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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Gêmeos, intrigante semelhança...



Manchetes sensacionalistas como 'o gene para isso, o gene para aquilo', são particularmente um desserviço à Ciência... No entanto o estudo dos gêmeos idênticos criados separadamente, em comparação à gêmeos fraternos criados juntos não deixa dúvida, a personalidade de um ser humano está mais relacionada a seus genes do que ao meio... Modernamente, e entre vários sistemas de classificação, os psicólogos tendem a definir a personalidade em 'cinco dimensões', ou 'cinco grandes fatores', ou ainda ACEAN - (A)bertura, (C)onsciência, (E)xtroversão, (A)gradabilidade, (N)eurose... Obviamente é um resumo grosseiro, e temos classificações que chegam a elencar até 2.000 aspectos da personalidade, mas a ACEAN pode se tornar uma ferramenta classificatória interessante para os fins e limites deste post... A dimensão 'abertura' define a disponibilidade para o aprendizado, a abertura para testar novos caminhos, explorar novas fronteiras, sair do bando e dar uma voltinha pela floresta, rsrsrs, ou aferrar-se ao grupo, apegado à bandeiras, e preso em devoções... A 'consciência' mede o grau de reflexão, o racionalismo, moderação de conduta... A 'extroversão' define a nossa capacidade de exposição, a nossa reação à opinião dos demais, a auto-confiança... A 'agradabilidade' sugere o grau de cordialidade, empatia, a tendência ao altruísmo ou ao egoísmo, ou mesmos à relação simbiótica... Preferiria chamar esta componente de (S)ociabilidade, mas... E a dimensão da 'neurose' mede a nossa tendência à obsessão, manias, sistematismos... Em maior ou menor grau, todos temos as nossas neuroses... O termo tem sido associado à transtornos mentais, mas não é o caso aqui... Aqui, a dimensão da 'neurose' mediria o nosso grau de tensão orientada a algum fim; o fervor, mania, obsessão... Comportamentos sistemáticos ou irracionais, e que provocam tensão, estariam elencados nesta dimensão - mas sem o caráter patológico... As psicoses seriam então a face patológica das neuroses extremas, e receberiam outro tipo de atenção, uma vez que estão associadas a delírios, alucinações e crises... Quadros neuróticos extremos invadem o espectro das psicoses...

Por exemplo, você poderá ter a mente moderadamente aberta (A), ser um cara muto meticuloso (C), e no entanto medianamente extrovertido (E), individualista (S/A), e calmo ou neutro em termos de neuroses (N)... Ou pode ter a mente bem aberta, sem um cara desorganizado, muito introvertido, altruísta, e muito polêmico, do contra ou reativo... Pode ter a mente fechada, ser organizado, extrovertido, ambicioso e egoísta, e um religioso fervoroso, sendo que este seria um excelente perfil para um pastor da Igreja Universal, srsrs... Se fosse mais introvertido e afetuoso, quem sabe o Vaticano? Mas gracinhas à parte, o assunto é sério e o jogo é de campeonato...

Um pouco mais do que 40% da variabilidade em nossa personalidade depende diretamente de fatores genéticos, menos de 10% de experiências ambientas compartilhadas - família -, e 25% decorrem das experiência únicas - ou da cadeia de eventos de nossas vidas -, sendo os 25% restantes relativos à erros e imprecisão, até porque não existem fronteiras tangíveis e determinadas, demarcando a força de cada fator sobre a resultante do comportamento humano... Mas estes são bons parâmetros... 

Ou seja - e durma com esse barulho: a personalidade é quase tão herdável quando o peso corporal !!!

A correlação média para o peso entre dos irmãos quaisquer é de 34%, e entre pais e filhos é ainda mais baixa 26%... Quanto desta correlação esta relacionada com o meio compartilhado - alimentação, sedentariedade, cultura - e quanto está relacionada com a genética? Gêmeos idênticos compartilhando o mesmo meio tem correlação para o peso de 80%, enquanto gêmeos fraternos criados juntos tem somente 43%, o que responde a questão... Observem que os gêmeos idênticos tem quase o dobro de correlação em relação aos gêmeos fraternos, mas os gêmeos fraternos tem uma correlação muito similar a irmãos não-gêmeos... Mas observe que gêmeos fraternos decorrem de genética inteiramente diferente, são dois óvulos distintos e dois espermatozoides distintos, assim como irmãos não-gêmeos... Pero, esta pequena melhora na correlação de 34% para 43% pode ser explicada por três importantes variáveis: primeiramente os óvulos e espermatozoides, no caso dos gêmeos fraternos, vem do mesmo 'lote', rrsrsrsrs... Ou seja, óvulos e espermatozoides que decorre do mesmo 'padrão de qualidade' - saúde... Diferentemente dos irmãos não-gêmeos, que decorrem de diferentes 'lotes', em diferentes momentos da vida do casal, o que pode redundar em diferenças sobre a qualidade ou saúde dos mesmos... A qualidade de óvulos e espermatozoide poderia então ser afetada pela ação do tempo - e do meio - sobre o organismo... Pelo mesmo motivo, e seguindo a linha do tempo do casal, os gêmeos fraternos compartilharão o mesmo 'meio' gestacional, exposição bioquímica no útero através da placenta et cetera... 

Assim como gêmeos idênticos apresentam sempre correlações superiores entre si em relação aos gêmeos fraternos, os gêmeos fraternos por sua vez estarão sempre mais correlacionados entre si - embora de forma menos gritante - quando comprados com irmãos não gêmeos... Ou seja, temos o fator tempo atuando sobre a saúde de óvulos e espermatozoides, mas sobretudo o impacto da vida e do desenvolvimento gestacional, ou ontogenia... Finalmente, o terceiro fator, também associado ao tempo, que contribui na diferença entre gêmeos fraternos e não-gêmeos, em relação ao peso, está relacionado ao meio compartilhado, ou seja, os hábitos familiares podem variar no tempo, em função da cultura, da mudança do padrão de vida et cetera... 

Mas e quantos aos irmãos adotivos? Qual seria a correlação média esperada no caso do peso?  A-haaa... Apenas 4%... Ou seja, irmãos adotivos não compartilham nada mais do que o meio, e por isso apresentam as diferenças esperadas... Mas gêmeos idênticos criados por famílias inteiramente diferentes, tendo sido separados na maternidade, educados em culturas, países e continentes diferentes, ainda assim, apresentam 72% de correlação em relação ao peso... Isso solapa de vez a ideia de que o homem é produto do meio... A genética é bem mais influente em nossas vida do que o meio, que por suas vez não deixa de representar um importante fator...

Portanto, queridos amigos, entendo como é chocante - depois de um século de 'certezas e sandices freudianas' e seus derivativos (Lacan e Jung), além dos dogmas behaviorianos -, descobrir que o comportamento humano e a personalidade são tão  pouco influenciados pela família em que fomos criados...

Sigmund Freud - corretamente - escreveu: "a humanidade ao longo do tempo teve que sofrer nas mãos da ciência três grandes ultrajes a seu amor-próprio"... Os referidos ultrajes são: 1) A descoberta de que o nosso 'mundo' - ou mundinho - não está no centro de um fantasioso sistema composto por 'perfeitas esferas cristalinas', criadas decorativamente por um deus mágico, somente para iluminar a noite; e que na verdade o nosso 'mudinho' é muito menos do que um grão cósmico, perdido em meio a três sextilhões (3x10^23) de outras 'esferas' - nem tão esféricas - de plasma, onde o Hidrogênio é fusionando para produzir toda a Tabela Periódica; 2) A descoberta de que não somos as criaturas especiais e diletas daquele deus 'decorativo', e que na verdade descendemos de animais, e somos resultado de um processo evolutivos, de onde compartilhamos com eles - animais - as mesmas unidades elementares da vida e pera o pensamento e consciência; 3) A descoberta de que a nossa mente 'consciente' não 'livre-arbitra' e nem controla o modo como agimos, mas na verdade a nossa mente apenas nos conta uma estória 'remontada e continua' sobre nossas vidas; uma estória por vezes fantasiosa, mas sempre pessoal e subjetiva...

Freud estava certo quanto ao impacto cumulativos de tais descobertas sobre a humanidade, mas foi a associação entre a Psicologia Cognitiva, a Neurociência Cognitiva e a Genética Comportamental, que desferiu o terceiro golpe, e não dogmática e bizarra Psicanálise...

Mas esta tríade - Psicologia Cognitiva, Neurociência e Genética - está promovendo alguns ultrajes mais: 4) A descoberta de que não somos uma 'tábula rasa', nem uma folha em branco preenchida apenas pela experiência, e muito menos pela engenharia social, e que não somos um mero produto do meio; 5) A descoberta de que a doutrina sociológica do 'bom selvagem' é uma falácia, e que podemos viver de forma civilizada construindo uma sociedade mais inclusiva, justa, fraterna, e ainda assim livre; operando a partir da tomada de ComCIÊNCIA sobre a 'real condição humana'; 6) A descoberta de que o fantasma da máquina não existe, consequentemente dualidade entre corpo em alma - ou mente - também cai por terra... Só o que existe é a Physis, em última análise, e pensamento decorre de nossas células neurais, e não de um comando central - ou alma - desconectado do corpo, e portanto resistente à morte; 7) A descoberta de que somos mortais, finitos mas maravilhosos; e que o tempo urge...

Lesões nos Lobos Frontais podem deixar a pessoa embotada ou modificar - moderada ou completamente - o seu repertório comportamental, uma vez que esta região do cérebro esta relacionada com os freios ou inibidores de nossos impulsos emocionais, atuando sobre o Sistema Límbico - particularmente em um circuito que liga a amígdala ao hipotálamo pela via conhecida como Stria terminalis... Os Lobos Frontais atuam sobre cada hemisférico, garantindo que as nossas estratégias e objetivos predominem sobre os impulsos deflagrados pelo Sistema Límbico... É por isso que cedemos lugar à uma pessoa idosa, ou respeitamos filas, ou pedimos as coisas ao invés de tomá-las... O nosso desejo e o nosso instinto de sobrevivência e defesa é então moderado, resultando em um comportamento dito sociável...

100 bilhões de neurônios conectados por 100 trilhões de sinapses, modelados por 30.000 genes, e um infindável número de combinações, resultando na complexidade e beleza da experiência  humana... Complexidade tal que Alfred Russel Wallace, co-desenvolvedor - ao lado de Charles Darwin - da Teoria da Evolução,  familiarizado com a diversidade 'não intencional ou moral' da vida, não foi capaz de aceitar... Wallace não pôde aceitar que a mente humana, ou sistema neural, diferia dos demais animais apenas em grau e não em tipo... De forma que infelizmente Wallace não pôde livrar-se do 'fantasma na máquina', o que de certa forma ofuscou o brilho e a importância de sua obra... Wallace terminou a vida tentando se comunicar com os mortos e procurando um lugar para a 'alma' humana... Em tempos vitorianos, antes da descoberta do DNA por Watson e Crick, antes das maravilhas de Santiago Ramón y Cajal - que intuitivamente postulou a doutrina do neurônio, que tempos depois foi comprovada -, e de outras descobertas genéticas e neurofisiológicas, não podemos condenar Wallace por sua hesitação... 

Apesar de toda a timidez (E), Darwin tinha uma mente incomum e aberta (A) para sua época; era meticuloso (C), generoso (S), e talvez uma de suas neurose tenha sido o detalhismo, que caiu como uma luva no desenvolvimento da Teoria da Evolução... Outra neurose de Darwin talvez tenha sido o medo do moralismo religioso de sua época... E Darwin, embora não tenha impetrado nenhum sendeiro místico - no estilo espírita de Wallace -, terminou a vida declarando-se um deísta quase agnóstico, mas sem permitir que isso interferisse em sua integridade intelectual... Mas para a nossa sorte, Thomas Huxley estava em seu caminho: aberto (A), consciente, intenso e disposto a correr riscos (C), extremamente extrovertido, eloquente e carismático (E); agressivo, combativo e sem medos - e muito temido - (S); e talvez a sua neurose mais tangível advenha do orgulho e de não levar desaforo para casa (N)... Estas explosivas e brilhantes características nunca estiveram tão claramente a serviço da humanidade como no célebre debate com o Bispo de Oxford Samuel Wilbeforce:

"(...) o Bispo de Oxford, Samuel Wilbeforce, de dedos enfiados na lapela volta-se ostensivamente para Huxley e, com maliciosa cortesia, insiste em saber se 'é por parte do avô ou da avó que o senhor afirma descender de um macaco?' Ao detectar a entonação bajuladora dada à palavra 'avô', a assistência solta alguns 'oohhs' em voz baixa e concentra a atenção em Huxley. Ainda sentado, Huxley vira-se para o indivíduo que está ao lado dele e, quase sonolentamente, murmura 'o senhor entregou-o em minhas mãos.' Pondo-se de pé e fitando Wilbeforce nos olhos responde: 'Prefiro ser descendente de dois símios a ser um homem que tem medo de enfrentar a verdade.' (...)" (Sagan, 2009 - Sombras de Antepassado Esquecidos)

Carlos Sherman

domingo, 1 de abril de 2012

A velha inversão do ônus da prova...




Discutir divindades ou qualquer outra proposição sem absolutamente nenhuma evidência em mãos é a pura inversão do ônus da prova, e perda de tempo... Não se pode provar a inexistência do que não existe... Trata-se de falácia retórica e lógica... Devemos investigar o que possa ser investigado... Não podemos negar a existência o grande Jujú da Montanha, senhor dos mundos... Não podemos negar a existência do unicórnio cor de rosa... E por que não? Por que não podemos provar a sua 'inexistência'... Mas isso subverte o ônus da prova... Falácia retórica e lógica..

Quem diz que deuses existem ou gnomos existem, deve trazer evidências e provas, caso contrário será pura verbosidade vazia... Bem diferente de um calhamaço irremediável de provas acachapantes, incríveis, com precisão, repetibilidade, entendimento detalhado... Todos os dias, milhões de cientistas desenvolvem a ciência que salva vidas, põe satélites em órbita, e desengana os planos apocalípticos de deus e seus seguidores... Não existe absolutamente nada que una estas duas ATITUDES diante da vida... NADA... 

E por diversos comentários publicados previamente, percebo que lhes falta pleno entendimento do que seja ciência, pois confundem extra-terrestres, incas, aztecas, com ciência... Isso é crença, como o deus de Abraão... Tudo isso decorre de uma linhagem de asneiras incomparáveis... De Platão a Tomás de Aquino, passando por Aristóteles, Descartes e Santo Agostinho... E ainda relacionam o crente Descartes, com ciência e materialismo, sendo que ele 'pregava' - nomoteticamente - o conceito vazio de alma... 


Aristóteles pensava que o cérebro estava no lugar do coração, e que onde está o cérebro funcionava uma espécia de 'radiador' para esfriar o sangue, sendo um lado do corpo mais frio que o outro, rsrsrs... Platão considerava a mulher resultado do declínio da criação perfeita, o homem... A escravatura era justificável na visão de ambos... Agostinho inventou e cunhou o conceito de pecado original, sexualizando um ato claro de desafio e desacato da autoridade divina, mas apenas em relação ao conhecimento - ou discernimento - entre o que é 'bom e mal'... Só isso... 

Todo este mal entendido sobrevive, porque esta história da ignorância humana foi contata pelos vitoriosos... Pelos cristãos... E o verdadeiro salvador do cristianismo foi Costantino... Bastaria ter escutado a Aristarco, que posicionava a Terra em seu lugar, em órbita do Sol, tendo calculado com significativa precisão as distâncias relativas entre a Terra e o Sol, entre a Terra e a Lua... Bastaria ter escutado a Hipócrates, pai da medicina, que confrontava a tentativa de desprezar o corpo valioso, em prol de uma alma inexistente... Epicuro, Demócrito, Leucipo... Temos fragmentos de Leucipo, cuja obra foi perdida na sandice cristã de destruir bibliotecas, queimar e proibir livros... Mas temos 2.000 páginas de asneiras platônicas, e muito mais ainda de Aristóteles, que se meteu a divagar em todas as áreas... Tudo este acervo, seria suficiente para muitos volumes de uma enciclopédia de besteiras e equívocos... 25 séculos de ignorância em uma discussão que adentra 2012... 

Mas a tendência a permanecer no bando, reconfirmando tradições, ou mesmo aferrado a meras explicações simplistas é genética... Não se trata de determinação, mas de forte impulsão... O psicólogo Thomas Bouchard estudou o fundamentalismo religioso, analisando um extenso e representativo grupo de gêmeos idênticos (monozigóticos ou univitelinos) e fraternos (dizigóticos, bivitelinos ou multivitelinos), em ambos os casos criados separadamente... Bouchard encontrou a incrível correlação de 62% de afinidade religiosa para os gêmeos idênticos, e apenas 2% para gêmeos fraternos... 

Em seguida Bouchard encontrou resultados similares entre gêmeos idênticos e fraternos, só que desta vez criados juntos, mostrando que a propensão de crer tem forte impulsão genética... O estudo persistiu analisando a conduta política, encontrando 69% de correlação para gêmeos idênticos criados separadamente, e quase nenhuma correlação para gêmeos fraternos também criados separadamente. Foi então elaborado um questionário abordando questões relacionadas com o moralismo, imigrantes, pena de morte, pornografia, aborto, união homoafetiva; obtendo mais uma vez uma correlação espantosa de 62% para os gêmeos idênticos, contra apenas 21% para gêmeos fraternos, em ambos os casos criados separadamente... Os mesmos resultados foram encontrados em um estudo semelhante na Austrália...

Bouchard não está buscando notoriedade fácil provando que existe um gene para deus, ou um gene para a religião... Nem está eliminando a importância do ambiente e o aprendizado sobre o comportamento humano... Estamos entendendo aqui, que o caráter obsessivo ou o fervor tem forte impulsão genética, enquanto a a agremiação religiosa ou crença em particular, será decorrente da cultura... Uma forte tendência à crença pode ter predominância genética, enquanto o objeto da devoção será influenciado pela cultura...

Seria absurdo dizer que os italianos são majoritariamente católicos, os iranianos são majoritariamente muçulmanos, os mexicanos são devotos da virgem de Guadalupe, os brasileiros são cristãos, e os indianos seguem a Krishna por desígnio genético... Mas mesmo uma atividade tão prototipicamente ‘cultural’ como a religião tem um relevante impacto genético que não pode ser ignorado...

Isso não nos remete somente às crenças, mas à proteção do grupo, de forma mais ampla, prevenindo-nos do medo da mudança, do medo de deixar nossa zona de conforto, o conforto dos fenômenos causais, simples ou simplistas... A força da tradição, escondendo a nossa insegurança, ou a incapacidade de lidar com o risco, aventurando-se em investigações científicas, ou mesmo perambulando pela vanguarda do pensamento... Podemos estar entendo aqui, e em muitos estudos similares, que estamos mais ou menos suscetíveis à superstição pela genética... Isso não denota determinação e sim propensão...

Podemos estar encontrando as raízes de nossa propensão à segurança, permanecendo no rebanho, minimizando o risco do novo, cedendo ao apelo fácil da tradição, acolhendo de forma irracional as mensagens da bonança fácil – no porvir - e da vida eterna... Gradativamente as culturas mais desenvolvidas, em termos de solidariedade e instrução científica, estão encontrando abrigo para os mesmos velhos temores em novas respostas... A nossa genética não foi modificada, e continuamos suscetíveis ao medo, e programados para sobreviver, mas estamos adotando novas estratégias... Os nossos antepassados sacrificaram pessoas e animais, e hoje glorificamos aos deuses de forma menos violenta e portanto mais civilizada... Amanhã, poderemos prescindir de deuses e da ‘crença na crença’, lutando de forma ativa e organizada pela vida humana, e sendo mais efetivos em coibir a mortalidade infantil, ampliando o tempo e a qualidade de nossa vida, e diminuindo o sofrimento de quem encontra a morte... 


Aprenderemos a encarar a inevitável chegada da morte com dignidade, humana, demasiado humana...

Carlos Sherman


P.S.: 

Rsrsrs, Fábio, isso é básico... Não se pode provar a inexistência do que não existe... O que não existe cria a possibilidade infinita de subterfúgios... Você quer discutir questões complexas, mas desconhece questões lógicas de base... Repito, o ônus da prova é de quem faz a proposição... E se não tem evidências e provas, não existe porque acolher tal proposição... É uma questão prática, simples... 

Numa boa, digo a você, sem arrogância, mas com muita sinceridade, e sendo direto, que você não percebe o quanto precisa aprender para empreender este tipo de discussão... Não percebe... Fábio, tudo isso é patético... Você não tem condições de escrever sobre este tema, por carecer das bases e premissas necessárias... Entenda isso... Aprenda primeiro antes de ocupar o palanque... Não me refiro e aprender comigo... Aprenda com todos, e fora deste modesto grupo... Está confundindo tudo, em um papel que só você não enxerga, em sua tentativa de tornar uma discussão sobre conhecimento em uma batalha entre crentes e ateus... Você é a pessoa mais despreparada que pude assistir tentando empreender discussões nesse nível... Parafraseando Sagan você pode rezar pela cura da cólera ou ministrar 500 miligramas de tetraciclina a cada 12 horas... A microbiologia 'evolucionista', elevou o a nossa expectativa de vida de 30 para 70, 80 anos... O que quer discutir mais? A taxa de mortalidade despencou mais de 10 vezes... 

O oba-oba das crendices é bem mais acessível... O ceticismo e o conhecimento complexo são bem mais difíceis de assimilar... Mas certas questões não são objeto da 'achologia' ou de análises simplistas... São objeto da ciência, dos detalhes, da profundidade da análise microscópica ou astronômica... É muito mais fácil sair por aí pulando de galho em galho, em crendices, do que performar uma avaliação sóbria e equilibrada; e ainda assim, alimentada com profundo conhecimento e EVIDÊNCIAS...