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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Além da Vida


Bela colocação de Lispector, bela escolha do 'Cérebro Emocional' - Facebook... Segue a minha perspectiva: 

'A vida é curta, por certo... Mas as emoções que podemos induzir, rsrsrsrsrs, na vida de outras pessoas, pode ser propagadas para além de nossa tênue existência...' - rsrsrsrsrsr... Esta é a minha perspectiva da questão, rsrsrsrs...

Costumo viver que 'CONTO O MEU TEMPO VIVIDO, PELA EMOÇÃO SENTIDA'...

Carlos Sherman

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O Crer e o Saber...

Qual das duas torres está mais inclinada??? Nenhuma das duas, são fotos idênticas... Trata-se de uma ilusão de ótica... Uma entre tantas...


Inventamos a Ciência para testar a nossa lucidez...

Aquilo em que quero acreditar pelas emoções, e aquilo em que devo acreditar pelas evidências, nem sempre coincidem. Sou cético, não porque não queira acreditar, mas porque quero saber. – Michael Shermer

A mente do homem está longe de ser da natureza clara e uniforme de um vidro, no qual os raios das coisas se refletem de acordo com a sua precisa incidência. Ao contrário, ela é como um espelho encantado, cheia de superstição e impostura, se não for liberada ou diminuída. – Francis Bacon, Novum Organum, 1620

A Inteligência é a medida de nossa capacidade em reconhecer padrões...

Vejam a força da ilusão – neste caso, de ótica: Galileu, o pai da Ciência Moderna – se é que houve uma Ciência Antiga – descreveu Saturno em seu rudimentar telescópio como ‘três estrelas juntas’... Faltavam-lhe melhores instrumentos de observação e uma teoria para especular sobre os anéis... O que via eram três borrões de luz, sendo um maior ao centro, e dois menores, um de cada lado, que pareciam-se com esferas... Hoje, podemos atestar sobre os anéis de Saturno, sem imprecisões óticas, de forma límpida e clara, e sabemos que seus anéis estão conformados por detritos que gravitam em torno do planeta, e sem direito à relativismos de ocasião... Chegamos ao fundo desta questão... 

Nos anos 90, a série de televisão “Arquivo X” estava com tudo; confrontando o ceticismo de Scully com as crendices de Fox Mulder – o personagem principal... Mulder protagonizava o zeitgeist da época, em slogans como ‘quero acreditar’, ‘a verdade está lá fora’... Pegando carona no famoso clássico dos céticos do Pink Floyd: ‘is there anybody out there?’... Parece que não... Ainda não... Mas chegaremos lá... Isso porque, estatisticamente, é bem provável que exista vida no Universo, e bem aqui na Via Lactea... Estimamos que existam entre 700 e 900 planetas com chance de reunir as condições contingentes para a vida... Somente na nossa vizinhança... Embora ‘vizinhança’ aqui seja um conceito pra lá de exagerado... Os possíveis planetas em condições de abrigar a vida estão na realidade – irremediavelmente, apesar de toda a ficção ou mesmo do exercício sério e consequente da futurologia – bem longe de nós... Bem longe mesmo... Encontrar vida em nossa existência será bem mais complicado do que encontrar agulhas em um palheiro... Será mais parecido com encontrar grãos de açúcar no Saara... Mas estamos correndo atrás...

O cabo de guerra psicológico, desenrolado por Scully e Mulder na série, entre ceticismo e crendice, confrontando fantasia e realidade, fato e ficção, quase sempre pendia para em favor do mistério e do sobrenatural... “Arquivo X” era tão popular que foi parodiada pelos “Simpsons” no impagável “Os Arquivos Springfield”, onde, entre outras anedotas de primeira, Homer tem um contato imediato com alienígenas na floresta - mas não sem antes emborcar uma dúzia de garrafas de sua cerveja preferida... Ao menos nos “Simpsons”, o cabo de guerra pende para o ceticismo, e de forma muito bem humorada e inteligente... Tão inteligente que Leonard Nimoy, o inesquecível – e cético - “Dr. Spoke”de “Jornada nas Estrelas”, foi convidado para narrar a introdução... Nimoy  já fizera isso em um seriado científico, portanto não ficcional “In Search Of”, nos anos 70... Nimoy acerta no tom e dispara: ‘A história de encontros com alienígenas que vocês vão ver agora são verdadeiras. E por verdadeiras quero dizer falsas. É tudo mentira. Mas são mentiras que divertem e, no fim, não é essa a genuína verdade? A resposta é NÃO’... Sim Nimoy, a superstição não diverte... A verdade insiste, resiste, persiste, e penetra... Mesmo que custe algum tempo... Mesmo eu custem algumas vidas, cabeças, corpos queimados... 

O relativismo da verdade e a cultura pop, a velocidade da mídia de massa, faz com que os intervalos de atenção sejam medidos em minutos... Citando Shermer, tudo isso acaba por deflagra um ‘atordoante conjunto de alegações’ sobre o que seja a verdade... Tal fenômeno, a crença na crença, pode ser medido em unidades de ‘infonimento’ – ou seja, informação e entretenimento, inteligente conceito proposto por Shermer... Experimente parar diante de uma banca de jornais, e verá que as publicações ditas ‘esotéricas’ estarão estampadas em flagrante destaque, contra o pano de fundo do besteirol das revistas de fofoca... Espiritismo, Parapsicologia, Cristais, Homeopatia, Florais de Bach, Astrologia, Quiromancia, Tarô, Acupuntura, Quiropraxia, Psicologia Multifocal, Multidimensional, Gurus, Misticismo Indiano, etc e tal... Não haverão, sem exceção, revistas científicas em primeiro plano, jamais... Os tabloides se sobreporão, também, ao jornais mais sérios... Em uma livraria, faço o intento, proliferarão livros inconsequentes sobre auto-ajuda, espiritismo, misticismo, ‘freudianismo’, ‘paulo-coelhismo’, anjos, demônios, bruxas, vampiros, lobisomens, fantasmas e afins, sobre qualquer outro tema... Na televisão, navegamos entre os canais pentecostais e evangélicos, e o ôba-ôba do sobrenatural, “Supernatural”, “Lost”, “Além da Imaginação”, “Poltergeist”, “Espíritos”, “Zeitgeist”, “Quinta Dimensão”, “Isto é Incrível”, “O Sexto Sentido”, magia, mitos, monstros, super-heróis, fantasia, fantasia, fantasia, e fantasia... Trilha sonora melodramática, apagam-se as luzes, a fonte de luz provém de baixo, o rosto do apresentador é iluminado, luz e sombras, e a voz sai gutural e amedrontadora: “Não confie em ninguém. A verdade está lá fora. Quero crer. Quero ver.”... Não, a resposta reside em nossa tendência ao auto-engano, vívida em nossos cérebros... A ilusão proveniente de nossos mecanismos neurais para o reconhecimento dos padrões que regem a vida... Não induza a sua mente, auto-induzida, a crer... Queira saber... Se for capaz...

Inventamos a ciência para testar a nossa lucidez, assim como os nosso delírios...

Em 2009, uma pesquisa realizada pelo Instituto Harris, entrevistou 2.303 americanos sadios e adultos e pediu que indicassem ‘sim ou não’ para tudo aquilo em que acreditassem... Pois bem, 82% acreditam em deus, 76% em milagres, 75% na existência do ‘céu’ ou ‘paraíso’, 73% acreditam que o tal ‘Jesus’ é mesmo ‘o filho de deus’ – o deus judaico-cristão-islâmico -, 72% acreditam em anjos, 71% em alma, 70% na ressurreição do tal filho de deus, ‘Jesus’, 69% no demônio, mas 61% em inferno, também 61% na virgindade da ‘mãe’ de ‘Jesus’, filho de ‘deus’ – muito embora jamais engolíssemos uma estória dessas, seja para entender a gravidez de uma filha, ou de sua namorada ‘virgem’... A Teoria da Evolução tem apenas 45% de aceitação, isso em 2012, enquanto 42% acreditam em fantasmas... Apenas 40% acreditam piamente no ‘criacionismo’ - ou seja, o tal deus dos 82% criou tudo com um passe de mágica... Estranho se considerarmos que a única fonte da existência de deus – embora anedótica – é a bíblia, ou seja, o mesmo livro que afirma ser este deus, responsável por haver criado tudo o que existe – menos ele mesmo, que continua sendo um mistério para crentes e não crentes... 32% acreditam em OVNIs, 26% em astrologia, 23% em bruxas, e 20% em reencarnação... Shermer notou que mais pessoas acreditam em anjos e demônios do que na Evolução... Esta é a realidade americana... Presumo, e temo, que este atraso em relação a outros países ‘economicamente’ desenvolvidos, esteja relacionado com o famoso Julgamento do Macaco, em 1925, onde um professor do Tennessee foi condenado por ensinar a Evolução, sendo sentenciado a pagar um vultosa quantia, para a época, de USD 100,00... Mas o dano maior viria a seguir, quando a Evolução de Darwin foi banida dos livros escolares por quase 30 anos... Quando a Evolução retornou ao ensino americano na década de 60, foi obrigada a conviver por mais 20 anos ao lado do ‘criacionismo’, até que a inteligência prevaleceu... Mas não sem antes lutar e lutar contra o fanatismo evangélico, pentecostal e neo-pentecostal do Cinturão Bíblico americano... 

Mesmo sem a mácula do Julgamento do Macaco, os britânicos – 1.066 deles –, compatriotas de Darwin, também inspiram muita preocupação, como mostra uma pesquisa do Reader´s Digest de 2006... 43% dos entrevistados declararam serem capazes de ler a mente de outras pessoas, mais de 50% disseram haver tido sonhos ou premonições sobre acontecimentos ou fatos que acabaram ‘realmente’ acontecendo... Mais de 2/3 alegaram possuir o poder de saber que alguma pessoa estava olhando para eles, fora de seu campo de visão – consultar ‘visão periférica’ -, 26% pressentiram que uma pessoa próxima estava doente, em perigo ou morrendo naquele instante – e passaram um ‘tchau’... Mas 62% disseram que podem ‘adivinhar’ que está ligando antes de atender o telefone – basta um identificador de chamadas, rsrsrsrsrs... 20% afirmou haver visto fantasmas, e 1/3 afirmaram que experiência ditas de ‘quase morte’, são uma prova irrefutável de que existe vida depois da morte...

A Fundação Nacional da Ciência (NSF) dos Estados Unidos, alarmada com estes dados, também empreendeu pesquisas e trouxe à tona mais informações... A crenças – por exemplo – em percepção extra-sensorial cai de 65% em egressos do ensino médio para 60% em egressos do ensino superior... A crença em terapias magnéticas cai de 71% para 55%, mas a crenças nas dita ‘medicina alternativa’ sobre de 89% para 92%... Parte desta situação dramática decorre do fato e do dado, de que 70% dos americanos nada sabem sobre o Método Científico – análise de probabilidades, métodos experimentais, teste de hipóteses... Portanto, parafraseando Shermer, a soluçaõ pode estar em ensinar primeiro ‘como’ a ciência funciona, além de apontar apenas ‘o que’ a ciência conhece... Ensinamos ‘o que’ pensar, ao invés de ‘como’ pensar... 
Costumo elucidar, ou tentar elucidar, esta questão explicando que a ‘Ciência’ nada mais é do que ‘o ato de tornar-se ciente‘... Uma lacuna profunda é o ensino da Lógica e da Retórica, e suas subsequentes ‘falácias retóricas’... Se faz ‘mister’ e urgente ensinar a PENSABILIDADE... Antecipar o ensino da Filosofia – não enciclopédia, nem meramente histórica, mas o exercício do escrutínio da razão sobre a ‘pensabilidade’ – pode ajudar, e muito... Mas não é só isso... 53% dos americanos com alguma iniciação científica demonstram compreender o Método Científico, contra 38% no nível médio, e apenas 17% no nível básico... Portanto, ensinar ‘como’ a ciência funciona e não apenas ‘o que’ a ciência descobriu, ode ajudar muito...

Recorrentemente, percebo que certas pessoas – muitas, na realidade – se apresentam como sendo ‘ilibadamente’ científicas, mas na realidade são presas fáceis do próprio sensacionalismo científico, que fatalmente descambará para o sensacionalismo ‘pseudo-científico’... Notadamente desconhecem a argumentação lógica e retórica, desconhecem os rudimentos do Método Científico, e seus derivativos em cada área do conhecimento humano, mas estão interessados em pesquisas de ponta, ‘universos paralelos’, ‘teoria das cordas’, ‘buraco de minhoca’, etc... Este é um clássico em páginas ateístas ou ditas ‘científicas’...

Primeiros surgem as crenças, depois as explicações – Michael Shermer...

As pessoas creem porque estão aparelhadas para tal, em virtude da própria evolução... Evoluímos lentamente, em termos fisiológicos, e rapidamente em termos ‘culturais’... O nosso cérebro tem variado pouco ao longo de milhões de anos, enquanto a nossa habilidade em usá-lo caminha a passos largos... Estima-se que estejamos avançando 3 pontos de QI a cada década... Assumimos uma progressão avassaladora de desenvolvimento, e o aprendizado humano parece ir ao encontro de uma curva exponencial... E quem sabe do que seremos capazes... Quem viver verá... O grande divisor de águas no entanto, esteve na capacidade de acumular conhecimento ‘extra-corporal’, fora de nosso cérebro – mortal, temporal -, e isso foi conseguido com a evolução da escrita – em substituição ao registro iconográfico... Depois veio a revolução em termos de materiais, de pedras, placas de argila, papiros, a disquetes, CDs, DVDs, Blu-Ray, e ‘ao infinito e além’ – BuzzLightyear... o processo de reconhecer padrões, nos levou da selva aos arranha-céus, em milhares de gerações, ao longo de pouco mais de 200.000 anos... A escrita e os registros do conhecimento são bem mais recentes... A ciência, o divisor de águas entre o delírio e a lucidez, não dura mais do que alguns séculos... De forma que, em nossa saga de avidez por padrões, desenvolvemos as superstições... Registramos padrões equivocados na tentativas de descortinar os verdadeiros padrões que regem a vida...

Nesta caminho, o reconhecimento de padrões, ou ‘padronicidade’ – termos cunhado por Shermer - dois erros clássicos podem assomar... Primeiro, o Falso Positivo... ‘Acreditar’ que estamos desvendando um padrão, quando na realidade estamos criando uma nova superstição... Ou seja, ao acreditar que um fenômeno ou consequência (A) decorre diretamente ou é causado um evento (B)... Nossos antepassados viviam de relações causais simples, ordinárias, de onde uma consequência (A) provém de uma única causa (B)... Mas a vida não se comporta sempre assim, e na realidade a maioria dos fenômenos envolve múltiplas variáveis, sistemas complexos, etc.. Mas se estamos na mata, escutamos um barulho, podemos relacionar diretamente a um predador, e pernas pra que te quero... Ou pensar que foi apenas o vento... Neste tipo de situação, e dispondo de uma fração de segundos para decidir, o falso positivo, ou seja, apostar no tigre dente-de-sabres, pode ter sido uma vantagem evolutiva... Mas se considerarmos os mochicas do Perú, que acreditavam que um de seus deuses, Ai Apaec, fazia chover após algumas cabeças terem sido decapitadas, e o sangue vertido na terra para saciá-lo, podemos encontrar certas desvantagens no falso positivo... Isso porque, em parte, a extinção dos mochicas se deve à elevada mortandade de seus homens adultos e guerreiros, quando diante de uma severa estiagem ocasionada pelo fenômeno do ‘El Niño’, o número de decapitados atingiu o seu apogeu... Mas a ‘crença’ em qualquer coisa, sempre que o custo desta crença supera o custo do Falso Negativo, poderia ser vantajosa...   
O Falso Negativo é estar diante de um padrão, e não reconhecê-lo... Por exemplo, não perceber o tigre, e ‘acreditar’ tratar-se meramente do vento... Somente muito recentemente, aprendemos a lidar com fenômenos complexos, multi-variáveis, probabilísticos, caóticos... Sempre que tomo um taxi faço a experiência, e o gentil taxista após uma breve apresentação, e definido o itinerário, dispara: ‘o clima está louco’... Ao que trato de responder, com um sorriso nos lábios, ‘não, o clima É louco’... A troposfera é um sistema caótico... O gui de minha visita a ‘la Huaca de la Luna’, bem que tentou alegar que os Mochicas conheciam a corrente de Humboldt, o fenômeno do El Niño, mas objetei demonstrando que pelo número de cabeças cortadas e por seu desafortunado destino, fica patente que nossos amigos peruanos não poderiam sequer conhecer o ciclo das chuvas – dominado amplamente por qualquer criança matriculada na quarta série...

Pois viajamos como exploradores, vítimas e inquilinos, de nossos próprios cérebros... O Falso Positivo pode ter representado vantagem em nosso passado evolutivo, mas pagamos um preço muito elevado por nossos superstições, umas mais do que outras... E dispomos da Ciência, de forma que podemos racionalizar nossas vidas, podemos evitar este dispêndio de energia... Mas a questão pode ser bem mas dramática, porque podemos evitar a mortalidade infantil, viver mais, sermos mais justos, evitarmos o assassinato de pessoas, por causas meramente supersticiosas....

Estamos fadados às superstições, uns cérebros mais do que outros, assim como ao animismo e  o antropomorfismo... Por isso vemos animais em constelações, e deuses que pensam e agem como homens – caprichosos, cruéis e rabugentos...

De forma que existe uma tendência a acreditar primeiro – Falso Positivo – para depois nos esmeramos nas explicações... E tais crenças, e suas respectivas explicações, normalmente estarão calcadas em causalidades de primeira ordem, onde uma causa é suficiente e necessária para provocar um efeito, dependente desta causa... ‘Aquele casal se separou... Faltava deus em suas vidas...’... Mas existem melhores explicações para isso, complexas, multi-variáveis... Onde um cérebro pouco iniciado no conhecimento científico vê ‘mistério’ existe apenas complexidade... Para uns, solucionar um sistema com duas equações e duas varíaveis, poderá ser uma tarefa hercúlea, enquanto para outros será um passatempo...

Quem nada sabe, em tudo crê – Jam Neruda

Um vez deflagrada a crença, começa um ciclo de reforço e confirmação de tal crença... A personalidade e suas dimensões, desempenhará um papel muito forte em estabelecer a força deste ciclo... Existem pessoas mais ou menos suscetíveis à novas experiências, a obsessões, medos, etc...  

Outro ângulo para enfrentar a questão, nos mostra que para ‘criar’ superstições basta um protagonista, uma anedota, e um interessado ‘crente’... O simples relato de casos, ‘fulano (A) curou sicrano (B)’, em geral, só precisa de certa notoriedade e alguns testemunhos casuais, para viajar nas ondas do esoterismo’... Entender, saber, exige formação, estudo abnegado, e muita vontade de acertar... ‘Ético, logo cético’... Não é por acaso que convivemos com mais crentes do que pensadores...

Carlos Sherman

Fonte: Shermer Inside

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Uma breve viagem pela realidade...



Venha viajar comigo... Serão 5 minutos, e nada mais... Prometo trazê-lo de volta, são e salvo... Inteiro, completo, mas talvez, já não seja mais o mesmo... Isso no entanto só dependerá de você... Só dependerá de seus genes, educação e estória de vida... Só dependerá da sua capacidade de ser livre para pensar... Só dependerá do medo e de sua dependência da proteção de grupos e grêmios sobrenaturais...

Mas por favor aceite este convite, 5 minutos livre de suas pré-suposições, imerso em meu mundo... Vamos nessa?

Imagine que você tem um equipamento, um capacete especial que pode estimular qualquer região do seu cérebro, sem riscos de danos... Isso não é ficção científica, e tal dispositivo realmente existe... Este capacete especial, quando aplicado ao couro cabeludo, nos permite aplicar campos magnéticos de rápida flutuação, com resultados poderosos e surpreendentes sobre a nossa percepção... Você pode estimular áreas do Córtex neuromotor, contraindo músculos no seu corpo como se você se transformasse em um boneco movido a controle remoto... Se pudesse brincar com um equipamento deste o que faria? Pacientes com distúrbios no septo, um aglomerado de células localizado na parte anterior do tálamo relatam experiências de intenso prazer com 'milhares de orgasmos em um só'... E sem sexo, rsrsrsrs... Para um cego de nascença seria maravilhoso estimular o próprio Córtex Visual para tentar descobrir o que significa afinal a 'cor'... Sempre lembrando que distúrbios em tais regiões, significam respectivamente distúrbios sobre o prazer e a visão...

Mas o psicólogo canadense Michael Persinger decidiu testar o equipamento, estimulando os seus próprios lobos temporais... E o resultado foi como esperado, Persiger sentiu 'deus'... Isso porque a muito tempo a neurociência investiga o papel dos lobos temporais sobre as crenças e experiências místicas... Os distúrbios nesta região do cérebro trazem como consequência, uma mudança brusca de comportamento com respeito ao fervo místico... Mas será que se submetermos Francis Crick, Michael Shermer, Richard Dawkins a este aparelho obteríamos a mesma impressão: deus? Seguramente não, mas vale tentar... Já fizemos experimentos similares com alucinógenos aplicados a pessoas 'crentes' e 'descrentes'... Os crentes relataram a intensificação de suas crenças, enquanto os descrentes sentiram profundo prazer, êxtase, e conexão com a natureza...

A esquizofrenia levou o cético e científico John Nash - 'Um Mente Brilhante' - ao Nobel de Ciências Econômicas, e levou Wellington Menezes e Anders, crentes fundamentalistas, ao assassinato de inocentes... Wellington Menezes falava com deus, e recebia mensagens de purificação e morte aos hereges... Nash era perseguido por agentes russos da KGB, enquanto trabalhava para a CIA em plena guerra fria... 

Quando falamos em epilepsia pensamos logo em um ataque epilético, com o paciente tendo contrações, enrolando a língua e depois desmaiando... Normalmente, experiências místicas são relatadas após tais ataques... Mas nem sempre o paciente epilético reage desta forma... Muitos epiléticos relatam apenas experiências místicas comoventes, iluminação, viagens astrais, etc... Isso porque o lobo temporal está mais uma vez sob fogo cruzado... E estranho imaginar que um deus, Tupã por exemplo, escolha esta bizarra maneira de se comunicar conosco... A Neurociência fica em uma situação delicada para medicar ou tratar um paciente 'iluminado', além do risco de contrariar os planos - por exemplo - de Odin... 

Já imaginaram o impacto que a epilepsia e a esquizofrenia teve em tempo imemoriais, e até mesmo em nossos dias, em realidades culturais que distam muitas centenas ou milhares de quilômetros de um equipamento de ressonância magnética?

Uma enfermeira desenvolveu um enorme ponto cego em seu campo de visão... E para seu assombro, frequentemente vários personagens de estórias em quadrinhos vem brincar em seu campo de visão... Ela pode estar olhando para você, e o vê o Pernalonga sentado em seu colo, enquanto conversa com o Hortelino e o Papa-Léguas... E tudo isso parece desconcertantemente REAL... Não é possível para ela discernir entre o real e o imaginário, embora - claro - ela saiba que o ditos personagens só existem em sua imaginação... O que o mesmo fenômeno terá causado em culturas passadas?

Uma bibliotecária da Filadélfia teve um derrame, e começou a rir descontroladamente até que literalmente morreu de rir... Arthur sofreu um terrível acidente de carro com danos cerebrais... Logo que recuperou a consciência passou a afirmar que por meio de uma elaborada conspiração, seu pai e sua mãe haviam sido substituídos por impostores, duplicatas... Por isso sou contra filmes de ficções pseudo-científica fantasiosa, e teorias da conspiração... Pela 'piração' que podem promover, em quem passa a apresentar distúrbios cerebrais... Estamos aqui citando casos extremos, mas e os casos sutis, imperceptíveis? Serão obviamente confundidos com experiências místicas...

Pseudo-filósofos, pseudo-cientistas, e místicos de plantão adoram polemizar e profetizar sobre experiências sobrenaturais, mas agora estamos podendo 'provar' que tais assuntos residem em outra alçada, nada mística, como prognosticou Hipócrates: na Ciência Médica...

Os homens pensam que a epilepsia é divina meramente porque não a compreendem. Se eles denominassem divina qualquer coisa que não compreendem, não haveria fim para as coisas divinas.
Hipócrates (Pai da Medicina; 460–377 AEC)

O termo epilepsia vem do grego e significa 'mal sagrado', dando a idéia de que o indivíduo é acometido por algo que vem de fora, como a ira dos deuses... A epilepsia é conhecida desde a antiguidade, e  a bíblia já se referia à doenças como "possessão demoníaca"... Isso não é nenhuma novidade, afinal a bíblia descrevia todas as patologias como possessões demoníacas... Em Lucas [9:41-42] Jesus exorciza um menino epilético expulsando os seus demônios... Hipócrates foi o primeiro estudioso a referir-se a esta doença de maneira racional, dizendo que ela não era "nem mais nem menos sagrada que outras enfermidades e que certamente não provém de irritação dos deuses com os mortais, mas sim de uma disfunção do cérebro"... 

Durante os séculos seguintes, e durante toda a cristandade a epilepsia voltou ao obscurantismo de antes de Hipócrates... Os romanos a chamavam de "mal comicial", pois entendiam que os deuses, insatisfeitos com as decisões tomadas nos "comícios", descarregavam sua ira em alguns mortais que frequentavam tais reuniões... Muitos devem ter simulado o ataque convulsivo somente por sacanagem, mas esta é outra estória... O importante é que o medo infundado sobre a epilepsia, além da profunda ignorância reinante, tem submetidos os portadores da doença à um verdadeiro suplício, que somente a educação 'científica' pode aplacar... 

O que dizer de uma paciente que tenta enforcar a si mesma com a mão direita, enquanto a mão esquerda procura livrá-la da mão agressora? Quando esta senhora foi finalmente diagnosticada, o tumor no corpo caloso que conecta os dois hemisférios de seu cérebro estava em estado avançado... Ela morreu poucas semanas depois do diagnóstico, mas pode ficar tranquilo que não foi enforcada por si mesma... O tumor havia interrompido a conexão entre os dois hemisférios, criando dois comando independentes sobre o mesmo corpo....

Se você surpreender uma pessoa querida, provavelmente receberá um lindo sorriso... Mas se pedir uma pose para a foto, o sorriso fatalmente será diferente... Por quê? Vergonha? Talvez, mas a explicação é bem mais interessante... Embora os dois sorrisos dependam dos mesmos músculos faciais, os comandos virão de regiões diferentes do cérebro... O sorriso espontâneo, e as ações espontâneas vem dos Gânglios Basais, enquanto o sorriso e as ações intencionais vem do Córtex Neuromotor... Esta é a razão... O sorriso e as ações espontâneas, e tão preciosas, dependem dos Gânglios Basais... Viva os Gânglios Basais!!! Um dica para fotos é fotografar as pessoas sem que percebam... Virão muitas caretas até que 'tchan tchan tchan tchan', lá estará, o sorriso perfeito...

Pessoas acometidas de uma derrame na região do Córtex Neuromotor, podem paralisar o 'outro lado' do corpo... Ou seja, derrames do lado direito paralisam o lado esquerdo do corpo e vice-versa... Então lá está aquele querido parente que sofreu um derrame... Na pose para a foto, por mais que se empenhe, o sorriso será dificultoso, uma careta... Mas, se este senhor for surpreendido por você, os Gânglios Basais - lembra deles - que nada sofreram, tratarão de conjurar aquele sorriso simétrico, completo e real... Nunca vivi a experiência, mas deve ser linda...

E o contrário também será verdadeiro, ou seja, pessoas com tumores nos Gânglios Basais, apresentaram a careta apenas nos sorrisos espontâneos... Mas na hora da pose para a foto, o sorriso sairá forçado mas simétrico e amplo...

O neurocientista Amir Raz hipnotizou pessoas e as submeteu ao teste Stroop... Este testa clássico mostra palavras grafadas em letra de forma, com os nomes das cores, só que cada palavra era pintada com uma cor diferente da grafia... A pessoa é apresentada à palavra e deve apertar um botão para indicar a 'cor' certa... Durante a hipinose Raz disse aos participante que apareceriam palavras 'em uma língua desconhecida e você não devem atribuir nenhum significado, informando apenas a cor'... 16 pessoas, metade altamente hipnotizáveis, segundo a seleção, e metade altamente resistentes à hipnose, pelas características ligadas à personalidade, entraram no laboratório... Então Raz encerrou a sessão de hipnose e deixou que cada um trabalhasse, em estado de sugestão pós-hipnótica... Repare que todos foram hipnotizados, mas realizaram os testes sem a hipnose... Os indivíduos esperados como resistentes à hipnose não puderam ignorar o conflito da palavra 'vermelho', pintada na cor 'verde', enquanto era arguidos sobre 'qual era a cor'... 

Assim como os efeitos placebo, a auto-sugestão e também as crenças, são mais facilmente absorvidas por nós, dependendo de nossa suscetibilidade para 'acreditar' ou 'não questionar'... Tudo está rigorosamente em nosso cérebro... Emoções, sentimentos, sentimentalismo, crenças, racionalismo, poesia, música, ciência, filosofia, e mesma a famosa VGM (Viagem Geral na Maionese)... 

Finalmente chegamos a H.M., uma dádiva para a Neurociência... H.M. sofreu uma acidente de bicicleta quando tinha 9 anos, e passou a ter ataques epiléticos com frequência crescente... Aos 27 anos não havia condições de prosseguir vivendo com crises constantes... H.M. foi então submetido a uma cirurgia, na década de 50, que deveria retirar partes de seus lobos temporais... Uma decisão de última hora levou a equipe a retirar também o Hipocampo de H.M.... H.M. - retratado em um filme com Drew Barrimore e Adam Sandler - passou a não reter nenhuma nova memória a partir da cirurgia... Ele podia lembra-se de tudo o que viveu até antes da cirurgia, mais nunca mais registrou novas memórias... Ele podia conversar por 30 minutos, uma hora, utilizando a memória de trabalho, de curto prazo, do Lobo Frontal... O Hipocampo é responsável por registrar - involuntariamente - de tempos em tempos, a nossa memória temporária em nossa memória de longo prazo, no Córtex... Sem o Hipocampo, nada mais foi registrado... As nossas habilidade ficam guardadas no Cerebelo, mas também dependem do Hipocampo para serem armazenadas... Portanto andar, falar, dirigir, já haviam sido aprendidas por H.M., mas ele não poderia aprender nenhuma nova habilidade... H.M. seria capaz de dirigir, isso não se não esquecesse a cada momento para onde estava se dirigindo... Também continuou falando sem problemas, mas não era capaz de aprender novos vocábulos... Lembrava-se das pessoas que conheceu até a cirurgia, mas nunca mais foi capaz de reconhecer ninguém... 

Considero a realidade, a droga mais potente e maravilhosa que existe, e ainda não entendo em detalhes porque as pessoas buscam drogas menores como a cocaína, a psicanálise e a religião... E pergunto, diante de todo o exposto, e já que estamos terminando a nossa viagem: Como é possível encarar tudo o que foi dito e pensar em espíritos, misticismo e mediunidade sem desconfiar veementemente que tudo isso possa estar 'também' e somente em nossas mentes... Como um distúrbio, falha, patologia, mal entendido...

Aqui está você, são e salvo, de aqui em diante depende de você - e do que o seu hipocampo tenha selecionado para armazenar, sempre lembrando que o hipocampo atua estimulado pela emoção, o que significa que também dependerá da minha capacidade de emocioná-lo, e da sua capacidade de se emocionar com a REALIDADE...

Humano, demasiado humano... Ético, logo cético...

Carlos Sherman

sábado, 14 de janeiro de 2012

Welcome to YOU!!!



Para Isabela, eu de minhas adoráveis filhas:


While one hemisphere of our brain 'wants' for pleasure and fun, the other 'needs' to ensure our survival... The overall result of this struggle is involuntary, and it´s YOU...


Be or not to be? Let it be!!!


Welcome to you!!!


Enquanto um hemisfério do seu cérebro 'quer' prazer e diversão, o outro 'precisa' assegurar a sua sobrevivência... O resultado deste embate é involuntário, e é VOCÊ...


Ser ou não ser? Deixe estar!!! 


Bem vindo à VOCÊ... 


Carlos Sherman

domingo, 1 de janeiro de 2012

Anatomia, Bioquímica, Cérebro, Gênero, Afeto, Sexo... Fofoca e Ignorância...




Anatomia, Bioquímica, Cérebro, Gênero, Afeto, Sexo... Fofoca e Ignorância...

A Anatomia de nosso corpo, com respeito ao aparelho reprodutor, é definida fundamentalmente pela Genética e pela Embriogenese, e poderá sofrer modificações em função de nossa vida e hábitos... Não estamos considerando aqui a circuncisão, nem a mudança de sexo, silicones, etc...

A Bioquímica de nossa sexualidade também dependerá fundamentalmente da Genética e da Embriogenese, mas será potencializada pela nossa alimentação e hábitos, cigarro, bebidas e drogas, e tudo o que afete a bioquímica de nosso corpo, além de odores, e imagens... A interação Bioquímica-Cérebro – ou Sistema Neural – é de mão dupla... A Bioquímica afeta o Cérebro, e o Arranjo Neural afeta a Bioquímica...

Finalmente nossa propensão à sexualidade, em grau, preferência, etc, é Bioquímica e Cerebral... O nosso Cérebro traz características morfológicas – Genéticas - com respeito ao convívio entre os dois hemisférios, nossa afetividade, tendência ao risco, empatia, laços afetivos, estão em nossa mente... O desejo por pessoas do mesmo sexo anatômico, ou do sexo oposto, ou o desejo por tudo que se mova – rsrsrsr -, ou o grau deste desejo, e até mesmo a ausência dele, estão em nossos Arranjos Neurais – Sistema Nervoso - e em nossa Bioquímica...

A Genética, assim como a Embriogenese, não são ‘digitais’, tudo ou nada... E múltiplos genes contribuem para o estabelecimento de cada característica relacionada à sexualidade... Existem então, problemas de má formação, ou até de indeterminação, ou fraca determinação para determinada características... Ficando difícil definir onde começam e terminas as ‘falhas’, ou onde – meramente – começam e terminam as características...



Tal ‘configuração’ Genética, Fisiológica, Bioquímica e Neural, será finalmente estimulada - ou bloqueada - pelo aprendizado, comportamento, e relações psicossociais e com o meio... E assim nos tornaremos ‘quem somos’... Involuntariamente... Apesar do Cérebro e da Bioquímica, guardarem propriedades inerentes aos genes XX e XY, respectivamente, os conceitos de ‘masculino e feminino’, de atitudes ditas masculinas ou femininas, dependerá fundamentalmente de nossas referências culturais... O Cérebro, masculino ou feminino, versa sobre conexão entre hemisférios, tendência ao risco, habilidade espacial, lógica, linguística, e não sobre vestimenta, gostos meramente culturais - como esporte, hobbies, música, etc... De forma que o ‘Gênero’, em nossa cultura, dependerá do local, tempo, e das práticas aceitas como ‘masculinas e femininas’... Os machões gregos dormiam de conchinha antes de batalhas sangrentas e marcadamente viris... Os iranianos, russos, entre outros – homens – lascam um beijão na boca de seus amigos, ou nem tanto... E tudo bem...

Finalmente, e por tudo isso, sentimos afeto e desejo, como resultado de um complexo de forças, que começam no jogo de dados da Genética, Realizado pela Embriogenese, entrando em ação em nosso Cérebro e em nossa Bioquímica, para só então aprender o mundo, suas possibilidades, alternativas, e MODISMOS, e nos tornarmos – involuntariamente – quem somos... Bandidos ou Mocinhos, Mocinha ou Mocinho, e muito mais, uma miríade de possibilidades incontáveis e insondáveis...

Este complexo processo não foi devidamente considerado – e muito menos entendido - na cartilha hipócrita de Bolsonaro, nos discursos cínicos de Silas, e no insólito documento conhecido como da Bíblia Judaico-Cristã-Islâmica, partes I e II...

Espero ter contribuído para a discussão ou lançado você em dúvidas... Se contribuí, muito bem, obrigado... Se lancei você em dúvidas, tanto melhor... Se tem dúvidas, pensa... Se pensa, terminará por compreender a diferença entre argumentos e panfletos...

E se tudo isso está realmente em jogo, discutir o afeto e a sexualidade de outrem, não passa de FOFOCA... Desconsiderar tudo o que REGE este tema, não passa de IGNORÂNCIA – grossa... A Liberdade Individual é inviolável, e não é problema de ‘seu’... É problema ‘dele’ ou ‘dela’...

A VERDADE INSISTE, PERSISTE, RESISTE E PENETRA... CEDO OU TARDE... ESTAMOS EM 2012, É HORA DE PENSAR, JÁ ESTÁ FICANDO TARDE...


Carlos Sherman












A psicologia no divã [ou no confessionário?]...




A psicologia no divã [ou no confessionário?]...

Somos uma resultante involuntária de nossa ‘sorte’ – aleatória – Genética – herança do embaralhamento dos genes de nossos progenitores -, de nossas circunstâncias embrionárias – exemplo: exposição à Testosterona, e do desenvolvimento de nossa fisiologia, com amplo destaque para a formação de nosso Cérebro... E este será o ator...

E então trilharemos o complicado sendeiro do aprendizado, nossos papéis, com o estímulo – ou bloqueio – de nossas características primordiais... Diferentes ondas de impacto cognitivo, na infância, na adolescência - perscrutando os ecos de nossa busca pela identidade -,  e no assentamento – ou não – de nossa experiência no Cérebro adulto... E a força das diferentes Culturas, e dos diferentes Meios, canalizando nossas reações, por toda a viagem... Assim será desenhada a nossa vida, e o nosso comportamento... Estes serão os ‘palcos e os personagens’ de nossa vida...

Nossa natureza, portanto, poderá ser estimulada, aprimorada, ou até bloqueada, por nossa experiência... Ator e personagens... Pelo espaço de nossas vidas...

Se não entendemos a Biologia Molecular, não poderemos entender a Citologia... Se não entendemos a Citologia, não poderemos entender o Neurônio... Se não entendemos o Neurônio, nada saberemos sobre os Sistemas Neurais... Se nada soubermos sobre os Sistemas Neurais, nada saberemos sobre o Cérebro... Se nada soubermos sobre o Cérebro, nada saberemos sobre o Comportamento Humano...

Sem entender a Genética, não poderemos entender o desenvolvimento Fisiológico... Sem entender o desenvolvimento Fisiológico, não poderemos entender a Bioquímica de nosso corpo, assim com a formação do Sistema Neural... Se não pudermos compreender o funcionamento de nossa bioquímica – hormonal – nem o nosso Sistema Neural, nada saberemos sobre nos reações naturais, e as tendências e dificuldades em nosso aprendizado...

Sem entender como realmente a mente funciona, a Psicologia representará, como tem representado, um papel patético de especulação vazia, e da crença em dogmas da psique... Não entenderá o homem, senão tateará com a sua ‘misteriosa’ sombra projetada contra a parede de seu ‘consultório’... Quando muito... Sem entender que onde ‘parece’ existir ‘mistério’, na verdade existe apenas ‘complexidade’... Complexidade que poderá deslindar-se pelo estudo abnegado, e pela verdadeira dedicação ao estudo multidisciplinar do homem...

Freud fazia consultas dormindo, muitos de seus seguidores fazem consultas pelo telefone, e hoje em dia pela Internet... Sem o menor contato com a maior fonte de todo o nosso comportamento, a Genética, a Fisiologia do Sistema Nervoso e Endócrino...

Como o psicólogo português, que estudava o comportamento das aranhas... Retirava uma pata, batia com as mãos na mesa e dizia: ‘anda aranha, anda aranha’... E a pobre aranha andava, capenga, mas andava... Então o psicólogo sacava mais uma pata, batia as mãos na mesa, e repetia seu mantra ‘psicológico’: ‘anda aranha, anda’... E a aranha mais uma vez, assustada, andava... Até que retirou a última pata, bateu as mãos na mesa, gesticulou, e até gritou com veemência: ‘anda aranha, anda’.... Mas desta vez a aranha não ‘quis’ andar... Manoel então concluiu: ‘aranha sem patas fica surda’...

Carlos Sherman