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quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Hoje não...
Publicaram:
Deus liga os nossos caminhos pela conexão da alma, mas nós reconhecemos pelo coração. Linda noite, paz!!!
Quem nada sabe, em tudo crê - Jam Neruda
Nem alma, nem deuses, nem coração... O coração é um músculo que trabalha bombeando o sangue... Nossas emoções são decodificadas no cérebro... O mesmo cérebro que leva ao carcomido e infantil devaneio dos deuses e almas... Somos humanos, troppo umanos... Apenas isso, e tudo isso...
Vivam com o fato de não sermos os escolhidos de nenhum deus para nenhuma missão... Não estamos aqui por motivos morais, e sim por condições contingentes, e é só... Mas podem aproveitar a chance de estarmos vivos para trabalhar por causas que sejam maiores do que a nossa própria vida... Como estudar para aliviar o sofrimento humano... Como estudar para mudar o destino da humanidade, em termos de mortalidade infantil e expectativa de vida... Nos templos bíblicos, a exemplo do homem de Cro-Magnon - no Neolítico -, assim como nos estertores da Idade Média, ou Idade das Trevas - quando a religião dominou o mundo -, o homem vivia em média entre 30 e 40 anos... A mortalidade infantil era mais de dez vezes a atual... Mas ainda é elevada nos países mais pobres - e crentes...
Foi a ciência dos últimos séculos que mudou drasticamente este panorama...
Deuses representaram atrasos, misoginia, morte... Aristóteles, de quem tais ideias são herdadas, considerava o 'coração como pensante', o cérebro como um radiador, que esfriava o sangue quente do lado direito do corpo, para esfriá-lo do lado esquerdo, e a mulher 'sem alma', assim como os escravos e o animais... Platão considerava, em sua Evolução, que os 'deuses' - assim, no plural -haviam criado o homem perfeito, mas este foi degenerado na mulher, que finalmente degenerou nos animais... Tais imbecilidades foram propagadas pelos esquisitões da cristandade, Santo Agostinho e São Tomás de Aquino...
Mas aqui estamos, em 2012, com uma expectativa de vida de quase 80 anos, e uma mortalidade infantil reduzida mais de dez vezes - nos países mais descrentes... Não permaneçam de joelhos, com as mãos espalmadas em submissão... Levantem-se, usem os seus braços e mãos em sinal de apoio, ajuda, suporte... E para tal, estudem... Não sejam inocentes úteis à velha falácia religiosa, crente, de INCUTIR O MEDO PARA VENDER A SALVAÇÃO...
Podem atirar as pedras... Seria bem bíblico...
Carlos Sherman
2, 3, 4...
Justo, honesto, coerente... União voluntária, civil, assumida... Uma boa oportunidade para os desleais e hipócritas assumirem a verdade... Mais uma oportunidade para a sociedade tolerar as diferenças e preferências individuais, íntimas... O que não fere - em absoluto - o direito dos demais...
Escritura reconhece união afetiva a três
21/08/2012
Fonte: Assessoria de Comunicação do IBDFAM
Foi divulgada essa semana uma Escritura Pública de União Poliafetiva que, de acordo com a tabeliã de notas e protestos da cidade de Tupã, interior de São Paulo, Cláudia do Nascimento Domingues, pode ser considerada a primeira que trata sobre uniões poliafetivas no Brasil. Ela, tabeliã responsável pelo caso, explica que os três indivíduos: duas mulheres e um homem, viviam em união estável e desejavam declarar essa situação publicamente para a garantia de seus direitos. Os três procuraram diversos tabeliães que se recusaram a lavrar a declaração de convivência pública. “Quando eles entraram em contato comigo, eu fui averiguar se existia algum impedimento legal e verifiquei que não havia. Eu não poderia me recusar a lavrar a declaração. O tabelião tem a função pública de dar garantia jurídica ao conhecimento de fato”, afirma.
Ela conta também que se sentiu bastante a vontade para tornar pública essa união envolvendo três pessoas, já que havia um desejo comum entre as partes, se tratava de pessoas capazes, sem envolvimento de nenhum menor e sem litígio. “Internamente não havia dúvida de que as três pessoas consideravam viver como entidade familiar e desejavam garantir alguns direitos. Minha dúvida é com as questões externas à relação. Não há legislação que trate sobre o assunto. A aceitação envolve a maturação do direito. Nesse caso, foi preciso atribuir o direito a partir de um fato concreto. Será que haverá algum questionamento?” reflete.
Para a vice- presidente do Instituto Brasileiro de Família, IBDFAM, Maria Berenice Dias, é preciso reconhecer os diversos tipos de relacionamentos que fazem parte da nossa sociedade atual. “Temos que respeitar a natureza privada dos relacionamentos e aprender a viver nessa sociedade plural reconhecendo os diferentes desejos”, explica.
Maria Berenice não vê problemas em se assegurar direitos e obrigações a uma relação contínua e duradoura, só por que ela envolve a união de três pessoas. “O princípio da monogamia não está na constituição, é um viés cultural. O código civil proíbe apenas casamento entre pessoas casadas, o que não é o caso. Essas pessoas trabalham, contribuem e, por isso, devem ter seus direitos garantidos. A justiça não pode chancelar a injustiça”, completa.
A ESCRITURA
“Os declarantes, diante da lacuna legal no reconhecimento desse modelo de união afetiva múltipla e simultânea, intentam estabelecer as regras para garantia de seus direitos e deveres, pretendendo vê-las reconhecidas e respeitadas social, econômica e juridicamente, em caso de questionamentos ou litígios surgidos entre si ou com terceiros, tendo por base os princípios constitucionais da liberdade, dignidade e igualdade.” A frase retirada da Escritura Pública Declaratória de União Poliafetiva resume bem o desejo das partes em tornar pública uma relação que consideram familiar e de união estável. A partir dessa premissa, a escritura trata sobre os direitos e deveres dos conviventes, sobre as relações patrimoniais bem como dispõe sobre a dissolução da união poliafetiva e sobre os efeitos jurídicos desse tipo de união.
A partir da união estável, a escritura estabelece um regime patrimonial de comunhão parcial, análogo ao regime da comunhão parcial de bens estabelecido nos artigos 1.658 a 1.666 do Código Civil Brasileiro. Nesse caso, eles decidiram que um dos conviventes exercerá a administração dos bens. Dentre os direitos e deveres dos conviventes está a assistência material e emocional eventualmente para o bem estar individual e comum; o dever da lealdade e manutenção da harmonia na convivência entre os três.
Elementar...
OSNOG - Sociedade Organizada Pró-Ateísmo
Em 2003, um trabalho publicado no Physical Review Letters apontava que o raio do universo visível não poderia ser inferior a 46,5 bilhões de anos-luz. Em janeiro de 2011, o Hubble encontrou aquele que é considerado o mais distante objeto já observado, uma estrutura estelar chamada UDFj-39546284, cuja luz viajou por 13,2 bilhões de anos, e que deve estar a aproximados 31,7 bilhões de anos-luz de distância.
Se você acompanhou todos estes números, deve estar se perguntando “se a luz do UDFj-39546284 partiu dele há 13,2 bilhões de anos atrás, como é que este objeto pode estar a 31,7 bilhões de anos-luz de distância”? Os números não batem. Será que os astrofísicos realmente sabem o que é uma grandeza e o que significa um número ser maior que o outro?
Pode apostar que os astrofísicos sabem de tudo isto. Qual a explicação para esta divergência, então? Ocorre que o universo está em expansão. Se ele está em expansão, então quando a luz viajou por 13,2 bilhões de anos, o caminho que ela percorreu é diferente de 13,2 bilhões de anos-luz; é maior.
Você pode imaginar um trem saindo de uma estação, em direção a uma estação que se encontra a uma distância qualquer. Logo depois que o trem parte, a distância começa a sofrer expansão. A estação que ele partiu está mais longe do que a distância que o trem já percorreu, e a distância que o trem ainda tem que percorrer não está diminuindo tão rápido como deveria.
Da mesma forma que o nosso trem metafórico, quando a luz deixou o corpo em questão, a distância que a luz percorreu já é menor que a distância que a separa de sua origem. Da mesma forma, o espaço à frente também está em expansão, e a distância que o raio de luz terá de percorrer até atingir o Hubble vai ficando cada vez maior.
E não é só isto que está acontecendo. O espaço em que o próprio raio está também está em expansão. E o raio vai ficando cada vez mais esticado, o comprimento de onda vai ficando cada vez maior, e vai se alterando em direção aos comprimentos maiores de onda.
Quando ele chegar ao Hubble, os astrofísicos e astrônomos verão as marcas de uma viagem tremenda: de onde veio aquele raio de luz e a que distância se encontra o corpo luminoso que o emitiu, 13.200.000.000 anos atrás.
Entendeu? Elementar...
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Fronteiras do Pensamento - Eduardo Giannetti Parte I
Herman, melhore os seus argumentos... Ou procure um neurocientista para checar o seus lobos temporais... A velha crença na crença, daqueles que não querem estudar, mas desejam assumir palanques... 'Quem nada sabe, em tudo crê' - Jam Neruda... Belíssimo trabalho de Giannetti, consolidando muitos saberes que impõe-se pela PROVA, aos quereres pouco honestos, derivativos da superstição e do obscurantismo...
As velhas falácias, falsa generalização seguida de falsa dicotomia, ou seja 'na inglaterra terra da eugenia' - FALSO -, 'doutoramento na inglaterra', logo adepto da eugenia - FALSO... Também incorre na falácia retórica do Argumento Ad Hominen ao atacar ao palestrante, sem apresentar argumentos que reavivem o debate... As velhas besteiras são repetidas, sem nexo, e de forma pouco honesta, ou você vive de subjetividades ou trata o homem como mercadoria... Não existe, para o Herman, a possibilidade do entendimento objetivo sobre o homem, por mais que as provas e as evidências gritem em nossa cara...
E lá vem o ôba ôba anti-globalização, anti NOVA ORDEM MUNDIAL... O velho chavão, a velha torcida... Muita eloquência para pouco ou nenhum conhecimento... Triste destino... Sim Herman, acreditar em alminhas do outro mundo, deuses, e outras superstições é mais do que ridículo, em pleno século XXI... Seu maniqueísmo de segunda, já não move as massas... O populismo está saindo de moda... E à propósito, além da falácia da dualidade corpo e alma, adicione mais duas como desafio: a falácia do bom selvagem, e a falácia do homem como produto do meio... E estude, seus conhecimentos provém do início do século XX, época de tiranias e derramamento de sangue, em prol da falácia de construir o novo homem... Não me fale em novo homem, nem em nova ordem, desça aqui e agora para o patamar mortal de debater ideias baseadas sempre em PROVAS... O mero constructo, a vontade pessoal, a sua projeção fantasiosa, não é de interesse público... Não mais...
Carlos Leger Shernan Palmer
isso está claro, doutoramento na inglaterra terra da eugenia.quer reduzir o ser humano a uma mera mercadoria, está indentificado. Falar sobre uma psique coletiva causal entre o mundo mental e o confronto com a realidade subjetiva que de forma alguma ele poderá torná-la objetiva, suas presunções se aliam a NOVA ORDEM MUNDIAL
A afirmação do senhor gianneti sobre a ilusão da alma tem respaldo nossoa seus estudos sobre o filologo Nietzcshe. Não tendo honestidade intelectual distorxce o cerne do pensamento nietzschiano sobre a incência do devir tão aclamado por Nietzsche. A descontrução da psique humana reduzindo-a à uma sérioe de impulsos eletricos e decodificações,interpretações do complexo sistema crebral, visa a obediência a nova ordem mundial, .
hernandesjuan
Magistralmente brilhante. Sinto-me honrado de poder ouvir - mesmo que por meio de internet - as palavras desse grande intelectual. Um grande abraço para o canal e para o mestre Giannetti. Aguardo por mais vídeos.
pedroi17
Kardec, Um Olhar para a Insanidade...
"Allan Kardec, Um Olhar para a Insanidade"... Desejo sucesso à peça, espero que aborde a insanidade do espiritismo, seu obscurantismo, charlatanismo, e demência...
Carlos Sherman
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Livrai-me
Publicaram o post acima...
Comentei:
Hummm... Gostei... Mas não basta publicar um livro para livrar-se da ignorância... Vide Freud e Paulo Coelho... A maior parte dos livros que compõe uma biblioteca pode ser considerada puro lixo... Drummond pega pesado, e postula que não mais do que 100 livros poderiam resumir tudo o que importa... Acho que ele exagerou, mas bem menos do que 10% de uma biblioteca ou livraria merece ter sido publicado... Mas adoro livros, os bons livros... E sinto-me afortunado por saber reconhecê-los...
Minha vida, livrai-me de toda esta ignorância, publicada ou não...
Carlos Sherman
Dust in the wind
Cajuína
por Alex Castro
Você tem medo de morrer? Por quê? Que diferença faz?
* * *
Quando eu dava aulas na universidade e meus alunos começavam a surtar antes da prova final, eu dizia algo mais ou menos assim:
Pensem comigo. Somos todos primatas sem alma, vivendo vidas sem sentido, presos na superfície de uma bola de pedra girando em torno de si mesma e se deslocando em círculos pelo vazio do espaço, destinados a morrer em breve, junto com todos nossos entes queridos, assim como nossos países, nossas culturas e nossos idiomas, que vão desaparecer também, aquecidos por um sol que logo se auto-destruirá, levando com ele tudo o que já conhecemos. Então, sinceramente, no grande esquema das coisas, que importância pode ter essa prova?
* * *
Aí, alguém pergunta:
Então, você está vivo pra quê?
Pra nada, ué. Pra absolutamente nada. Tem que estar vivo pra alguma coisa?
Puxa, ninguém nunca me avisou… E agora?
A pessoa insiste:
Qual é o sentido da sua vida, então?
Nenhum, ué. A vida tem que ter sentido?
Ninguém me avisou também! Porra, ninguém me avisa nada!
Mas ó. Vou te dizer. Tenho vivido minha vida a esmo, sem objetivo e sem sentido, e ela tem sido muito boa, viu?
Não fez falta nenhuma até agora.
* * *
Aí, alguém desafia:
Então, por que você não se mata?
É como se eu estivesse gostosamente me balançando na rede e alguém perguntasse:
Se você sabe que vai ter que levantar daí inevitavelmente, por que não se levanta agora?
Ué, que pergunta louca.
Não levanto porque estou bem aqui me balançando. Não me mato porque estou bem aqui vivo.
Quando chegar a hora de levantar, eu levanto. Quando chegar a hora de morrer, eu morro.
* * *
No meu texto 'Sou ateu porque preciso', um leitor perguntou:
Como alguém, um ser humano, consegue suportar a ideia de que, a qualquer sopro malfadado do destino, pode morrer e simplesmente sumir? Nunca mais sentir, amar, sorrir, brigar, pensar, EXISTIR? … Para a minha pobre consciência simplesmente e inadmissível deixar de existir.
Se tudo acaba, se até mesmo o sol vai acabar, por que seria justamente eu a não acabar? Por que eu seria tão importante assim? Aliás, por que a questão da minha existência seria minimamente importante? Por que eu deixar de existir é mais ou menos dramático do que um coelho deixar de existir?
Passei a existir no momento no tempo que convencionamos chamar de 1974 mas, antes disso, eu não-existi por um período literalmente infinito. E não foi ruim. Não doeu. Não foi desagradável.
Muito em breve, voltarei a não-existir por um período infinito de tempo. Se não era ruim antes, por que seria ruim depois? Por que ter medo de voltar a um estado que já experimentei e que não foi ruim?
Na verdade, considerando o tempo que passamos existindo e o tempo que passamos não-existindo, nosso estado natural é a não-existência.
Existir seria apenas um breve soluço, um glitch, um bug, dentro de uma perfeita, plena e eterna condição de não-existir.
Somos todos seres inexistentes que, por um acaso, existem.
Mas não por muito tempo.
ALEX CASTRO
alex castro é. por enquanto. em breve, nem isso. até lá, leia.
Os chakras e o cérebro...
Publicaram a baboseira acima... Comentei:
Que tal 'I THINK'? Acho que não, pensando não chagamos aos 'chakras'... O uso do cérebro está terminantemente fora de questão aqui...
Carlos Sherman
Obra-prima...
Crítica às pseudo-psicoterapias!
Por Thales Vianna Coutinho
Boa tarde, Internauta!
Hoje participei de um evento na Universidade onde debati brevemente com um profissional da psicologia que, quando questionado por mim quanto à existência de evidências que atestassem a eficácia de uma dada abordagem terapêutica, justificou que não há como testar experimentalmente a linha terapêutica que ele defendia, por ela ser muito “holística” e “subjetiva”. Em virtude disso, estou divulgando mais uma vez um texto que escrevi no início do ano, onde exprimo minha crítica veemente contra qualquer tipo de linha psicoterápica que não possua embasamento científico. Este texto foi publicado originalmente em meu outro blog “Psique & Pseudo” que, temporariamente, se encontra inoperante. Leia meu texto, na íntegra, logo abaixo!
Tenham um dia PLENO!
A Crise das "Psicoterapias" e a briga entre os Conselhos Federais
Por Thales Vianna Coutinho
No dia 08 de Fevereiro de 2012, logo após a aprovação do Projeto de Lei 7703/2006 conhecido como “Ato Médico” pela “Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado”, o atual presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM) Roberto d’Avila deu uma entrevista onde lançou a seguinte frase, quando lhe foi perguntado com relação ao papel do psicólogo no tratamento dos pacientes com transtornos mentais: “Como tratarão neuroses, esquizofrenia? Só com papo e conversa? De jeito nenhum. Essas doenças são causadas por deficiências bioquímicas, e os pacientes precisam de medicamentos”. Quase que imediatamente essa colocação ganhou a internet – principalmente os sites que abordam as questões relacionadas ao comportamento – e a partir de então vem recebendo dezenas de críticas. No dia 23 de Fevereiro, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) publicou em seu website oficial uma “Nota de Repúdio” à colocação de d’Avila, que finalizou com: “A Psicologia repudia essa fala pois tem certeza que não só os psicólogos, mas os próprios médicos não concordam com uma posição retrógrada e limitada como esta”.
Eu sou psicólogo, e procuro sempre participar de discussões e debates – seja pessoalmente, seja mediado pelo computador – e nessas discussões pude perceber que foram muitas as críticas ofensivas ao presidente do CFM; porém muitos poucos profissionais tentaram compreender o subtexto da colocação dele. Para além de julgar se ele está certo ou errado é necessário – e urgente – buscar compreender a razão pela qual um Presidente de um Conselho Federal de Medicina, nutre essa visão com relação aos profissionais da psicologia. Atacá-lo com “paus e pedras” não vai “exorcizar” essa crença disfuncional com relação à função da psicoterapia. É preciso entender o argumento dele, e tentar desconstruí-lo com base em evidências, para assim conscientizar a população em geral (acadêmica ou não) de que a psicologia clínica não é “só papo e conversa”. Mas é quando chegamos nesse ponto que nos deparamos com um grande problema!
No início dos anos 1990, o Dr. David Sackett da McMaster University (Canadá) fundou um movimento conhecido como “Medicina Baseada em Evidências” e coordenou uma equipe de pesquisadores responsáveis por varrer a literatura médica e descartar práticas que não estejam baseadas em evidências científicas, ou seja, que não derivavam de estudos com métodos controlados que produziram conclusões estatisticamente significativas capazes de embasá-las. Com isso, ele invalidou muitas das práticas médicas consideradas “eficazes”, mas que na realidade possuiam um efeito igual – ou pior – que o mero acaso. Aos poucos, esse paradigma de “ciência baseada em evidência” começou a se manifestar em outras áreas do conhecimento, não só da saúde, mas também administração, direito, educação, etc. Em meados dos anos 2000, essa visão chegou à psicologia (tanto clínica, quanto educacional, organizacional, jurídica, etc). A partir de então, várias foram as publicações na área e, uma das questões mais visadas até hoje se refere a estudar a eficácia da psicoterapia.
Para esses estudos, geralmente – mas não sempre – se analisam as duas modalidades mais utilizadas: a “Terapia Cognitivo-Comportamenal” e a “Terapia Psicodinâmica”, e geralmente se opta por um método relativamente simples de pesquisa, que consiste em avaliar o paciente antes e após o tratamento, para verificar se ele teve êxito. Por exemplo, uma população de pacientes com diagnóstico de Depressão Maior. Suponha que essa população tenha um total de 200 indivíduos. Todos eles são avaliados antes do tratamento, utilizando o mesmo questionário padronizado, para evitar ao máximo qualquer diferenciação. Na sequência, metade deles (100 indivíduos) iniciam a Terapia Cognitivo-Comportamenal e a outra metade inicia a Terapia Psicodinâmica. Todos os profissionais envolvidos sabem que o foco da terapia é a depressão. Depois de um dado número de sessões, todas essas pessoas são novamente avaliadas (através do mesmo questionário aplicado no início) e então se faz um cálculo simples: [Resultado Final – Resultado Inicial]. Se o resultado é positivo, isso significa que a psicoterapia a qual ele foi submetido pode ter tido algum efeito. Então, chega o momento de realizar outros testes estatísticos para poder considerar se aquele resultado positivo se deve mesmo à terapia, ou é fruto do acaso. Por fim, comparam-se esses resultados e gera-se uma conclusão, que depois será publicada numa revista científica, criticada pelos seus pares e replicada em outros lugares do mundo com o objetivo de constatar se o resultado procede ou não.
Mas afinal, depois de todo esse processo, o que se descobriu sobre a psicoterapia? Existem dezenas de evidências demonstrando que a “Terapia Cognitivo-Comportamenal” é muito eficaz para uma série de transtornos mentais (depressão, fobia social, transtorno de estresse pós-traumático, transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, anorexia, esquizofrenia, etc), seja em combinação com medicação, seja sem medicação. A Terapia Psicodinâmica apresenta algumas evidências, mas ainda são muito poucas e há inclusive trabalhos mostrando que ela não é eficaz. E quanto às outras abordagens? A resposta é “não apresentam nada”, ou “quase nada” (um ou outro artigo isolado, sem replicação nenhuma).
Evidentemente que nenhuma ciência é perfeita. É possível que daqui a algum tempo surja uma nova modalidade terapêutica que apresente evidências significativamente fortes para desbancar a Terapia Cognitivo-Comportamenal! Nesse caso, os verdadeiros psicólogos terão que abrir mão de tudo o que pensavam saber sobre a dinâmica clínica do paciente, e começar a se dedicar a essa nova abordagem. Toda ciência funciona assim, e a psicologia não poderia ser diferente. Como já dizia Thomas Kuhn, o conhecimento científico evolui quando um paradigma vigente entra em crise e é substituído por outro, que se mantém superior até que outro paradigma ainda melhor o substitua, e assim sucessivamente ad infinitum. Claro, nem sempre esse processo de substituição é simples. Às vezes é tão complicado e doloroso como um “parto seco”, mas, nesse caso, já está mais do que na hora da criança nascer!
A triste verdade é que uma grande porcentagem de psicólogos(as) no Brasil não está acostumada a raciocinar com base em evidências. Muitos defendem sua atuação (seja na clínica, na escola, na empresa, etc) sustentando-se “no que alguém disse que deve ser feito”, e esse “alguém” geralmente é um sujeito que viveu na primeira metade do século passado e não realizou (seja por falta de interesse, seja por falta de recursos tecnológicos) nenhum estudo controlado para fundamentar sua teoria. E devido a essa cultura quase que religiosa (em que não se preocupa em provar nada, apenas se segue as palavras de um ou mais “profetas”), os profissionais que aderem a essas teorias continuam errando ao não testar empiricamente sua abordagem, e reproduzindo uma prática não científica. O detalhe é que a psicologia é uma ciência, e esses profissionais pseudocientíficos não abrem mão do título de “psicólogo(a)”. Além disso, é bem provável que aqui jaza a razão para a fala do presidente do CFM que gerou tanto reboliço. Afinal, até que se prove o contrário, muitas abordagens de psicologia clínica (nem todas, é claro) são sim um “bate papo”, onde o profissional está teoricamente confuso e o cliente está realmente perdido, e ludibriado, pois acreditou ter confiado seus conflitos às mãos de um profissional cientificamente respaldado.
Referências:
O famoso ato médico - Projeto de Lei 7703/2006. Disponível em: http://direitodomedico.blogspot.com/2008/03/o-famoso-ato-mdico-projeto-de-lei.html
Atuação de profissionais da saúde é ampliada em votação no Senado. Disponível em: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,atuacao-de-profissionais-da-saude-e-ampliada-em-votacao-no-senado,833205,0.htm
Nota de Repúdio à fala do Presidente do CFM. Disponível em: http://www.pol.org.br/pol/cms/pol/noticias/noticia_120223_001.html
LEAHY, R. Cognitive-Behavioral Therapy: Proven Effectiveness. Disponivel em: http://www.psychologytoday.com/blog/anxiety-files/201111/cognitive-behavioral-therapy-proven-effectiveness
TOLIN, D.F. Is cognitive-behavioral therapy more effective than other therapies? meta-analytic review. Clinical Psychology Review, 2010.
Thales Coutinho:
Escritor, Psicólogo (CRP12/10175), Personal & Professional Coach, Palestrante, Treinador de Equipes Empresariais, Consultor em Gestão de Pessoas, e Professor da disciplina de Psicopatologia no Instituto de Parapsicologia e Ciências Mentais de Joinville. E-mail: thales.coutinho@hotmail.com Muito interessado pela Psicologia Evolucionista (e suas aplicações em contextos sociais e organizacionais), pela Neurociência Social, pela Genética Comportamental, pela Teoria dos Jogos e pela Ciência Cognitiva. "Someone that like to make and discuss about science".
Querido amigo, homem de coragem e refinada integridade intelectual, 'a luta continua'... Se milhares ou milhões acreditam em imbecilidades, ainda assim não passarão de imbecilidades... Como tenho dito, a verdade persiste, insiste, resiste e penetra... Um forte abraço... - Carlos Sherman
Coragem, Ética e Integridade Intelectual...
Por Thales Vianna Coutinho
Existe graduação em "PSICOLOGIA" no Brasil???
Eu, sinceramente, acho que não. O que existem são graduações em "História da Psicologia", nas quais são estudadas como verdade, teorias que deixaram de ter crédito há mais de 40 anos. Ciência, de fato, é quase inexistente na grade curricular da maioria dos cursos de graduação em Psicologia que conheço (inclusive naqueles com conceito 7 da CAPES). O ideal (já que esse bando de professores incompetentes são relutantes demais às mudanças) seria que o estudante fosse auto-didata, e assim entrasse em contato com a autêntica ciência psicológica através da leitura regular de artigos científicos publicados em periódicos internacionais com alto fator de impacto. Mas, se já é difícil convencer as pessoas a estudarem enquanto estão dentro das quatro paredes da sala de aula, MUITO MAIS DIFÍCIL é fazê-los estudar por conta própria (sem a pressão dos "trabalhos" e das "provas"). Resultado: profissionais medíocres que, devido à ignorância no momento de atuar, criam para a psicologia a reputação de "profissão desnecessária". E ainda me vem o Conselho Federal de Psicologia querendo se manifestar contra o "Ato Médico"!!! Caro CFP, primeiro regulamente a sua (e minha) profissão, extinguindo da grade universitária, sem dó nem piedade, abordagens que não tenham embasamento científico, proibindo sua utilização na prática, para então - e SÓ ENTÃO - ter moral para se meter na regularização da profissão alheia!!!
BANDO DE HIPÓCRITAS!!!
Thales Vianna Coutinho
PSICÓLOGO
O outro
O homem inventou deus
Para que pudesse inventá-lo...
O OUTRO é o sentido da vida...
Pra mim o sentido é esse...
Ferreira Gullar
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