os que serão salvos, assistirão de camarote a vingança sádica e cruel de Deus/Jesus...

Mas seguindo em frente, tragédias e acidentes acontecem... As autoridades brasileiras costumam ser negligentes, sim, mas estes incidentes acontecem em Oslo, Madri, Roma e New York... Existem entre os humanos, humanos ambiciosos e inescrupulosos, que muitas vezes dirigem tais casas noturnas, e a corrupção existe, é real, e o Brasil não é o campeão neste quesito, mas padece deste mal... Mas as diferentes personalidades humanas encaram tal tragédia de formas diferentes... Uma cadeia de eventos será disparada por esta tragédia, envolvendo investigação, responsabilização, mobilização das vítimas sobreviventes e parentes dos falecidos, seguradoras, autoridades públicas, e espero que aprendamos com o acontecido, melhorando as nossas leis, a respectiva fiscalização, e evitemos tragédias como essa... Conscientemente... Além de punir os respectivos responsáveis... 

As reações de luto e de verdadeiro sentimento, por parte dos amigos e familiares dos mortos, são realmente legítimas, e mais uma vez envio os meus pêsames, seguro de que não posso avaliar a imensidão desta dor... Mas o exagero que ecoa pela rede, remete a outros fenômenos neurológicos, complexos e perniciosos, e merecem também a minha atenção, e não a minha sensibilidade... 

Qual é a diferença entre uma vida perdida na discoteca, e todas as vidas perdidas na mesma noite em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, no Brasil, na América do Sul, no Mundo??? Qual??? A tragédia produz uma reação coletiva, que produz uma reação em cadeia, e desencadeia a comoção pública... Trata-se de nossa tendência solidária, e isso é muito bom... Trata-se da empatia em ação, além de muitas outras obscuras emanações... Por isso pergunto, o que as vidas perdidas na 'Kiss', diferem de qualquer vida perdida - precocemente ou tragicamente?


LUTO sem LUTO...
Porque a luta é séria...

Aí vem o Carnaval!!! Uma tragédia anunciada, com data marcada... Pensem nisso... O número de mortos, apenas nas estradas federais, em 2012, foi de 176 mortos, 18,1% menor em relação à 2011, onde 216 perderam a vida... Isso significa que o número de pessoas viajando cresceu, o número de carros nas estradas aumentou, e o número de mortos - em termos absolutos - caiu... Em termos relativos mediríamos uma queda ainda maior, isto significa que estamos aprendemos com a morte, e com os nossos mortos... Isso sem contar as mortes nas rodovias estaduais, sem contar os casos não documentados, sem contar o incrível número de feridos -  2.001 em 2012, contra 2.690 em 2011 -, o incrível número de acidentes - 3.346 em 2012, contra 4.312 em 2011... Em 2012 154 mil veículos foram fiscalizados, quase o dobro de 2011 - 81 mil -, com 1.319 autuações e 494 prisões, contra 1.049 e 479 em 2011... Mas se considerarmos o números de homicídios durante o Carnaval, a tragédia vai longe, muito longe, e o número de mortos chega aos 4 dígitos, em um fim de semana prolongado... 

Não digo isso para diminuir a dor daqueles que perderam os seus entes queridos, e nem para que levantemos mais bandeiras de luto, ou coloquemos o nosso perfil em 'negro' no Facebook - o que não significa absolutamente nada -, mas para que lutemos pelo melhoramento consciente deste quadro, antes de contar os mortos... Digo isso para que cuidemos de nosso filhos e entes queridos que passarão pelo risco 'injustificado' do vergonhoso e primitivo evento do Carnaval... 

Programas de auditório como o Faustão, entre outros, deitam e rolam sobre a tragédia, a rede fica inundada, a televisão não fala de outro assunto, mas o comportamento é estranho e despropositado... e sintomático... Não estou de LUTO - mas estou solidário na dor -, porquanto não posso medir com a minha angústia a verdadeira dor de quem 'realmente' sofre a perda; seria piegas e teatral da minha parte... Mas lamento profundamente a dor, assim como lamentaria se o número de mortos fosse '1', e assim como lamentaria se este jovem fosse indiano... Este é o ponto... 

E 'LUTO', CONSCIENTEMENTE, pelo melhoramento contínuo da vida, ampliando a abrangência de meus atos, insistindo em manter-me de pé, ativo, quando inserido na cena, quando vivo a tragédia, quando posso perceber que o problema está na iminência de eclodir... Sempre que presencio um acidente trato de prestar socorro e indicar os responsáveis, e já 'prendi' algumas pessoas na rua - não sendo policial... Já dei voz de prisão à pessoas embriagadas que provocaram acidentes no trânsito, evitando que evadissem do local, e garantindo que fossem responsabilizados... Já prendi pessoas por agressão física na rua... Já impedi a ação despropositada de policiais... Já denunciei uma discoteca por falta de condições para operar, e em especial por não dispor de segurança em caso de emergência -, quando vivi uma noite de terror durante uma pane no sistema elétrico, e estivemos na iminência de um severo caso de pisoteamento... 

Luto na cobrança sobre as autoridades, e sobre a responsabilização, mas luto também pela adequação do discurso dos apologetas, pessimistas e sentimentalistas, que também nos conduzem na direção errada... Triste tragédia, triste destino... Solidariedade sim, tristeza também, mas sem exageros e arroubos oportunistas, como no caso da mídia, como no caso do 'sentimento nacionalista' - que não coloca em perspectiva as tragédias pelo mundo -, e o pior dos oportunismos: o proselitismo religioso... 

Uma banda decide soltar fogos dentro de uma boate e provoca um incêndio, seguranças despreparados e truculentos decidem impedir a saída - evidentemente não conheciam as consequências -, e só havia uma saída, o que é uma falha estrutural na segurança... A causa das mortes foi asfixia, em sua maioria... Que o inquérito seja completo e as responsabilidades sejam apuradas, e que isso sirva para que aprendamos com a experiência... Lamento pela perda... Lamento também pelos abusos em relação ao acidente... Sem mais comentários, afinal, a televisão já está apinhada de especialistas em tudo, além dos 'opinólogos' de plantão... O assunto vai longe... Uma verdadeira tragédia, mas que suscita discussões mais superficiais do que profundas... E isso me preocupa... Muito... 

Então, só me resta desligar a TV e fazer logout no Facebook...

Aceito as pedras, de bom grado, mas precisava dizê-lo... 

Boa noite!!!


Junior Guarani Kaiowá: "Bateu forte e certeiro."

Karoline Sherman: "Fantástico, sem faltar nenhuma informação, 'completíssimo' e muito bem feito, como sempre, só resta assinar embaixo de tudo o que disse."

Obrigado meu amigo - Júnior, um guerreiro da liberdade total -, e obrigado filhota linda... Você sabe o quanto eu LUTO, sem estar de LUTO... Mais uma vez lamento a dor, e não ouso, nem por um instante, tencionar entender a dor daqueles que perderam o seus entes queridos, a morte é uma luta diária... E luto sim, e você testemunha isso... Mas não posso ser piegas... Não mais...

[eu] LUTO SEM LUTO... 

LAMENTO A PERDA - destas, e de toda vida quando chega ao fim precocemente ou tragicamente...



Carlos Sherman

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Podemos viver muito bem sem deuses... Por quê?




Por que o ateísmo pode substituir a religião: estudo
[Por Cesar Grossmann]

A questão de por que o ateísmo é mais predominante em países ricos do que pobres tem ocupado os antropólogos por cerca de 80 anos. A crença em Deus declina na maior parte dos países desenvolvidos e o ateísmo está concentrado em países europeus como a Suécia (64% de descrentes), Dinamarca (48%), França (44%) e Alemanha (42%), enquanto que na África Sub-saariana a quantidade de ateus é inferior a 1%.

Ateísmo e crença em Deus: Vejam os percentuais dos países
[Por Marcelo Ribeiro]

Pesquisadores investigaram os dados coletados de diversos países em uma ou duas oportunidades entre 1991 e 2008. Foi perguntado sobre suas crenças em Deus.

O estudo — que foi baseado em uma pesquisa realizada pela Universidade de Chicago, nos EUA — foi efetuado em 30 países e não incluiu o Brasil. Nós tiramos algumas conclusões destes dados.

Os participantes foram questionados se são crentes em Deus ou ateístas, a mudança em suas crenças de acordo com o tempo e suas atitudes sobre a noção de Deus intervir diretamente em suas vidas pessoais.

As informações abaixo vieram apenas dos extremos “estou certo da existência de Deus” e “não acredito em Deus”:

PARCELA DE RESIDENTES 
CERTOS DA EXISTÊNCIA DE DEUS

Japão: 4,3%
Alemanha Oriental: 7,8%
Suécia: 10,2%
República Tcheca: 11,1%
Dinamarca: 13,0%
Noruega: 14,8%
França: 15,5%
Grã Bretanha: 16,8%
Países Baixos: 21,2%
Áustria: 21,4%
Letônia: 21,7%
Hungria: 23,5%
Eslovênia: 23,6%
Austrália: 24,9%
Suíça: 25,0%
Nova Zelândia: 26,4%
Alemanha Ocidental: 26,7%
Rússia: 30,5%
Espanha: 38,4%
Eslováquia: 39,2%
Itália: 41,0%
Irlanda: 43,2%
Irlanda do Norte: 45,6%
Portugal: 50,9%
Chipre: 59,0%
Estados Unidos: 60,6%
Polônia: 62,0%
Israel: 65,5%
Chile: 79,4%
Filipinas: 83,6%

PERCENTUAL DE RESIDENTES ATEÍSTAS

Alemanha Oriental: 52,1%
República Tcheca: 39,9%
França: 23,3%
Países Baixos: 19,7%
Suécia: 19,3%
Letônia: 18,3%
Grã Bretanha: 18,0%
Dinamarca: 17,9%
Noruega: 17,4%
Austrália: 15,9%
Hungria: 15,2%
Eslovênia: 13,2%
Nova Zelândia: 12,6%
Eslováquia: 11,7%
Alemanha Ocidental: 10,3%
Espanha: 9,7%
Suíça: 9,3%
Áustria: 9,2%
Japão: 8,7%
Rússia: 6,8%
Irlanda do Norte: 6,6%
Israel: 6,0%
Itália: 5,9%
Portugal: 5,1%
Irlanda: 5,0%
Polônia: 3,3%
Estados Unidos: 3,0%
Chile: 1,9%
Chipre: 1,9%
Filipinas: 0,7%
[LiveScience]


[Por Cesar Grossmann]
Baseado no fato que quanto mais educação, maior a taxa de descrentes, o antropólogo James Fraser propôs que as previsões científicas e o controle da natureza suplantaria a religião como forma de controlar a incerteza nas nossas vidas.


Ateístas são mais comuns entre pessoas com nível superior e que vivem em cidades, e estão mais concentrados em social-democracias europeias. O ateísmo parece florescer mais entre pessoas que se sentem economicamente seguras. Mas por quê?

Quanto menos desenvolvido é o país mais se acredita em Deus
[Por Marcelo Ribeiro]

Um recente levantamento mostrou qual a parcela de crentes em Deus e ateístas temos pelo mundo. Apesar dos dados terem sido coletados em épocas diferentes (entre 1991 e 2008) nós utilizamos nossas parcas habilidades em Excel para agrupar tudo e gerar outros números.

Utilizando a lista de países por Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nós agrupamos os cinco que são mais desenvolvidos, os cinco menos desenvolvidos e traçamos médias simples dos níveis de crença em Deus ou de ateísmo.

A média daqueles que estão certos da existência de Deus nos países mais desenvolvidos (28%) é quase a metade que dos menos desenvolvidos (53%). Curiosamente a tendência de ateísmo é inversamente proporcional à que vimos acima com os mais desenvolvidos (15%) mostrando cerca do dobro de ateístas do que os menos desenvolvidos (7%).



Fica claro que quanto maior é o desenvolvimento humano em um país, menor é a tendência de se creditar na existência de Deus. Os EUA são a zebra da lista, pois mesmo sendo o quarto país com maior IDH do mundo tem uma proporção altíssima de crentes — seis a cada dez — para ateístas que são apenas 3%.

Vale ressaltar que toda a lista mostra países com uma média alta de desenvolvimento humano. Os menos desenvolvidos da lista são Filipinas, Rússia e Chile. O Chile é o 44º da lista do IDH (considerado muito alto), e a Rússia no 66º (considerado alto). As Filipinas estão em 112º e são consideradas de médio desenvolvimento humano.


Em um estudo feito em 137 países, o psicólogo evolucionista Nigel Barber aponta que, aparentemente, as pessoas se voltam à religião como uma proteção para as dificuldades e incertezas da vida. Em social-democracias, há menos medo e incertezas sobre o futuro por conta de programas de promoção do bem-estar. Países com melhor distribuição de renda também têm mais ateus.

Em contraste, países onde as doenças infecciosas são mais comuns também há a crença em Deus maior. E em países mais religiosos, a fertilidade também é maior, pela promoção do casamento pela religião. Por fim, a religiosidade também é maior em países onde a população rural é maior.

Crença no inferno reduz comportamento criminoso?
[Por Stephanie D’Ornelas]

A maior parte das religiões que são fundamentadas na crença em Deus pregam regras bem específicas para seus seguidores. Matar e roubar, por exemplo, são pecados que podem levar alguém direto para o inferno. Ou será que não? Depende de como Deus é visto em cada religião (e por cada pessoa) especificamente.

Uma nova pesquisa norte-americana aponta que em sociedades nas quais as pessoas acreditam em um Deus punitivo – que não pensa duas vezes antes de mandar alguém para o inferno – as taxas de criminalidade são menores. Já nas regiões em que a população acredita em um Deus misericordioso e que perdoa os pecados na Terra, as taxas de criminalidade são mais elevadas.

Resumindo, quem acha que o céu é para poucos escolhidos tem mais receio em cometer crimes e acabar ardendo no mármore do inferno pelo resto da eternidade. Pessoas que acreditam em um Deus que vai as perdoar tendem a cometer crimes com mais facilidade.

O estudo, realizado pela Universidade de Oregon (EUA), foi liderado pelo professor Azim Shariff, que fez parte de uma pesquisa em 2011 que mostrou que existe uma relação estreita entre crença religiosa e honestidade. No estudo realizado no ano passado, intitulado Different Views of God Predict Cheating Behavior (Deuses maus geram pessoas boas: diferentes visões sobre Deus ajudam a prever comportamento e trapaças), os pesquisadores mostraram que estudantes universitários que creem em um Deus punitivo tendem a trapacear menos e a serem mais honestos por medo do inferno.

A nova pesquisa que mostra a relação entre a crença em um Deus punitivo e criminalidade foi feita a partir de dados de 143.197 pessoas de 67 países, coletados por 26 anos. O estudo revela que não é relevante estudar apenas quantas pessoas acreditam ou não em Deus, mas de que forma é essa crença. Os pesquisadores ressaltam, entretanto, que embora os dados e comparação entre crença em Deus e criminalidade sejam precisos, é preciso ter calma antes de tomar conclusões. 
[ScienceDaily/CaML/PlosOne]


[Por Cesar Grossmann]
Mesmo as funções psicológicas da religião enfrentam uma competição acirrada nas sociedades modernas, com as pessoas procurando médicos, psicólogos e psiquiatras quando têm problemas psicológicos.


Segundo Nigel, as razões pelas quais as igrejas perdem expressão em países desenvolvidos podem ser resumidas em termos de mercado.

Primeiro, com uma ciência melhor, redes de segurança governamentais e famílias menores, há menos medo e incerteza na vida das pessoas, e, portanto, um mercado menor para a religião.

De onde surgiram tantos ateus?
[Por Luciana Galastri]

Uma pesquisa na Universidade de Oxford mostrou que cerca de 48% dos estudantes não acreditam em Deus. Talvez isso não seja tão surpreendente – a maioria das pessoas acredita que ateus sejam bem instruídos, principalmente os de Oxford que têm como professor o ícone do ateísmo Richard Dawkins.

Mas há algumas curiosidades sobre isso quando a “população amostral” da pesquisa é o mundo e suas diferentes culturas, não Oxford. Estudos mostraram que há, sim, uma relação entre estudo e a fé em Deus, mas que o ateísmo é mais forte naqueles que têm apenas o ensino médio completo do que naqueles com nível superior completo.

A pesquisa também indicou que as pessoas com mais estudo tendem a acreditarem em coisas mais estranhas. 29% das pessoas com apenas o nível fundamental completo acreditavam em telepatia, contra 51,8% das pessoas com nível superior completo.

Essas pesquisas mostraram, também, que a questão religiosa não depende apenas do nível educacional, mas do sexo, do tipo de cultura e da idade dos entrevistados. Então os não-ateus podem ficar aliviados: já não há mais a crença de que eles sejam menos inteligentes que os ateus. 
[NewScientist]


[Por Cesar Grossmann]
Ao mesmo tempo, muitos produtos alternativos estão sendo oferecidos, como medicamentos psicotrópicos e diversão eletrônica, exigindo menos compromissos e respeito servil à crenças não científicas. 

[Psychology Today]




Sobre a Falácia da Tábula Rasa e o Mito do Automatismo



Sobre a Falácia da Tábula Rasa e o Mito do Automatismo

Auto-ajude-se!!!

Diante de uma enxurrada diária de mensagens de auto-ajuda, decidi objetar:

(..) você e o autor da frase só esqueceram de considerar a Genética e a Neurociência Cognitiva, base para tudo em nossas vidas, inclusive para a nossa capacidade de aprender, lutar, querer... Sempre recomendo menos auto-ajuda e mais estudo, se pretendemos entender alguma coisa sobre o comportamento humano, e sobre o nosso comportamento... 

As pessoas são diferentes, e sendo diferentes podem ser pacatas, guerreiras, tementes em relação ao risco, ou sedentas pelo risco... e não serão bordões de "vamos lá, você pode", que mudarão estas características inerentes à nossa natureza... Muito pelo contrário, falar em sucesso e derrota, como vejo por aí, só acentua a frustração... Somos diferentes... E somos quem somos sem intencionar ser... Mas somos, e somos único... E respondemos por nossos atos, mas o livre-arbítrio é uma falácia... Puro desconhecimento sobre tudo o que já entendemos sobre o comportamento humano... E pura crença na falácia rousseauliana da 'Tábula Rasa'... Não somos uma folha em branco onde escrevemos o nosso destino, ou "o que você decide se tornar"... 

E este não é, como profetizam, "o maior valor da vida", "escolher quem seremos, vencedores ou perdedores"... O maior valor da vida é antes de tudo entender o que ela significa... Para que sejamos quem somos, de propósito, conscientes, e felizes... O meio, a família, o aprendizado, e os desafios, podem estimular a realização de nossas potencialidades, ou tratar de calá-las, mas nunca inventá-las... jamais... E somente hoje sabemos disso... Pergunte a Judith Harris... 

Sei que pode parecer chocante, afinal subtrai, de uns, o orgulho de serem eles "vitoriosos", mas também subtrai, de outros, o estigma do "fracassos"... E questionar o dogma da "folha em branco" que será preenchida somente pela experiência, deixa a impressão equivocada do mito do 'autômato'... Mas não funciona assim... Simplesmente, a nossa natureza individual, única, tem as suas características, e o meio só poderá estimulá-las ou bloqueá-las, mas não mudará efetivamente quem somos ou seremos... Se somos girassol seremos girassol, se somos cactus, seremos cactus... Mas o meio, a exposição ao Sol, a disponibilidade de água, os nutrientes que recebemos, as folhas que são arrancadas pelo vento, nos tornarão mais ou menos exuberantes, murchos,  maiores ou menores, e viveremos mais ou menos - como girassóis, cactus, rosas -, de acordo com a nossa natureza... 

Evidentemente, trata-se de uma analogia muito simplificada, afinal somos o Homo sapiens - 100 bilhões de neurônios conectados por 100 trilhões de sinapses, modelados por 30.000 genes, e um infindável número de combinações, resultando na complexidade e na beleza da experiência humana... Mas, durma com esse barulho: a personalidade é quase tão herdável quando o peso corporal !!! 

Complexidade tal que Alfred Russel Wallace, co-desenvolvedor - ao lado de Charles Darwin - da Teoria da Evolução,  familiarizado com a diversidade 'não intencional ou moral' da vida, não foi capaz de aceitar... Wallace não pôde aceitar que a mente humana, ou sistema neural, diferia dos demais animais apenas em grau e não em tipo... De forma que infelizmente Wallace não pôde livrar-se do 'fantasma na máquina', o que de certa forma ofuscou o brilho e a importância de sua obra ao lado de Darwin... Wallace terminou a vida tentando se comunicar com os mortos, e procurando um lugar para a 'alma' humana, que nunca pôde encontrar... 

Em tempos vitorianos, antes da descoberta do DNA por Watson e Crick, antes das maravilhas de Santiago Ramón y Cajal - que intuitivamente postulou a doutrina do neurônio, que tempos depois foi comprovada -, e de outras descobertas genéticas e neurofisiológicas, não podemos condenar Wallace por sua hesitação... Eric Kandel quando inciou a aventura que o levaria a entender os meandros da do cérebro humano, desvendando a memória - para receber o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina -, trabalhou com neurônios de camarões de água doce, similares ao nossos, só que maiores, e em muito menor número...Mais uma vez, o que nos diferencia de qualquer outra inteligência no reino animal é uma questão de garu, e não de tipo... 

A evolução está documentada em nossos cérebros e em nosso DNA... De forma que, e com tudo isso exposto, podemos contestar o rentável negócio das máximas da auto-ajuda, do lance do "você pode, vamos, só depende de você", ou da "lei do retorno", ou da "lei da atração", ou do mito de que poderemos transformar qualquer um em um "líder", ou no "melhor vendedor do mundo", ou podemos ajudar a qualquer um que deseje "fazer amigos e influenciar pessoas"... Não, não funciona desta forma, e tais falácias ou mitos, só conduzirão à muita dor e frustração... Onde frustração, e o gradiente entre 'onde você está', e 'onde gostaria de estar', principalmente quando a mídia diz que 'você pode', e que só existe um paraíso possível... A frustração vem de nunca alcançar este podium de chegada, que na realidade não existe... Porque uns, ou muitos, nunca serão líderes, nem farão tantos amigos, e não influenciarão pessoas - se é que isso pode ser considerado ético, e admirável, e pessoalmente suspeito que não.. 

E o estratagema da auto-ajuda segue o esquema da fé... Se você não alcançou a sua graça, não culpe o santo - jamais -, isso significa que você não teve fé suficiente... Se não encontrou o sucesso prometido pelos magos da auto-ajuda, significa que você não quis o suficiente... Afinal, só depende de você... O nome teste jogo de 'engana-engana', se chama 'tênis sem rede'... Sim, é isso mesmo, um jogo onde somente o 'pastor' ou o seu 'guru' da auto-ajuda vêem a rede, e marcam os pontos... Você sempre perde... Embora a esmagadora maioria, estarão hipnotizados pelas técnicas da auto-sugestão... Um triste destino...

Para realmente ajudar alguém, ou ajudar a nós mesmo, mas vale entender quem somos, encarar a diversidade, e realizar a nossa natureza em nossa vida, plenos, reais, com expectativas ajustadas... Existe um padrão para 'vencedores' e 'ganhadores', que não leva em conta as expectativas naturais de cada um... E existem pessoas ganhando dinheiro, e sem nenhum conhecimento sobre a natureza humana, usando truques para que você acredite que existem padrões de realização, e depois enganando você em relação ao seu verdadeiro sucesso em atingir tais padrões... Isso é feito todos os dias em igrejas, e também pelos magos da auto-ajuda em seus 'seminários'... 

Devemos ajudar as pessoas a aceitarem quem são, e assim viverão melhor... Não existem tantos líderes inatos, nem vendedores, nem 'vencedores', se é que existe algum parâmetro sobre vencer... Ter grana é vencer??? Muita grana? A falta de dinheiro, para suprir necessidades básicas, é sem sombra de dúvidas um suplício em nosso mundo dependente de comodidades, mas contar à todos que precisam ser ricos, é outra coisa... Enquanto alguns precisam 'ter coisas', outros precisam 'ter experiências', e outros - ainda - só querem estar quietos, calmos, em seu cantinho... 

Mas este papo vai longe... Mensagens que parecem inofensivas, na verdade ensejam falácias e mitos, vendem livros e frustram pessoas, em função da ambição de uns e da vulnerabilidade de outros... 

Carlos Sherman

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Sobre Elegância


Sobre Moda e TPM...



Sobre Moda e TPM...

Oi meu amor... Onde está a sua 'Fluoxetina'??? Uma TPM sempre é uma TPM, rsrsrsrs, mesmo neste lindo dia de Sol... E ainda trabalhamos juntinhos, frente a frente... 

Mas mudando de assunto e, na verdade, entrando em um assunto que muito lhe interessa... então, aqui vai uma reflexão: 

"Sapatilhas podem até ser confortáveis - e na verdade, ortopedicamente, não o são -, mas não combinam com muita gente... Não combinam com o estilo de muita gente... Assim como 'saruel' - ou bombacha -, a cor roxa, ou laranja, não serve para muita gente - se é que serve para alguém... 

A moda uma arte, o modismo um erro... 

O modismo expõe um ampla falta de personalidade, sem a devida reflexão estética e harmônica... O que vai bem em cada um, ou 'com cada um', não pode ser ditado pelo mercado massivo da moda... A nossa variância genética está expressa em nosso comportamento, e na sofisticada linguagem de nossa vestimenta... 

Assim deveria ser... reflito eu..."

Carlos Sherman

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Tempos Modernos

A minha esposa encontrou as tiradas perfeitas para as minhas filhas... Tempos modernos...

ISA:





KK:
E eu encontrei as tiradas perfeitas para ela - minha Erika...





segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Manifesto Contra o "Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa"

"Todas essas religiões são igualmente absurdas..."

Este é o meu duro manifesto contra a palhaçada do "Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa"... Trata-se de uma falácia e um truque...

A questão da dita 'intolerância religiosa' é uma questão que poderia ser hilária, se não fosse trágica... De um lado um lado o vernáculo da sandice bíblica, e do outro a volúpia dos estelionatários... Sem esquecer da insanidade dos messias, e a insuspeita vulnerabilidade das hordas de crentes - todos cegos... Devemos tolerar os intolerantes??? Devemos tolerar os estelionatários, que ofendem a decência humana chamando de 'espiritualidade' o que indiscutivelmente é matéria do Código Penal??? Como por exemplo no caso das religiões abraâmicas, devemos respeitar àqueles que defendem uma mensagem intolerante, cruel e assassina? Onde começa e termina a 'intolerância'??? Triste destino... 

Bem abaixo da superfície desta discussão infame, residem questões essenciais que não estão sendo sequer tangenciadas... Não devemos confundir liberdade de expressão com a propaganda neo-nazista, por exemplo... Afinal, existem valores essenciais, e existem os direitos civis e individuais, e o estado de direito, e existe a incrível cara de pau... Quando escuto esta falácia da tolerância religiosa, pergunto-me: 'Como devemos tratar um livro que incita a morte de estrangeiros, e pessoas que não seguem o mesmo credo? Como devemos tratar um livro misógino e que condena homoafetivos à morte? Como devemos tratar um livro que ordena o apedrejamento de filhos rebeldes e mulheres - somente mulheres - adúlteras? Como devemos tratar uma crença, que consagra um deus que controla magicamente ursos, para despedaçar os corpos de 42 crianças, apenas por caçoar de um calvo - careca? O que dizer de um deus, tornado sagrado por um livro, e que mata toda a humanidade e ameça repetir à dose? Além disso, ele ordena que, apenas para glorificá-lo, homens matem os seus irmãos e os seus melhores amigos, alcançando a contagem exata de 3.000 mortos, em uma única tarde? O que dizer de um deus que discrimina deficientes físicos como párias, e chama leprosos de imundos?'... Devemos tolerar a morte confessa de 2,5 milhões de pessoas por INTOLERÂNCIA RELIGIOSA, discriminação racial e misoginia???  Qual é o conceito? Tolerar os intolerantes??? Então deixemos que o cristianismo da Ku Klux Klan e o Neonazismo, inspirados na Providência Divina, propaguem o seu terror ideológico livremente... 

LEIAM A BÍBLIA... Se quiserem conhecer a quintessência da intolerância, leiam a bíblia... Estudem a História das tradições abraâmicas... Tolerância com os intolerantes??? Essa é muito boa... E dentro de toda esta sandice crente, a esmagadora maioria dos 'templos', são arapucas de estelionatários... Tolerância com bandidos? Que praticam o crime - que deveria ser hediondo - de violentar o último rasgo de esperança de pessoas que já não tem mais nada... Bandidos execráveis que sonegam o Imposto de Renda à luz do dia? Os senhores Edir Macedo, Silas Malafaia, Valdemiro Santiago, Estévan e R.R. Soares, estão entre os 500 mais ricos, pela Forbes... O que é isso minha gente??? 

Este dia é, na minha perspectiva, um dia de "Tolerância com Descaso com a Educação", e com a aplicação das leis... Que tipo de exemplo estamos deixando para os filhos deste país, desta nação, cujos políticos safados e sem escrúpulos, apelam cada vez mais para o voto da IGNORÂNCIA RELIGIOSA E CRENTE??? Estamos tolerando a ignorância reinante, estamos tolerando livros mortais impressos regularmente em nosso país, estamos tolerando o roubo, a vilania... E ninguém tem a coragem de dizer nada... Mas este não é o meu caso, a imbecilidade e a passividade não me caem bem... 

Isso é um truque tenebroso... Igrejas intocadas querem perpetuar a roubalheira de forma intocável... Pequenos credos, alucinatórios, são um problema de saúde pública - trata-se de devaneio neurofisiológico... Mas o uso do sobrenatural para faturar pesado é crime, com intenção inequívoca de dolo!!! 

Gurus, magos, astrólogos, numerólogos, homeopatas, sem vergonhas, etc e tal, e até mesmo todo este absurdo da crendice freudiana, junguiana, não passa de charlatanismo oficializado em nosso país... Como tolerar a falácia, o estelionato, a fraude, o crime??? Como tolerar a mensagem intolerante??? Como tolerar a mentira descarada, a hipocrisia, a cretinice? Como tolerar a perpetuação da ignorância? 

Nós dizemos PENSEM, eles respondem SUBMETAM-SE... Triste destino...

Carlos Sherman 

Sessão de Terapia





Uma amiga escreveu pedindo apoio para certas questões em sua vida pessoal, e em busca de um rumo... Respondi:

Querida, conte comigo, o meu negócio é servir...

Quando estamos - como você diz - 'sem rumo', tratamos de buscar saídas, e o difícil é encontrá-las... Normalmente pendemos para as saídas fáceis... Lamento dizer que grandes problemas ou grandes questões, exigem saídas elaboradas... Desconfie sempre da verborragia fácil e barata, das "leis do retorno", "você pode", "desperte sua luz interior", e baratos afins... Basicamente, o desespero das saídas fáceis desemboca no mundo mágico - e placebo - da auto-ajuda, ou coisa muito pior... 

O que poderia ser 'muito pior'??? Religiões, espiritismo, astrologia, numerologia, freudismo, junguianismo, e esoterismos correlatos... Para desenvolver a capacidade, e a auto-suficiência para encontrar suas próprias respostas, precisamos de verdadeiro conhecimento -  multi-disciplinar -, experiências, e 'a capacidade de aprender com  as nossas experiências... Mas as pessoas tem mais ou menos dificuldade em aprender com suas próprias experiências... Muitas vezes, é necessário um 'mestre' ou 'mentor', mas é bem difícil cruzar com eles, rsrsrsrsr... 

Outro problema reside na inércia para aprender... O besteirol esotérico é apenas um boa fábula, como a novela das 20:00hs, que pode ser "aprendida" por muitos, pela massa... Mas é difícil indicar uma literatura adequada para quem pretende começar a aprender 'Como a Mente Funciona' - título homônimo da obra do fantástico Psicologia e Neurocientista Steven Pinker... Esta talvez não seja a melhor obra de Pinker para iniciantes... 'Tábula Rasa' pode ser o caminho, mas devo advertir, que apesar de ser uma leitura sensacional e agradável, em nada se parecerá com livros de auto-ajuda - ou deveria dizer auto-engano (?)...

Mas existem outros caminhos para entender o comportamento humano, a Genética é essencial, e nesta particular, um obra se destaca: 'O que nos faz humanos' - Matt Riddley... Se faz mister dizer que tais obras não oferecerão receitas mágicas, imediatistas, fáceis... Tais obra são antes de tudo, conhecimento efetivo, que uma vez absorvido, passará a integrar o seu próprio conjunto de conhecimento, e servirão para analisar as questões de sua vida, na tentativa de elucidá-las e ajudando você a formulas suas próprias respostas... 

Entre Pinker e Riddley, a imperdível obra de Daniel Dennett, 'Quebrando o Encanto', também servirá como fonte inesgotável de conhecimento sobre os porquês do comportamento, assim como promoverá um autêntico choque de realidade... 

'A Dança do Universo' de Marcelo Gleiser, te conduzirá pela deliciosa história do conhecimento humano, contribuindo para a maravilhosa compreensão sobre o seu lugar no Cosmo... Carl Sagan também é uma leitura indispensável, nesta indescritível experiência de habitar verdadeiramente, e pala primeira vez, o seu lugar no Cosmo... 'Bilhões e Bilhões' é a minha sugestão neste caso... Estas duas obras citadas neste parágrafo, foram editadas pela Companhia de Bolso, uma série econômica da Companhia das Letras...

Igualmente editadas pela Companhia de Bolso, estão as obras primas do Neurocientista Oliver Sacks, 'Tio Tungstênio' e 'Um Antropólogo em Marte'... Não se assuste com o título, Sacks é extremamente gostoso e fácil de ler...

O delicioso e esclarecedor livro de Fernando Reinach, 'A Longa Marcha dos Grilos Canibais - e outras crônicas sobre a vida no planeta Terra', é uma coletâneas de textos publicados por Reinach em sua coluna na revista Nature... Infelizmente esta obra-prima não fez alarde na mídia literária, até porque não é um livro para todos... Reinach tangencia em um breve capítulo nesta obra prima, a questão das dificuldades da aprendizagem...

"Gato escaldado tem medo de água fria" é um ditado popular que resume a questão do aprendizado pela dor, trauma, etc... Mas podemos aprender também com estímulos positivos... O Hipocampo, responsável - em grande parte - por nosso processo de memorização, trabalha sob efeito emocional... Emoções extremas, excitação, dor, ou medo, podem conduzir à um processo de memorização mais efetivo de nossas experiências, assim como a indiferença, o desânimo, e a apatia, podem induzir também o nosso Hipocampo pelo desprezo por aquela experiência... 

Aprendemos com as punições e com as recompensas, certo? Nem sempre... Um grupo de cientistas alemães entendeu e quantificou este processo, demonstrando o papel de um gene, um receptor de Dopamina (D2), sobre a nossa capacidade de aprendizado... Os experimentos mostraram que dependendo de uma forma alterada para este gene (D2+A1), os indivíduos não serão capazes de aprender com a mesma facilidade que aqueles que possuem a forma original (D2), mas apenas sob efeito da punição... Em relação ao aprendizado por estimulo, os dois grupos não apresentaram diferenças sensível... 

Desta forma, pudemos demonstrar que uma parcela de nossa população (D2+A1), tem dificuldades para aprender com os seus erros, ou a partir da respectiva punição... Isso é revelador... E pode nos indicar por exemplo, porque códigos morais punitivos, regidos pela experiência negativa - como as Instruções de Shuruppak, Bíblia, Corão -, tem menos eficácia do que as instruções positivas - Tao Te King, ou 'O Livro do Caminho e da sua Virtude', assim como 'A Conquista da Felicidade' de Bertrand Russell -, onde sugerimos como viver melhor, mas não educamos pelo erro ou pela punição...

Na instrução negativa é dito por exemplo "se você fizer isso, será morto por deus, e se ouvirá o ranger de seus dentes"... Na instrução positiva dizemos "faça isso e serás mais feliz, evite isso porque causa a dor"... Esta é a diferença básica entre a tradição sumeriana, reproduzidas nos livros judaico-cristãos-islâmicos, em contraste com a Filosofia Oriental, as ideias Iluministas de do Humanismo Secular...

Sabemos, já há algum tempo, que a Dopamina está relacionada com o nosso comportamento, e o gene em questão (D2), atua sobre os neuroreceptores para a Dopamina, enquanto grande parte da farmacologia associada à depressão, age diretamente na oferta de de Dopamina no cérebro... Todos possuímos duas cópias pare este gene (D2), mas algumas pessoas possuem uma destas cópias ligeiramente alterada (D2+A1), implicando em um número menor de neuroreceptores para a Dopamina no cérebro... Estamos falando de uma pessoas normal e lúcida, mas com uma variante para este gene, assim como possuímos variantes genéticas para a cor da pele,  ou cor do olho... Trata-se de uma variante dentro da normalidade... Embora acarrete certa desvantagem sobre o aprendizado - da mesma maneira que menos pigmentação com a melanina, diminui a nossa proteção UV...

O resultado dos testes surpreendeu a todos... Os voluntários com o gene em sua forma original (D2), foram capazes de evitar cometer erros já cometidos, em 70% dos casos, contra 50% - o que equivale à uma escolha aleatória - dos voluntários com a variante (D2+A1)... 

Vale ressaltar ainda, que estes resultados podem ajudar na compreensão da correlação entre a quantidade de receptores para a Dopamina e a propensão a vícios e obsessões, como o álcool, drogas, jogos e até mesmo a religião... A hipótese mais em voga, sugere que tais indivíduos, em função da maior dificuldade em aprender com seus erros, e experiência negativas, tornam-se mais suscetíveis à estes distúrbios ou vícios, na forma de uma repetição de tais atos... Na verdade, este cenário é um pouco mais complexo, e estamos avançando a passos largos, mas existem outros genes, e outros efeitos sobre o comportamento, que estarão alinhados com o D2, para explicar outras variantes do comportamento humano...

Mas pensem nas implicações morais, jurídicas, psicológicas e educacionais, em demonstrar um incremento genético, sobre a dificuldade de aprender com os seus próprios erros e com a punição...

Finalmente, gostaria de indicar o livro supra-citado de Russell, 'A Conquista da Felicidade'... A Felicidade precisa ser conquistada, e também dependemos de nossa genética para a 'potência desta ação de conquistar', e também na hora de nos sentirmos 'felizes'... A sensação de realização e felicidade, está muito mais relacionada com os nossos neuroreceptores e neurotransmissores do que com nosso entorno... Quem nunca viu uma pessoas sujeita à toda sorte de intempéries, presa à um cadeira de roda, e com outras desvantagens fisiológicas, mas que não para de sorrir... A facilidade em sentir-se feliz, é interior, mas não é sempre uma questão de 'escolha'... Normalmente não é...

Mas, a em nosso processo de auto-conhecimento 'efetivo', real, comportamental, neurofisiológico, bioquímico, podemos descobrir quem somos, e assim sermos de propósito, rsrsrsrsr... Ou efetuar alguns ajustes, estar atentos a alguns detalhes, mas ainda assim seremos quem somos... 

Somos quem somos sem intencionar sê-lo... Mas somos... E respondemos socialmente e legalmente por isso...

Carlos Sherman

Fonte de Pesquisa:  "Genetically determined   differences  in learning from errors", 
Science, vol. 318, p. 1.642, 2007

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Sobre Riqueza, Pobreza, Despeito, Falácias e Hipocrisia




Publicaram o enunciado:

"Não preciso me cercar de quem é rico, prefiro quem é nobre."

Objetei:

Sobre Riqueza, Pobreza, Despeito, Falácias e Hipocrisia

Por quê? Não precisar 'cercar-se de ricos' não implica em 'preferir pobres' - não necessariamente... E isso seria um tremendo preconceito, além de uma demonstração cabal de despeito, e para deixar barato, uma prova de imaturidade... Na verdade, riqueza e pobreza não definem uma boa companhia... Esta é a falácia rousseauliana do 'bom selvagem', da boa minoria, do bom discriminado, do bom pobre, do bom idoso... Não procede... 

Devemos julgar um argumento por sua consistência e nunca pela condição social, sectária, ou pela antiquidade do autor do enunciado... E reconhecemos amigos quando reconhecemos uma boa testemunha para nossa existência, independente de sua conta declaração do imposto de renda... 

Eu adoraria a companhia de Bertrand Russel, e desprezaria a companhia de um humilde devoto do evangelho quadrangular... Eu apreciaria a companhia do paupérrimo Sócrates, mas desprezaria qualquer contato com o bilionário Edir Macedo...  

O pior de tudo isso, e que reforça a falácia do 'bom selvagem', é que a frase original fala em 'nobreza', e não em pobreza...

"I do not need to surround myself with those who are rich, who is rather noble. Not who wins my admiration sets a price, but who cultivates values!" - autor desconhecido

'Noble' é completamente diferente de 'poor'... Estas traduções equivocadas são na realidade um distorção proposital... Triste destino...

Carlos Sherman