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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Argumento falacioso...



Conheço a Tailândia, a Colômbia e o México, e sei que tal estudo é uma piada, ou foi mal feito... Não condiz com a realidade... A Colômbia é um país com a população de São Paulo, um bom país, pode até apresentar números médios melhores do que o Brasil, a Tailândia nunca... Mesmo assim considero o ensino na Colômbia, que conheço de perto, e de dentro, tendo sido casado por 06 anos com uma colombiana, e tendo acesso à estrutura de ensino, inferior ao ensino nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, onde vivem quase 120 milhões de brasileiros - 3 vezes a população da Colômbia... Mas somos uma federação, possuímos dimensões continentais...


É óbvio que não considero o ensino no Brasil satisfatório, mas não posso assistir calado o desfile de argumentos falaciosos, dos porta-vozes do apocalipse, dos 'conspiracionistas', e daqueles que só querem ver o circo pegar fogo...

Carlos Sherman


Optogenética


Por João De Fernandes Teixeira
Optogenética: As novas sondagens do cérebro
A Optogenética permite identificar com precisão circuitos cerebrais em funcionamento, o que permite superar algumas dificuldades técnicas e metodológicas da neuroimagem e da eletrofisiologia de neurônios individuais.


A Lua e Júpiter...




Por Pedro Pinheiro

Ontem, em decorrência da conjunção (dois corpos celestes aparecem perto um do outro no céu) da Lua e Júpiter, fiquei surpreso com vários posts do tipo "Estou vendo Júpiter a olho nu", como se isso fosse algo raro de acontecer. 

Já digo de antemão: não é. Todos os planetas exceto Urano e Netuno são visíveis a olho nu, quase todas as noites, alguns em decorrência da proximidade, outros pelo tamanho. Conjunções astronômicas com a Lua também não são raridade, e ocorrem diversas vezes por ano, como podemos checar no link abaixo:

http://www.silvestre.eng.br/astronomia/fenomenos/planetas/luaplan12/

Todo mundo já deve ter visto (quem olha para o céu constantemente, pelo menos) Vênus, Mercúrio, Marte, Saturno e Júpiter e nem sabia. 

Tem um programa interessante e gratuito que ajuda bastante nas observações de planetas e constelações, e ainda serve como guia para localização utilizando um telescópio. Se você gosta, vale a pena: 

http://www.stellarium.org/

Eu bebo sim e....



Álcool pode deixar cérebro mais 'ligado' para lidar com testes, diz pesquisa

Atualizado em  11 de abril, 2012 - 06:39 (Brasília) 09:39 GMT
Uma pesquisa realizada por psicólogos da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, afirma que beber álcool em quantidades moderadas pode deixar o cérebro mais "afiado" para lidar com atividades que requerem criatividade.
Homem bebe cerveja
Estudo sugere que bebida pode ajudar na solução de problemas que requerem criatividade
O estudo foi feito com 40 homens de idades entre 21 e 30 anos recrutados de forma voluntária através do site Craigslist. Metade deles foram alcoolizados até atingir concentração de álcool no sangue de 0,075, que é acima do permitido para motoristas na maioria dos Estados americanos. Os demais continuaram sóbrios durante o estudo.
Em seguida, todos os 40 participantes foram submetidos a testes de Associações Remotas de Mednick (RAT, na sigla em inglês), que é uma forma simples e rápida usada por psicólogos para avaliar a solução de problemas criativos.
Os cientistas apresentam três palavras ao entrevistado - por exemplo, "mate", "cadeira" e "bule". O objetivo é encontrar uma palavra comum que possa ser associada a cada um destes termos, como a palavra "chá" (formando a palavra composta "chá-mate" e as expressões "chá de cadeira" e "bule de chá").
No caso da pesquisa feita pela universidade de Illinois, os psicólogos ainda pediram para que cada entrevistado explicasse como chegou à resposta correta - se foi através de algum método de associação ou se foi por um mero "lampejo espontâneo".
Os participantes que estavam alcoolizados conseguiram acertar mais vezes as respostas, do que os sóbrios. O índice de acerto entre as pessoas que haviam bebido era de 58%, em comparação com 42% dos que não tinham ingerido álcool.
Além disso, eles apresentaram respostas de forma mais rápida (12s para os alcoolizados, em comparação com 15s dos sóbrios) e com maior incidência de "lampejos espontâneos". Isso sugere que o álcool pode, em determinados casos, contribuir para que as pessoas encontrem respostas mais rápidas e de forma mais criativa.
O estudo feito pelos pesquisadores Andrew Jarosz, Gregory Colflesh e Jennifer Wiley foi publicado na edição de março da revista científica CliqueConsciousness and Cognition.
Os autores do artigo dizem que o resultado é compatível com outros estudos, que sugerem que sonecas tiradas imediatamente antes de tarefas difíceis podem melhorar o desempenho do cérebro na busca por soluções criativas.
Outra pesquisa afirma que um grau menor de concentração também tem mesmo efeito no cérebro. Para os pesquisadores de Illinois, um grau moderado de alcoolização pode contribuir para "desconcentrar" o indivíduo, facilitando soluções criativas.

Alma???



Após derrame, mãe esquece marido e filhos e pensa ser adolescente

Atualizado em  26 de setembro, 2012 - 09:00 (Brasília) 12:00 GMT
A britânica Sarah Thompson e sua famíla (Caters)
Sarah Thompson mal se recorda do marido e dos filhos
A britânica Sarah Thomson, de 32 anos, sofreu um derrame em consequência de um coágulo de sangue em seu cérebro que apagou 13 anos de suas memórias.
O coágulo, que teria origem, segundo os médicos, em uma má-formação de vasos sanguíneos, interrompeu o fluxo de sangue para um parte do seu cérebro, fazendo com que o local ficasse temporariamente sem oxigênio e sem nutrientes.
Quando ela recobrou sua consciência, após ter sido levada a um hospital, não reconheceu seu marido ou seus três filhos e estranhou o fato de seu irmão estar calvo.
Ela pensou que o marido, Chris, fosse um funcionário do hospital. ''Não me lembrava de tê-lo conhecido, de ter me casado com ele ou o que quer que seja''. E afirma que teve de ''se apaixonar novamente'' pelo marido.
''Quando as crianças vieram me ver, eu não tinha ideia de quem elas eram, pensei que fossem filhos de outra pessoa. Eu os chamava pelo nome errado, não entendia por que estavam tão felizes em me ver.''
Ela conta que a reação ao ver os demais integrantes de sua família também foi de estranhamento. ''Olhei para o meu irmão e disse: 'você está careca'. E também falei aos meus pais como eles pareciam mais velhos. Era como se tivessem envelhecido da noite para o dia.''

Estranha no espelho

Ela afirma ainda que não foi capaz de se reconhecer ao se olhar no espelho. Sarah conta que teve de assistir a vídeos e ver fotos para tentar lembrar como era a sua vida anterior. ''Mas, às vezes, parecia que eu estava vendo outra pessoa'', relata.
Sarah Thomson descreve como o marido como tem sido ''incrível'' e atribui a ele sua recuperação. ''Eu tive de me apaixonar por ele novamente. Ele me levou a todos os lugares que havíamos ido juntos para tentar despertar minha memória''.
Ela comenta que é estranho acordar diariamente com um "estranho" a seu lado, mas que as recordações estão voltando ao poucos.
No Natal do ano passado, ela afirma que voltou a se apaixonar por ele e conta ter se sentido muito nervosa ao se declarar para o marido, como se fosse a primeira vez que o fazia.

Neil deGrasse Tyson - O Universo Tem um Propósito ? (LEGENDADO)

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Argumento "michuruca"...



Um tal Alessandro criou a seguinte situação hipotética:

"(..) se um cara for estuprado por uma mulher poderá requerer o aborto? (..) pergunto por que as mulheres usam um argumento 'michuruca' de que o corpo é delas para justificar o aborto..."

Desembainhei:

Alessandro, sobre o 'aborto', você afirma que "as mulheres usam um argumento michuruca de que o corpo é delas"? Antes de objetar sobre esta imbecilidade quero dizer que 'mixuruca' se escreve com X... Seguindo o raciocínio, quer dizer que, na sua visão, alegar que o 'corpo é meu', em se tratando de uma vítima de estupro, é um argumento "michuruca"??? Francamente, mixuruca é a sua cabeça... 

Primeiramente, em caso de estupro sempre deveria ser facultado à quem sofreu a violência decidir sobre as consequências decorrentes... O sofrimento já é bastante, para que a vítima seja condenada a mais sofrimentos decorrentes... É óbvio que se comprovado o 'estupro', o homem deveria ter o direito de optar pelo aborto, e escolher não ter o filho, e o aborto deveria ser procedido... O direito da agressora deveria respeitar o direito do agredido, pelo crime cometido por ela... Situação complexa, princípios claros... 

E evidentemente uma mulher estuprada, o caso mais frequente, deveria decidir se deseja ou não interromper a gravidez... Simples assim, justo assim... 

Carlos Sherman

Sobre solidariedade e empatia...



Um estudo avaliou a possibilidade de empatia nos Orangotangos... Enquanto um orangotango se alimentava, outra a jaula ao lado recebia choques... O orangotango que se alimentava feliz logo percebeu a relação entre pegar a banana e o choque elétrico no outro orangotango... E passou o tempo que foi necessário sem comer... Exercitando a solidariedade pela empatia, ou seja, por colocar-se no lugar do outro...

Antes que os porta-vozes do apocalipse humano comecem com a falácia rousseauliana do 'bom selvagem', alegando que devemos aprender com os orangotangos, devo informar-lhes que somos - com sobras - os campeões em empatia e solidariedade... E os fatos mostram o que as ideologias de ocasião teimam em aceitar... Somos uma espécie solidária, e praticamos a empatia mais do que qualquer outras... Mas não somos idênticos, e os comportamentos egoístas ou excessivamente egoístas, logo são notados... Muito mais do que a nossa predominância indiscutivelmente solidária... E por isso estamos aqui... Não sabemos de muita coisa, por certo, e tateamos em maie à natureza, até porque insistimos em desprezar a REALIDADE para viver de ideologias... E este é um entrave... Mas somos si, majoritariamente solidários, pela empatia...

Carlos Sherman

QUEM VOCÊ PENSA QUE É?

Steven Pinker - Fronteiras do Pensamento

Daniel Dennett - Fronteiras do Pensamento

Psicologia - Oliver Sacks o La Complejidad de la Mente (pt. 2)

Psicologia Oliver Sacks o La Complejidad de la Mente (pt. final)

Oliver Sacks explica o incrível efeito da música sobre a gagueira cinéti...

Assista à íntegra da entrevista com Oliver Sacks

Oliver Sacks: O que as alucinações revelam sobre nossas mentes

Ato de Fé...




Não existe nada de nobre na fé... 
Não existe nada de nobre 
Na insistente fuga da realidade, 
Pelo insistente caminho da submissão... 
A fé é a apologia do abandono da realidade 
Em favor de que qualquer ilusão oportuna
E/ou oportunista... 
Não existe nada de ‘irracional’ na fé, 
Embora exista algo de doentio... 
A fé não é irracional e sim ‘emocional’... 
Um ato estimulado pelo medo ou desespero,
Mas que transcorre em nosso sistema neural... 
Primeiro acreditamos, 
E depois buscamos razões para crer...
Primeiro nos submetemos,
Depois juntamos as armas... 
Você não está louco apenas porque crê, com fé,
Mas certamente precisa de ajuda... 
E obviamente, em seu delírio, 
Não está em condições de guiar a ninguém,
E nem a si próprio...
A fé entorpece ainda mais o entorpecido...
A fé, apesar de embalada para presente, 
E aludindo sempre à toda sorte de verbosidades, representa, de fato,
Um ato de profunda irresponsabilidade,
E flagrante inconsequência 
Para com a realidade, 
Para com a vida,
Para com os demais...
A fé nada explica, 
Mas afasta importantes questões... 
Fé é quando as respostas – prontas –
Precedem as perguntas... 
E não podemos ajudar 
A quem crê que tudo sabe 
E em função de um único livro,
Que ele nunca leu,
Mas que nada diz além de: submeta-se ou morra...
E não podemos acordar
A quem prefere continuar dormindo
O sono analgésico da crença 
Sob o efeito do placebo da fé,
E esperando trêmulo
Pelo juízo final... 
Esperando pela desforra 
Ou pela remissão de todo o medo... 
Triste destino...
A fé é instrumento valioso,
No velho negócio de
Incutir o medo
Para vender a salvação...

A fé insiste: submetam-se... 
E respondemos pensem... 
Ou procurem um médico... 
É sério, não fui irônico...

Carlos Sherman

Seres infinitos... Infinita Ignorância... Uma luz na escuridão...




Um amigo publicou:

Por que somos tão presunçosos a ponto de achar que um ser infinito precisa do nosso louvor?

Mas foi questionado:

Não é esse "ser infinito" que precisa, Marcelo, somos nós.


Resolvi entrar na chuva:

Roque, precisamos de 'seres infinitos' porque não estudamos o suficiente, e em função de algumas características neurofisiológicas, assim como certos distúrbios... Onde alguns vêem mistérios - e explicam com grotescos seres infinitos, infinitos em rancor, ira e morte, e apesar de tudo descrevem pela incrível alcunha de AMOR - outros vêem apenas complexidade... Prefiro esperar para SABER... Trata-se da minha natureza instigada pela minha formação... Outros precisam CRER, já... Trata-se de natureza deles, e da falta de instrução específica... Sempre foi, e sempre será... Mas vamos melhorando... A bíblia - por exemplo - base para um 'ser infinitamente assassino' - 2,5 milhões de mortos por falta de LOUVOR, sem contar o 'humanicídio' da 'arquinha dos bichinhos', donde suprimimos hoje a parte dos corpos boiando, e a seguinte chacina, o Apocalipse -, mal humorado, caprichoso, intolerante, alega que doenças - todas - são possessões demoníacas, e chama a leprosos de imundos - desconhecendo o bacilo causador desta terrível doença -, e deficientes físicos de pária... Vamos evoluindo em conhecimento, e desafiando a mensagem desde ser infinito, e questionando seus planos... Por exemplo, desde o Paleolítico Superior, com o homem de cro-magnon, passando pelos tempos bíblicos, até o fim da idade média, não pudemos superar a marca de 40 anos para a expectativa média de vida - estando Cristo um pouco abaixo desta média -, mas ocm o acender das luzes iluministas, e depois as ultra-luzes da ciência - descrente -, hoje vivemos o dobro, e morremos menos ao nascer, sendo a mortalidade infantil dez vezes menor em nossos dias... vale notar ainda, que estes número podem ser melhores conforme a descrença em seres infinitos, e podem ser bem piores conforme a respectiva CRENÇA em seres infinitos... O mapa da pobreza, da fome, das desigualdade, das elevadas taxas de mortalidade infantil, da baixa expectativa de vida, se sobrepõe à baixa instrução, e também à crença em seres infinitos... Este é o problema, e nunca foi a solução...

As bactérias, vírus, germes, aí estão desde o 'início', desde a 'criação', certo?... Ou não? Ou evoluíram? Sendo assim, as enfermidades estão conosco desde a 'criação', mas o conhecimento médico - descrente - é novo... E aí? Ficamos com a devoção ao ser infinito, e suas infinitas palavras sobre possessão demoníaca, ou vamos ao médico?

Os deuses - seres infinitos - são forjados pela 'crença na crença', assim como ETs, astrologia, 'paulocoelhismo', freudismo, marxianismo, e outras superstições... O seu sucesso remonta à nossa tendência em aderir aos fenômenos ditos causais - causa e efeito simples, de primeira ordem -, assim como pela nossa tendência a assumir falsos positivos - vide aposta de Pascal -, em função de nossa evolução neurofisiológica... Além da ignorância e da falta de instrução... A crença religiosa remonta ao velho esquema de 'incutir  o medo para vender a salvação'...

ÉTICO, LOGO CÉTICO...

Carlos Sherman


Sobre Estupro...


Um imbecil provocava a todos repetindo que 'a mulher pede para ser estuprada'...



Desembainhei:

Mas é claro que uma mulher estuprada não pede para ser estuprada... Que CRETINICE!!!

É óbvio, até porque quando há consentimento o assunto é outro... Estupro é a prática do sexo sem consentimento, e com muita violência... O que implica em PROVAS... 

Outra vez, não se trata de problema ideológico, trata-se de um crime diagnosticado pela medicina legal... Com PROVAS....

Carlos Sherman



Sobre a Cultura...




Em meio à um debate caótico sobre estupro, alguém sentencia sobre o determinismo cultural:

Sim. E esse é o problema da humanidade. Culturas e mais culturas. Cadê a cultura humana? Baseada no respeito mútuo? Não tem. Porém, esse não é o objetivo do debate. A "coisa" aqui é que alguém que foi ensinado a não atacar uma mulher não irá atacá-la, mesmo sentindo o desejo. Alguém que o faz mesmo sabendo que é errado e diz que agiu por "hormônios" deve ser impedido de viver em sociedade.

OBJETEI:

Este assunto é bem mais complexo do que um chat de opiniões, e estudo o tema a mais de 20 anos... Primeiramente dizer que 'este é o problema da humanidade', é o pleno desconhecimento sobre antropologia, e a dinâmica da convergência cultural, contingente e INVOLUNTÁRIA... Jessica, não existe uma 'humanidade' a ser culpada, de forma animista, como se houvesse uma tremenda articulação, como um espécie de livre-arbítrio cultural.... Não, não procede... Cultura é o conjunto de técnicas e costumes de um dado povo, circunscrito a uma região geografia, no que tange à afinidade ou similaridade... E isso está em constante mudança, sempre, fundindo-se ou canibalizando outras culturas, sem cessar... Estamos tateando - sem intenção articulada - na busca por viver mais e melhor... 

A multiplicidade cultural não é uma escolha, e sim o resultado da interação entre humanos e seu meio...

Depois, devemos analisar os aspectos genéticos e neurofisiológicos da espécie humana, e sua capacidade de combinar conceitos atuais com o aprendizado anterior, assim como enfrentar o problema da adaptabilidade com o meio... A isso se somam a climatologia e a geografia... De forma que o assunto é multidisciplinar e complexo, e nada ideológico... A Sociologia inclusive está montada sobre a falácia da tábula rasa, e do homem como produto exclusivo do meio... O fenômeno social não é explicado apenas - nem principalmente - por fatos sociais [ominia cultura ex cultura], e sim, e sobretudo, pela natureza humana... É a natureza humana que imprime sua marca na cultura e não o contrário... Mas a cultura devolve na forma de feedback tais conceitos para o grupo - dinamicamente... E neste ponto, devo lembrá-la de que o estupro não é nem de longe a regra em nossa sociedade... De forma que não podemos, sob nenhum pretexto, extrapolar um comportamento doentio para a humanidade como um todo... E finalmente, concordo com você que uma pessoa que vive à margem de nossos acordos sociais e princípios, e de forma tão terrível, deve ser privada do convívio com outra pessoas... Aí entramos no problema da Justiça, e vem a pior parte: o sistema carcerário... Mas tudo isso precisa descer da superfície da eloquência, para o encontro com os devidos e necessários conhecimentos correlatos, e com os princípios que regem os nossos acordos sociais e leis... Recomendo a leitura de 'Tábula Rasa' - Steven Pinker, 'O que nos faz humanos' - Matt Ridley, 'Os Dragões do Éden' - Carl Sagan, 'Cérebro e Crença' - Michael Shermer, entre outras excelentes obras...

Mais a minha amiga, apesar de agradecer os livros indicados, tinha sua própria objeção a fazer:

"Porém, vou discordar de tudo. Entendo que cada cultura se desenvolveu diferente por vários fatores. Mas a humanidade, nem que seja só uma "parcela" de algumas culturas, já desenvolveu sua "inteligencia" de um modo a respeitar (respeitar sim Fernando, porque como eu disse, somos uma espécie provida de consciencia, não nos compare com outras espécies, que por mais que eu não nos ache especial, nós somos sim diferentes das demais) todos os indivíduos, humanos ou não, para convivermos em sociedade. Não pense que eu não dou importancia ao desenvolvimento das culturas passadas, pois foram elas quem nos fizeram chegar ao que chegamos hoje, porém, não posso aceitar de forma alguma que costumes passados, como o de estupros dos tempos da idade do bronze, sejam respeitados e ainda por cima justificados na sociedade de hoje. É uma imensa falta de respeito para com a humanidade, que divide esse imenso planeta com outros humanos e outras espécies, proteger culturas que ferem um indivíduo baseado em conceitos absoletos. Hoje podemos sim escolher, antigamente eu concordo que não, porém hoje temos a possibilidade de viver em "harmonia" com tudo e com todos, porém ainda há pessoas que não pensam dessa forma e deixam as culturas que tiram a responsabilidade do ser humano "racional" com esse planeta."



Precisei insistir:

Jessica, não pude identificar a discordância... Primeiramente porque não disse que umas culturas não estão mais bem adaptas e solidárias do que outras... E existem sim sociedades que tomam decisões muita mais inteligentes... Adotam princípios mais interessantes aos seus olhos e aos meus... E nos agradam mais, e devo dizer que estão bem mais evoluídas, porque prosperam a olhos vistos, através de indicadores OBJETIVOS, tais como o aumento da expectativa de vida e a flagrante diminuição da mortalidade infantil... Ou seja, concordamos que umas culturas estão bem mais evoluídas, de fato... E são mais 'inteligentes' em seu conjunto de regras, princípios e leis... E daí??? Objetei pela reclamação de que " E esse é o problema da humanidade. Culturas e mais culturas. Cadê a cultura humana?"... Está em desenvolvimento... Trata-se de um processo e não uma escolha... Este é o ponto... Daí pra ferente torcemos pelo mesmo destino, solidariedade, regras justas, liberdade, etc... De forma que concordamos no objetivo, divergimos no meio... Não posso reclamar do que É, mesmo que prefira que seja de outra forma... Procuro entender livremente o que nos trouxe até aqui, vetores, realidade, para contribuir de forma objetiva em mudar alguma coisa... É isso... Não choro sobre o leite derramado... Quero entender porque caiu, para evitar que caia novamente, e quero ser o primeiro a abaixar e limpar... É uma questão de atitude... Tomara ciência, tornar-se ciente... E não repetir chavões ou palavras de ordem... Mesmo que topasse gritar os mesmos brados que você... Concordamos com os fins, questiono os meios: reclamando...

Você pode até entender a questão da 'importância', ou 'auto-importância', ao negar que somos 'o máximo', mas não se livra do conceito de livre-arbítrio, e pior que isso, livre-arbítrio cultural... Não procede... Respeitosamente... Não é assim que funciona...


Carlos Sherman