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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Fisiológicos...



(..) sobre a sua resenha: somos antes, e sobretudo, 'fisiológicos' -  por meio da decorrência Genética e do Desenvolvimento Gestacional, além dos imprintngs em nossas primeiras horas, dias e meses de vida... O aprendizado e a cultura, assim como a cadeia de eventos de cada um, somente será capaz de potencializar quem somos por natureza, mas jamais 'moldar' quem seremos... Esta é a falácia da Tábula Rasa, e que infelizmente fundamenta a Sociologia, embora trata-se de um ledo engano, e com terríveis consequências históricas... Não somos produto do meio... 

Somos produto de nossa Genética expressa e nossa Fisiologia, e o nosso comportamento decorre, sobretudo, de nossa Neurofisiologia... O meio e o aprendizado vem depois, e também influenciarão o nosso comportamento, e a resultantes de nossas ações... A 'semente' biológica de 'quem somos', analogamente, 'rosas, girassóis ou cactus', decorrem diretamente de nossa 'natureza' - Genética... O meio deverá prover a intensidade luminosa, adequada ou não, a água, os nutrientes, mas não transformará a nossa natureza... Poderemos cumprir o nosso potencial como rosas, exuberantes, singelas, ou murchas, da mesma forma que seguiremos a nossa tendência natural, inescapável, para sermos outra coisa, outra pessoa, outro tipo de pessoa... 

Durkheim estava equivocado quando disse que 'Omnia cultura ex cultura', i.e., 'o fenômeno cultural decorre do fato cultural'... Projetamos a natureza humana sobre a cultura, e somos realimentados por ela, dinamicamente, e nunca o contrário... Se faz 'mister' conhecer a neurofisiologia humana para compreender o homem e suas culturas derivadas... Freud, Jung, Marx, tropeçaram em sua ignorância sobre a natureza humana, e não entenderam que:

Omnia cultura ex hominem... 

Carlos Sherman


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Considerem as Implicações...




O nosso afeto - por exemplo -, o afeto de uma mãe por um filho, e entre dois amantes, em um casal, ou entre amigos... os laços afetivos começam sendo regidos pela Genética, e pela subsequente conformação neurofisiológica, neuroanatômica, em função da quantidade e localização dos  neuroreceptores para a Oxitocina e Vasopressina; assim como, em decorrência dos respectivos fatores bioquímicos - e que também tem origem na Genética -, no equilíbrio ou na produção de tais hormônios (proteínas); além da Dopamina,  Serotonina, e outros hormônios intercorrentes... E isso é só o começo... Aí entra a cultura e a cadeia de eventos particular de nossas  vidas; o lado comportamental, a memória, o aprendizado; e finalmente, 'somos quem somos sem intencionar sê-lo... mas somos, e responderemos legalmente por nossos atos'... 

Isso esvazia a culpa medieval da falácia do livre-arbítrio, e lança um olhar realmente humano, solidário e realista, sobre a natureza de nosso comportamento...  E se soubermos onde - realmente - estamos, será muito mais fácil decidir pra onde ir... Parafraseando - por exemplo - Mark Twain, e muitos outros, e bons, que também trataram desta questão, 

'O maior problema não está na ignorância, ou no fato de algumas pessoas saberem pouco, ou nada... O problema, é acreditarem que sabem muito, e com soberba arrogância; quando na realidade estão fragorosamente enganados... Afinal, podemos ser ignorantes, e podemos nos equivocar, mas ainda podemos dispor de LUCIDEZ, e sendo assim, poderemos aprender... Caso contrário, estancaremos pelo caminho'...

Carlos Sherman

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Allan Jones: Um mapa do cérebro

Oliver Sacks: O que as alucinações revelam sobre nossas mentes

O Contador de Estórias...


Em meio à toda esta loucura, de Homero à Bíblia, passando por Marx, Freud,  Jung, Kardec, Lenin, Hitler, Fidel... ETs, 'abertura dos códigos de luz', 'seres de luz', e a imortalidade... e mesmo conhecendo o intercurso, e as respectivas decorrências neurofisiológicas, não posso deixar de pensar: 


"... o que não vale um bom contador de estórias,  ou uma boa fábula???


A realidade não é facilmente digerida, apetecida, nem a verdade nua e crua, sem as cores e os temperos dos contos de fadas, os dragões, sem a  boa nova da vida eterna, ou da hora e a vez do proletariado... E não entendo por quê? Talvez, porque a má notícia da vida finita, não possa ser assimilada, e a negação assuma o controle, mesmo diante de uma inescapável verdade; sem dúvida percebida em algum momento, mesmo que tênue, pelo sentido de realidade... Mas talvez a realidade não tenha sido contada com a mesma paixão, ou com os trejeitos 'verborrágicos', com os quais as fábulas esotéricas são contadas... Mas as fábulas precisam vender, enquanto a realidade teima em despertar do sonho... E a concorrência é duríssima, a realidade contra a eterna redenção e seus redentores... E o que é a realidade além de... REAL???

A Realidade é a droga mais poderosa que existe... Não entendo porque tantos fogem para drogas menores: religião, cocaína, freudismo, heroína, 'marxianismo', LSD, extra-terrestres, espiritismo, matrix, conspiracionismos diversos...  Mas trata-se de uma questão meramente retórica... Conheço a Biologia da Crença...

Mas insisto que não há experiência comparável à LIBERDADE DA LUCIDEZ, não há nada como a VIDA REAL... TENTE A REALIDADE??? SÓ PRA VARIAR...


Carlos Sherman

sábado, 1 de setembro de 2012

Razão para Crer...



Nossa natureza - genética - expressa em nossa neurofisiologia, sulcada por imprintngs, dirige a nossa percepção; que registra a experiência de viver, moldada pelas relações psicossociais, família, cultura, amigos, etc, através da cadeia de eventos de nossa vida... Deste complexo advém os nossos conceitos e 'crenças'... Em última análise, portanto, de nossa percepção dinâmica e interativa do universo - ou mundo, ou mundinho -, advém as nossas crenças...

Curiosamente, e por fim, invertendo flagrantemente o sentido de causa e efeito, a nossa intelectualidade tratará de justificar as nossas crenças mais arraigadas, construindo ou forjando explicações... Homens intelectualmente admiráveis, construirão explicações igualmente admiráveis, sobre crenças débeis e precárias... Um elevado QI não é suficiente para livrar-nos da falacia de crer...  

Esta habilidade 'explicatória', subverte aquilo em que podemos acreditar, naquilo em que devemos acreditar... Parafraseando Shermer, primeiro acreditamos, para depois explicar porque... Ou nem isso... Ao invés de construir as nossas crenças a partir de evidências, provas e explicações, primeiramente 'cremos', e depois tratamos de tentar explicar porque, em que, como, pra quê... E muitos são extremamente imaginativos, hábeis, e até sofisticados... Mas um exame mais profundo e multidisciplinar, sempre terminará por encontrar fissuras, rachaduras e severas falhas estruturais no simples ato de crer... A habilidade retórica por exemplo, ou seja, a capacidade de identificar falácias retóricas... O pleno conhecimento do Método Científico, Genética Comportamental, Neurociência Cognitiva, Biologia Evolutiva, etc...



O medo e as fragilidades humanas, expressas tanto em sua neurologia como em sua cultura, assim como a tendência evolutivas ao reconhecimento de falsos positivos, entre outros vetores em nossa natureza, tratam de complicar todo este processo - multivariável... Primeiro convidamos a crenças, para somente depois evocar as razão para crer... 

Considero que a inteligência é a medida de nossa capacidade de reconhecimento de padrões... Isso equivale a dizer que tal capacidade começa em nosso embaralhamento genético, e será extrapolada em nossa experiência e aprendizado... Aprenderemos métodos para intensificar tal capacidade - não inventar - e testar sua qualidade... Novamente a 'Ciência', o Método, a Lógica, etc...

O processo de reconhecer padrões e aprimorar a nossa inteligência esbarra em pelo menos dois problemas... Podemos não estar diante de um padrão da vida, mas reconhecê-lo como tal: um falso positivo... E podemos estar diante de um flagrante padrão de comportamento e não sermos capazes de reconhecê-lo: o falso negativo... Evolutivamente o 'falso positivo' pode ter sido um tremendo aliado... Examinem a situação de um humano que escuta um barulho na floresta... Pode ser apenas o vento, mas pode ser um tigre dente-de-sabre... Se nossa ascendente falhar, e o tigre realmente estivesse à espreita, teria sido uma experiência terminal... Este é um bom motivo pelo qual falsos positivos podem ter sido extremamente vantajosos em certos cenários... Vale lembrar que certas experiência não permitiam uma análise detalhada... Era correr ou ficar...

Através deste bloco, desfila também a nossa capacidade de acúmulo de conhecimento extra corpóreo... Isso nos permitiu aprender com a experiência de nossas antepassados, assim como transmitir a nossa própria experiência... Isso nos permitiu colocar naves no espaço, aumentar a expectativa de vida de nossos semelhantes, e diminuir a mortalidade infantil de nossos bebês...

Outro grande passo em nosso aprendizado de padrões, refere-se ao conhecimento acumulado sobre sistemas e variáveis... O nosso cérebro, em sua distribuição normal, apresenta franca afinidade por padrões 'causais', de onde um efeito emerge de uma causa direta, única, ordinária... Mas a vida nem sempre funciona assim... Aliás, quase nunca... Vejamos por exemplo a Troposfera, a camada da atmosfera na qual vivemos; trata-se de um sistema caótico... Recentemente aprendemos a modelar sistemas caóticos... O ciclo das chuvas é multivariável, e podem ser ensinado e aprendido na quarta série... Quando um simpático taxista diz 'o clima está louco', respondo com gentileza 'não, o clima É louco'...



Quando o guia de uma visita arqueológica a 'Huaca de la Luna' en Trujillo, Perú disse que os Moches conheciam o fenômeno do 'El Niño' e a corrente de Humboldt, fui obrigado a objetar... Se realmente soubessem disso não estaria degolando pessoas, e vertendo o sangue na terra para estimular o seu principal deus - Ai Apaec - a 'fazer chover'... Saberiam que a seca em suas terras correspondia ao fenômeno do El Niño, e por sua vez as chuvas de monções estariam castigando a Ásia... Mas, assim caminha a humanidade...



Parafraseando Jam Neruda, quem nada sabe, em tudo crê...

Uma coisa é o que dizem as evidências, e outra coisa é o que queremos que as evidências digam... E este pode ser um bom resumo da questão... Ou um excelente complemento para a reflexão de Neruda...

A Ciência estabelece limites de validez para suas leis, sempre baseadas em confirmações independentes, e recorrente... E estabelece também o ERRO associado... E é precisamente neste reconhecimento de limites que reside a fortaleza da Ciência... Dogmas e atos de fé não admite erro... Mas o que pode ser aceito sem provas, pode - e deve - ser descartado sem provas...

Um ponto de suma importância quando estamos debatendo sobre crenças, é o fato de que uma proposição, para sequer ser aceita, precisa começar com evidências, e acolher provas... Caso contrário estaremos subvertendo o ônus da prova... Quem prova é quem propões... E evidentemente, não podemos provar a inexistência do que não existe... Não podemos examinar algo que não está materializado em provas... Por que não será nada... Não haverá, de fato, nada a ser analisado... Mas se alguns preferem insistir em um debate menos diante de NADA, será meramente uma questão de dispor ou não de tempo a perder...

Em uma vida finita, como a minha, o tempo é precioso... Parafraseando os Titãs: SÓ QUERO SABER DO QUE PODE DAR CERTO, NÃO TENHO TEMPO A PERDER...   

E não esqueçamos do papel dos Lobos Temporais...

Carlos Sherman