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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Arbitrium



Não escolhemos a nossa configuração neural e bioquímica, e nem o que seremos capazes ou não de captar... Não podemos mudar quem somos, mas podemos mudar o nosso comportamento a partir de novas referências... Captamos a cena, comparamos com os nossos registros episódicos, referenciais, e conceituais, processamos e devolvemos como resposta... Mas não escolhemos de fato nada disso... Somos quem somos sem intencionar sê-lo... Mas somos, e responderemos por nossos atos... RESPONSÁVEIS SIM, CULPADOS NÃO... Se pretende ajudar alguém, ajude esta pessoa a obter novas referências; ou referências mais ajustadas à REALIDADE... E finalmente: "Você pode escolher, é certo. Mas não pode escolher o que vai escolher" - Schopenhauer - esclarecedor...

Carlos Sherman

sábado, 29 de dezembro de 2012

Quem somos nós???


Somos que somos sem intencionar sê-lo, mas somos... E responderemos por nossos atos diante dos acordos sociais vigentes, dentro das virtuais fronteiras nacionais, no vasto loteamento terrestre... Mas o livre-arbítrio é meramente uma falácia, e um velho e carcomido recurso teológico, que a Neurologia refuta...

Carlos Sherman

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A Ilusão do Tempo...



O meu grande e admirado amigo, Carlos Coimbra, PhD, e hoje docente na Universidade da Califórnia, comenta o meu post, ‘My Way’, escrito para a minha amiga Eliana, e respondendo às suas indagações...


Sherman, quando a gente estudava na UnB, eu li aquele conto "A biblioteca de Babel" do Borges – Jorge Luis Borges -, que até hoje é pra mim um dos maiores tratados de sabedoria em tão poucas páginas... Depois disso, aprendi, sem entender *bem* as implicações, sobre a mecânica quântica e o positivismo, e achei durante anos que a MQ nos livrava do determinismo...

Nos últimos anos, com um entendimento muito mais profundo do colapso das funções de onda, cheguei à conclusão de que o Borges entendeu tempo, informação, entropia e determinismo como ninguém... O que nos separa do fatalismo é só a ignorância do emaranhado de possibilidades – em nossa mente [nota minha] -, mas só existe um caminho criado pelo colapso das funções de onda, e esse caminho está pré-determinado – embora seja desconhecido [nota minha] -, somos apenas peões nesse jogo onde a ilusão de tomarmos decisões em sequência, alimenta a ilusão da passagem do tempo. Os árabes é quem estavam certos...





Gostei muito de ‘My Way’, e na verdade foi lendo as perguntas e a insistência – positiva [nota minha] - da sua amiga, em se ter uma resposta final, que eu me lembrei de te escrever sobre MQ e o possível (ou impossível) efeito das funções de onda no universo como um todo, ou em sistemas com muitas partículas (do tamanho de uma célula animal ou vegetal, ou ainda menor), ou no cérebro humano - sobre a impossibilidade do livre arbítrio, e sobre a volta ao determinismo macroscópico, que finalmente explica a falta de simultaneidade relativística, que se observa em escalas cosmológicas. Ou seja, por incrível que pareça, o conceito de Maktub (ou Maktoob) não á tão ridículo assim... A ilusão da passagem do tempo está na nossa consciência, e vem da maneira como processamos inputs...

É como ler um livro... O livro inteiro está escrito, mas não se pode ler o livro inteiro ao mesmo tempo, apenas página por página, sequencialmente... Eu sei que isso parece incrivelmente básico, mas na verdade é o resultado de juntar as evidências de todos os lados... O tempo não passa... Como não passa para fótons, não passa pra ninguém em absoluto, ou seja, todos os tempos estão "presentes" o tempo inteiro, não como universos paralelos, mas como o universo inteiro (o livro)...

Tem uma discussão interessante no novo livro do Brian Greene (que também virou um episodio de NOVA chamado "The Illusion of Time" – A Ilusão do Tempo)... Check it out... Do ponto de vista termodinâmico, o fato de eu estar digitando esta mensagem agora é inevitável...




Nota minha:

Adorei... Vou conferir - hoje mesmo -, Greene e Borges... Entendo os conceitos, e comento apenas que ‘sim, o livro está escrito, mas não podemos lê-lo todo, nem ir direto para o final... O efeito sequencial é o que chamamos de viver a vida... Não conhecer o final, nem o conteúdo completo do livro - apesar do determinismo das funções de onda, e pela termodinâmica – cria um efeito enganoso de ‘liberdade de ação’... Este conceito enganoso, embora de importância prática em nosso dia-a-dia, associado a outros enganos como acreditar que tudo o que vai em nossa cabeça é real, a dificuldade – maior ou menor de cada um – em conviver com eventos aleatórios, a intuição emotiva, além do negócio da crença, cria a ilusão do livre-arbítrio...

O que importa, além de persistir neste raciocínio e neste caminho de reflexão, é desenhar uma conduta moderna, psicossocial, associada a este conhecimento tão impactante... O que faremos? Como a civilização encontrará os seus caminhos... E se o livro está escrito, ‘saber’ não altera o curso das coisas? Ou também, e finalmente está escrito? Me preocupa, excita, sobre o impacto de tais descobertas, em função da distância existente entre o homem comum, e a ciência de ponta... Como atenuar isso... De certa forma, parte importante da civilização, no que tange a questões fundamentais - a origem do Universo, a Origem da Vida, do Homem, e sobre Como Funciona a Mente -, estão engatinhando em algum lugar entre Aristóteles e Torquemada...

Carlos Sherman  



Sensacional Tréplica:

Exato... Mas saber que o livro está escrito realmente não muda nada em termos de resoluções... É como a biblioteca de Babel, de Borges – Jorge Luis Borges... Que tem todas as combinações dos 26 símbolos literários (letras, acentos, pontuação, espaços), e por isso com certeza tem a estória da sua vida escrita em um livro... Mas também tem a estória da sua vida com uma vírgula a mais, e tem a estória da sua vida correta até hoje, mas completamente errada de agora em diante em um número gigantesco de livros... Sobre estar entre Aristoteles e Torquemada, o que é mais triste é que um parêntesis só um pouquinho maior, por exemplo, entre Demócrito e Spinoza, já faria uma ponte sobre toda a merda que veio no meio tempo... Dá uma conferida no "The Beginning of Infinity" do David Deutsch...

Carlos Coimbra, PhD
Professor da Universidade da Califórnia
Campus Merced


Carta a PC@Amaral




PC@Amaral publicou em seu blog, mas uma pregação eloqüente – repleta de abobrinhas e lugares comuns - do ‘pastor’ Hernandes Dias Lopes, ‘doutor em ministérios’ pela Igreja Presbiteriana de Vitória... Doutor em ministérios é demais, rsrsrs, ai ai... Mas fazer o que, estou fadado a lutar, mesmo remando contra a maré... O ‘doutos pastor’ versa sobre ‘predestinação e livre-arbítrio’... Seguindo o padrão... E aqui estão as minhas considerações...

Este tipo de vídeo contribui para a ignorância generalizada, e para a piora da qualidade de vida... Em por isso perco o meu precioso tempo, combatendo mais esta ‘santa ignorância’... Primeiro por tratar-se de um relato completamente equivocado, e fundamentalista - enquanto se baseia apenas no fundamento do dito pregador, a bíblia, única fonte do ‘doutor’... Duvido muito que este senhor tenha concluído o segundo grau, e tenho as minhas dúvidas até mesmo sobre o ensino fundamental...

Primeiramente, o livre-arbítrio é uma falácia sem precedentes, do tipo 2 + 2 = 13... Reductio ad absurdum... Abra a sua cabeça, crente, mas não deixe que o seu cérebro despenque no chão... Não pretendo aqui, até por falta de interesse e tempo, falar na fábula bíblica, nem do advento das religiões e superstições, mas não poderei deixar de tocar em algumas questões e enganos clássicos... Questões que o pregador, assume como ‘indiscutíveis’, verdadeiras ‘leis’, são na realidade um delírio de implicações psicológicas graves...

Vamos ao livre-arbítrio... Armazenamos nossas experiências involuntariamente, e recorremos a elas, involuntariamente, e é assim que o cérebro funciona... E além do cérebro, que controla tudo, até mesmo inventando deus, a bioquímica de nossa fisiologia - e tudo isso decorrente da genética – jogam papel DECISIVO... De forma que ‘somos quem somos, sem intencionar sê-lo’... Isso não quita as nossas responsabilidades junto ao poder público, à sociedade e às leis ‘dos homens’... Devemos cumprir os acordos sociais, e legais, e responder por eles, mas efetivamente o livre-arbítrio não existe... Tal confusão decorre em parte, porque todo pensamento que é formado em nossa mente – cérebro – para ser convertido em ação, nos dá a nítida impressão de que é REAL... Mas como veremos, normalmente não é... Ou seja, estamos longe da perfeição, e não existe a perfeição... O cérebro é falho, e muito... Pensem na esquizofrenia, com pessoas que falam e convivem com ‘pessoas’ que não existem... Pensem no caso da senhora que via personagens de desenhos animados convivendo com o mundo ‘real’... Pensem nos membros fantasmas, membros amputados, que dão a exata sensação de continuarem ali... Ditos paciente relatam poder ‘pegar’ coisas com eles... Sentem dor, ou sentem quando tocamos ‘neles’, embora já não existam... Pensem na senhora que teve um derrame e começou a rir freneticamente até – literalmente – morrer de rir... Pensem na mulher que teve um derrame na conexão entre os dois hemisférios co cérebro, e passou a ter a sua mão direita tentando estrangulá-la... Pensem na religião...



Suponhamos que decidamos nos encontrar... Acho que depois desta publicação, você ficará bastante contrariado comigo, rrsrsrs, mas suponhamos – milagrosamente - que não... Que ficou intrigado, e curioso...  De verdade... Então, finalmente nos conheceremos pessoalmente... Espero que o exemplo se cumpra em curto prazo, quem sabe, antes do Natal... Estarei muito feliz, e imagino que a emoção seja recíproca, afinal, decididamente podemos nos tornar bons amigos... Suponhamos ainda que o encontro memorável ocorra no Café da Livraria Cultura... Não poderia ser em um lugar mais oportuno... Então, é chegado o momento e eu traga um sorriso estampado no rosto – de pura emoção – quando digo: “- Amaral?”... Você gira, estampa um belo sorriso, e finalmente estamos apresentados... Os sorrisos e os rostos em sinal de autêntica satisfação permanecem um pouco mais quando digo: “- Peraí, uma foto”... E então, por mais que você se esforce, aquele sorriso espontâneo do encontro não será repetido... Por quê? Não está mais feliz? Claro que não, seguimos felizes, e o encontro está apenas começando... Constrangimento, vergonha? Pode ser, mas existe uma explicação melhor, e definitiva... Na verdade, existe uma explicação clínica...

Simplesmente, as áreas responsáveis pelo ‘sorriso espontâneo’ e o ‘sorriso intencional’ são diferentes... Enquanto o ‘sorriso espontâneo’ brota nos Gânglios Basais, entre o Tálamo e o Cortez, o ‘sorriso intencional’ é estruturado no Cortex Motor... São áreas diferentes... E é aqui que entram os relatos de V.S. Ramachandran – este sim doutorem neurociência... Pacientes com derrame severo no Cortex Motor do lado direito do cérebro, apresentarão paralisia do lado esquerdo do corpo... E vice-versa, pois as funções motoras têm coordenação cruzada no Cortex... Então, suponhamos que um paciente tenha uma paralisia severa do lado esquerdo do corpo... Bem, todo vez que alguém pedir um sorriso para uma foto será aquela careta... Mas, quando este paciente for surpreendido por genuína emoção, estampará no rosto um sorriso tão grande, amplo, completo e lindo como o meu e o seu... De forma plena e sadia... E por que? Milagre? Não... Porque este sorriso se formou nos Gânglios Basais, distantes da área afetada pelo derrame... Diferentes áreas, controlando os mesmos músculos no rosto...

Mas agora, temos outro set de casos, onde os pacientes conseguem posar normalmente para fotos, e lá está o sorriso, forçado, mas simétrico, rsrsrsrs... Mas na hora de um sorriso espontâneo, lá vem a careta... Isso porque este paciente está tendo problema, um pequeno derrame, um tumor, nos Gânglios de um dos dois hemisférios cerebrais... Ou seja, é o ‘negativo’, ou o caso inverso, do exemplo anterior... Saber disso permite aos médicos aprimorar os diagnósticos e desenvolver terapias e tratamentos... Permite aos médicos ACERTAR... Saber, ajuda na justiça, nos acertos, na atitude ÉTICA... Porque não comer do fruto da ‘árvore do conhecimento entre o certo e o errado’? Se é, no mínimo, ético? Porque atrapalha àqueles que querem nos controlar e tirar proveito de nosso MEDO e IGNORÂNCIA...



Um dos casos mais famosos da neurociência: H.M... Estas são as iniciais de um humano como nós, que apesar de tudo o que passou, terminou a sua vida da forma mais digna possível, e dão conta de que com bom humor... Rsrsrsrs, duvido, mas... H.M. sofreu um acidente de bicicleta aos 9 anos... E desde então desenvolveu reações epiléticas... No começo, 10 vezes por semana, até chegar a 10 vezes por dia... E aos 27 anos, em plena década de 50, H.M. foi submetido a uma cirurgia drástica... Os médicos decidiram retirar os Lobos Temporais do Cortex, direito e esquerdo, e o HIPOCAMPO... Quando li o relato pela primeira vez, e ciente – hoje, 2011 – de parte das funções do Hipocampo, pensei: “- Já era...

E lá se foi o Hipocampo de H.M., para sempre... E lá se foram os ataques epiléticos, resultado da remoção dos Lobos Temporais... E aparentemente, não restaram importantes seqüelas ‘a não ser que’ H.M. nunca mais registraria uma ‘memória nova’ enquanto vivesse... O Hipocampo tem a função de selecionar parte de nossa memória de curto prazo, ou memória de trabalho, presente no Lobo Frontal – comparando mal e porcamente com a memória RAM dos computadores –, para então ‘salvar’ ou armazenar na memória de longo prazo – mais uma comparação deveras simplista com o HD ou hard disk dos computadores... H.M. se lembrava perfeitamente de tudo o que viveu até o momento da anestesia de sua cirurgia e depois nunca mais guardou nada na caixola... Nada... As memórias mais fortes e vívidas na mente de H.M., remetiam à infância, antes do acidente de bicicleta, e por isso, aos 27 anos, ele era muito infantil, mas se lembrava com clareza de tudo até o dia fatídico da cirurgia...

Um detalhe importante é que as nossas ‘habilidades’ são armazenas no Cerebelo, depois de aprendidas... Então H.M. sabia andar – até de bicicleta -, falar, etc e tal... Mas por exemplo, não seria mais capaz de armazenar novas palavras, que são guardadas no – HD – Cortex, juntamente com as memórias episódicas...

Mas não haviam alternativas, e a vida de H.M. estava inteiramente comprometida com as crises de forma que as opções não eram muitas... Poderíamos nos aproximar e nos apresentar e manter uma conversa normal, até certa altura da conversa, após uma ou duas horas no máximo... Então ele lançava um olhar curioso e perguntava: “- Quem são vocês? O que estamos fazendo aqui?”... E a memória se perdia, completamente... Mas hoje em dia, podemos fazer cirurgias bem sucedidas, em suas esmagadoras maioria, ou tratar terapeuticamente pacientes como Chico Xavier, um esquizofrênico - do bem -, que a História não diagnosticou... Mas pense em quanto trabalho teremos para desintoxicar gerações de seguidores...

Onde está o livre-arbítrio, onde está a alma, onde está o sobrenatural? Em nossa fantasia, em nosso medo, em nossos equívocos de avaliação...

O Hipocampo está associado ao Sistema Límbico, das emoções, e a seleção de memória - em você e eu, mas não mais para H.M. – que irá ser armazenada, depende do estímulo, excitação e emoção envolvida no papo, ou seja, do que chamamos de ‘grau de interesse’... Desta forma podemos, e devemos, repensar a educação... Mas é um processo lento, gradual, e que começa no conhecimento...



Não é por acaso que os pastores e pregadores se exasperam, em meio a multidões inflamadas, porque isso ‘pega’... E fica armazenado... O processo de lavagem cerebral trabalha com a emoção... Uma pregação tranquila, não pega... Os símbolos do nazismo, as pregações nazistas, tudo era programado para sempre e literalmente inflamada, e Goebbels articulava muito bem tudo isso... Tivemos uma guerra mundial por isso... E Hitler em Mein Kampf se referia à ‘providência divina’... Precisamos de conhecimentos e gerações imunes à ‘providência divina’... Para um mundo melhor e mais humano... Teria outras estórias deliciosas para contar, e adoraria contar, mas estou abusando da extensão deste ‘post’... Por exemplo, uma mulher teve um derrame e começou a gargalhar, de forma que acabou literalmente morrendo de rir após 24 de incessantes gargalhadas... Morreu feliz... Têm o caso da mulher que tinha o braço direito fora de controle, e tentando enforcá-la... Os casos dos membros fantasmas, membros amputados...

Precisamos de muito mais conhecimento, em meio a tanto desconhecimento e ações equivocadas... Me arrisco a dizer que quase ninguém sabe quase nada, sobre questões fundamentais da vida... Sempre me vem à mente a frase estampada no show apoteótico do U2: ‘TUDO O QUE VOCÊ SABE ESTÁ ERRADO’... Pois faça destas, minhas palavras ao mundo... Infelizmente é assim...

A mente busca por padrões, e esta é a definição de inteligência, sendo que este processo nos rendeu uma tremenda vantagem evolutiva até aqui... Mas esperar que tudo tenha uma causa - divinal ou não - faz com que não enfrentemos adequadamente um parte importante da natureza: a ausência de padrões... Os fenômenos aleatórios... Hoje, quando a compreensão é imensa, e os padrões foram amplamente desvendados, precisamos lidar com o fenômenos aleatórios... Não podemos esperar sempre uma causa correlata, e uma causa simplista - e absurda - como a religião... Consultado sobre sua receita para ganhar,  o vencedor da megasena espanhola declarou, sobre os dois últimos dígitos de sua aposta, o número '48', que 'sonhou 7 dias com o número 7, e apostou na multiplicação de 7x7'... Só que 7x7 é 49... Pura superstição... 'Minha unha encravada melhorou, senti felicidade enquanto rezava, o banco na última hora parcelou o meu débito, deus é bom'... Não procede, 7x7 não é 49, e a vida está longe de funcionar assim, com uma causa simplista para tudo: DEUS... Isso é velho, ultrapassado, patético...



A entrega em uma máquina de caça níqueis, em busca de recompensas, é regida randomicamente... Mas 'acreditamos em superstições de sorte', usando a mesma camisa, repetindo uma determinada sequência de ações, ficando em uma perna só na hora de apertar o botão, e procurando repetir um padrão, que afete o resultado em nosso favor... E esperando por uma ‘causa correlata’...

Procurar padrões é uma característica humana evolutiva... Foi desta forma que sobrevivemos até aqui... Somos animais inteligentes - naturalmente - na busca por alimento ou tentando escapar de predadores, até chegar à nossa selva de pedra... A inteligência, pode ser descrita como o grau de sofisticação na capacidade de reconhecimento de padrões... O grande Charles Darwin, um dos homens mais importantes para a saga humana, disse que 'a nossa inteligência difere dos demais animais apenas em grau, e não em tipo'...

No entanto, existem dois 'padrões' de erros que podem ser cometidos na tentativa de encontrar 'padrões para a vida':
1. Falhar em não reconhecer um padrão existente;
2. Reconhecer como um padrão, um padrão que na verdade não existe;

O segundo caso, é descrito popularmente - pela ciência - como superstição... Mas não é aceito como tal pelos seus devotos praticantes... É negado, ou simplesmente não é percebido por inúmeros fatores... Mas trata-se invariavelmente de erro ou ilusão...

Todos os animais com um sistema neurológico - minimamente - desenvolvido, podem desenvolver 'superstição'... Há sessenta anos, Skinner estudou pombos, submetendo as aves ao reconhecimento de padrões, e obtendo sucesso em sus observações... Primeiramente as aves eram estimuladas a repetir padrões e uma máquina tratava então de recompensá-la, alimentando-as... Skinner programou então a máquina randomicamente, e os pombos ao invés de sentar e esperar, posto que os padrões já não funcionavam, começaram a desenvolver 'superstições'; como 'olhar para trás duas vezes' antes de 'bicar' um botão, 'ficar em uma perna só' na hora de tentar a sorte, et coetera...

O problema para os pombos de Skinner e para nós, é que estaremos procurando padrões onde não existem padrões... E muitos fenômenos naturais são aleatórios, e não seguem padrões definidos... Precisamos então conhecer o ‘padrão estatístico’, as probabilidades... E o exercício e conhecimento probabilístico é muito recente, e menos difundido ainda... Temos um hemisfério do cérebro regido pela emoção e pela intuição, e outro regido pela lógica e pelo reconhecimento de padrões... E temos uma genética, acentuando uma ou outra característica predominante, e temos o ‘corpo caloso’, unindo os dois hemisférios, e um complexo – e não misterioso – sistema de tomada de decisões... É assim que funcionamos... Se não alimentarmos o lado lógico, aprendendo padrões, e aprendendo também sobre as ‘probabilidades’, viveremos à mercê da emoção, dos enganos, da eloqüência dos pregadores, dos equívocos...



Imaginem o impacto que as superstições têm em nossas vidas, considerando quão imaginativos e complexos nós, seres humanos, somos... Pense sobre isso na próxima vez que fizer ‘sua apostas’ em dados, loteria ou religião... Ou simplesmente pense... Considerem que a Evolução começa com a aleatoriedade da genética, e se desenvolve na luta pela sobrevivência - seleção natural - e adaptabilidade, também sujeita a fenômenos aleatórios como as oportunidades e eventos cotidianos... O mérito sim existe, mas em que medida influência nossas vida, esta é uma questão nova... E está sendo cada vez mais bem conhecida... Qual a influência do técnico sobre o resultado de uma partida de futebol? Quase nenhuma, e comprovadamente, mas ele é o primeiro a ser demitido... Temos que enfrentar todos este maus entendidos...

E o livre-arbítrio resolvia o seguinte dilema, 'como deus é onipotente, onisciente, onipresente, e acontecem tantos problemas, injustiças, sofrimentos? Por que ele deu o livre-arbítrio ao homem'... Ou seja, a culpa é do homem... Tem que ser, porque DEUS é perfeito... Ou seja, deu certo é a vontade de deus, e deu errado é por culpa do homem... Isso é como JOGAR TÊNIS SEM REDE, muito conveniente para quem decide sobre a pontuação... Ridículo... A bíblia funciona da seguinte forma, se é bom, legal, é literal... Se é ruim, errado, é metafórico... Tênis sem rede...

Considere por um instante que a maior parte do mundo – ainda - vive em condições terríveis, e a maioria dos que sofrem são crentes como você, embora possam ter rezado para o deus errado, ou não pagado o dízimo - porque não tendo o que comer, fica difícil pensar em onde obter recursos para agradar a Deus... Dar-se por satisfeito com a sua condição e declarar 'Deus é bom, glória a Deus', só porque ajudou você, é egoísta e imoral, e por quê? Porque a maioria esmagadora dos que vivem no reino 'do seu deus', e ao seu lado, sofrem... Este Deus de bondade precisa ser devidamente encostado na parede, ou não?



Mas onde está o ‘amor ao próximo’? Ou ‘próximo’ seria melhor traduzido como ‘aquele que paga o dízimo na mesma igreja, terreiro, xamã, ou curandeiro que você’? Por que os dizem ter fé, em um deus tão poderoso, e sentem a exaltação delirante da salvação, não questionam os seus respectivos deuses para entender: porque tanto sofrimento? Por que o universo começa em uma fábula infantil e porque termina em assassinato - em ‘humanicídio’, com a morte de Bilhões? Por que não há perdão neste caso? Por que pecamos? Por que o pecado original, se na verdade, segundo a Bíblia, Adão teria transgredido Deus para saber a diferença entre o bem e o mal, entre o certo e o errado? E isso não é bom? Não é justo, ético? Deveríamos seguir imbecilizados, incapazes de sequer compreender o que é certo, e o que é errado?

E o mais absurdo de tudo isso - nesta história da carochinha bíblica -, é que sem discernir entre o certo e o errado, como poderíamos ter escolhido entre obedecer a Deus ou não? É ridículo, infantil, mas igualmente hipócrita, cínico e mortal... A inspiração bíblica depende do grau de ignorância de quem lê... A essência da fé é acreditar na ‘sua salvação’, sem questionamentos, e sem entender nada, sem provas, sem nada... Questionar, entender, são inimigos da fé... Por quê? Mas como promover justiça, e conhecer a verdade sem questionar? Crendo? Crendo que os planos de deus, do pastor, e os seus planos coincidem?

A única desculpa para deus é o fato dele não existir... Caso contrário, deveria sentar-se no banco dos réus pelo assassinato de 2,5 milhões na Bíblia, sem contar a 'Torre de Babel', 'A Arca de Noé' e 'Sodoma e Gomorra'... Está escrito na sua bíblia... E porque? Porque não acreditaram no recém criado deus de Abrão... Mas nada se compara ao 'humanicídio' do Apocalipse... Onde está o deus de amor, justo, e que perdoa?



É incrivelmente fácil nos enganarmos, o Auto-Engano está por toda parte... A inspiração bíblica depende diretamente da ignorância de quem lê... Agora, CRUCIFIQUEM-ME... Ou melhor, QUEIMEM-ME COMO HERÉGE, INCRÉDULO, APÓSTATA... Ou apenas desejem que eu queime no inferno...

Quando encaro o devaneio ilusório-psicodélico das crenças - todas elas - e considero a quantidade fantástica de conhecimento disponível, penso em quantas vidas desperdiçadas... Quando considero a beleza deste momento na História da Civilização, em termos de disponibilidade de conhecimento, e remeto este pandemônio de esoterismos e misticismos descabidos às minhas considerações neurocientíficas, genéticas, histórias, antropológicas, filosóficas, enfim HUMANAS; só me resta um olhar generoso e compreensivo:

'EU VOS PERDÔO, VOCÊS NÃO TÊM - A MENOR IDÉIA DO QUE ESTÃO FAZENDO COM VOSSAS VIDAS'...

Como último recurso, deveríamos empenhar todos os nossos esforços na busca da VERDADE e da JUSTIÇA, com evidências e conhecimento... Invocar a autoridade divina, seja ela de que divindade ou mito for, é prova de fraqueza, covardia, e egoísmo... A sua vontade não perfaz a verdade... A verdade deve ser buscada encontrada, de forma ÉTICA, imparcial, igualitária... A sua fé não é melhor do que a verdade... Sua fantasia, não é melhor do que a realidade... Sua adoração cega, não é mais bela do que a minha humanidade solidária...

VIVA LA VIDA... UMANA, TROPPO UMANA...

Carlos Sherman


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Schopenhauer e o Livre Arbítrio, na madrugada...




O homem pode, é certo, fazer o que quer, mas não pode querer o que quer.

Arthur Schopenhauer


Respondendo a um amigo:

Agradeço e entendo... Entendo e agradeço... Rsrssr... Mas existe algo mais, além da possibilidade de que os seus gentis elogios - talento, elegância, persuasão - sejam minimamente merecidos... Existe uma PROPOSIÇÂO, e existe integridade intelectual.... Ou seja - assim como você - independente de estar certo ou errado, vivo um firme propósito de imparcialidade e escrutínio da 'pensabilidade'... Isso basta para sentir coerência... E isso não é tudo na vida, rsrsrsrs... É somente um princípio, um pilar, um traçado... Essa é a minha viagem... Sinto força, mas falta muito mais para sentir conforto... A aplicação do conhecimento, em favor da vida, é outro desafio... E entendo o que diz, quando diz que não existem palavras veladas, senão 'ponderação'... Meu destino biológico tem um coquetel diferente... Não vou contra o que é in nato... Antes, vivo minha vida... A serenidade é uma arte e um caminho... A eloquência é outro... A dramaticidade também... São os tons de nossa natureza... Um forte abraço...

Carlos Sherman

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Em cartaz no Cinema Paradiso: TROPPO HUMANOS...



Sim, Teresa... Crer no Homem... Na nossa espécie... Toda... Juntos... 'Humano, Troppo Humano', como bem diz meu ítalo-amigo Pino Mercure... Na verdade querida, acredito no valor do pensamento, alimentado pelo sentimento, como bem disse Fernando Pessoa... Mas ciente de que 'somos quem somos sem intencionar sê-lo... Ou seja, somos únicos, somos humanos, e somos como somos de forma involuntária... Tomamos ações... Mas o que as deflagra, de fato, não é decido... Isso não altera a nossa responsabilidade, nem muito menos nos torna autômatos, mas nos exime da culpa e da intencionalidade bíblica... Confuso? Rsrsrsrs... Únicos, por que as forças que atuam dentro de nós tem uma conformação única... Mas o livre-arbítrio, sabemos hoje, é uma ilusão de ótica... Da ótica bíblica, além de alguns enganos em nossa consciência quando da formulação da ação, seja por meio linguístico, ou cinestésico... Somos mais humanos, e menos deuses... Mas somos sensacionais... Estamos em cartaz neste planeta - por tempo limitado-, que habita este sistema solar, que está na vizinhança da Via Lactea, que pertence ao Universo conhecido... E só... E tudo isso... Por que desenvolvemos, involuntariamente, a faculdade de perscrutar este mesmo Universo... Percebe-lo, formatá-lo em nossas mentes... E curti-lo... Somos humanos... Troppo Humanos...

Carlos Sherman

Viver enquanto se vive...



O passado esta no presente... Na verdade não existe o passado... Não como recurso, e não porque podemos livre-arbitrar' recorrer ou não ao passado... Mas como processo... É inevitável expressar nossas experiências... Até porque o momento imediatamente anterior, já representa o passado, e já é ao mesmo tempo condição fundamental para experimentar o presente... Na verdade não existe passado... O passado está no presente... 

Recorrer à memória externa, armazenadas em livros e outras mídias, pela linguagem, é extensão da nossa prática e de nosso processo evolutivo e de vida... Quando a sombra ainda paira, obscurecendo simplesmente o que é certo, e humano, recorrer à experiência, e portanto ao passado documental pode significar finalmente 'libertar a luz'... A luz que foi escondida ou apagada... Devemos entender o processo, como foi escondida, por quem e onde... Aprender é essencial... Sempre... Aprender sua condição, pode ser o único caminho efetivamente viável para a liberdade - e para o que se convenciona, metaforicamente como luz... 

E a eternidade potencial não existe senão na memória de quem vive, ou na documentação da memória do que se foi... A eternidade não existe senão no medo e na consequente fantasia... Aceitar a vida, o aprendizado, sem medo de encarar do passado, sem medo do presente, e mesmo que não haja futuro, isso sim é viver; enquanto se vive...  Fiat Lux...

Praesenti praeteritum... Quod est praeteriti...

Carlos Sherman

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Schopenhauer e o Livre Arbítrio...




Cada um acredita de si mesmo a priori que é perfeitamente livre, mesmo em suas ações individuais, e pensa que a cada momento pode começar outra maneira de viver [...]... Mas a posteriori, através da experiência, ele descobre, para seu espanto, que não é livre, mas sujeito à necessidade, que apesar de todas as suas resoluções e reflexões ele não muda sua conduta, e que do início ao fim da sua vida ele deve conduzir o mesmo caráter o qual ele mesmo condena...

Schopenhauer

Locke e o Livre Arbítrio...




Se a vontade do homem é livre ou não? A questão ela mesma é imprópria; e é tão insignificante perguntar se a vontade do homem é livre quanto perguntar se seu sono é veloz, ou sua virtude quadrada: a liberdade sendo tão pouco aplicável à vontade, quanto a velocidade do movimento ao seu sono, ou a quadratura à virtude. Todo o mundo deve rir da absurdidade de uma questão tão peculiar quanto essa: porque é óbvio que as modificações do movimento não pertencem ao sono, nem a diferença de figura à virtude; e quando se considera isso bem, penso que se percebe que a liberdade, a qual é apenas um poder, pertence apenas aos agentes, e não pode ser um atributo ou modificação da vontade, a qual também é apenas um poder.

John Locke (Ensaio acerca do Entendimento Humano, livro 2, capítulo 21, parágrafo 14)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Mente?




Respondendo a um comentário no Facebook sobre Carl Sagan e a 'mente'...


... Na verdade, o que você está chamando de "mente", "consciência", e alguns chamam de "alma", passa bem longe do conceito de Sagan para o pensamento... Seja em Cosmos, Dragões do Éden, Pálido Ponto Azul, Bilhões e Bilhões, Um Mundo Assombrado por Demônios, Variedade da Experiência Científica, e a edição portuguesa de Sombras de Antepassados Esquecidos (escrito juntamente com Ann Druyan)... Toda essa literatura é parte integrante de meu projeto de doutorado, e de meu livro... Sagan entendeu com o pensamento, e insistiu na beleza do intelecto, posto que o coração é uma bomba cardiovascular... Sagan disse o contrário o tempo todo...  Carl Sagan dedica toda a sua vida, todo o seu tempo a mostrar que aceitar a realidade é sublime...

Como você bem disse, somos formados por átomos, tudo no universo o é; e a maior parte dos elementos químicos encontrados em qualquer ser vivo, H, C e O, apresenta proporções similares em relação à disponibilidade no Universo (com exceção do gás Hélio, um gás nobre)... Estamos relacionados à Terra biologicamente, ao Sol quimicamente, e fisicamente ao Universo...

Sagan procurou mostrar que entender o mundo como ele é, é infinitamente melhor do que fantasiá-lo... William James, no final do século XIX, já denunciava que a alma estava sendo travestida do conceito de consciência e mente... Na tentativa de manter seu caráter etéreo... A neurociência, da qual Sagan bebeu em Dragões do Eden, demonstra cabalmente não existir tal entidade... Ou seja, somos seres biológicos, dotados de uma forte tendência e impulsão genética, vivenciando a experiência de estar vivos, armazenando esta experiência, e recorrendo a ela continuamente, e fortemente afetados por nossos 'memes' culturais, por nossa fisiologia, e pela bioquímica de nossa vida, alimentação e hábitos... Não existe uma entidade mente, e sim um cérebro físico, biológico, enquanto vivo e funcional... É assim que funciona, e Sagan bem sabia disso...


Grande parte do 'barato esotérico' deriva da imensa dificuldade de aceitar o que as evidências demonstram... Não existe tal entidade etérea, e muitas coisas precisarão, urgentemente, serem discutidas, rediscutidas, e colocadas em prática... Esta é a borda de um novo tempo, onde, com uma defasagem de dois séculos, estamos começando a praticar o realismo...

Não perderemos em poesia por aceitar a realidade... E esta realidade, abre novas fronteiras, e novos desafios... Infelizmente, existe uma defasagem enorme entre conhecimento e aplicação social... E enquanto digitamos no i-Phone, podemos estar pedindo a deus que a outra pessoa atenda... O conhecimento se converte rapidamente em tecnologia, mas não se converte na mesma velocidade em aplicação social e educação... Enquanto a neurociência já passou uma quinta marcha, ainda tem muita gente, e aos montes, seguindo a psicanálise freudiana, que já está morta e enterrada a muito tempo... Cursos continuam formando psicanalistas, quando 'sabemos' ser um absurdo exemplar... Acadêmicos, livros, tratados, grupos, sociedades de classe... Todos abraçando uma causa extravagante, sem a menor comprovação científica... Freud, um médico mediocre, matou um paciente, desfigurou outro, e protagonizou diagnósticos risíveis, se não fosssem grotescos... Atos de demência, projetando a si mesmo em uma torpe 'seita', que continua aí, e com diplomas reconhecidos pelo MEC, rsrsrs... Não importa o quanto a condenação de tal disparate avance, o atraso em retirar tal prática do 'mercado', será enorme...


A astrologia, a homeopatia, estão aí... Acreditar é sempre mais fácil do que entender... Por isso tantos crentes e tão poucos pensadores... Mas devemos ser indulgentes, porque genéticamente nem todos terão facilidade em abandonar a zona de conforto do  senso comum, para praticar ao menos o bom senso, quiçá serem livres e transformadores... A distribuição normal em populações grandes, e a genética de populações explicam tal tendência auto-reguladora...


Os magos da auto-ajuda devem cuidar para não submeter pessoas à extrema frustração... 'Você pode, você pode'... Nem todos podemos... Mas devemos lutar e tentar... Podemos ao menos reduzir a defasagem, como os 'descrentes' países evoluídos fizeram (Candá, Inglaterra, Alemanha, França, Noruega, Holanda, Nova Zelândia, Islândia, Finlândia, Suécia, Dinamarca, Bélgica, Japão, e nas costas leste e oeste dos Estados Unidos, fora do alcance do cinturão bíblico)...

Você menciona a divisão cartesiana, que na minha visão já era um atraso em seu tempo, porque se seguia ao atraso da anima grega... Um novo  rótulo para o mesmo princípio, que também havia sido endossado pelo romanos em 'mens sana in corpore sana'... Na realidade tudo é corpo, tudo é físico, tudo é bioquímico, e nos convertemos em indivíduos pelo conjunto de nossas ações... A mente não é uma entidade, é apenas o nome dado ao conjunto de nossa memória e funcionalidade cerebral... E percebo, que o caminho para esta compreensão é bem longo... Maior do que a minha existência finita e mortal...

Pode parecer frustrante e desprovido de poesia, mas não é... É majestoso... E como consolo, gostaria de dizer que alguns homens, ‘relativamente sensíveis’, entenderam isso: Neruda, Picasso, Drummond, Pessoa, Borges, Chaplin, Jorge Amado, Humberto Eco, Sartre, Saramago, Voltaire, Nietzsche, Wittgenstein, Darwin, Eisntein... Tudo ocorre no cérebro... Não existe mutua exclusividade entre o pensamento e a sensibilidade... Parafraseando Fernando Pessoa, ‘o sentimento é o alimento para o meu intelecto’... Siddhartha Gautama, o Buda, alertava sobre os perigos do sobrenatural...

Processamos o que sentimos no cérebro, e tudo ocorre no cérebro... Na verdade o paradigma moderno é outro, pois tentam separar separar 'razão' e 'sentimento'... Tal separação não existe... Tudo ocorre no cérebro... A imaginação, a abstração, a consciência, a linguagem, a poesia, a lógica... Meras e espetaculares funções cerebrais... O amor, a tristeza, a ÉTICA...

Carlos Sherman